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	<title>vida-de-biologa &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/vida-de-biologa/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "vida-de-biologa"</description>
	<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 06:22:31 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Eu promeeeeto que não bebo nunca mais... NOT!]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=500</link>
<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 04:15:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
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<description><![CDATA[Eu achei que a gente ficasse mais espertinho depois da faculdade, pelo menos no quesito &#8216;bebed]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Eu achei que a gente ficasse mais espertinho depois da faculdade, pelo menos no quesito 'bebedeiras que te fazem acreditar em deos'. Mas eu estava redondamente enganada.</strong> Continuo com péssimas ressacas no dia seguinte às baladas fodonas e creio que nunca beberei com consciência. É tipo um gene: eu só tenho os alelos recessivos da característica escocesa de manguaçar e sobreviver; não faz parte da minha genética encharcar e ficar bem depois de umas horas. E não adianta lutar contra: é a genética, caralho!</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Na faculdade eu tive algumas daquelas ressacas homéricas em que a gente pensa MESMO que tá morrendo.</strong> Saca? Usava tooodos meus conhecimentos de biologia, analisava racionalmente minhas funções vitais e tinha certeza que tava divisando o umbral do além. Porque tipo que as minhas funções vitais tava decretando falência! <strong>Quase podia ver a Morte fumando um cigarrinho e reclamando 'É pra hoje, truta? Libera a mixaria ae, mano!' - nas minhas alucinações ela faz o estilo rabugenta da Zona Leste. </strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Sem contar que tinha que desencanar de comer: o que quer que passasse da linha divisória da goela voltava quase instantaneamente. Daí eu apelava pra água gelada. Já que era um esquema 'bate-volta', preferia gorfar água fria num volume decente. Não aquela bilezinha mixuruca que me fazia botar as tripas pela boca para vomitar 10ml de verdinho.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Eu tinha desenvolvido um processo pra coisa toda. Quando percebia que tava naqueeeeela situação, nem saía do banheiro. Ficava por lá mesmo, sério. Deitava no chão gelado, prometia que NUNCA MAIS ia beber, admitia que álcool e meu corpinho não combinavam mesmo, então <em>até nunca mais beijos me liga.</em> E dá-lhe remédio pra dor de cabeça, dá-lhe Plasil pra segurar o estômago, dá-lhe Xantinon B pra sossegar o fígado. <strong>Acho que na real meu estômago e meu fígado viam os comprimidinhos chegando e davam risada na cara deles, coitados.</strong> Os pobres remédios eram humilhados pelas minhas tripas revoltosas. Porque NÃO FAZIA MAIS EFEITO. Bizarro, minha gente, bizarro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Pois bem. No domingo depois da <a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/08/11/quer-ir-pra-balada-comigo/" target="_blank">minha festa </a>eu fiquei assim. Acordei com uma leve dor de cabeça e aquela sensação de barriga do avesso. Mas pensei ser passageiro. Daí tomei uma agüinha, comi umas uvas. Depois comi uns gomos de tangerina, só sentindo o terreno. <strong>Aí apelei: comi duas torradas. Foi o meu erro. Juro que tive a impressão de ouvir um 'Rá! Te peguei!' numa<em> vibe</em> meio </strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=7Ta4R-IA0rI" target="_blank"><strong>João Kléber </strong></a><strong>vindo diretamente do meu <em>inside</em>.</strong> Porque segundos depois da torrada passar do esôfago uma mina soviética de estilhaços explodiu dentro do meu cérebro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Eu pude sentir o que tem atrás do olhos. Acima dos olhos. Na testa. Na nuca. Nas laterais. Tipo que eu sentia cada mísera circunvolução do meu cérebro de noz podre. <strong>Minha vontade era pegar uma marreta, esmigalhar os miolos e dar de comida pro cachorro <em>fiodaputa</em> que latia insanamente na esquina.</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Aí começou a vomitação. Primeiro os gomos da tangerina. Depois cada pelotinha de uva, desse jeito mesmo: em pelotinhas. <strong>Gente, é um sofrimento sem tamanho, nunca comam uvas quando estiverem assim.</strong> Por fim, só bile. Cada ml de bile expelida diminuía em uns quatro anos a minha expectativa de vida. Botei pra fora até o remédio pra dor de cabeça.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Quando tava pra pedir arrego e ser carregada para uma farmácia, um hospital, um cemitério logo duma vez, a dor de cabeça passou.</strong> Assim, do nada. E logo em seguida meu estômago voltou a segurar algumas coisas leves, tipo filé ao molho de gorgonzola, heh. Porém foram horas terríveis das quais não me esquecerei tão cedo.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Isso é pra vocês terem uma idéia do que foi aquela festa. In-sa-na. E sexta vai ter outra que... bem, eu vou precisar de ajuda dos céus. <strong>Rezem por mim, molecada.</strong></span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';">Textos relacionados pra você ler aqui no blog, estrupício:</span></p>
<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/05/27/celular-movido-a-alcool/" target="_blank">Celular movido a álcool</a></span><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/04/10/as-8-coisas-que-voce-deve-fazer-antes-de-morrer/" target="_blank">As 8 coisas que você deve fazer antes de morrer</a></span><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/02/15/nao-sou-legal-eu-to-te-dando-mole/" target="_blank">'Não sou legal, eu tô te dando mole'</a></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Promoção Conheça a Rachel e ganhe $10,00 - VOTAÇÃO]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=355</link>
<pubDate>Sun, 22 Jun 2008 01:06:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
<guid>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=355</guid>
<description><![CDATA[Como eu já tava cansada do header atual do Coisa Errada - arte profissionalíssima do Doda - mas n]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.files.wordpress.com/2008/06/header-rafael.jpg"></a>Como eu já tava cansada do <em>header</em> atual do Coisa Errada - arte profissionalíssima do <a href="http://bloda.wordpress.com/">Doda </a>- mas não tinha a menor <span style="text-decoration:line-through;">idéia</span> <span style="text-decoration:line-through;">vontade</span> inspiração para criar um novo, passei a bola para os estrupícios com <span style="text-decoration:line-through;">melhores conhecimentos de Photoshop</span> mais tempo que eu lançando a incrível e super sensacionalmente original campanha <a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/04/14/conheca-a-rachel-e-ganhe-1000/">Conheça a Rachel e ganhe $ 10,00</a>. <strong>Esquema campeão: vocês ralam no Photoshop, eu pago uma merreca e os outros estrupícios escolhem a peça que lhes apetecer.</strong> Além de não ter nem o trabalho de decidir qual o mais legal, isso aqui ainda fica com cara de democracia: vocês achando que mandam nalguma coisa e eu fingindo que aceito. Heh.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Para minha total supresa (eu <strong>jurava</strong> que ninguém toparia participar), recebi DEZENOVE sugestões e a grande maioria é realmente muito boa. Tentei inventar um método para escolher o top 3, mas a real é que estes dois malucos aí criaram as melhores peças <em>ever</em>.<strong> A votação vai rolar até o dia 28 de junho e só vale um pitaco por comentarista - lógico, né.</strong> <em>Peloamordedeos</em>, usem apenas a caixa de comentários para votar. Eu sei que vocês amam me mandar e-mails com todo raio de assunto, mas vai ser muito difícil ficar contabilizando os votos mandados no <a href="mailto:juraski.rachel@gmail">juraski.rachel@gmail</a> e os feitos cá (eu sou loira, bem).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>O super vencedor ganha um cheque de deiz conto e, se morar em São Paulo, terá a honra de receber a inimaginável quantia diretamente das minhas mãozinhas. Se morar em qualquer outro <span style="text-decoration:line-through;">cafundó do Judas</span> lugar do Brasil, terá a honra de receber a inimaginável quantia diretamente das mãozinhas do carteiro.</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Aí vão. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Sugestão 1: criação do <a href="http://jamesbond.blogger.com.br/">Bond, James Bond</a>.</strong></span></p>
<p><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.files.wordpress.com/2008/06/eugosto_banner.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-356" src="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/files/2008/06/eugosto_banner.jpg?w=300" alt="" width="300" height="72" /></a></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Não é todo dia que um agente secreto do gabarito de Mr. Bond se dispõe a sentar a bunda na frente do computador e lutar com os programas de tratamento de imagem por míseros deizão. Tá muito linda em p-e-b e com esse laranja e, se querem saber, é a minha predileta. <strong>Só que desta vez - e desta ÚNICA vez - são vocês que mandam. Vai?</strong></span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Sugestão 2: criação do Rafael Abreu</strong></span></p>
<p><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.files.wordpress.com/2008/06/header-rafael.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-358" src="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/files/2008/06/header-rafael.jpg?w=300" alt="" width="300" height="72" /></a></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">O Rafael não se contentou em mandar apenas uma sugestão e criou logo três de uma vez.<strong> Isso só pode significar que: a) ele andava MUITO à toa; b) ele queria MESMO ganhar dez reais; ou c) ele me ama.</strong> Prefiro acreditar na terceira hipótese.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Essa dae é a que mais gostei. Talvez alguns estrupícios não entendam bem o motivo das mosquinhas flagradas em pleno <em>séquiço</em> e por isso vou abrir um pequeno parênteses para explicar.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">(Nos meus áureos tempos de graduanda em Ciências Biológicas, estagiei por mais de dois anos em um laboratório de genética evolutiva. A parte exótica da coisa ficava por conta do minha área de pesquisa. <strong>Eu estudava os comportamentos de corte sexual dos machos da mosca <em>Drosophila</em>.</strong> Trocando em miúdos, eu passava o dia analisando pequenos ruídos que os <em>moscos</em> fazem para convencer as moscas a irem para a cama com eles, <strong>tipo um xaveco bizarro com cantadas e piscadas de olho.</strong> Ok, podem rir, mas essa porra toda sempre me rende muito assunto de mesa de bar.)</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>[Eu tava agora procurando o texto em que conto o lance todo do estágio observando o sexo <em>mosquial</em> e não achei. o.O Será que nunca contei essa história aqui??]</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Rafael, querido: se você ganhar teremos só que alterar a URL que você inventou. Aqui é o <a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com">http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com</a>, sem www. Enfim, detalhes.</span></p>
<p> <span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Agora, votem. VOTEM, ESTRUPÍCIOS, VOTEM AGORA!</strong></span></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';">Textos relacionados para você ler aqui no blog, estrupício:</span></p>
<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/03/10/minha-entrevista-serio-mesmo/" target="_blank">MINHA entrevista. Sério mesmo!</a></span><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/03/03/gente-olha-o-luxo-to-na-papo-de-homem/" target="_blank">Gente, olha o luxo: tô na Papo de Homem!</a></span><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/02/15/nao-sou-legal-eu-to-te-dando-mole/" target="_blank">'Não sou legal, eu tô te dando mole'</a></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[No olho da rua: minha vida como desempregada, parte 3]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=312</link>
<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 10:19:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
<guid>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=312</guid>
<description><![CDATA[Continuando minha saga sobre empregos e afins, esta é a parte 3. A primeira parte está aqui e a se]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';">Continuando minha saga sobre empregos e afins, esta é a parte 3. <a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/04/04/no-olho-da-rua-minha-vida-como-desempregada-parte-1/" target="_blank">A primeira parte está aqui</a> e a <a href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/04/13/no-olho-da-rua-minha-vida-como-desempregada-parte-2/" target="_blank">segunda está ali.</a></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Em março de 2006 comecei, então, a trabalhar como assistente de vendas para o exterior, que é tipo uma <strong>secretária bilíngüe menos imbecil e mais funcional</strong> - que me desculpem as secretárias bilígües, mas é verdade. <strong>Acreditem: não havia nada de difícil ou desafiador no meu trabalho, era tudo questão de treino. </strong>Aprendi rapidão as partes burocráticas e repetitivas das funções e logo estava agindo com aquela naturalidade dos que estão no mesmo cargo há anos. Eu, inclusive, fazia as mesmas caras de tédio e assumia o mesmo tom de voz modorrento dos enfadados pelo trabalho.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Sendo bastante sincera, meu trabalho era chato porque não demandava nenhum tipo de habilidade especial, requeria apenas organização, atenção e domínio dos idiomas. Aquelas que eu tinha acreditado por toda a vida serem minhas maiores qualidades eram desperdiçadas ali. <strong>O desafio diário consistia, na verdade, em aturar meu chefe.</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">*Atenção para uma descrição nada elogiosa*</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Pense numa pessoa muito, mas <strong>muito ansiosa</strong>. Alguém que não consegue se manter sentada na cadeira e que ordena que <strong>tudo seja resolvido instantaneamente</strong>, numa tentativa de aplacar essa ansiedade. Essa pessoa é, ainda, <strong>extremamente repetitiva</strong> e consegue fazer a mesma pergunta e a mesma solicitação várias vezes ao dia, <strong>enlouquecendo o interlocutor</strong>. Pensou? <em><strong>Ladies and gentlemen, may I present you João, my boss. </strong></em></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><strong>Essas, entretanto, não eram suas únicas características absurdamente irritantes:</strong> para piorar, meu chefe, o GERENTE DE EXPORTAÇÃO, falava um inglês macarrônico BIZARRO e passava vergonha quando tinha que tentar o espanhol. Quer dizer, <strong>EU</strong> passava vergonha, porque em toda sua arrogância, João achava seu espanhol 'muito bom' e só me delegou a função de enviar TODOS os e-mails do departamento porque eu 'digitava mais rápido' ¬¬</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Apesar de todas essas reclamações, meu chefe tinha algumas qualidades, também. <strong>Só que isso aqui é uma narrativa de alguém que está muito feliz de ter largado o emprego e que ainda tem sérias reclamações do chefe, então vou suprimir a parte de falar sobre as qualidades, ok? Se alguém quiser uma defesa do João que vá conversar com a mãe dele. </strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Além disso, como vocês devem adivinhar, minhas funções tinham aumentado bastante nesses dois anos, não só em quantidade como também no grau das reponsabilidades que tinha assumido. Quando dei por mim, estava elaborando gráficos mega complexos sobre análises de vendas e metas comerciais e cheguei ao absurdo, certa vez, de ter que redigir um contrato de distribuição. Oi? Isso é trabalho para advogados formados? <strong>Comecei a desempenhar uma série de atribuições que tinha certeza serem de responsabilidade do gerente, sem para isso ter qualquer bonificação ou aumento.</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Apesar de ouvir constantes elogios e coisas do tipo 'você se tornou indispensável para o departamento', o valor que aparecia no holorite era exatamente o mesmo desde a contratação.<strong> Acredito que a gente</strong> <strong>se contenta com elogios e tapinhas nas costas apenas enquanto criança.</strong> Quando as contas do mês começam a depender do salário que você ganha, só congratulações não são suficientes. Resumindo, eu queria um aumento. Um belo aumento, diga-se de passagem. <strong>Se meu trabalho era assim tão formidável, queria receber o quanto achava ser justo por ele, e se aquela empresa não quisesse pagar, estava disposta a procurar por outra.</strong> A bomba estava armada e prestes a explodir.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">O <em>BUM!</em> veio em março. Estava insatisfeita havia 12 meses exatos e passando pelas três piores semanas de que me lembrava. Trabalhava feito uma camela até as onze da noite, quase não tinha folga para almoçar e a montanha de coisas para fazer não parecia diminuir, só aumentar. E enquanto isso, o João ficava dias sem aparecer e, quando estava no escritório, ficava pelos corredores batendo papo ou passava horas assistindo a videos do Terra. Preciso repetir? Vi-de-os do Ter-ra. <strong>Pensamentos assassinos truculentos vagavam pelo meu cérebro naqueles dias. </strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Ao final da terceira semana estava no meu limite. <strong>Queria apenas que a sexta-feira terminasse logo para descansar e ficar livre dele por dois dias. </strong>Mas o cara conseguiu a proeza de me enfurecer mortalmente antes do dia acabar e assim decidi pedir demissão já na segunda-feira e me libertar daquilo de uma vez, nem que para isso tivesse que voltar a deixar meus currículos em escolinhas infantis.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">E foi exatamente o que fiz.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Prezado fulano, segue arquivo anexo conforme solicitação via contel]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=275</link>
<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 12:37:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
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<description><![CDATA[Um dia, uma dessas empresas fajutas de recolocação profissional criou o termo &#8216;proatividade]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Um dia, uma dessas empresas fajutas de recolocação profissional criou o termo 'proatividade' e meteu no currículo de alguém. <em>Mas o que significa essa porra?</em>, perguntavam as pessoas mentalmente sãs. <em>Seilá, mas achei bonito</em>, respondia o herege. E por algum motivo que está muito além da minha compreensão, essa merda de palavra <strong>pegou</strong>. Não há currículo, palestra de auto-ajuda, gincana vagabunda de integração de empresa em feriado religioso que não use em quantidades industriais a tal da 'proatividade'. Se você tem a sorte de nunca ter ouvido a referida expressão, não se sinta ignorante; além de salas de RH e palestras motivacionais, em nenhum outro local do universo ela é utilizada. Para falar a verdade, teimo em acreditar que sequer exista.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">No quesito <em>palavras esdrúxulas e expressões singulares</em>, o tal mundo corporativo é recheado delas - imagino que <a target="_blank" href="http://dilbertblog.typepad.com/">Scott Adams</a>, criador do personagem Dilbert, concordaria comigo.</span><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"> Confesso que nas minhas primeiras semanas de recém-contratada na empresa fiquei perdida em meio a tantos termos obscuros ou que tinham um significado totalmente distinto para mim. Entenda: eu tinha acabado um curso de Ciências Biológicas, estava acostumada a falar de blástulas, mosaicos gênicos, habitat, corpo caloso e MAP-quinases. Na minha vida anterior, 'feedback negativo', por exemplo, tinha um sentido químico-fisiológico, completamente diferente desse utilizado aqui no escritório. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Mas há dezenas de outras. 'Coaching' e 'Customer manager' são as mais descoladinhas, para aquele povinho que adora um curso de desenvolvimento pessoal e que mantém livros do naipe de <em>Os Segredos da Mente Milionária</em> como guia prático e <em>Pai Rico, Pai Pobre</em> como guia espiritual. 'Empreendedorismo' participava do Desfile das Campeãs durante toda uma década; hoje, caiu para o grupo de acesso e sua popularização é tanta que 17 em cada 10 currículos para atendente do McDonald's traz um 'espírito empreendedor' lá no 'Habilidades e Competências'. A <em>old sch</em>ool 'comprometimento', entretanto, ainda parece ter vida longa, apesar de já estar gastinha.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">O famoso verbo 'gerir' e seus correlatos ('gestão', 'gerência', 'gerenciamento') são eternos, mas passam a impressão de prolixidade. Sabe? Quando você pode contar algo de maneira simples mas fica enfeitando a conversa. Assim, com monstruosidades como 'gerenciamento de crises', 'gerenciamento de recursos', 'gerenciamento de projetos' e 'gerenciamento de tempo' (!!), a moça que trabalha lá em casa uma vez por semana talvez já tenha virado 'gerente de sabão em pó' e agora seja responsável pelo 'gerenciamento de higienização doméstica'. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Que falta faz um Guimarães Rosa no mundo corporativo. </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Monocotiledôneas e dicotiledôneas, paralelinérvias e reticulinérvias]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=267</link>
<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 12:22:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
<guid>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=267</guid>
<description><![CDATA[Minha família é recheada de pessoas com queda para a jardinagem: minhas avós, tias, minha mãe e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Minha família é recheada de pessoas com queda para a jardinagem: minhas avós, tias, minha mãe e talvez até meu pai e meu avô, na época em que tinham chácara/sítio de subsistência - o que era muito comum no interior de São Paulo, lá pela metade do século passado, entre as famílias italianas mais humildes. Não sei se por essa tradição rural de necessidade mesmo (muito do que se comia à mesa vinha diretamente da hortinha dos fundos), mas todo o meu clã, tanto do lado materno quanto paterno, tem esse hábito adorável de jardim e quintalzão. Todos, menos eu. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Entre meus trocentos primos espalhados por esse mundão de meo deos, sou a única bióloga. E a única integrante que não tem o menooooor jeito - nem a menooor vontade, admito - para esses assuntos botânicos amadores. Mesmo minha irmã tem seus momentos <em>mãos na terra</em> e à vezes ajuda minha mãe a trocar planta de vaso e a adubar uns pedaços de jardim. Aliás, esse lance de jardinagem, apesar de amadorístico, tem uns procedimentos bem próprios: botar adubo, calcário (se a terra é muito ácida), molhar não sei com que freqüência, calcular tamanho de vaso, rechear com pedrinha ou com xaxim, usar uns suportes para trepadeiras, enfim, todo um manual recheado de 'material e métodos' inteligíveis apenas para os iniciados. Tem ainda uma conversa de mudar o vaso de lugar, porque a planta gosta mais/menos de sol, de sombra... e aí conforme vamos mudando de estação no ano, os vasos nos fundos da minha casa vão ziguezagueando pelo quintal. Como disse, é um mistério revelado somente aos escolhidos. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">E certamente esse gene <em>ame as plantinhas!</em> pulou a minha pessoa dentre as gerações do clã. A única incursão pela agricultura que adoro fazer e na qual tenho relativo sucesso é plantar feijãozinho em tufos de algodão molhado, dentro de potinhos de iogurte. A primeira vez que fiz essa 'experiência' foi no pré-primário e ainda existe uma filmagem caseira em que apareço toda serelepe e banguela mostrando meu querido pé-de-feijão-de-quatro-dias. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Aos 14 anos, meu quarto tinha um minúsculo jardim de inverno com clarabóia. Na verdade uma porta dava para um espaço de quatro metros quadrados a céu aberto, com chão de cerâmica e onde batia sol por alguns momentos do dia. Mas inventei de transformar o local num <em>nanojardim</em> e enchi de pequenos vasinhos de plantas surrupiados da minha mãe. Devem ter durado umas três semanas, se muito. E isso porque tinha gasto uma puta grana com apetrechos de jardinagem, tipo pazinhas e luvinhas e suportezinhos fofos, e com revistas ESPECIALIZADAS em jardins de inverno. Vocês tem que concordar que eu não tinha jeito, mas era esforçada. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Depois disso, desisti. Fiz Biologia e todas as disciplinas de Botânica me entediavam mortalmente. Trabalho de campo em que tinha que me embrenhar no mato e contar espécime vegetal, então, era motivo para semanas de reclamações sem fim. Ou então fazer as benditas exsicatas com folha, flor, fruto... um pé no saco. A foto abaixo, feita durante o último projeto com excursão a campo no quarto ano da graduação, não me deixa mentir. Reparem na minha expressão de alegria, boa vontade e satisfação.   </span></p>
<p><img width="520" src="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/files/2008/03/eco-vegetal-1-minimizada.jpg" alt="matéria de eco vegetal - graças a deos acabou" height="363" style="width:509px;height:370px;" /></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Hoje em dia tento apenas não matar em dois dias as raras flores que compro. E nem perco tempo na floricultura pedindo as famosas dicas sobre quando molhar e onde deixar as coitadas. Já me conformei que de nada adiantará saber tudo isso: ao chegarem às minhas mãos, estão condenadas a um tempo de vida bem mais curto que o usual.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';"><em>ps: se você curtiu esse texto, vai adorar</em> <em><a target="_blank" href="http://agoracomdazibaonomeio.blogspot.com/2008/03/plantao-de-narcisos-hbridos.html">este aqui também</a>, do Ágora com Dazibao no Meio, do meu querido amigo Ricardo.</em> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Série 'Hoje o dia é meu' - parte 2]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/02/19/serie-hoje-o-dia-e-meu-parte-2/</link>
<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 12:41:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
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<description><![CDATA[A parte 1 está aqui.
Dos 24 aniversários até hoje - para o 25º ainda faltam 2 semanas - me recor]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';">A parte 1 está <a target="_blank" href="http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/02/11/hoje-o-dia-e-meu-1/">aqui</a>.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Dos 24 aniversários até hoje - para o 25º ainda faltam 2 semanas - me recordo de 20 deles. E dois foram bastante marcantes, como vocês saberão a seguir.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Em 2001, o dia 05 de março caiu numa segunda-feira. Mas não qualquer segunda-feira: era a segunda-feira <em>primeiro dia de aula na faculdade</em> e eu era caloura. Sabe o que significa isso? Significa que uma porrada de gente que você nunca viu na vida vai lhe abraçar e cumprimentar pela data, pessoas que você ainda nem sabe o apelido (que acaba virando nome próprio depois de poucas semanas) mas que lhe acompanharão por um boooom tempo em provas, baladas, aulas chatas, relatórios, noites viradas em estudos e muitas viagens. Significa que todos os veteranos tentarão tirar uma casquinha extra da 'menina da 38ª que faz aniversário hoje, velho!', enchendo a caloura de beijos e <em>tchutchus</em>. Significa que já na primeira aula seu celular tocará incessantemente, acusando ligações de seus amigos de colegial e muitos, mas muitos familiares. Significa que você estará tão feliz que vai considerar tudo um grande presente especialmente escolhido para aquela data, até o ônibus lotado e o bife 007 do bandeijão. Significa que percorrendo o campus debaixo de um sol inclemente procurando a biblioteca, você vai suar em bicas e saber que aquelas serão memórias perenes. E você vai sorrir, o dia inteiro, até ficar com as bochechas doloridas da contração.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Do que mais lembro desse dia específico? Lembro de estar cercada de gente desconhecida até na casa em que morava, de namorar um cara havia apenas um mês e de não saber outro trajeto a não ser 'casa-ponto de ônibus-casa'. E que meu pai havia me enviado um vaso de flores cor de rosa e eu nem tinha onde colocar porque meu quarto era de uma simplicidade monástica. Entretanto, estava plenamente satisfeita. Plenamente realizada. Plenamente feliz. Tinha escalado uma montanha absurda de difícil para estar ali e a vista era sensacional. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">O outro aniversário inesquecível ocorreu quatro anos depois. Neste intervalo trancafiei num porão escuro do cérebro pensamentos impertinentes que insistiam em vagar de vez em quando. Achei que assim desapareceriam, mas os malditos ficaram por lá fermentando e crescendo como fungos imensos. Consegui mantê-los aprisionados durante toda a graduação; um dia, porém, as portas foram escancaradas e os pensamentos, livres, atacaram meu cérebro indefeso. Vivo de acordo com eles, desde então, e garanto que sou mais feliz assim.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Em 2005, 05 de março caiu num sábado, o sábado da Semana do Calouro. Minha formatura havia sido três meses antes, em dezembro. Estava prestes a fazer 22 anos e me preparando para o mestrado na área em que tinha estagiado durante longos dois anos e meio de graduação. Não era exatamente um objetivo de vida sonhado e desejado, mas também não conseguia imaginar outro caminho para seguir. Todos os meus colegas emendavam o mestrado depois da graduação, eu faria como eles. O problema é que não queria notar que eu não era como eles.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Na quinta-feira, 03 de março, aconteceu a última festa daquela semana de recepção aos bixos. Bati o carro retornando para casa, numa avenida na saída da faculdade. O roteiro foi completo: não restou muito do carro; porém, graças ao cinto, restou tudo de mim. Ainda assim tive que ser socorrida por desconhecidos (eles, novamente!), dei uma voltinha de ambulância até o hospital, fui radiografada de cima a baixo e suturada com três pontos na cabeça. Para isso, tiveram que cortar uma mechinha do cabelo que, em meu desespero, se transformou em tufos suficientes para uma peruca perfeita. Em plena madrugada, acordei minhas duas melhores amigas para que me buscassem no hospital.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">No dia seguinte, o grande momento da verdade. Ligar para papai e mamãe e contar que havia sofrido um acidente e estava bem, apesar de tudo. E tentar convencê-los e não virem em meu socorro imediatamente, até porque não havia muito o que fazer. Essa foi a véspera do meu aniversário. O grande dia passei-o sozinha, meio de molho, meio de luto, cheia de hematomas e com a cabeça enfaixada, sem poder lavar o cabelo - ou que o tinha restado dele. Repensei um pá de coisas que andavam por um rumo totalmente errado naquele pedaço de caminho: minha irresponsabilidade, que ameaçava tomar proporções indesculpáveis; minha carreira, sobre a qual eu insistia em mentir para mim mesma; meus amigos, feitos mais de conveniência e coleguismo que de sólida amizade.</span> </p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Costumo dizer que nesse aniversário ganhei três preciosos presentes: três pontos na cabeça, como uma recordação física que não me deixa esquecer meus limites e minhas intolerâncias, e também responsabilidade e firmeza. Firmeza para jogar o diploma recém-adquirido para o alto, dar um basta a uma situação que nunca me satisfez e traçar uma rota segura para voltar ao antigo sonho do Jornalismo. Resposabilidade para saber que, a partir dali, eu estava sozinha e precisava recomeçar. Mas isso já não me assustava mais.</span></p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Rito de passagem]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/?p=203</link>
<pubDate>Thu, 07 Feb 2008 17:32:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
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<description><![CDATA[Saiu ontem a lista de aprovados na FUVEST, aquele vestibular demônio de 28 em cada 10 alunos de cu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Saiu ontem a lista de aprovados na FUVEST, aquele vestibular demônio de 28 em cada 10 alunos de cursinho e colegial. Um primo muito querido conseguiu uma vaga para o curso de Administração. Há exatos 3 anos, era a vez da minha irmã passar, em Engenharia Mecânica. E em 2001 também fui uma feliz contemplada. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Tinha 17 anos e recém terminado o colegial. Não sabia absolutamente nada do que iria fazer pelos próximos meses: havia prestado apenas 3 vestibulares, justamente para as universidade públicas mais concorridas do estado de São Paulo, talvez das mais concorridas do Brasil. Se não passasse em nenhuma, certamente iria amargar ao menos um ano de cursinho no mesmo esquema que havia sido a escola: fuça enfiada nos livros e ainda morando na casa de papai e mamãe. Não sei se iria agüentar. Todo o colegial foi um período de muita infelicidade, por vários motivos conjugados. Suportar mais um ano do inferno com o adicional da pressão para entrar logo na faculdade talvez fosse demais. Literalmente, eu definhava.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Cada caso de adolescente que presta vestibular é uma novela ímpar com enredo digno de Janete Clair. Como se não bastassem todas as dúvidas que assombram nosso sótão, ter de escolher o curso da faculdade é, na minha opinião, a mais difícil de todas. Faltam informações consistentes sobre a graduação, sobre o (real) mercado de trabalho, currículo de disciplinas, requisitos básicos - ninguém <strong>NUNCA</strong> havia comentado que eu deveria tomar aulas de desenho para não sofrer tanto com esquemas em relatórios - e, geralmente, sobram os conselhos idiotas. Lembro de ter ouvido dezenas de <strike>enxeridos</strike> experts dizendo para conversar com estudantes da área e profissionais já formados. Mas nunca disseram para ouvir os dois lados: quem amou o curso e é uma pessoa realizada na profissão e aqueles que não tiveram tanta sorte e pularam fora. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">E, na época da divulgação das listas de aprovados, UNESP e USP liberariam as suas no mesmo dia. Com isso, havia a possibilidade de que minhas duas melhores chances já fossem pelo ralo num espaço de quatro horas. Angústia pouca é bobagem. Nem preciso dizer que quase não dormi naquela noite.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Não tinha grandes esperanças com a prova da UNICAMP. Era a mais difícil das 3, totalmente distinta de qualquer outra e para a qual eu tinha me preparado menos. Me agarrava à esperança de ter passado ao menos na UNESP: tinha mais candidatos por vaga, porém o modelo de questões era bem mais simples. Repetia hipnoticamente uma frase que tinha visto numa dessas camisetas promocionais de cursinho: o meu nome vai estar na lista, o meu nome vai estar na lista.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">E tinha a Universidade de São Paulo. Na época me candidatei a um curso no campus de Ribeirão Preto, onde meu pai havia morado por 8 meses quando eu tinha 14 anos. Não lembrava muito bem da cidade, mas isso nunca teve importância; queria estudar na USP nem que a graduação fosse feita na lua. Não era um sonho, era um objetivo de vida: todos os meus planos, minha organização, minhas metas, tudo focava em passar na FUVEST e estudar na USP. Mesmo não tendo certeza do curso (eu nunca tive, e depois de dois anos de graduação minha certeza era de que tinha errado), mesmo quando aquela vidinha miserável e tremendamente infeliz do colegial ameaçava assombrar o cotidiano de universitária, eu nunca quis ter estudado em outra instituição.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">No dia 09 de fevereiro, uma sexta-feira, as listas finalmente foram divulgadas nos principais sites. A internet parecia movida a manivela e tudo ficou congestionado tarde adentro. Não conseguia acessar nenhuma bendita página e começava a me desesperar. Então, uma prima telefonou: tinha conseguido ver a lista da UNESP e <strong>meu nome realmente estava lá</strong>. Eu não iria fazer cursinho. Não precisaria mais estudar física. Meu cabelos parariam de cair e pesaria mais de 45 kgs. Não era o grande target, mas era uma aprovação; comemorei aliviada.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Faltava ver a lista da FUVEST. Tinha a impressão de que todos os estudantes do país tentavam acessar a mesma página, ao mesmo tempo. Fazia e refazia contas cabulosas para prever a pontuação final. Eram 38 candidatos para cada vaga do curso. Na minha cabeça, conseguir a façanha de estar entre os 40 melhores tinha a mesma probabilidade de esbarrar no Dalai Lama enquanto tomava sol em Ipanema.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Aquela mesma prima telefonou novamente e não parava de repetir 'parabéns, você merece'. Agradeci sem entender; ela já tinha avisado, já tinha dado 'parabéns' suficientes para toda uma geração de aprovados. 'Não, você passou na FUVEST também'.  Eu tinha passado. Tinha conseguido. Estava entre aqueles 40. Talvez um dia realmente encontrasse o Dalai Lama vestido de laranja no Rio de Janeiro. Havia chegado ao meu rito de passagem e sobrevivido.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Alguns dias depois saiu a lista da UNICAMP e só fui aprovada lá pela quarta chamada, quando já constava como aluna do primeiro ano no campus de Ribeirão.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Desde então, vivemos um caso de amor à primeira vista. Tenho um imenso orgulho da universidade onde estudei porque é como ter orgulho de mim mesma, do que o meu esforço pessoal e vontade férrea conseguiram. Apesar de não ter sido sempre um sonho dourado, acredito piamente que foi o que me salvou de morrer de tristeza. </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Tem uma alface no seu dente]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2008/01/16/tem-uma-alface-no-seu-dente/</link>
<pubDate>Wed, 16 Jan 2008 15:20:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
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<description><![CDATA[Saí da faculdade no fim de 2005, abandonando o mestrado no meio (fiz apenas um ano) e com a certeza]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Saí da faculdade no fim de 2005, abandonando o mestrado no meio (fiz apenas um ano) e com a certeza de que não queria trabalhar na área em que havia me formado a tão duras penas (sou bióloga). Aceitaria alguma colocação dando aulas de biologia - minha única esperança, afinal -, mas não botaria mais um pé num laboratório. Por uma incrível coincidência, depois de uma semana distribuindo currículos, fui convidada para trabalhar com vendas numa empresa, função que mantenho até hoje. Não vou dar detalhes do trabalho em si porque é muito chato e não vai interessar a ninguém. Prefiro comentar de dois pequenos problemas que tive e que agora estão sanados. Acho.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Uma das habilidades que fui obrigada a desenvolver é a de manter conversas sociais. Sabe? Aquele papo ridículo que temos que travar por educação e força das circunstâncias com gente desconhecida ou semi-desconhecida. Costuma acontecer em elevadores, ônibus, filas e festas ruins. É uma coisa que eu odiava fazer e tinha plena consciência de que a fazia muito mal: o interlocutor sacava que eu tinha que forçar uma verdadeira batalha interna para soltar 3 ou 4 frases medíocres acompanhadas do famoso sorriso amarelo. O pior é que essa tortura geralmente se prolonga por horas - ao menos é o que me parece que demora o elevador para sair do térreo e chegar ao terceiro andar, onde moro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Em ocasiões em que o emprego me obriga a conviver, mesmo que por apenas alguns dias, com pessoas que nunca vi na vida, tive que aprender a ser simpática na marra e, para me safar do silêncio constrangedor que mais parece um elefante branco sentado à mesa, desenvolvi 2 temas de discussão que costumam render: futebol e viagens. Em geral o interlocutor é homem e estrangeiro, com alta probabilidade de se interessar por ao menos um deles. Em pouco tempo de conversa o cara já está me confessando que mudou de time quando tinha 12 anos, da vez que foi ao Maracanã ver um jogo do Flamengo, que chorou quando a Argentina perdeu para o Brasil na Copa América, que o Balack tem que voltar para o banco do Chelsea e outros comentários desse naipe. Se o tópico da conversa for sobre experiências de viagem, sempre ouço pessoas dizendo que adoram Trancoso, ou alguém que passou mal quando comeu um sanduíche "light" em Camboriú e dos assaltantes que cercaram fulano no Rio de Janeiro. Enfim, consigo preencher 3 horas de jantar com amenidades que divertem e não me cansam (muito). E ainda dou pinta de ser uma pessoa "agradável" e "interessante".</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Outro problema que tinha nessas refeições sociais era com a bendita etiqueta à mesa. Certa vez me vi sentada à frente de 3 pratos de tamanhos crescentes, taças de todos os formatos e tamanhos e mais ou menos uma dúzia de talhares me olhando com cara de "primeiro eu!".  Acuda, santo protetor das pessoas cafonas! Juro que não sabia nem por onde começar e me senti suando frio. Para uma pessoa que come pizza com a mão e macarrão com colher, aquilo era como um atestado de caipirice que eu estava prestes a assinar, com testemunhas. Se não sabia nem para que servia tanta coisa, imagina se conseguiria usar o utensílio correto e ainda ficar trocando a faca de mão - habilidade que sempre me despertou uma inveja incontrolável.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Depois de alguns segundos de pânico, terror e aflição, fiquei a observar todos os apetrechos e imitar quem estava próximo e exalava um ar "nasci num castelo e meu pai é lorde". A primeira vez (como todas as primeiras vezes de tudo na vida) foi mais difícil, mas acertar os modos durante uma refeição não é impossível. O truque é começar de dentro para fora e mudar a faca de acordo com o prato: carnes vermelhas pedem uma maiorzona, com cabo bojudo, geralmente a mais externa de todas; as entradinhas usam uma faquinha pequena e delicada, tipo de café-da-manhã, e um pratinho menor; colheres sempre para sopas e cremes; e por aí vai. O segredo é se guiar pelo bom senso; regras básicas que a mamãe ordenava aos petizes valem ouro: mantenha os cotovelos grudados no corpo e entre um bocado e outro pouse os talheres à esquerda e direita do prato. Com relação às taças, deixe que o garçon sirva as bebidas - automaticamente você saberá para que é usada cada uma.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">No fim, descobri que não ocorre apedrejamento em praça pública para quem erra à mesa: é tudo questão de treino e ninguém repara se você trocou um ou outro utensílio. Vai na fé.</span></p>
<p><span style="font-size:9pt;font-family:'Trebuchet MS';">O Marcelo Katsuki trouxe umas dicas sobre etiqueta à mesa em seu blog da Folha Online, <a target="_blank" href="http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/arch2008-01-06_2008-01-12.html#2008_01-10_15_37_59-10901658-0">veja aqui</a>. </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Vida de Bióloga]]></title>
<link>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2007/10/22/vida-de-biologa/</link>
<pubDate>Mon, 22 Oct 2007 14:06:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rachel Juraski</dc:creator>
<guid>http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/2007/10/22/vida-de-biologa/</guid>
<description><![CDATA[Durante uma matéria de Comportamento Animal na faculdade, foi proposto um trabalho de tema aberto p]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Durante uma matéria de Comportamento Animal na faculdade, foi proposto um trabalho de tema aberto para ser apresentado no final do semestre. Uma amiga muito querida e eu resolvemos relacionar o que os homens buscam num relacionamento e o que preferem as mulheres. Na verdade, não me lembro muito bem qual o objetivo do trabalho, mas é impossível esquecer a metodologia que utilizamos: analisar as contas de usuários de serviços como o Yahoo!Encontros e tentar traçar uma relação de tudo o que está lá. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Servindo de parâmetro, comparamos perfis de pessoas da cidade de São Paulo com perfis de moradores do Rio de Janeiro e, numa tentativa de aplicar alguma teoria que explicasse o comportamento sexual, comparamos também as tendências masculinas com as femininas, evidenciadas através desse serviço de namoro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Preciso explicar que nossa frequência nas aulas dessa matéria era pífia. Estávamos mais interessadas em cumprir os créditos a levar alguma coisa realmente a sério. O fato é que gostávamos de Comportamento Animal como os telespectadores gostam do Discovery Chanel: é curioso, rende assunto para conversas de boteco, mas só. Nem ela nem eu imaginávamos pesquisar seriamente esse assunto em nossos respectivos laboratórios. Por esses motivos, o trabalho foi uma extensão da nossa curiosidade natural ligada a uma eterna vontade de se divertir, pura e simplesmente.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Pois bem, para termos acesso aos perfis, foi necessário criarmos uma conta. Inicialmente imaginamos criar a conta e deixar que os interessados nos procurassem, para então analisar esses perfis. Mas estávamos sem tempo e, aparentemente, perfis sem fotos não despertavam lá muita procura. Criamos um personagem masculino e um feminino, de 30 anos e interesses genéricos como viajar, cinema e literatura. Até o dia em que desabilitei as contas, uns 3 meses depois, havia recebido umas 3 mensagens de homens que haviam gostado do personagem feminino.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Uma coisa interessante do serviço do Yahoo!Encontros que acredito que exista em outros similares é a opção de escolher qual tipo de relação você busca: amizade, namoro, casamento e se a relação é hétero ou homossexual. Escolhemos o combo "namoro heterossexual". Também é necessário responder a umas perguntas criadas pelo site. No final, é feita uma escala que mostra o quanto o usuário se interessa por coisas como beleza física, situação financeira e cultura. Os interessados só têm acesso a essas informações se o dono do perfil permitir.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Como não havíamos despertado interesse e por isso não tínhamos universo amostral para analisar, resolvemos escolher 10 mulheres e 10 homens do Rio de Janeiro e a mesma quantidade em São Paulo, aleatoriamente. E descobrimos o que mais ou menos o bom senso já nos indicava: no Rio de Janeiro, cidade de praia, a coisa mais importante para homens e mulheres é a beleza física. Já em São Paulo, características como cultura aparecem em primeiro lugar, mas numa segunda posição bem próxima da primeira está a situação financeira. Provavelmente porque São Paulo ainda é uma cidade ligada a trabalho, sucesso profissional, estudo, etc.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Já a comparação entre homens e mulheres mostrou que eles ainda dão mais valor à beleza física e elas, a cultura. Em segundo lugar vem cultura para eles e situação social para elas. Para homens é importante a situação financeira da parceira apenas em terceiro lugar, enquanto que para as mulheres, a beleza física ocupa a mesma posição. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:'Trebuchet MS';">Fizemos uma apresentação bizarra em Power Point, o melhor amigo dos universitários. A conclusão foi bem fraca e tivemos dificuldade para embutir alguma teoria nisso tudo, é claro. Mas acho que foi o trabalho mais divertido que fiz na graduação e, com certeza o mais original. Teve gente que quis nos indicar para o prêmio Ignobel, para acho que ao menos serve como mais um assunto de boteco. </span></p>
]]></content:encoded>
</item>

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