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	<title>valor-da-vida-humana &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/valor-da-vida-humana/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "valor-da-vida-humana"</description>
	<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 20:06:03 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[O Embrião que virou Ministro]]></title>
<link>http://leitorcritico.wordpress.com/?p=71</link>
<pubDate>Mon, 10 Mar 2008 13:33:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carlos Lemes</dc:creator>
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<description><![CDATA[Embrião que virou Ministro


http://www.santamariadasvitorias.com.br/documentos/embri%E3o.doc
Carlo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;text-indent:72pt;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="font-size:16pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Embrião que virou Ministro<br />
</span></span>
</p>
<p style="text-align:justify;text-indent:72pt;"><span style="font-size:8pt;font-family:'Arial','sans-serif';"><a href="http://www.santamariadasvitorias.com.br/documentos/embri%E3o.doc">http://www.santamariadasvitorias.com.br/documentos/embri%E3o.doc</a></span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Carlos Caetano<a title="_ftnref1" name="_ftnref1"></a><a href="#_ftn1"><span><span class="MsoFootnoteReference"><sup><span style="font-family:'Arial','sans-serif';">[1]</span></sup></span></span></a></span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">“Vida humana é o fenômeno que transcorre entre o nascimento e a morte cerebral”</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">, pontificou o ilustre Ministro <span>Ayres Brito</span>, do STF, que, segundo reportagem do jornal Correio Braziliense de 06/03/08, é admirador do cantor nordestino <span>Tom Zé</span>, da cantora <span>pop</span><span> Ana Carolina</span>, de Aristóteles e de Pontes de Miranda, os quais ele costuma citar nos julgamentos.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Posso</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';"> concluir então que quando o notável Ministro se encontrava no ventre materno, mesmo pouco antes de nascer, não tinha vida humana.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">E que espécie de vida tinha ele então? Seria uma vida de peixe, já que nadava com desenvoltura no líquido amniótico? Mas sendo mamífero, não podia ser peixe. Talvez um golfinho? Não. Acho que no Nordeste, terra natal do Ministro, não existe golfinho. </span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Alguma forma de vida ele tinha</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">, porque, afinal, respirava, se alimentava, crescia. A atividade cerebral não era ainda tão desenvolvida a ponto de meditar nas máximas filosófico-jurídicas de Tom Zé e Ana Carolina, mas já existia. </span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">De que bicho seria a vida pré-natal do Ministro? Difícil responder. <span>Sei que no Nordeste existe muito jumento, mas nem por isso diria que o Ministro levava uma vida, digamos, jumental. Isso não</span>.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Ignoro que raio de vida tinha o Ministro enquanto embrião ou feto no útero materno</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">. <span>Só sei que tartaruga ele não era, porque das tartarugas é expressamente proibido manipular e destruir os ovos. </span></span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">É que os embriões tartarugais têm vida tartarugal e são protegidos pelas leis ambientais. Leis que o douto Ministro certamente admite constitucionais. Pensem: <span>embrião tartarugal tem vida tartarugal, mas embrião humano não tem vida humana. Não entenderam? Nem eu</span>.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Como lembrou o jurista Ives Gandra no julgamento, a lei que proíbe destruir embrião de tartaruga é constitucional. <span>Já a lei natural que proíbe destruir embrião humano é inconstitucional</span>. Constitucional, para o Ministro, <span>é só a lei positiva do PT que permite manipulá-los como cobaias e destruí-los depois.</span></span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">A propósito, de acordo com o mesmo Correio Braziliense, quando foi nomeado para o STF, <span>Ayres Brito era “petista de carteirinha”</span>. Será que ele rasgou sua carteirinha depois de tantos escândalos patrocinados pelo partido mais ético do Brasil?</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Segundo a matéria do Correio, além do insuperável geneticista Tom Zé, o Ministro também costuma citar Aristóteles, o maior filósofo da antiguidade.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Mas se o Ministro estudou Aristóteles, deve saber algo sobre substância/acidente, ato/potência e causa/efeito, que são características de todos os seres criados. </span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Por exemplo, estar no útero ou fora dele é acidente que não modifica a substância do ser. <span>Se a substância era humana dentro do útero, continuará sendo humana fora do útero</span>. O lugar que o ser ocupa é só acidental e não altera sua natureza.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">O ato é a realização de uma potência</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">. Ayres Brito estava todo inteiro no ventre materno com uma vida qualquer em ato, mas tinha potência para virar ministro. Bastava crescer, estudar e ser escolhido pelo Lula. Como ninguém destruiu aquele embrião, o movimento ocorreu, a potência virou ato, o embrião virou ministro.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Agora, se um cientista maluco daquele tempo tivesse destruído aquele embrião, alegando que aquilo não era vida humana, nada disso teria ocorrido</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">. Pois, anulada a potência, o ato fica anulado. Da mesma forma que, supressa uma causa eficiente qualquer, o efeito não se concretiza. Era assim que ensinava Aristóteles. Quem sabe Tom Zé pensa diferente...</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Que maravilha para nós, então, que ninguém destruiu aquele embrião, pois agora os julgamentos do STF são abrilhantados com a sabedoria poética de cantores nordestinos de permeio com elucubrações peripatéticas.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Vejamos outros exemplos da exuberante erudição genético-filosófico-jurídica do “ministro-poeta”, como é conhecido Ayres Brito nos meios forenses.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';"><span>“Não é a interrupção de uma gravidez humana. Não há mulher que engravide por controle remoto</span>”</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">. Ufa! Que alívio. Agora já posso mudar de canal usando o aparelhinho sem ter que responder a uma ação de paternidade.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">“Ninguém afirma que a semente já é planta ou que a crisálida já é borboleta”</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">. Não é bem assim. A semente é a planta em potência. Destrua a semente e veja se nasce a planta. Destrua a crisálida e não haverá o vôo colorido da borboleta. Destrua o embrião e não haverá ministro para o próximo julgamento. O do Supremo Tribunal, claro. <span>Porque o do Supremo Deus virá. Às vezes demora um pouco. Mas que vem, vem.</span></span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';"><span>“Uma andorinha só não faz verão”</span></span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">.</span><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';"> Essa é tão inédita que confesso não ter capacidade para respondê-la à altura. Ainda bem que o próprio jornal se encarregou de explicar sua hermenêutica profunda. E a explicação do Correio é que “o zigoto do embrião congelado ainda não forma, sozinho, um ser humano porque falta estar no útero. ‘O zigoto sozinho não caminha no sentido da hominização’”.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Ah, entendi. Uma andorinha precisa de outras para fazer verão assim como o zigoto precisa de condições adequadas para sobreviver. E a primeira condição é estar acoplado ao útero materno. Quem não tem meios de se desenvolver sozinho não merece a proteção do Estado. </span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Então, se eu encontrar um recém-nascido abandonado (coisa comum nesses tempos neopagãos), vendo que ele não pode se desenvolver sozinho naquelas condições, concluo que posso manipulá-lo como cobaia e depois destruí-lo. E se a polícia vier me estorvar eu respondo: “<span>Alto lá, seu polícia, uma andorinha só não faz verão”</span><span>.</span></span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Ao dizer o absurdo destacado na primeira frase, <span>o ministro antecipa que para ele o aborto não é crime</span>. Pois o aborto só está no Código Penal – no capítulo dos crimes contra a vida, diga-se de passagem – porque até então se acreditava que o produto da concepção era a vida humana em fase uterina, coisa que o direito e o bom senso mandam proteger.</span></p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">De hoje em diante aconselho as mulheres grávidas a dizerem, em caso de perigo, que o que trazem no ventre não é o próprio filho, <span>mas ovos de tartaruga</span>. </span></p>
<p style="text-indent:72pt;"> </p>
<p style="text-indent:72pt;"><span style="font-size:16pt;color:#000000;font-family:'Arial','sans-serif';">Brasília, 07 de março de 2008.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span class="MsoFootnoteReference"><sup>[1]</sup></span> O autor é o resultado de um embrião egoísta que, graças a Deus, não foi transformado em célula-tronco capaz de curar todas as doenças e resolver todos os problemas da Medicina.</p>
<div class="MsoNormal"><span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText"><a title="_ftn1" name="_ftn1"></a><a href="#_ftnref1"><span><span class="MsoFootnoteReference"><sup><span style="font-size:10pt;">[1]</span></sup></span></span></a> O autor é o resultado de um embrião egoísta que, graças a Deus, não foi transformado em célula-tronco capaz de curar todas as doenças e resolver todos os problemas da Medicina.</p>
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