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	<title>vidas-secas &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "vidas-secas"</description>
	<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 15:38:19 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Vidas secas: literatura cheia de vida!]]></title>
<link>http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/?p=276</link>
<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 01:28:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>telminha21</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Hoje resolvemos falar um pouco sobre um livro espetacular: Vidas Secas. Trata-se de um romance pub]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://literaturaemcontagotas.files.wordpress.com/2008/09/2150992479_2e37ff966c.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-277" title="2150992479_2e37ff966c" src="http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/files/2008/09/2150992479_2e37ff966c.jpg?w=300" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Hoje resolvemos falar um pouco sobre um livro espetacular: Vidas Secas. Trata-se de um romance publicado por Graciliano Ramos em 1938.</p>
<p>Graciliano Ramos foi um dos expoentes do modernismo brasileiro. Nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892 e faleceu em 20 de março de 1953, no Rio de Janeiro. A crítica literária o considera o maior romancista moderno do Brasil, principalmente por ter explorado com maestria temas fortes como a violência, a morte e a luta pela sobrevivência.</p>
<p>Vidas Secas, esse romance genial enfoca especialmente essa luta pela subsistência quando o ser humano se encontra nas condições mais precárias possíveis. O autor consegue penetrar profundamente no íntimo dos personagens, retratando fielmente os mais variados sentimentos.</p>
<p>Fabiano, o personagem principal do livro, é o típico homem moldado de acordo com o meio em que vive. Socialmente oprimido, muito simplório, de idéias curtas, o protagonista tem dificuldade em se comunicar e se ressente disso. Ora se reconhecendo como homem, ora como "bicho", o personagem está sempre se sentindo inadequado. Sua ignorância o constrange.</p>
<p>Abaixo, segue um trecho dessa obra-prima. Aproveitem!</p>
<p>"Festa</p>
<p>Fabiano, sinha Vitória e os meninos iam à festa de Natal na cidade. Eram três horas, fazia grande calor, redemoinhos espalhavam por cima das árvores amarelas nuvens de poeira folhas secas.</p>
<p>...</p>
<p>Fabiano estava silencioso, olhando as imagens e as velas acesas, constrangido na roupa nova, o pescoço esticado, pisando em brasas. A multidão apertava-o mais que a roupa, embaraçava-o. de perneiras, gibão e guarda-peito, andava metido numa caixa, como tatu, mas saltava no lombo de um bicho e voava na catinga. Agora não podia virar-se: mãos e braços roçavam-lhe o corpo. Lembrou-se da surra que levara e da noite passada na cadeia. A sensação que experimentava não diferia muito da que tinha tido ao ser preso. Era como se as mãos e os braços da multidão fossem agarrá-lo, subjugá-lo, espremê-lo num canto de parede. Olhou as caras em redor. Evidentemente as criaturas que se juntavam ali não o viam, mas Fabiano sentia-se rodeado de inimigos, temia envolver-se em questões e acabar mal a noite. Soprava e esforçava-se inutilmente por abanar-se com o chapéu.</p>
<p>Difícil mover-se, estava amarrado. Lentamente conseguiu abrir caminho no povaréu, esgueirou-se até junto da pia de água benta, onde se deteve, receoso de perder de vista a mulher e os filhos. Ergueu-se na ponta dos pés, mas isto lhe arrancou um grunhido: os calcanhares esfolados começavam a afligi-lo. Distinguiu o cocó de sinha Vitória, que se escondia atrás de uma coluna. Provavelmente os meninos estavam com ela. A igreja cada vez mais se enchia. Para avistar a cabeça da mulher, Fabiano precisava estirar-se, voltar o rosto. e o colarinho furava-lhe o pescoço. As botinas e o colarinho eram indispensáveis. Não poderia assistir à novena calçado em alpercatas, a camisa de algodão aberta, mostrando o peito cabeludo. Seria desrespeito. Como tinha religião, entrava na igreja uma vez por ano. E sempre vira, desde que se entendera, roupas de festa assim: calça e paletó engomados, botinas de elástico, chapéu de baeta, colarinho e gravata. Não se arriscaria a prejudicar a tradição, embora sofresse com ela. Supunha cumprir um dever, tentava aprumar-se. Mas a disposição esmorecia: o espinhaço vergava, naturalmente, os braços mexiam-se desengonçados.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://literaturaemcontagotas.files.wordpress.com/2008/09/2764954017_2ef42d1b81.jpg"><img class="size-medium wp-image-278 aligncenter" title="2764954017_2ef42d1b81" src="http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/files/2008/09/2764954017_2ef42d1b81.jpg?w=300" alt="" width="300" height="175" /></a></p>
<p>Comparando-se aos tipos da cidade, Fabiano reconhecia-se inferior. Por isso desconfiava que os outros mangavam dele. Fazia-se carrancudo e evitava conversas. Só lhe falavam com o fim de tirar-lhe qualquer coisa. Os negociantes furtavam na medida, no preço e na conta. O patrão realizava com pena e tinta cálculos incompreensíveis. Da última vez que se tinham encontrado houvera uma confusão de números, e Fabiano, com os miolos ardendo, deixara indignado o escritório do branco, certo de que fora enganado. Todos lhe davam prejuízo. Os caixeiros, os comerciantes e o proprietário tiravam-lhe o couro, e os que não tinham negócio com ele riam vendo-o passar nas ruas, tropeçando. Por isso Fabiano desviava daqueles viventes. Sabia que a roupa nova cortada e cosida por sinha Terta, o colarinho, a gravata, as botinas e o chapéu de baeta o tornavam ridículo, mas não queria pensar nisto."</p>
<p>Telma</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Entrevista com Paulo Ramos]]></title>
<link>http://guigonews.wordpress.com/?p=466</link>
<pubDate>Wed, 03 Sep 2008 13:36:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>guilhermefuoco</dc:creator>
<guid>http://guigonews.pt-br.wordpress.com/2008/09/03/entrevista-com-paulo-ramos/</guid>
<description><![CDATA[Entrevistamos esta semana o jornalista, professor e consultor de língua portuguesa, Paulo Ramos. Pa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevistamos esta semana o jornalista, professor e consultor de língua portuguesa, Paulo Ramos. Paulo é  doutor em língua portuguesa pela USP (Universidade de São Paulo), fez Jornalismo na UMESP (Universidade Metodista de São Paulo) e também Letras pela PUC-SP.</p>
<p>Na imprensa, como ele próprio diz, já "fez de tudo um pouco": repórter, repórter especial, editor, editor-executivo, editor-chefe e âncora de telejornal.  Paulo trabalhou na Folha, TV Tribuna e TV Cultura.</p>
<p>Desde 2004, ele é docente da Universidade Metodista de São Paulo. Paulo já deu aulas também na USP-Leste.</p>
<p>Paulo Ramos é dono do <a href="http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/" target="_blank">Blog dos Quadrinhos</a> e também vencedor do Prêmio HQMix como "melhor articulista" sobre Quadrinhos. Seu blog também foi premiado como "melhor Blog" da área.</p>
<p>O <strong><span style="color:#000080;">GuIgO NewS</span></strong> conseguiu uma brechinha nos horários dele para entrevistá-lo e conhecê-lo um pouco. Veja abaixo:</p>
<p><span style="color:#000080;"><strong></strong></span></p>
<p><span style="color:#000080;"><strong>GuIgO NewS</strong> </span>- Paulo, de onde surgiu a paixão pelos Quadrinhos?<br />
<span style="color:#ff0000;"><strong>Paulo Ramos </strong></span>- Não sei se é uma paixão. Mas é, seguramente, um interesse acima da média pela área. Tive os primeiros contatos com quadrinhos na infância, antes mesmo de me alfabetizar. Via as figuras e tentava entender o que a seqüência das imagens queria dizer. Nos anos que se seguiram, continuei lendo e mesclando os quadrinhos com outras formas de leitura. Tem sido assim até hoje.</p>
<p><span style="color:#003366;"><strong>GuIgO NewS</strong> </span>Muitos clássicos da literatura já foram adaptados para os Quadrinhos como "Os Lusíadas", "Vidas Secas" e "O Alienista". Você apóia este tipo de adaptação?</p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Paulo Ramos </span></strong>- Adaptações assim existem no Brasil desde o fim da década de 1940. Houve uma série da extinta editora EBAL (Editora Brasil-América) sobre literatura em quadrinhos que durou vários anos. Trata-se de uma retomada do gênero, motivada pela presença dos quadrinhos nas livrarias e pela expectativa de as editoras encaixarem essas obras em listas didáticas governamentais ou de escolas. Embora exista esse interesse financeiro, as adaptações têm pautado boa parte da produção nacional e mexido com o mercado.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-470" src="http://guigonews.wordpress.com/files/2008/09/blogquadrinhos.jpg" alt="" width="202" height="326" /></p>
<p><a href="http://guigonews.files.wordpress.com/2008/09/menu-head.gif"></a><br />
<span style="color:#003366;"><strong>GuIgO NewS</strong> </span>- Você mesmo diz que trabalha muito. Quando você não está em redações e salas de aula, quais são suas atividades? O que você costuma fazer?</p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Paulo Ramos </span></strong>- Também trabalho na maior parte dos pouquíssimos tempos livres. Preparo os originais de alguns livros que devo lançar no ano que vem. Também participo de congressos e bancas universitárias com freqüência. Quando dá, vou ao cinema. Tento manter uma regularidade de dois filmes por semana (mas, nas duas últimas semanas, não tive tempo de ir). E, nessa correria toda, tento encaixar a necessária leitura de livros, teses, artigos, jornais, revistas e sites.</p>
<p><span style="color:#003366;"><strong>GuIgO NewS</strong> </span>- Estreou há pouco tempo o programa "Quadrinhos" no Canal Brasil. Surge aí uma esperança para que haja mais patrocínios e divulgação das milhares HQs no Brasil?</p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Paulo Ramos </span></strong>- Seguramente, o documentário vai divulgar um pouco mais a área entre as classes média e alta, que têm poder aquisitivo para bancar uma tevê a cabo para assistir ao programa. Mas é difícil dizer se a produção vai render mais patrocínios. É melhor dar tempo ao tempo para analisar melhor.</p>
<p><span style="color:#003366;"><strong>GuIgO NewS</strong> </span>- Aproveitando a oportunidade, quais dicas você daria para o aluno de Jornalismo no início da carreira?<br />
<strong><span style="color:#ff0000;">Paulo Ramos </span></strong>- Leia, leia e leia. Faça cursos, aprenda línguas, viaje, tente buscar o máximo de cultura e informação. A bagagem cultural -rara no mercado- é um dos elementos que diferenciam os profissionais da área.</p>
<p><span style="color:#003366;"><strong>GuIgO NewS</strong> </span>- Para finalizar, meus colegas pediram para eu perguntar pra você se a frase "Membro das FARC, Ivan Rios foi morto..." tem vírgula ou não? (rsrsrsrsrs).<br />
<strong><span style="color:#ff0000;">Paulo Ramos </span></strong>- Aula dada, aula aprendida.</p>
<p>Veja as outras entrevistas que o <span style="color:#000080;"><strong>GuIgO News</strong> </span>fez com os jornalistas <a href="http://guigonews.wordpress.com/2008/08/10/entrevista-com-fabio-zanini/" target="_blank">Fábio Zanini</a>, <a href="http://guigonews.wordpress.com/2008/07/28/entrevista-com-tais-fuoco/" target="_blank">Taís Fuoco</a> e <a href="http://guigonews.wordpress.com/2008/07/02/entrevista-com-odir-cunha/" target="_blank">Odir Cunha</a>.</p>
<p>Um abraço.</p>
<p><em>Obs.: O professor Paulo Ramos se cansou de mostrar-nos na faculdade que a frase citada na última pergunta não tem vírgula após o "Rios". Mesmo assim, muita gente errou na prova final.</em></p>
<p>Atualizado em 03/09/2008 às 22:35</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sem comentários]]></title>
<link>http://7razoes.wordpress.com/?p=353</link>
<pubDate>Sun, 24 Aug 2008 16:18:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Antonio Hermida</dc:creator>
<guid>http://7razoes.pt-br.wordpress.com/2008/08/24/sem-comentarios/</guid>
<description><![CDATA[
Foto: André Garzia
E eu contando as mentiras 
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://7razoes.wordpress.com/files/2008/08/240820083941.jpg"><img class="size-full wp-image-358 aligncenter" src="http://7razoes.wordpress.com/files/2008/08/240820083941.jpg" alt="" width="480" height="640" /></a></p>
<p>Foto: <a href="http://blog.andregarzia.com/">André Garzia</a></p>
<p>E eu contando as mentiras :D</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cuiab&aacute; recebe a Exposi&ccedil;&atilde;o &quot;Sert&atilde;o Encarnado&quot;]]></title>
<link>http://jbas.wordpress.com/2008/08/18/cuiab-recebe-a-exposio-serto-encarnado/</link>
<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 02:09:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>João Bosquo</dc:creator>
<guid>http://jbas.pt-br.wordpress.com/2008/08/18/cuiab-recebe-a-exposio-serto-encarnado/</guid>
<description><![CDATA[A exposição “Sertão Encarnado”, em homenagem a Guimarães Rosa, entra em cartaz a partir do d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>A exposição “Sertão Encarnado”, em homenagem a Guimarães Rosa, entra em cartaz a partir do dia vinte de agosto, no Museu do Morro da Caixa D’ água Velha, em Cuiabá, segunda cidade a receber a mostra que reúne quatro gigantes da literatura brasileira.</p>
<p><!--more-->
<p> A abertura ocorre às 19h. </p>
<p>No ano do centenário de nascimento de Guimarães Rosa, a exposição provoca uma travessia pelo sertão. Intitulada “Sertão Encarnado”, a exposição mostra um encontro literário entre o escritor mineiro, autor de “Grande Sertão: Veredas” e os outros três grandes escritores brasileiros que trabalharam o tema sertão em suas obras: Euclides da Cunha (1866-1909), em “Os Sertões”, Afonso Arinos (1868-1916), em “Os Jagunços” e “Pelo Sertão” e Graciliano Ramos (1892-1953), em “Vidas Secas”. </p>
<p>Segundo o historiador e curador da mostra, Leonardo José Magalhães Gomes, muitos outros autores exploraram o tema sertão, mas esses quatro podem ser considerados como os mais significativos, não só pela importância social de sua abordagem, mas também por serem aqueles que obtiveram o mais alto grau de realização estética. “Com suas obras, esses escritores mapearam as veredas sertanejas, cujo conhecimento é indispensável para termos uma idéia de nosso país”, sugere. </p>
<p>O historiador faz uma analogia entre a violência do sertão de outrora e a dos grandes centros urbanos atuais: “Cada favela brasileira é um arraial de Canudos pronto a explodir, com seus líderes, sua pobreza e sua violência, só que agora com fuzis automáticos, telefones celulares e drogas as mais diversas. Aliás, o nome favela vem da campanha contra o arraial baiano. Esta era a designação de um dos morros vizinhos a Canudos de onde se usava bombardear a gente do Conselheiro”, explica. </p>
<p>A programação visual da exposição, em forma de mandala, tem 36 totens de 4 faces, totalizando 144 painéis e leva a assinatura do designer Flávio Vignoli e ilustrações de Roberto Luiz Marques. As características do sertão retratadas pelos autores estão representadas sob os temas Sol (paisagem, mito, vontade), Homem (vida, amor, morte) e Sombra (lida, coisas, fim). “O projeto gráfico foi desenvolvido a partir das considerações da curadoria para que esses temas tivessem uma maior conexão entre si e uma montagem narrativa não linear”, explica Vignoli. </p>
<p>Destaque também para a cronologia intercalada da vida dos autores, identificados por cores e tendo como pano de fundo os acontecimentos políticos e sociais mais significativos da nossa história, sobretudo a rebelião de Canudos. Interessante notar que apenas por um ano e dois meses os quatro autores homenageados estavam vivos, exatamente no período compreendido entre 27 de junho de 1908 (nascimento de Guimarães Rosa) e 15 de agosto de 1909, quando Euclides da Cunha morreu assassinado. </p>
<p>O diretor da ONG Acênica, Eduardo Espíndola, comenta que a vinda da exposição será uma grande oportunidade para a população, em especial os estudantes de ensino médio, que poderão ver a história contada através da literatura, oferecendo uma viagem pelo Sertão, a identificação com o que lê e a possibilidade de fazerem suas próprias analogias. </p>
<p>O projeto “Sertão Encarnado” é uma realização da Via Social Projetos Culturais e Sociais, viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com o patrocínio exclusivo da Case Construction, do Grupo Case New Holland e com o apoio local da Secretaria de Estado de Cultura, Secretaria de Cultura de Cuiabá, Editora Tanta Tinta, Ong Acênica e Atrativa Engenharia.</p>
<p><strong>Fonte: Secom Cuiabá</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma trajetória de amor aos livros]]></title>
<link>http://bartolote.wordpress.com/?p=336</link>
<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 11:19:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rebeca Bartolote</dc:creator>
<guid>http://bartolote.pt-br.wordpress.com/2008/07/29/uma-trajetoria-de-amor-aos-livros/</guid>
<description><![CDATA[Por Luciano Trigo
É difícil exagerar a importância do editor José Olympio (1902-1990), que tinha]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;">Por <strong>Luciano Trigo</strong></span></p>
<p><a href="http://bartolote.files.wordpress.com/2008/07/jose-olympio-divulgacao.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-337" src="http://bartolote.wordpress.com/files/2008/07/jose-olympio-divulgacao.jpg?w=200" alt="" width="200" height="300" /></a>É difícil exagerar a importância do editor José Olympio (1902-1990), que tinha no amor verdadeiro aos livros a sua marca registrada. Ele foi o primeiro editor a levar a sério a política de direitos autorais (e o primeiro a pagar adiantamentos), numa época em que escrever livros no Brasil era coisa de diletantes. Com sua fina sensibilidade para identificar e atrair talentos, lançou e popularizou os maiores escritores brasileiros de seu tempo, de Rachel de Queiroz a Gilberto Freyre, de Otto Maria Carpeaux a Guimarães Rosa (e de todos se tornou amigo). Foi pioneiro na preocupação com a estética do livro e seus projetos gráficos, atraindo grandes artistas que ajudaram a criar a “cara” da editora (como Santa Rosa, Portinari, Cícero Dias, Goeldi, Luís Jardim e Poty).</p>
<p>José Olympio também inovou na prática de publicar críticas nas orelhas dos livros e, ainda, nos métodos de vendas, com o uso de crediários, vendas de porta e porta e parcerias com o Governo, além da aposta em grandes tiragens (mesmo para os padrões atuais). Não menos importantes foram os laços de sociabilidade e as tramas afetivas que ele estabeleceu, contribuindo para aformação de um sistema editorial numa época decisiva de nossa vida cultural. Por tudo isso, a publicação de <em>José Olympio – O editor e a sua obra </em>(Editora Sextante), fruto de uma laboriosa pesquisa de mais de dois anos feita pelo também editor José Mário Pereira, merece ser considerada um dos acontecimentos editoriais do ano. O livro será lançado nesta terça-feira, às 18h30, na Biblioteca Nacional, onde também será inaugurada uma exposição reunindo centenas de documentos sobre o editor e sua “Casa”: capas de edições originais, cartas, fotografias, dedicatórias, provas corrigidas (como o original de <em>Vidas secas</em>, de Graciliano Ramos, ainda com o título provisório de <em>O mundo coberto de penas</em>).</p>
<p>De origem humilde, José Olympio começou a trabalhar com 11 anos numa farmácia em Batatais. Aos 16, chegou a São Paulo, com o plano de estudar Direito e se tornar promotor. Por sorte, o armazém de secos e molhados onde trabalhava faliu: assim, com ajuda do padrinho Altino Arantes, ele teve que procurar outro emprego, na Casa Garraux, livraria e papelaria que era ponto de encontro de intelectuais e políticos. Lá conheceu, entre outros, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, e acumulou amizades.</p>
<p>De espírito empreendedor, em 1931 José Olympio comprou, com a ajuda de amigos, os dez mil volumes da biblioteca de Alfredo Pujol, abriu sua Livraria e lançou, como editor, seu primeiro título (um livro de auto-ajuda!): <em>Conhece-te a ti mesmo pela psicanálise</em>, de Joseph Ralph, que ficou mais de 20 anos em catálogo e foi um grande êxito de vendas.</p>
<p>Durante décadas, José Olympio conciliou o “faro” comercial com a qualidade editorial. Insatisfeito com a estagnação do mercado paulista após a Revolução de 32, em 1934 ele se mudou para o Rio de Janeiro, então cidade maravilhosa, onde consolidou sua editora com a publicação de obras como <em>Raízes do Brasil</em>, de Sergio Buarque de Holanda. Sua Livraria, no número 110 da Rua do Ouvidor, logo se transformou num lugar de convivência, num <em>point</em> da vida cultural do Rio, atraindo jornalistas, professores, intelectuais e escritores, aspirantes e consagrados.</p>
<p>Quem queria ver e ser visto passava as tardes lá. Recentemente, aliás, a jornalista Lucila Soares, neta do editor, compilou as histórias mais saborosas vividas na Livraria em outro livro, <em>Rua do Ouvidor 110</em>.</p>
<p>Rachel de Queiroz, por exemplo, quando morava na Ilha do Governador, dava o endereço da livraria para sua correspondência; já Sérgio Buarque de Holanda e Carlos Drummond de Andrade quase saíram no tapa na livraria, por causa de uma mulher. Outro livro importante sobre o editor é o do memorialista Antonio Carlos Villaça, <em>José Olympio: O descobridor de escritores.</em></p>
<p>Foi Drummond, aliás, quem disse, exaltando o espírito democrático e a ausência de preconceitos ideológicos do editor: “Ele lançou autores da direita, do centro, da esquerda e do planeta Sírio”. De fato, José Olympio publicou de Jorge Amado a Plínio Salgado, de Graciliano Ramos a Golbery do Couto e Silva. Ele também equilibrava a publicação de autores nacionais e estrangeiros: em 1943, por exemplo, dos 81 livros que lançou, 43 eram traduções, e 38 nacionais (que grande editora exibe marca semelhante hoje?). Ao todo, foram 3.787 livros publicados, entre 1931 e 1975.</p>
<p>Depois da Segunda Guerra, José Olympio apostou, mais uma vez com acerto, na tradução de clássicos da literatura mundial, como Balzac, Dostoievski, Jack London e Tolstoi. No começo dos anos 50, foi presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros, que ajudou a fundar, ali trabalhando pela profissionalização da atividade editorial: nesse posto conseguiu a isenção de impostos municipais e estaduais para o livro.</p>
<p>A concorrência crescente no mercado que ele ajudou a modernizar fez com que José Olympio fechasse a Livraria em 1955, e se voltasse para o mercado de livros didáticos. Nesse filão, a editora conheceu uma nova fase dourada: em José Olympio tinha escritórios em sete capitais figurava entre as quinhentas maiores empresas do Brasil. Foi a primeira editora brasileira a abrir seu capital, lançando ações na Bolsa de Valores – o que desfaz a imagem de romântico e quixotesco que alguns associam ao editor. A crise só veio na década de 70, após uma alta astronômica do preço do papel, quando um empréstimo tomado ao BNDE acabou tirando a autonomia da editora, que desde 2001 pertence ao Grupo Record.</p>
<p>O amor pelos livros passou de geração em geração: falecido em fevereiro deste ano, Geraldo Jordão Pereira, filho de José Olympio, foi criador da editora Salamandra e fundou, em 1998, a bem-sucedida editora Sextante, hoje comandada por seus filhos Marcos e Tomás – que assim renovam a missão, sempre heróica no Brasil, de editar bons livros.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Machado, Rosa e o Brasil]]></title>
<link>http://resumosfuvest.wordpress.com/?p=19</link>
<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 15:58:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye21</dc:creator>
<guid>http://resumosfuvest.pt-br.wordpress.com/2008/07/18/machado-rosa-e-o-brasil/</guid>
<description><![CDATA[Neste ano, além dos 200 anos da vinda da Corte portuguesa, o Brasil comemora duas datas muito mais ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">Neste ano, além dos 200 anos da vinda da Corte portuguesa, o Brasil comemora duas datas muito mais satisfatórias: 100 anos da morte de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) e 100 anos do nascimento de João Guimarães Rosa (1908-1967). São nossos dois maiores escritores, ou formulemos assim: Machado é o maior escritor brasileiro do século XIX e Rosa é o maior escritor brasileiro do século XX. O século XXI ainda não viu o equivalente de Machado e Rosa.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">É muito fácil, no entanto, discorrer sobre como Machado e Rosa são diferentes. Machado é urbano, intimista e irônico; Rosa, sertanejo, mítico e metafísico. Machado talvez não gostasse do estilo cheio de palavras difíceis e pontuações heterodoxas de Rosa. Rosa se queixou da "afetação" de Machado, embora em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras - co-fundada por Machado, que foi seu primeiro presidente - tenha cumprimentado o "ver claro e quieto" do autor de <em>Dom Casmurro</em> e embora sua própria literatura não deixe de ter "afetação".</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">O mais importante é parar e examinar o quanto há em comum entre eles, afora sua posição no cânone literário nacional. Chamo atenção para duas coisas. Primeiro, ambos são artistas-pensadores, tanto que não diziam fazer "romance" no sentido tradicional, "romance de costumes", e sim "romance de análise" (Machado) e "contos filosóficos" (Rosa). Não estavam interessados apenas em narrar uma historinha superficial, mas em revelar correntes profundas, universais, do comportamento humano. Não temo afirmar que, nesta terra de escassos pensadores, e com a licença de Pelé e Tom Jobim, Machado e Rosa foram nossos dois únicos gênios.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">Segundo, ambos são artistas-pensadores que se dedicaram a pensar o Brasil. Não para lhe dar uma "identidade" ou "síntese". Sempre rejeitaram esse conceito essencialista de que a arte deve resumir uma cultura nacional. Mas pensaram o Brasil porque mergulharam nos microcosmos em que cresceram e viram neles toda sua riqueza de implicações. Machado, que dizia que o "instinto de nacionalidade" é um "certo sentimento íntimo", escreveu sobre a transição de mentalidades envolvida na troca da monarquia pela república, criticando o fato de que grupos de poder se alternam sem que a estrutura mude. Rosa, que dizia que a "brasilidade" é "indefinível", escreveu sobre um país à margem da civilização, iletrado, que oscila entre o arcaico e o moderno. Ambos admiravam os "bons instintos" (Machado) do brasileiro, mas criticaram o atraso do país, muitas vezes justificado como preservação desses bons instintos.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">Eruditos, leitores da Bíblia e de toda a literatura universal, criadores de linguagem que trouxeram experimentos inéditos para a prosa brasileira, preocupados sobretudo com as dualidades da vida, eles examinaram a alma difusa dos indivíduos em geral e dos brasileiros em particular. Não por acaso, escreveram com conto de mesmo nome, <em>O Espelho</em>, em que os personagens procuram por sua figura e jamais a vêem nítida... Tomara que o Brasil utilize as efemérides para se enxergar mais profundamente nesses dois grandes espelhos literários.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><strong>Leia também:</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><a title="Link permanente para Vidas Secas – Graciliano Ramos" rel="bookmark" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/05/15/vidas-secas-%e2%80%93-graciliano-ramos/"><span style="color:#2c5f3f;">Vidas Secas – Graciliano Ramos</span></a></span></p>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><strong></strong></span></span></span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;color:#000000;"><a title="Link permanente para Passar no vestibular é poss�vel?!" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/08/passar-no-vestibular-e-possivel/"><span style="color:#2c5f3f;">Passar no vestibular é possível?!</span></a></span></span></span></span></span></span></span></span></span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"></span></span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"></span></span></span></span></span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></div>
<p><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;color:#000000;"><a title="Link permanente para Dom Casmurro - Machado de Assis" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/07/dom-casmurro-machado-de-assis/"><span style="color:#2c5f3f;">Dom Casmurro - Machado de Assis</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;color:#000000;"><a title="Link permanente para A Cidade e as Serras - Eça de Queiroz" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/18/a-cidade-e-as-serras-eca-de-queiroz/"><span style="color:#2c5f3f;">A Cidade e as Serras - Eça de Queiroz</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;color:#000000;"><a title="Link permanente para Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/03/24/auto-da-barca-do-inferno-gil-vicente/"><span style="color:#2c5f3f;">Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente</span></a></span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"><span style="font-family:Verdana;color:#000080;"></span></span></span></span></span></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Vidas Secas – Graciliano Ramos]]></title>
<link>http://resumosfuvest.wordpress.com/?p=17</link>
<pubDate>Thu, 15 May 2008 18:45:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye21</dc:creator>
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<description><![CDATA[
 
A obra começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"><a href="http://resumosfuvest.files.wordpress.com/2008/05/brazil_vidas_secas_4.jpg" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-18" src="http://resumosfuvest.wordpress.com/files/2008/05/brazil_vidas_secas_4.jpg" alt="" width="400" height="270" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;">A obra começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai, Sinhá-Vitória, a mãe, os dois filhos e a cachorra Baleia. Fabiano é um vaqueiro, homem bruto que tem enorme dificuldade em articular palavras e pensamentos, que se sente um bicho e muitas vezes age como tal, grunhindo e se portando como um selvagem. Não tem aspirações e nem esperanças, do mesmo modo como não se tolera e não tolera o mundo em que vive. Sinhá-Vitória, sua esposa, se sai melhor em seus pensamentos e diálogos, apesar de restritos. Seu sonho é uma cama de couro, como a de um homem chamado Tomás da bolandeira. Essa personagem, que nunca aparece a não ser na memória das outras personagens, é também uma espécie de herói e modelo para Fabiano: culto, detentor de sabedoria, da arte da palavra e do pensamento, por isso mesmo admirado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;">O menino mais novo parece não ter nome e nem uma forma comum de se comunicar. Sua única aspiração é ser como Fabiano. Nas mesmas situações está o filho mais velho, que só quer um amigo, conformando-se com a presença da cachorra Baleia. Esta, muitas vezes, parece ter um pensamento mais linear e humano que o resto da família, portando-se não só como um bicho, mas como um ente, uma companheira que ajuda Fabiano e sua gente a suportar as péssimas condições. </span></div>
<div><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;">A história se desenvolve com o estabelecimento da família numa fazenda e a contratação de Fabiano como vaqueiro. Este, certa ocasião, vai até a venda comprar mantimentos e se põe a beber. Aparece um policial, chamado por Fabiano de Homem Amarelo, que o chama para jogar baralho com outros. O jogo acontece e, numa desavença com o Soldado Amarelo, Fabiano acaba sendo preso, maltratado e humilhado. Aumenta sua insatisfação com o mundo, com sua própria condição de homem bruto e selvagem do campo, e o desprezo de outras pessoas, encarnadas agora na figura do Soldado Amarelo.</span></div>
<p><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"> </p>
<p>Solto nosso herói, a vida segue na fazenda. Sinhá-Vitória começa a desconfiar do patrão, que parece roubar nas contas de Fabiano. Este se aborrece, mas não pode fazer nada. Não entende as complicadas contas que o patrão faz, e não sabe dialogar com ele. A festa de natal na cidade só serve para aumentar o descontentamento de Fabiano e sua família com o resto do mundo. Sentem-se diferentes, inferiores, desprezados e humilhados por milhares de "patrões" e "soldados amarelos". Baleia adoece e Fabiano e vê na árdua tarefa de sacrificá-la. Fere o pobre bicho com um tiro, mas não consegue matá-lo, já que este foge para longe. Baleia vem a falecer durante a noite, perto da casa, sonhando com um mundo cheio de lebres...</p>
<p> </p>
<p>Sentindo-se cada vez mais lesado pelo patrão, Fabiano resolve argumentar contra esse, mas, sob ameaça de despejo, resolve deixar o assunto quieto, o que lhe causa uma indignação cada vez maior. Sua indignação com o mundo chega ao extremo quando encontra, na volta da venda após ter tomado alguns goles, o Soldado Amarelo, que estava perdido no mato. Fabiano percebe o seu medo e seu corpo franzino em relação ao seu, e tem a idéia de matá-lo, descontar toda a sua raiva e seu descontentamento. Sentindo-se, entretanto, fraco e impossibilitado, resolve deixar pra lá, ensinando o caminho de volta para a cidade ao soldado. Seu sentimento de revolta é agora intensificado pela impotência...</p>
<p> </p>
<div><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;">Como não bastasse, a seca atinge a fazenda e faz com que toda a família fuja novamente, só que esta vez para o sul, em busca da cidade grande, sem destino e sem esperança de vida.</span></span></div>
<div><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"> </span></span></div>
<p><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:#000080;font-family:Verdana;"></p>
<div><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><strong>Posts anteriores:</strong></span></span></span></div>
<p><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"></p>
<div>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><a title="Link permanente para Passar no vestibular é poss�vel?!" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/08/passar-no-vestibular-e-possivel/"><span style="color:#2c5f3f;">Passar no vestibular é possível?!</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><a title="Link permanente para Dom Casmurro - Machado de Assis" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/07/dom-casmurro-machado-de-assis/"><span style="color:#2c5f3f;">Dom Casmurro - Machado de Assis</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><a title="Link permanente para A Cidade e as Serras - Eça de Queiroz" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/18/a-cidade-e-as-serras-eca-de-queiroz/"><span style="color:#2c5f3f;">A Cidade e as Serras - Eça de Queiroz</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><a title="Link permanente para Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/03/24/auto-da-barca-do-inferno-gil-vicente/"><span style="color:#2c5f3f;">Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente</span></a></span></p>
</div>
<p></font></font></font></font></font></span><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"></font></font></font></font></span><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"></font></font></font></span><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"></font></font></span><font face="Verdana" color="#000080"></font></span></p>
<div><span style="color:#000080;font-family:Verdana;"><font face="Verdana" color="#000080"><font face="Verdana" color="#000080"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p></font></font></span></div>
<p><font face="Verdana" color="#000080"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p></font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><a title="Link permanente para Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente" rel="bookmark" href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/03/24/auto-da-barca-do-inferno-gil-vicente/"></a></p>
<p>----</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Gigante sob a sombra ]]></title>
<link>http://cinemarchive.wordpress.com/?p=37</link>
<pubDate>Thu, 17 Apr 2008 01:05:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>Ricardo Ferreira</dc:creator>
<guid>http://cinemarchive.pt-br.wordpress.com/2008/04/17/o-gigante-sob-a-sombra/</guid>
<description><![CDATA[Autor de filmes como Rio 40º, Vidas Secas e Como Era Gostoso o Meu Francês. Nelson Pereira dos San]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:center;">Autor de filmes como <em>Rio 40º, Vidas Secas e Como Era Gostoso o Meu Francês</em>. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0673051/">Nelson Pereira dos Santos</a> abriu caminho para um dos movimentos cinematográficos mais importantes do país, o Cinema Novo. Nelson, sobre tudo, realiza filmes que fogem aos clichês. Conversando com um amigo esses dias, constatei o absurdo que é um ícone do cinema nacional ser esquecido, principalmente quando este ainda produz. Parece que a grande mídia espera que a pessoa morra para depois regurgitar a sua obra. É simplesmente doloroso, saber que os Gringos já prestaram mais homenagens a Nelson Pereira dos Santos, do que nós brasileiros.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"><a href="http://cinemarchive.files.wordpress.com/2008/04/vidas-secas.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-38" src="http://cinemarchive.wordpress.com/files/2008/04/vidas-secas.jpg" alt="" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"> <em>Vidas Secas</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Lista da FUVEST]]></title>
<link>http://resumosfuvest.wordpress.com/?p=5</link>
<pubDate>Tue, 18 Mar 2008 20:26:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye21</dc:creator>
<guid>http://resumosfuvest.pt-br.wordpress.com/2008/03/18/lista-da-fuvest/</guid>
<description><![CDATA[O Conselho de Graduação (CoG) da USP aprovou a lista unificada de obras de leitura obrigatória pa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><span style="color:#339966;">O Conselho de Graduação (CoG) da USP aprovou a lista unificada de obras de leitura obrigatória para o <strong>FUVEST 2008.</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong><span style="color:#339966;">NÃO houve alteração em relação ao Vestibular passado.<span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></span></strong></span></p>
<p><strong></strong></p>
<p> </p>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong></strong></span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </p>
<p></span></p>
<div></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"><a href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/03/24/auto-da-barca-do-inferno-gil-vicente/" target="_blank">Auto da barca do inferno</a></span></strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"><a href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/03/24/auto-da-barca-do-inferno-gil-vicente/" target="_blank"><span style="color:#339966;"> </span></a><span style="color:#339966;"> – Gil Vicente; </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"><a href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/03/27/memorias-de-um-sargento-de-milicias-manuel-a-de-almeida/" target="_blank">Memórias de um sargento de Milícias</a></span></strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"> – Manuel Antônio de Almeida; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"><a href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/04/iracema-jose-de-alencar/" target="_blank">Iracema</a></span></strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"> – José de Alencar; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"><a href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/07/dom-casmurro-machado-de-assis/" target="_blank">Dom Casmurro</a></span></strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"> – Machado de Assis; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"><a href="http://resumosfuvest.wordpress.com/2008/04/18/a-cidade-e-as-serras-eca-de-queiroz/" target="_blank">A cidade e as serras</a></span></strong><span style="font-size:11pt;color:#339966;font-family:Arial;"> – Eça de Queirós; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><span style="color:#339966;"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Vidas secas</span></strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> – Graciliano Ramos; </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><span style="color:#339966;"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">A rosa do povo</span></strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> – Carlos  Drummond de Andrade; </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><span style="color:#339966;"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Poemas completos de Alberto Caeiro</span></strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> – (heterônimo de Fernando Pessoa);</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"><span style="color:#339966;"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Sagarana </span></strong><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> – João Guimarães Rosa; </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"> </p>
<div></div>
<p><span style="font-family:Arial;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"> </p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 18pt;"> </p>
<p><span style="color:#339966;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Assim que sair lista da <strong>FUVEST 2009 </strong>postaremos aqui. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></span></p>
<p><span style="color:#339966;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Por ora teremos um resumo por semana. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#339966;font-family:Arial;">Não deixe de estudar na última hora e boa sorte no vestibular!</span></p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Resumo de obras literárias.]]></title>
<link>http://dicasvestibular.wordpress.com/?p=30</link>
<pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:34:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye7</dc:creator>
<guid>http://dicasvestibular.pt-br.wordpress.com/2008/06/26/resumo-de-obras-literarias/</guid>
<description><![CDATA[São Bernardo - Graciliano Ramos
Com a publicação de São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vida]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:center;line-height:normal;" align="center"><strong><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;color:#943634;">São Bernardo - Graciliano Ramos</span></strong><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;"></span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Com a publicação de São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas Secas (1938), Graciliano Ramos tornou-se, na opinião de muitos críticos, o grande ficcionista da década de 30 e um dos maiores de toda a literatura brasileira.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Tal reconhecimento resulta não apenas do fato de ele ter denunciado, de modo mais contundente que outros de sua geração, a miséria e a violência do Nordeste e da realidade brasileira, mas também do fato de ele ter sabido incorporar esse universo, com originalidade, ao próprio estilo de sua narrativa. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
A prosa de Graciliano Ramos reproduz algumas qualidades do próprio universo que critica, de onde o seu estilo “seco”, “rude” e “tenso”, onde não parece haver lugar para qualquer frouxidão ou romantismo. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">São Bernardo é narrado em primeira pessoa e compõe em tom confessional o retrato de Paulo Honório, um fazendeiro inculto e embrutecido, amargo e solitário que, aos 50 anos e diante de uma vida estagnada, decide escrever sua autobiografia.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Paulo tenta, a princípio, obter a ajuda de amigos que conheçam melhor a arte da escrita, mas o desentendimento quanto ao tom e ao estilo o levam a assumir a narrativa. Sua intenção não é a de compor um elogio ou um retrato favorável a si mesmo, mas a de repassar e entender a própria vida, buscando o sentido de uma existência frustrada, que se revela vazia após o suicídio de sua jovem esposa, Madalena. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
De origem humilde, Paulo Honório foi um homem enérgico e empreendedor, que orientou a vida para conquistas, obtidas -como a fazenda “São Bernardo”- muitas vezes com manobras inescrupulosas. Sua trajetória de ascensão social foi a de um lutador que sobreviveu ao sertão e soube se servir de “bons negócios”. Foi também como “bom negócio” que ele viu seu casamento com Madalena, professora pobre e idealista, “mulher instruída” capaz de lhe dar um bom herdeiro. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Porém, o espírito benévolo da esposa, sempre solidária com os empregados da fazenda, choca-se frontalmente com os métodos brutais do marido, que chega a suspeitá-la de “comunista”, “subversiva” e “adúltera”. O filho que têm recebe por fim o desamor do pai.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Mais do que uma obra de denúncia social, São Bernardo é um grande romance sobre a dúvida e o ciúme, que se filia diretamente ao Dom Casmurro de Machado de Assis. Assim, deve-se ler a ruína da relação de Paulo Honório e Madalena tendo-se em mente Bentinho e Capitu. É na aproximação com a obra do mestre que se avalia melhor o gênio e os limites de Graciliano.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
São Bernardo é certamente um grande romance, mas peca por possuir um narrador pouco verossímil: a consciência limitada e angustiada de Paulo Honório, que busca em vão compreender o seu drama com Madalena, não se casa bem com a escrita culta e refinada de Ramos.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Resumo de obras literárias]]></title>
<link>http://cursinhovestibular.wordpress.com/?p=31</link>
<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 21:01:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye6</dc:creator>
<guid>http://cursinhovestibular.pt-br.wordpress.com/2008/06/23/resumo-de-obras-literarias/</guid>
<description><![CDATA[São Bernardo - Graciliano Ramos

Com a publicação de São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vid]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="color:#943634;">São Bernardo - Graciliano Ramos</span></strong></p>
<p class="MsoNoSpacing">
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Com a publicação de São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas Secas (1938), Graciliano Ramos tornou-se, na opinião de muitos críticos, o grande ficcionista da década de 30 e um dos maiores de toda a literatura brasileira.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Tal reconhecimento resulta não apenas do fato de ele ter denunciado, de modo mais contundente que outros de sua geração, a miséria e a violência do Nordeste e da realidade brasileira, mas também do fato de ele ter sabido incorporar esse universo, com originalidade, ao próprio estilo de sua narrativa. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
A prosa de Graciliano Ramos reproduz algumas qualidades do próprio universo que critica, de onde o seu estilo "seco", "rude" e "tenso", onde não parece haver lugar para qualquer frouxidão ou romantismo. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">São Bernardo é narrado em primeira pessoa e compõe em tom confessional o retrato de Paulo Honório, um fazendeiro inculto e embrutecido, amargo e solitário que, aos 50 anos e diante de uma vida estagnada, decide escrever sua autobiografia.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Paulo tenta, a princípio, obter a ajuda de amigos que conheçam melhor a arte da escrita, mas o desentendimento quanto ao tom e ao estilo o levam a assumir a narrativa. Sua intenção não é a de compor um elogio ou um retrato favorável a si mesmo, mas a de repassar e entender a própria vida, buscando o sentido de uma existência frustrada, que se revela vazia após o suicídio de sua jovem esposa, Madalena. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
De origem humilde, Paulo Honório foi um homem enérgico e empreendedor, que orientou a vida para conquistas, obtidas -como a fazenda "São Bernardo"- muitas vezes com manobras inescrupulosas. Sua trajetória de ascensão social foi a de um lutador que sobreviveu ao sertão e soube se servir de "bons negócios". Foi também como "bom negócio" que ele viu seu casamento com Madalena, professora pobre e idealista, "mulher instruída" capaz de lhe dar um bom herdeiro. </span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Porém, o espírito benévolo da esposa, sempre solidária com os empregados da fazenda, choca-se frontalmente com os métodos brutais do marido, que chega a suspeitá-la de "comunista", "subversiva" e "adúltera". O filho que têm recebe por fim o desamor do pai.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Mais do que uma obra de denúncia social, São Bernardo é um grande romance sobre a dúvida e o ciúme, que se filia diretamente ao Dom Casmurro de Machado de Assis. Assim, deve-se ler a ruína da relação de Paulo Honório e Madalena tendo-se em mente Bentinho e Capitu. É na aproximação com a obra do mestre que se avalia melhor o gênio e os limites de Graciliano.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
São Bernardo é certamente um grande romance, mas peca por possuir um narrador pouco verossímil: a consciência limitada e angustiada de Paulo Honório, que busca em vão compreender o seu drama com Madalena, não se casa bem com a escrita culta e refinada de Ramos.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Estômago (Marcos Jorge, 2007)]]></title>
<link>http://otransedosmisticos.wordpress.com/?p=77</link>
<pubDate>Fri, 20 Jun 2008 13:24:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rodrigo Cássio</dc:creator>
<guid>http://otransedosmisticos.pt-br.wordpress.com/2008/06/20/estomago-marcos-jorge-2007/</guid>
<description><![CDATA[
Em Estômago, a personagem Iria (Fabiula Nascimento) está incubida de destruir o que Nonato (João]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://otransedosmisticos.files.wordpress.com/2008/06/estomago.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-78" src="http://otransedosmisticos.wordpress.com/files/2008/06/estomago.jpg?w=300" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Em <em>Estômago</em>, a personagem Iria (Fabiula Nascimento) está incubida de destruir o que Nonato (João Miguel) melhor constrói. Sendo Nonato um cozinheiro de “mão boa”, Iria aparece em cena sempre com as mandíbulas em ação. Ele cozinha, ela come, come, come. Sendo Nonato um homem apaixonado, Iria lhe recusa o beijo para cedê-lo a outro homem. Esse fluxo de construção-desconstrução segue até o ponto limite do ritual antropofágico. Traído, Nonato se torna assassino de Iria. Sua nova criação, com isso, tem outro ingrediente: um naco de carne extraído da ex-noiva.</p>
<p style="text-align:justify;">A antropofagia é o marco de uma nova fase na vida de Nonato. Mas o que ele apreende não é propriamente positivo, não é uma seleção do que pode ser útil em prol de uma arte maior. Estamos longe dos modernistas de 22, ou dos cinemanovistas. O que Nonato apreende, ao tragar a carne humana, são as regras da vida na cidade, a sua nova condição, o seu novo lugar no mundo. Tão logo desce do ônibus, o retirante – que, pela ingenuidade, poderia ser um novo Fabiano, de <em>Vidas Secas</em> (Nelson Pereira, 1963) – imerge em uma série de situações e relações pessoais que tornam o presídio seu destino quase natural.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos limites de uma narrativa desse modo determinista, o filme de Marcos Jorge é um soco no estômago do neo-liberalismo. Nonato é um tipo que contesta o velho lema da ilusão, que parece proliferar junto com o empreendedorismo e outras esquisitices do capitalismo avançado: “basta ter talento que o seu futuro está garantido”. Ainda que as coxinhas de Nonato, sozinhas, consigam sustentar uma lanchonete; ainda que a sua aptidão para a cozinha lhe ofereça uma oportunidade de crescimento profissional, bem, ainda... não é suficiente.</p>
<p style="text-align:justify;">No mundo justo da cidade, do <em>salário</em> e dos <em>benefícios</em>, tudo o que Nonato não consegue fazer é criar. O seu talento é contrariado pela corrosão social e a marginalidade que o separa dos demais, até que esse mundo é interiorizado junto com a carne de Iria. Nonato canivete? Alecrim? O filme nos confronta com a necessidade de um outro nome, pois a nova condição é como um batizado. O talento, a partir daí, é abarcado pela malícia, pela esperteza, pela ação calculada que exclui da sobrevivência os ingênuos e os românticos como o Nonato do passado. Nonato matou, e agora sabe matar. Tornou-se Alecrim. Matando, alcançou o topo, o andar de cima da beliche. Enfim, se formou para a vida.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Resumo literário - Vidas secas]]></title>
<link>http://cursinhovestibular.wordpress.com/?p=29</link>
<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 22:52:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye6</dc:creator>
<guid>http://cursinhovestibular.pt-br.wordpress.com/2008/06/17/resumo-literario-vidas-secas/</guid>
<description><![CDATA[A obra começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai, Si]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>A obra começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai, Sinhá-Vitória, a mãe, os dois filhos e a cachorra Baleia. Fabiano é um vaqueiro, homem bruto que tem enorme dificuldade em articular palavras e pensamentos, que se sente um bicho e muitas vezes age como tal, grunhindo e se portando como um selvagem. Não tem aspirações e nem esperanças, do mesmo modo como não se tolera e não tolera o mundo em que vive. Sinhá-Vitória, sua esposa, se sai melhor em seus pensamentos e diálogos, apesar de restritos. Seu sonho é uma cama de couro, como a de um homem chamado Tomás da bolandeira. Essa personagem, que nunca aparece a não ser na memória das outras personagens, é também uma espécie de herói e modelo para Fabiano: culto, detentor de sabedoria, da arte da palavra e do pensamento, por isso mesmo admirado.</p>
<p>O menino mais novo parece não ter nome e nem uma forma comum de se comunicar. Sua única aspiração é ser como Fabiano. Nas mesmas situações está o filho mais velho, que só quer um amigo, conformando-se com a presença da cachorra Baleia. Esta, muitas vezes, parece ter um pensamento mais linear e humano que o resto da família, portando-se não só como um bicho, mas como um ente, uma companheira que ajuda Fabiano e sua gente a suportar as péssimas condições.</p>
<p>A história se desenvolve com o estabelecimento da família numa fazenda e a contratação de Fabiano como vaqueiro. Este, certa ocasião, vai até a venda comprar mantimentos e se põe a beber. Aparece um policial, chamado por Fabiano de Homem Amarelo, que o chama para jogar baralho com outros. O jogo acontece e, numa desavença com o Soldado Amarelo, Fabiano acaba sendo preso, maltratado e humilhado. Aumenta sua insatisfação com o mundo, com sua própria condição de homem bruto e selvagem do campo, e o desprezo de outras pessoas, encarnadas agora na figura do Soldado Amarelo.</p>
<p>Solto nosso herói, a vida segue na fazenda. Sinhá-Vitória começa a desconfiar do patrão, que parece roubar nas contas de Fabiano. Este se aborrece, mas não pode fazer nada. Não entende as complicadas contas que o patrão faz, e não sabe dialogar com ele. A festa de natal na cidade só serve para aumentar o descontentamento de Fabiano e sua família com o resto do mundo. Sentem-se diferentes, inferiores, desprezados e humilhados por milhares de "patrões" e "soldados amarelos". Baleia adoece e Fabiano e vê na árdua tarefa de sacrificá-la. Fere o pobre bicho com um tiro, mas não consegue matá-lo, já que este foge para longe. Baleia vem a falecer durante a noite, perto da casa, sonhando com um mundo cheio de lebres...</p>
<p>Sentindo-se cada vez mais lesado pelo patrão, Fabiano resolve argumentar contra esse, mas, sob ameaça de despejo, resolve deixar o assunto quieto, o que lhe causa uma indignação cada vez maior. Sua indignação com o mundo chega ao extremo quando encontra, na volta da venda após ter tomado alguns goles, o Soldado Amarelo, que estava perdido no mato. Fabiano percebe o seu medo e seu corpo franzino em relação ao seu, e tem a idéia de matá-lo, descontar toda a sua raiva e seu descontentamento. Sentindo-se, entretanto, fraco e impossibilitado, resolve deixar pra lá, ensinando o caminho de volta para a cidade ao soldado. Seu sentimento de revolta é agora intensificado pela impotência...</p>
<p>Como não bastasse, a seca atinge a fazenda e faz com que toda a família fuja novamente, só que esta vez para o sul, em busca da cidade grande, sem destino e sem esperança de vida.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Vocabulário e a Ascensão - Livros Interessantes]]></title>
<link>http://blogdamorg.wordpress.com/?p=128</link>
<pubDate>Tue, 10 Jun 2008 15:21:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>Morgana Gualdi Laux</dc:creator>
<guid>http://blogdamorg.pt-br.wordpress.com/2008/06/10/o-vocabulario-e-a-ascensao-livros-interessantes/</guid>
<description><![CDATA[No Brasil, a média de leituras é de 1,2 livros por pessoa. Esses dados comprovam a falta de perspe]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>No Brasil, a média de leituras é de 1,2 livros por pessoa. Esses dados comprovam a falta de perspectivas para ascender socialmente por meio do conhecimento. Contudo, o mercado de trabalho exige, na hora de classificar funcionários por cargo, certo grau lingüistico em cada função.</p>
<p>Quando procuramos alguém para cuidar de nossos filhos é preciso uma série de requisitos, um deles é o ajudante saber interpretar a bula do remédio em uma emergência. Além disso, desejamos que os professores de Língua Portuguesa das crianças demonstrem vasta cultura, uma vez que, desse modo, são capazes de transmitir conhecimento aos infantes. Já, quando vamos fechar um contrato sério com alguma empresa, queremos que o representante dela se porte de maneira exemplar, utilizando corretamente os pronomes de tratamento, conjugando corretamente os verbos e nunca mencionando palavras errôneas como "menas", pois, essas ações constituem uma relação de total confiança ao cliente.</p>
<p>Sendo assim, é evidente que a cada profissão o conhecimento exigido é graduativamente maior, assim como o salário. O mercado de trabalho valoriza intensificadamente indivíduos com maior domínio da Língua Portuguesa, uma vez que ela é essencial para a comunicação e para demonstrar o alto nível educacional que ele apresenta. O maior exemplo dessas hipóteses que relatei são as misses realizando aulas de lingüistica, já que somente a aparência não determina o modelo exemplar de mulher, mas também a cultura que ela possui.</p>
<p>Em suma, o vocabulário serve para incluir os indivíduos na sociedade. O uso correto da língua é um modo de muitos ascederem socialmente.</p>
<p>*** Livros Interessantes ***</p>
<p>Camilo Mortágua ( Josué Guimarães ) - É uma obra fantástica por tratar com inúmeros detalhes a vida do protagonista.  O leitor se prende ao livro, pois, de algum modo, já passou por alguma situação que Camilo passa na narrativa. Final impressionante!</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://blogdamorg.files.wordpress.com/2008/06/9788525406217.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-129 aligncenter" src="http://blogdamorg.wordpress.com/files/2008/06/9788525406217.jpg?w=90" alt="" width="90" height="135" /></a></p>
<p>Dois Irmãos ( Milton Hatoum ) - Assim como os outros livros de Milton Hatoum, Dois Irmãos também tem como tema central a destruição de um lar, pois os irmãos vivem em conflito ao longo de toda narrativa. Ele também  coloca elementos da cultura libanesa!</p>
<p>Vidas Secas ( Graciliano Ramos ) - Pode ser um livro mais comentando quando estamos no colégio, mas a verdade é que a obra é fantástica e triste por se tratar de uma família de retirantes sem a miníma perspectiva de melhoras. Há também uma animalização dos personagens, uma vez que eles se comunicam por meio de grunhidos.</p>
<p>Os Ratos ( Dyonélio Machado ) - A linguagem do livro não é das melhores em minha opinião. Contudo, podemos observar Naziazeno em busca do dinheiro para pagar o leiteiro em único dia. A obra é uma paranorama sobre a questão social, podemos conseguir uma fonte de renda naquele momento, mas continuaremos a ficar devendo para outro amanhã.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Machado, Rosa e o Brasil]]></title>
<link>http://literaturaecultura.wordpress.com/?p=24</link>
<pubDate>Tue, 20 May 2008 13:41:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>blogye19</dc:creator>
<guid>http://literaturaecultura.pt-br.wordpress.com/2008/05/20/machado-rosa-e-o-brasil/</guid>
<description><![CDATA[Neste ano, além dos 200 anos da vinda da Corte portuguesa, o Brasil comemora duas datas muito mais ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">Neste ano, além dos 200 anos da vinda da Corte portuguesa, o Brasil comemora duas datas muito mais satisfatórias: 100 anos da morte de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) e 100 anos do nascimento de João Guimarães Rosa (1908-1967). São nossos dois maiores escritores, ou formulemos assim: Machado é o maior escritor brasileiro do século XIX e Rosa é o maior escritor brasileiro do século XX. O século XXI ainda não viu o equivalente de Machado e Rosa.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">É muito fácil, no entanto, discorrer sobre como Machado e Rosa são diferentes. Machado é urbano, intimista e irônico; Rosa, sertanejo, mítico e metafísico. Machado talvez não gostasse do estilo cheio de palavras difíceis e pontuações heterodoxas de Rosa. Rosa se queixou da "afetação" de Machado, embora em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras - co-fundada por Machado, que foi seu primeiro presidente - tenha cumprimentado o "ver claro e quieto" do autor de <em>Dom Casmurro</em> e embora sua própria literatura não deixe de ter "afetação".</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">O mais importante é parar e examinar o quanto há em comum entre eles, afora sua posição no cânone literário nacional. Chamo atenção para duas coisas. Primeiro, ambos são artistas-pensadores, tanto que não diziam fazer "romance" no sentido tradicional, "romance de costumes", e sim "romance de análise" (Machado) e "contos filosóficos" (Rosa). Não estavam interessados apenas em narrar uma historinha superficial, mas em revelar correntes profundas, universais, do comportamento humano. Não temo afirmar que, nesta terra de escassos pensadores, e com a licença de Pelé e Tom Jobim, Machado e Rosa foram nossos dois únicos gênios.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">Segundo, ambos são artistas-pensadores que se dedicaram a pensar o Brasil. Não para lhe dar uma "identidade" ou "síntese". Sempre rejeitaram esse conceito essencialista de que a arte deve resumir uma cultura nacional. Mas pensaram o Brasil porque mergulharam nos microcosmos em que cresceram e viram neles toda sua riqueza de implicações. Machado, que dizia que o "instinto de nacionalidade" é um "certo sentimento íntimo", escreveu sobre a transição de mentalidades envolvida na troca da monarquia pela república, criticando o fato de que grupos de poder se alternam sem que a estrutura mude. Rosa, que dizia que a "brasilidade" é "indefinível", escreveu sobre um país à margem da civilização, iletrado, que oscila entre o arcaico e o moderno. Ambos admiravam os "bons instintos" (Machado) do brasileiro, mas criticaram o atraso do país, muitas vezes justificado como preservação desses bons instintos.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">Eruditos, leitores da Bíblia e de toda a literatura universal, criadores de linguagem que trouxeram experimentos inéditos para a prosa brasileira, preocupados sobretudo com as dualidades da vida, eles examinaram a alma difusa dos indivíduos em geral e dos brasileiros em particular. Não por acaso, escreveram com conto de mesmo nome, <em>O Espelho</em>, em que os personagens procuram por sua figura e jamais a vêem nítida... Tomara que o Brasil utilize as efemérides para se enxergar mais profundamente nesses dois grandes espelhos literários.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><strong>Posts anteriores:</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><a title="Link Permanente para Exposição dedicada a Gilberto Freyre em SP segue até o dia 18 de maio" rel="bookmark" href="http://literaturaecultura.wordpress.com/2008/05/12/exposicao-dedicada-a-gilberto-freyre-em-sp-segue-ate-o-dia-18-de-maio/"><span style="color:#265e15;">Exposição dedicada a Gilberto Freyre em SP segue até o dia 18 de maio</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><a title="Link Permanente para Manifesto surrealista de André Breton vai a leilão em Paris" rel="bookmark" href="http://literaturaecultura.wordpress.com/2008/05/07/manifesto-surrealista-de-andre-breton-vai-a-leilao-em-paris/"><span style="color:#265e15;">Manifesto surrealista de André Breton vai a leilão em Paris</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><a title="Link Permanente para Um pouco mais de Chico. Budapeste" rel="bookmark" href="http://literaturaecultura.wordpress.com/2008/04/16/um-pouco-mais-de-chico-budapeste/"><span style="color:#265e15;">Um pouco mais de Chico. Budapeste</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;"><a title="Link Permanente para Biblioteca Virtual" rel="bookmark" href="http://literaturaecultura.wordpress.com/2008/04/08/biblioteca-virtual/"><span style="color:#265e15;">Biblioteca Virtual</span></a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333333;">;)</span></p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
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