<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!-- generator="wordpress.com" -->
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	>

<channel>
	<title>sociedade-do-espetaculo &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/sociedade-do-espetaculo/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "sociedade-do-espetaculo"</description>
	<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 13:38:17 +0000</pubDate>

	<generator>http://wordpress.com/tags/</generator>
	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[11 de Setembro de 2001]]></title>
<link>http://chacombolachas.wordpress.com/?p=86</link>
<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 01:26:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>chacombolachas</dc:creator>
<guid>http://chacombolachas.wordpress.com/?p=86</guid>
<description><![CDATA[11 de Setembro de 2001.

Caio M. Ribeiro Favaretto

Introdução

A expressão 11 de setembro design]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:medium;"><strong>11 de Setembro de 2001.</strong></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Caio M. Ribeiro Favaretto</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><strong>Introdução</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;">
<p class="western" style="text-indent:1.16cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">A expressão </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>11 de setembro</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> designa uma série de eventos dramáticos que ocorreeram no nordeste dos Estados Unidos na terça-feira, 11 de setembro de 2001: Três aviões comerciais (Boeing 767 e 757)  atingiram dois dos edificios mais simbólicos do planeta, as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque e o Pentágono, sede do departamento de defesa dos Estados Unidos, em Washigton. Um quarto avião caiu em meio a um descampado na região de Shanksville, na Pensilvânia. O relatório da Comissão Nacional sobre os ataques terroristas contra os Estados Unidos, publicado em agosto de 2004, atribui à responsabilidade dos ataques à organização terrorista Al-Qaeda, afirmando que os desenove sequestradores envolvidos nos atentados suicidas eram membros liderados pelo saudita Osama bin Laden, que reclamou a autoria do ataque em diversos vídeos. Os atentados foram vivenciados em tempo real por centenas de milhares de telespectadores através do globo, as imagens dos aviões atingindo a segunda torre do World Trade Center foi transmitido ao vivo, assim como o colapso das duas torres em Manhattan. O choque psicológico foi considerável no plano internacional, e o impacto nos contextos político e econômico  foi posto como profundo e de longa duração. O governo americano inicia a partir daí uma reforma na legislação de segurança nacional, deflagrando uma guerra contra o ''Eixo do Mal'': Afganistão, Irã, Iraque, Coréia do Norte e quais outros Estados que abrigassem ou fornecessem suporte à organizações terroristas. As vitimas diretas do ataque chegam a 2973 mortos, 24 desaparecidos, alguns milhares de pessoas feridas e diversas outras, em sua maioria envolvidas no resgate, desenvolveram doenças posteriormente em razão da inalação de poeira toxica.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Os atentados destacam-se claramente na História não só como primeiro ataque em solo americano, mas principalmente pela ostensiva cobertura mediática inédita, superando a tomada dos reféns nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972. Nova Iorque, possivelmente a capital mundial do século XX,   é sede de agências de imprensa e de televisão e contou com a presença de câmeras e jornalistas no local do choque do primeiro avião, experimentarando uma mediatização consideral.  Durante o segundo choque, a maioria das televisões do mundo já transmitia ao vivo. </span></p>
<p class="western" style="text-indent:0.98cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Os atentados e suas consequências ocuparam as manchetes dos jornais por semanas a fio e chocaram a população americana, que pela primeira vez se vê como vítima direta do terrorismo internacional. Em 12 de setembro de 2001, dia que segue os atentados, o Conselho de Segurança das Nação Unidas formula a resolução 1368, proposta pela França, condenando os atos ''dentro dos termos mais fortes os terríveis qtentatos ocorridos em 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque, Washingtont (DC) e na Pensilvânia e considera tais atos, como todo ato de terrorismo internacional, como uma ameaça à paz e a segurança internacionais; Exprime suas profundas simpatias e condolências para com as vitimas e suas familias, assim como o povo e o governo dos Estados Unidos da América''. A manchete do dia seguinte do jornal francês </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>Le Monde</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>nous sommes tous américains'</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">' simboliza um espírito geral de simpatia e solidariedade por parte do</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em> mainstream</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> midiático. </span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Aproximadamente um mês após os ataques, os Estados Unidos invadem o Afganistão com o intuito de derrubar o regime Taliban, que daria abrigo à Al-Qaeda. Começam a circular reações do mundo acadêmico sobre um possível golpe definitivo ( iniciado pelos chamados movimentos anti-globalização) na ordem pós-Muro de Berlim. Os ataques de 11 de setembro jogaram por terra a análise de Fukuyama, anunciante do fim da História e das grandes meta-narrativas, a chegada a uma era pós-ideologica e do consenso da social-democracia liberal trazida pela queda do Muro. Mais ainda, teria trazido a evidência trágica da vitória americana na corrida pela hegemonia mundial no século XX, que tornou o pais vitima de seu próprio sucesso e consequentemente da inveja dos que foram incapazes de alcança-lo. Ficou claro que uma série de conflitos de grande magnitude ainda estava por ser resolvida. Embora a Al Qaeda seja uma organização terrorista e não propriamente um Estado, o conflito iniciado a partir do incidente desencadeava uma série de questões: O atentado, primeiro ataque de grande porte em solo americano, representaria uma represália à política externa agressiva dos EUA dos últimos anos? Seria um resposta ao ''Imperialismo Ianque'' vinda do Terceiro Mundo, agora atualizada a realidade pós-moderna, descentralizada, fantasmagórica, utilizando-se da mídia de massa globalizada? Ou assinalava a presença de um contraponto poderoso e inesperado à cultura hegemônica ocidental? </span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><strong>Fim da Historia</strong></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.27cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">As análises da política mundial no cenário pós-queda do Muro de Berlim foram profundamente marcadas pelas teses de Francis Fukuyama, um dos mais importantes teóricos da tradição conservadora americana. Em 1989, o pensador publica um artigo intitulado ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>O Fim da História?''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> propondo, a partir de uma interpretação bastante particular da filosofia da história de Hegel, a idéia de que a queda do Muro representava o marco histórico do triunfo do Ocidente sobre o Oriente,  a vitória do liberalismo econômico e político sobre todas as antigas formas de organização humana. O artigo de Francis Fukuyama busca de início reverter a tradição dialético-materialista operada por Marx que teria instaurado a realidade, ou mais precisamente, a organização dos modos de produção como definidor do campo das idéias, ou da superestrutura.  Assim, o autor busca em Alexandre Kojève, historiador francês, uma possível interpretação original dos escritos do jovem Hegel a respeito dos acontecimentos de 1806. A vitória de Napoleão sobre os prussianos seria a realização do Espírito Absoluto da História e coroava o Estado democrático liberal que levaria a cabo os ideais da Revolução Francesa. Dessa maneira, não haveria mais a necessidade de grandes transformações na esfera política, apenas a inclusão de algumas minorias que à época ainda encontravam-se excluídas, como as mulheres, os negros, etc. ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>Não há mais nem luta nem conflito acerca dos ??grandes?? problemas e, por conseqüência, não há mais necessidade de generais ou homens de Estado: e que permanece é essencialmente a atividade econômica.''</em></span><sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote1anc" href="#sdfootnote1sym"><sup>1</sup></a></em></span></sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. Por meio desse resgate da tradição dialética não marxista, Fukuyama  busca trazer a idéia de que uma economia liberal não trás necessariamente uma política liberal. Um ''estado de consciência anterior''</span><sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote2anc" href="#sdfootnote2sym"><sup>2</sup></a></span></sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> teria possibilitado o crescimento e o fortalecimento do cultura liberal, confirmados pela abundância de uma economia de mercado moderna. Para o autor, pouco vale a análise das transformações pontuais de países periféricos, mas sim a presença de um movimento geral no cenário mundial, uma ''herança ideológica comum da humanidade''. A partir daí, Fukuyama vai elaborar um histórico de vitórias do liberalismo sobre o que considera ser as duas grandes forças do século XX, o comunismo e o fascismo. Primeiramente, o sucesso da sociedade liberal nos EUA, que teria eliminado a sociedade de classes e diminuído os índices gerais de pobreza, assim como Marx imaginava no Comunismo. A pobreza dos negros americanos seria uma herança da escravidão e do racismo, mas que desapareceria com o desenvolvimento do sistema eleitoral e dos direitos civis. Outra vitória confirmou-se na derrota no fascismo no Japão e na rápida construção de uma sociedade de consumo japonesa, que implementou rapidamente um sistema liberal político e econômico. Outro aspecto importante seria a inviabilidade de manutenção do sistema chinês. ''(...) </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>a República Popular da China não pode mais fazer o papel de farol para as forças antiliberais no mundo (...). O maoísmo, longe e ser um modelo para o futuro da Asia, tornou-se um anacronismo.'' </em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> São as mudanças na União Soviética, entretanto, o aspecto mais importante do cenário mundial ao final do século XX.  ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>A involução da União Soviética – pátria do proletariado mundial -  deu o golpe de misericórdia no marxismo-leninismo considerado como a alternativa para substituir a democracia liberal''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. As mudanças ocorridas durante a era Gorbachev, caracterizadas principalmente por reformas liberais no país, representaram o desaparecimento do marxismo-leninismo (já ausente na China) e equivaleriam à morte de sua ideologia enquanto dotada de importância histórica mundial. A partir daí, Fukuyama afirma que ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>o Mercado Comum não deixará de se fortalecer nas relações internacionais, e que a probabilidade de um conflito de grande escala entre os Estados não deixará de diminuir''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. O autor prevê que o fim da história será nostálgico e que cessará a disposição por ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>arriscar a vida por uma causa puramente abstrata, o combate (...) tudo isso será substituído pelo cálculo econômico, a busca interminável de soluções técnicas, as preocupações com o meio ambiente e a satisfação de consumidores sofisticados.''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> Ironicamente, a História não poderia ser mais diferente.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><strong>O Choque de Civilizações, a História começou novamente?</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Outro autor que adquiriu imenso destaque após os ataques foi Samuel Huntington</span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>. O artigo publicado no inverno de 1993 na revista Foreign Affairs, entitulado 'The Clash of Civilizations' teve imensa circulação nos meios acadêmicos e no debate público. </span></span></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Para o autor norte-americano, o século XX trouxe o acirramento das chamadas ''consciência civilizacionais'', que são definidas por critérios objetivos ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>de língua, história, religião, costumas e instituições, e também pela auto-identificação subjetiva dos  povos''</em></span><sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote3anc" href="#sdfootnote3sym"><sup>3</sup></a></em></span></sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. Huntington afirma que existem seis grandes conjuntos argumentativos que levam a crer que os conflitos mundiais ainda existirão e que eles romperão entre as grandes civilizações. Primeiramente, é necessário colocar a importância das diferenças entre as civilizações, principalmente a religiosa. ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>Diferenças não significam necessariamente conflito, e conflito não implica necessariamente violência. Ao longo dos séculos, contudo, as diferenças entre civilizações geraram os conflitos mais violentos e prolongados</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">.''</span><sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote4anc" href="#sdfootnote4sym"><sup>4</sup></a></span></sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. Em segundo lugar, a convivência entre os povos nunca foi tão intensa. Os fluxos de imigração e de capital trazem um acirramento da convivência entre diferentes culturas e dão energia a conflitos de identidade. São exatamente estes fluxos que trazem um terceiro aspecto do problema, que é a separação das pessoas pelo mundo com identidades locais formadas há muito tempo. O fortalecimento dos fundamentalismos religiosos, que trariam uma forte identidade transnacional, seria uma conseqüência dessa desagregação das comunidades. Em quarto lugar, temos ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>o crescimento da consciência civilizacional  acentuado pelo duplo papel do Ocidente''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. Durante o século XX diversos países, entre eles a India, o Japão e países do Oriente Médio sofreram uma aproximação do Ocidente, talvez por um processo de educação das elites destes países em grandes universidades européias e americanas. Entretanto, este processo é interrompido no final do século, seguido de um processo de desocidentalização e nativização das elites locais, ao mesmo tempo em que as camadas populares destes países adotam hábitos cada vez mais ocidentais. Em quinto lugar, Huntington afirma que outro fator que acentua a possibilidade de conflito é a lentidão com que as mudanças culturais profundas acontecem dentro de uma população, muito mais lentas que as transformações de natureza política ou econômica. Em último lugar, vemos um fortalecimento dos regionalismos econômicos, com a formação de blocos regionais que só poderão ser bem-sucedidos se foram baseados em vínculos civilizacionais, como demonstra o exemplo da União Européia, fundamentalmente cristã. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Huntington busca dar especial destaque a clivagem civilizacional entre Ocidente e Islã, que seria o ponto de tensão mais forte dentro da lógica do ''Ocidente contra o resto''. Para ele, esta é a ''linha de cisão'' mais importante no cenário mundial, em  ebulição há 1.300 anos. Para o autor, os atentados em Nova Iorque e as Cruzadas fazem parte da mesma dinâmica de enfrentamento entre cristãos ocidentais e o Islã, e tende a de tornar mais violenta, uma vez que ambas as partes entendem o conflito como de natureza civilizacional. A partir do conceito de ''síndrome dos países parentes'', Huntington buscará mostrar como uma série de conflitos aparentemente periféricos e menores, no Golfo Pérsico, no Cáucaso e nas áreas da ex-União Soviética,  demonstram uma escalada das tensões entre Ocidente e Islã, Ao final de ser artigo, Huntington fornece algumas diretrizes para a ''política externa'' ocidental em relação à nação Islâmica: ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>limitar a expansão do poder militar dos Estados islâmicos e confucianos (...) explorar a diferença entre os estados islâmicos e confucianos; apoiar, em outras civilizações, grupos que demonstram simpatia e interesse pelos valores ocidentais; fortalecer instituições internacionais que refletem e conferem legitimidade aos interesses e valores ocidentais''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">, etc. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><strong>A Postura Saidiana.</strong></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">As opiniões de Samuel Huntington serão alvo de grande debate. Talvez seu maior crítico tenha sido o intelectual palestino Edward Said, então professor da Columbia University. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span>Em outubro de 2001, Said publica ''The Clash of Ignorance'', uma feroz crítica às concepções de Samuel Huntington a respeito de noções como ''identidade de civilização'', das ''interações entre as chamadas sete ou oito (sic) maiores civilizações'' e seu destaque arbitrário aos embates entre o Islã e o Ocidente. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Said atacará o modo como o autor americano lida com conceitos complexos de maneira ingênua. ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>A personificação de enormes entidades chamadas ''O Ocidente'' e''?O Islã??  é afirmada de maneira simplista, como se questões tão atribuladas como identidade e cultura existissem como no mundo dos desenhos infantis, onde Popeye e Brutos se atacam impiedosamente, à moda de pugilistas''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. Said denuncia o fato destas categorias de pensamento absolutamente não levarem em conta a dinâmica interna e a pluralidade própria a cada civilização. O modo hermético como Huntington trata cada civilização apenas denunciaria alto grau de demagogia e ignorância, ao presumir que se pode falar livremente em nome de uma civilização inteira. Sua argumentação se assemelha a de um ideólogo, que busca construir um cenário de contínua agressão e ignora o fato de que o intercâmbio entre as civilizações não só impediu diversas guerras religiosas e de conquistas imperialistas, mas também abriu espaço para trocas culturais mútuas. Tal obtusidade apenas relevaria o autor atrapalhado e o intelectual deselegante que é Huntington. O paradigma do ''Ocidente contra o resto'', compartilhado por figuras como Silvio Berlusconi, atual presidente italiano eleito pela terceira vez, </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;">elabora um corte analítico que ignora a gama de variações intra-civilizacionais</span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>. </em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;">Said afirma </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>''Aos invés,  por que não ver paralelos, claramente menos espetaculares e destrutivos, em Osama Bin Laden e seus seguidos nos discípulos do Reverendo Jim Jones na Guiana ou no Aum Shinrikyo, responsável pelo ataque com gás sarin ao metrô japonês em 1995''</em></span><sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote5anc" href="#sdfootnote5sym"><sup>5</sup></a></em></span></sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;">.  Espantoso como diversos jornais respeitados e revistas como a ''The Economist'' se apropriaram do vocabulário apocalíptico de Huntington, mas como pensar um Islã atrasado e irracional quando os próprios membros da Al Qaeda se valeram de uma espécie de razão instrumental, dominando diversos processos técnicos complexos para dar conta da elaboração do projeto de destruição das Torres Gêmeas dos ataques ao Pentágono? O uso político desta operação de extrema simplificação da dinâmica do cenário mundial nos aparece de maneira bastante clara nas declarações niilistas de Paul Wolfowitz, articulando noções maniqueista e pregando o extermínio completo de países. Said coloca: ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>O quão mais fácil é fazer afirmações belicosas com o propósito de mobilizar paixões coletivas ao invés de refletir, examinar e perceber com o que estamos lidando na realidade, a interconectividade de muitas vidas, ''nossas'' assim como ''deles''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">.'' Said descreve ainda todo o processo de distorção que as grandes religiões monoteístas,  o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, tem sofrido por parte de grupos fundamentalistas. Paras ele, as três religiões encontram-se ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>entre as profundas águas da tradição e a modernidade''</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> e a tentativa de distinção clara entre os dois processos é fútil e desnecessária. Devemos, portanto, pensar em termos ''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>de comunidades fortes ou frágeis,. na política secular da razão e da ignorância e em princípios universais de justiça e injustiça</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">.''. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;">Nesse momento, é possivel que Said localize o cerne do problema. Seriamos ainda capazes de formular critérios universais de justiça e injustiça? E se pudéssimos seguir uma linha direta que se inicia com o processo de formaçao da racionaldiade capitalista, que é coroado os atentados de 11 de Setembro como o ato espetacular da anti-política por excelência?</span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><strong>O espetáculo não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo.</strong></span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Durante os meses que seguiram os atentados, a mídia norte-ameriana e internacional não cessou de exibir as imagens do choque das torres, pessoas fugindo do desmoronamento pelas ruas do sul da ilha de Manhattan, corpos minúsculos que se atiravam pelas janelas do complexo em chamas para a morte certa e bombeiros nova-yorquinos em ação que agora encarnavam os novos hérois nacionais, numa surpreendente volta do arquétipo do macho-alfa. A comparação com os inumeros filmes-catástrofe feitos por mais de meio século por Hollywood parece quase inevitável, no entanto acredito que seja necessário radicalizar esta hipótese, ao afirmar que, ao contrário das teses do fim das ''férias americanas da Historia'' ou da invasão do barbárie terceiromundista na esfera fastástica do </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>American Dream, </em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>o ataque as torres gêmeas evidencia, ao contrário, exatamente a penetração da lógica imagética na esfera da política. </span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>Dessa maneira, poderíamos seguir o filósofo esloveno Slavoj Zizek, que afirma: (...) </span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>teríamos portando de inverter a leitura padrão, segundo a qual as explosões do WTC seriam uma intrusao do Real que estilhaçou a nossa esfera ilusória: pelo contrario – antes do colapso do WTC, vivíamos nossa realidade vendo os horrores do Terceiro Mundo como algo que na verdade não fazia parte da nossa realidade social, como algo que (para nós) só existia como um fantasma espectral na tela do televisor -, o que aconteceu foi que, no dia 11 de setembro, esse fantasma da TV entrou na nossa realidade. Não foi a realidade que invadiu a nossa imagem: foi a imagem que invadiu nossa realidade</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>. ”.</span></span></span></span><sup><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote6anc" href="#sdfootnote6sym"><sup>6</sup></a></span></span></span></span></sup><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span> </span></span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><strong>Capitalismo e Crise da Razão</strong></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>.</span></span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Acredito que seria de grande valia reconstruir brevementea a análise weberiana dos processos de construção de racionalidade e irracionalidade próprios ao capitalismo e sua posterior recepção como base de reflexão pela chamada Escola de Frankfurt na análise do legado da razão ocidental no cenario pós-guerra. O diagnóstico histórico da modernidade de Marx Weber parte de sua teoria das autonomias das esferas de valores das esferas sociais de valores na modernidade. Weber afirma que o sentimento de desagregação e de indeterminação apareciam necessariamente como consequências dos processos de modernizaçao social e de desencantamento do mundo devido à perda do poder de unificação social produzido pelas explicações mítico-religiosas de mundo. A tensão entre a significação religiosa e a direção do mundo levara necessariamente àquilo que Weber chamava de ''autonomização das esferas social de valore'', ou seja, processo de autonomia cada vez maior entre os conteúdos normativos, as exigências de validade e desenvolvimento da arte, da ciência, da politica e da economia. Processo este cujo resultado era a necessaria fragmentação do campo da experiência. No entanto, não só as explicações mítico6religiosas de mundo haviam perdido sua força unificadora. Para Theodor Adorno, aquilo que décadas mais tarde a filosofia francesa contemporânea chamara de 'metanarrativas', ou seja, explicações globais de processos sociais através do recurso à filosofias emancipatórias da história, não podiam mais fornecer garantias para qualquer experiência filosofica autenticamente fiel ao seu conteudo de verdade.  Pois bem, está dado o cenário para o desenvolvimento da utopia liberal pós-moderna do capitalismo de consumo, onde impera a sociabilização mediada pela indústria cultural-publicitária e pela propaganda política de massa, ambas fundamentalmente articuladadas pelo apelo incessante a imagens fetichizadas de formulas gerais de orientação de conduta. </span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><strong>Imagem de Si e Paixão pelo Real</strong></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>.</span></span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Poderiamos entranto radicalizar esta crítica pelas das palavras do psicanalista francês Jacques Lacan: Uma imagem sempre bloqueia a verdade. Zizek opera com conceitos trazidos principalmente das tradições hegeliana e lacaniana, os quais tomarei a liberdade de reconstruir ao longo do texto quando necessario. Zizek parte da noção de  ''Paixão pelo Real'' elaborada pelo filosofo francês Alain Badiou em ''Le Siécle'', que pode ser entendida como o motor por trás dos empreendimentos políticos violentos que buscqrqç fundar uma nova ordem coletiva por meio de uma ciência do real (como o marxismo, por exemplo). Tais empreendimentos alcançaram a destruição, mas não a construção. Eles inventaram ações revolucionárias que fracassaram na construção de um novo Estado. Para que possamos melhor compreender esta idéia, é necessario adentrar na distinção operada pelo psicanalista francês Jacques Lacan entre o Imaginario, o Simbolico e o Real.  Como esclarece Vladimir Safatle: </span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>''O imaginario, o simbolico e o real são os três registros nos quais se desenvolve a experiência humana. O imaginário é aquilo que o homem tem em comum com o comportamento animal. Trata-se de um conjunto de imagens ideais que guiam tanto a relação do indivíduo com seu ambiente próprio quanto o desenvolvimento de sua personalidade. O Simbólico é o domínio da organização estrutural da vida social. Como Lacan subordina a sociedade e a cultura à linguagem, a ordem simbólica será um conjunto de significantes que determina os lugares que cada um pode ocupar na vida social.  Já o Real não é, como poderia parecer, a dimensão da experiência imediata. Sua definição é negativa: ele é aquilo que não pode ser representado por um significante nem pode ser forma]izado por uma imagem. Essas três dimensões estão sempre presentes em uma relação de articulação conjunta.''</span></em></span></span><sup><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote7anc" href="#sdfootnote7sym"><sup>7</sup></a></span></em></span></span></sup></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>Neste sentido, Lacan insiste na impossibilidade de submeter o comportamento humano que a lógica do cálculo utilitarista de maximização do prazer e de afastamento do desprazer. Para compreender determinados atos é necessaria a introdução de um outro campo conceitual com sua lógica própria, um campo que desarticula distinções estritas entre prazer e desprazer por colocar o Eu sempre diante de uma certa dissolução de si que produz, ao mesmo tempo, satisfação pulsional e terror. Esta indistinção entre satisfação e terror que Lacan chama de “gozo”. A contribuição de Badiou consistiu em mostrar como esta experiência disruptiva posta na essência da conduta do sujeito foi o motor da nossa história recente. História revolucionária na qual se imbricam violência, criação, destruição e procura. A partir dessa idéia Zizek afirma que “</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>o paradoxo fundamental da paixão pelo Real é que ela culmina no seu oposto aparente, num espetáculo teatral – desde o espetáculo dos julgamentos de Stalin até os atos espetaculares de terrorismo. Se a paixão no puro semblante do espetacular efeito do Real então, em exata inversão, a paixão pós-moderna pelo semblante termina numa volta violenta a paixão pelo Real.</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>”</span></span></span></span><sup><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote8anc" href="#sdfootnote8sym"><sup>8</sup></a></span></span></span></span></sup></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>O que estaria por trás da teoria Huntingtoniana se não uma invasão da lógica imagética na construção intelectual da imagem de si ''ocidental'' como forma de alienação na figura de uma catastrofe global fruto de uma guerra civilizacional de violência sem precedentes? Lógica imagética incapaz de matizar não só as nuances internas a cada ''civilização' mas também sua variação no tempo. Talvez pudéssemos inverter a proposição do choque de civilização na</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span> </span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>idéia de</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span> choque interno à cada civilização, </span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>que atravessar cada uma a sua maneira um processo violento de resistência a modernização.</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span> S</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>eguindo o raciocínio de Zizek, devemos rejeitar a dupla chantagem proposta pela noção de McWorld </span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>versus</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span> Jihad, liberais versus fundamentalistas. Como sustentar tal postura diante da leniência americana com paises monarquicos profundamental conservadores como a Arábia Saudita ou o Kuwait, a qual evidencia a primazia dos interesses econômicos em detrimento dos pressupostos democráticos; ou ainda o episódio ocorrido durante a Guerra do Golfo em 1990, quando soldados judeus americanos alojados na Arabia Saudita tiveram de ser deslocados por helicoptores até os porta-aviões no Golfo para orar, uma vez que eram proibidos ritos não maometanos em solo saudita. Zizek propõe ainda um pequeno exercício mental, que envolve o episódio de 7 de Outubro de 2001, dia do anúncio da invasão do Afganistão, quando George W. Bush lê o seguinte depoimento em rede nacional: </span></span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">''</span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>I recently received a touching letter that says a lot about the state of America in these diffcult times – a letter from a fourth-grade girl, with a father in the military: ''As much as I don't want my dad to fight'', she wrote, ''I'm willing to give him to you.' This precious gift, the greatest she could give. This young girl know what America is all about</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">''.</span><sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote9anc" href="#sdfootnote9sym"><sup>9</sup></a></span></sup><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> </span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Estas palavras foram lidas como simples demonstração de nacionalismo americano, mas o que poderiamos imaginar quais seriam as reações publicas à leitura da mesmíssima carta por uma menina, filha de um militante da Al Qaeda? </span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>Na Edição Especial de Davos da revista Newsweek  foram apresentados '' </span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>A era das guerras muçulmanas</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>'' de Huntington e ''</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>O inimigo real</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>'' de Francis Fukuyama. Num primeiro momento, as noções de ''</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>guerra de civilizações</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>'' e ''</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>fim da historia</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>'' parecem absolutamente contraditórias. No entanto, ambas destacam o ''Islamofacismo'' como a maior ameaça ao sistema mundial contemporâneo. Poderíamos tomar a expressão como verdadeira sentido de uma tentativa de construir ''capilistamo sem capitalismo'', ou seja, sem os excessos de individualismo, desistegração social e relativização de valores. Conflitos étnico-religiosos pseudonaturalizados são a forma de luta que se ajusta ao capitalismo global. ''</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em><span>Hoje, o crescimento da violência ''irracional'' deve ser entendido como o correlato estrito da despolitização de nossas sociedades, ou seja, do desaparecimento da dimensão politica, sua tradução em diferentes niveis da ''administração'' de negocios publicos.</span></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span>''</span></span></span></span><sup><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span><a class="sdfootnoteanc" name="sdfootnote10anc" href="#sdfootnote10sym"><sup>10</sup></a></span></span></span></span></sup><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-style:normal;"><span> Esta colocada, portanto, a necessidade de ruptura com uma postura corrente de defesa do Islã como uma grande e nobre religião, que ainda não teria passado por um processo de 'protestantização'' adaptável ao capitalismo, mas sim expor esta mesma resistência à modernização como um processo em aberto, cuja via para um socialismo islâmico estaria ainda em aberto. Talvez pudéssemos rememorar a proposta do situacionista Guy Debord, que afirmava ''n</span></span></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">ão queremos mais trabalhar pleo espetáculo do fim do mundo,  mas pelo fim do mundo do espetáculo</span></span></span><span style="color:#000080;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:medium;">.''</span></span></span></p>
<p class="western" style="text-indent:1.43cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.46cm;margin-bottom:0;line-height:150%;">
<p class="western" style="line-height:150%;">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:medium;"><strong>Bibliografia</strong></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="color:#808080;"><span style="font-family:Verdana,sans-serif;"><span style="font-size:xx-small;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Adorno /Horkheimer. </span></span></span></span></span></span><span style="color:#808080;"><span style="font-family:Verdana,sans-serif;"><span style="font-size:xx-small;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><em>Dialética do Esclarecimento</em></span></span></span></span></span></span><span style="color:#808080;"><span style="font-family:Verdana,sans-serif;"><span style="font-size:xx-small;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">. Trad. Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro, Zahar, 1985.</span></span></span></span></span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">BADIOU. A. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><em>L'étre et l'événement.</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"> Paris, 1988.</span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">________. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><em>Le Siècle</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">. Sueil, Paris, 2005</span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Debord, Guy; </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>A sociedade do espetáculo</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">, Rio de Janeiro, Contraponto, 1997</span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Faludi. S. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>The Terror Dream: Fear and Fantasy in Post-War  America</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">. Metropolitan Books New York, 2007</span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Huntington, Samuel. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>Choque de Civilizações</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">?, Política Externa2(4), São Paulo: Paz e Terra  1994, pp.120-142.</span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Nobre, Marcos. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><em>A Teoria crítica</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">. Rio de Janeiro, jorge Zahar Editor, 2004.</span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Fukuyma, Francis. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>Has History started again?</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">, Foreign Policy 18(2) 2002, p.5-7.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Said, Edward. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>The clash of ignorance</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;">, The Nation, 22 de outubro 2001.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" style="text-indent:1.61cm;margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Zizek, S. </span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><em>Bem-vindo ao Deserto do Real!</em></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"> São Paulo, Boitempo Editoral 2003</span></p>
<div id="sdfootnote1">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote1sym" href="#sdfootnote1anc">1</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Fukuyma, 	Francis. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>Has 	History started again?</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">, 	Foreign Policy 18(2) 2002</span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote2">
<p class="sdfootnote-western" style="margin-left:0;text-indent:0;"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote2sym" href="#sdfootnote2anc">2</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Idem. </span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote3">
<p class="western" align="justify"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote3sym" href="#sdfootnote3anc">3</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Huntington, 	Samuel. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>Choque 	de Civilizações</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">?, 	Política Externa2(4), São Paulo: Paz e Terra  1994, 	pp.120-142.</span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote4">
<p class="sdfootnote-western" style="margin-left:0;text-indent:0;"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote4sym" href="#sdfootnote4anc">4</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;">.Idem.</span></p>
</div>
<div id="sdfootnote5">
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote5sym" href="#sdfootnote5anc">5</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Said, 	Edward. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>The 	clash of ignorance</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">, 	The Nation, 22 de outubro 2001.</span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote6">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote6sym" href="#sdfootnote6anc">6</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Zizek, 	S. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>Bem-vindo 	ao Deserto do Real!</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"> São Paulo, Boitempo Editoral 2003 pg 31.</span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote7">
<p class="sdfootnote-western"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote7sym" href="#sdfootnote7anc">7</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Safatle, 	V. Glossario de Lacanês. Folha de S. Paulo 8 de abril de 2001.</span></p>
</div>
<div id="sdfootnote8">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote8sym" href="#sdfootnote8anc">8</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Zizek, 	S. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>Bem-vindo 	ao Deserto do Real!</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"> São Paulo, Boitempo Editoral 2003 pg 24.</span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote9">
<p class="western" align="justify"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote9sym" href="#sdfootnote9anc">9</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Faludi. 	S. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>The 	Terror Dream: Fear and Fantasy in Post-War  America</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">. 	Metropolitan Books New York, 2007 pg 6.</span></span></p>
</div>
<div id="sdfootnote10">
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="justify"><a class="sdfootnotesym" name="sdfootnote10sym" href="#sdfootnote10anc">10</a><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;">Zizek, 	S. </span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"><em>Bem-vindo 	ao Deserto do Real!</em></span></span><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:x-small;"> São Paulo, Boitempo Editoral 2003 pg 155</span></span></p>
</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um espetáculo non-sense]]></title>
<link>http://elbatata.wordpress.com/?p=23</link>
<pubDate>Sat, 03 May 2008 19:39:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>Renato Batata</dc:creator>
<guid>http://elbatata.wordpress.com/?p=23</guid>
<description><![CDATA[
Entr’acte, de Rene Cláir.
Queria fazar uma relação entre Entr’acte e A Sociedade do Espetác]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/FjFW138iqpc'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/FjFW138iqpc&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:center;"><span><em>Entr’acte, </em>de Rene Cláir.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span>Queria fazar uma relação entre <em>Entr’acte</em> e <a title="A Sociedade do Espetáculo" href="http://www.geocities.com/projetoperiferia4/se.htm" target="_blank">A Sociedade do Espetáculo</a> de Guy Debord, mas é bem complicado. Os dadaístas realizavam na época uma anti-arte, a negação dos padrões de arte impostos por ecolas, galerias, museus, etc. <a title="Marcel Duchamp" href="http://www.understandingduchamp.com/" target="_blank">Duchamp</a> teve diversas de suas obras recusadas por museus, salões e galerias. A ruptura dadá foi incorporada mais tarde, pois assim gira a roda na história da arte. Mas e Guy Debord? Ele foi radical no sentido de negar tudo e fazer um filme com uma tela em branco, uma narração off e em seguida o escuro. Ou seja, não há mais saída. Se para os dadaístas a negação era produzir uma anti-arte, revelar que os padrões estabelecidos sobre o que é arte e o que não é foram definidos por alguém, Debord (que na minha concepção olhou para trás e percebeu como as vanguardas foram absorvidas e passaram a fazer parte daquilo que combatiam), rompe de uma maneira que não há mais volta. Mas essa análise ainda vai demorar para se concretizar, acho que é mais ou menos esse o caminho. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>O filme que coloquei acima é <em>Entr’acte, </em>de Rene Cláir. Foi produzido para passar entre o primeiro e segundo atos de um balé dadaísta feito por Francis Picabia. Aliás, o roteiro do filme é de Francis Picabia, e teve a participação da maioria dos dadaístas famosos, Duchamp, Man Ray, o próprio Picabia como a bailarina barbuda...É interessante notar como foram inventivos numa época em que a edição tinha que ser feita na base do corta e cola. O filme possui um ritmo alucinado, acompanhado pela música de Erick Satie. É uma junção de gags, filmes de </span>Georges <span>Méliès (<a title="Viagam à Lua" href="http://www.youtube.com/watch?v=jGZilAMKtgA" target="_blank">Viagem à lua</a>)</span><span> e filmes de perseguição, já famosos na época. Uma obra-prima non-sense. E fico pensando: como as pessoas reclamam pra fazer as coisas hoje em dia! Se naquela época em que tudo era mais difícil foram feitos filmes como esse, <a title="Um Cão Andaluz" href="http://www.ubu.com/film/bunuel.html" target="_blank">Um Cão Andaluz</a>, <a title="A Idade do Ouro" href="http://www.youtube.com/watch?v=lcasqBRzeeA">A Idade do Ouro</a>, etc. Imagine as possibilidades de hoje.</span></p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://elbatata.files.wordpress.com/2008/05/debord_sofs.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-21" src="http://elbatata.wordpress.com/files/2008/05/debord_sofs.jpg?w=189" alt="A Sociedade do Espetáculo" width="149" height="237" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://elbatata.files.wordpress.com/2008/05/debordguy05.gif"><img class="size-medium wp-image-22 alignleft" style="float:left;" src="http://elbatata.wordpress.com/files/2008/05/debordguy05.gif?w=300" alt="" width="311" height="239" /></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Panis et Circenses]]></title>
<link>http://tricoteira.wordpress.com/?p=90</link>
<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 14:45:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>Andreza</dc:creator>
<guid>http://tricoteira.wordpress.com/?p=90</guid>
<description><![CDATA[Quando eu era apenas mais uma estudante de jornalismo na cinzenta curitiba, me diziam para procurar ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu era apenas mais uma estudante de jornalismo na cinzenta curitiba, me diziam para procurar "o que era notícia". Aprendi, meio por cima, a pesquisar o que realmente importava no turbilhão de informações, umas novas, outras bem velhas, e então selecionar pela relevância um evento ou outro. Depois vieram as segmentações, as especulações, aprendemos a fazer disso um circo, mas não tinha nome de circo, era apenas pesquisa de opinião. Então, o mercado, tão sedutor e libidinoso, nos fazia mudar o foco sem ao menos percebermos. Éramos então veteranos, prestes a fazer parte disso tudo.</p>
<p>Então, pouco a pouco começamos a fazer parte do jogo. A florear os caminhos alheios para vender sempre mais. Vender informação. Mercado bom, promissor, estável. Vendia-se idéias em troca do pãozinho do lanche. Era uma troca subsidiada pelas nossas frustrações. Cada vez que alguém tentava sair do esquema, afundava. Era isso ou mais nada. Inclusive dentro do estado, como outro burocrata, dando aulas sem tempo para pesquisa, sem tempo para idéias novas.</p>
<p>Quando acordamos para o mundo, vimos que na nossa sociedade da ignorância tudo era questão de reutilizar o velho em máscaras novas. Acho ótimo a reciclagem. Desde que não se torne praxe nem nos impeça de criar o novo. Um boom caótico e informações dia-a-dia, acelerando o batimento cardíaco, impossibilitando novas sinapses. Aí temos o circo novamente.</p>
<p>A pequena menina que morreu ao cair do prédio, alguns afirmam que foram os pais, a dengue e a insuficiência administrativa da cidade do Rio, o terremoto...Eu já passei por enchente, furacão, e agora terremoto, falta só passar pelos vulcões. Enfim, nada de novo na mídia. Assaltos, assassinatos, interpéries, corrupção. A boa índole vira especial, nota pra quem devolveu algum dinheiro achado pro verdadeiro dono, mesmo que o dono seja outro traficante que mudou de rosto. E o que de novo tem tudo isso? O mercado não nos faz criar idéias novas.</p>
<p>É um ciclo vicioso demais pra prestar atenção no resto. Mas o que seria o resto? O padre que afundou no mar quando resolveu brincar de pequeno príncipe e voar com balões? Ou o triste jeremias, que virou ícone pop nas malhas da internet? Tapa na pantera, quero algo novo!! Dai-me algo novo! Press enter and start it again. (Aperte o Enter e comece de novo).</p>
<p>Super algum-combo-com-nome-bizarro-of-doom. Fases de terra, água, ar e fogo. Recomeça o jogo. Em alguns dias outro super escândalo em brasília fará desaparecer a menina Isabella. Ou mais um super recorde de trânsito em são paulo. Um cachorro que salvou a vida do dono, meu deus! E esse cachorro era um pit bull! Aumento do preço do pão por causa da maldita argentina. Putz, que droga, precisamos cobrar mais pelas informações. Mas fora essas velhas notícias não tem mais nada. Mentira, procura que em algum lugar tem a velha informação de assalto, bala perdida, corrupção! Isso mesmo, fale de corrupção que as pessoas sempre acham que é novidade, por mais antigo que isso seja. Que tal Cuba? Não, Cuba já deixou de ser notícia nos anos 90, e agora depois que Fidel se foi, não tem mais glamour. Estamos sim, fadados ao ciclo circo das informações velhas, velho conhecimento de causa. O pouco novo são novas teorias da conspiração.</p>
<p>Colômbia, Iraque, Afeganistão, China, Disneylândia...Disneylândia?  Isso mesmo. Procura mais, cadê o google? Te contei que minha amiga tá saindo com um cirurgião plástico? Ele ainda não ligou, mas estamos torcendo por ela. Essa informação custa R$ 3,50. É o valor de 10 pães franceses ali no supermercado. Tá caro! É culpa da Argentina. É sempre culpa da Argentina.</p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Destruição através de imagens]]></title>
<link>http://pitadadesal.wordpress.com/2008/04/11/destruicao-atraves-de-imagens/</link>
<pubDate>Fri, 11 Apr 2008 14:16:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>umapitadadesal</dc:creator>
<guid>http://pitadadesal.wordpress.com/2008/04/11/destruicao-atraves-de-imagens/</guid>
<description><![CDATA[Estudando Guy Debord e sua sociedade do espetáculo, começo a refletir. Será que, desde o princíp]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="western">Estudando Guy Debord e sua sociedade do espetáculo, começo a refletir. Será que, desde o princípio, a lógica do mercado teve a missão de somente buscar audiência? O espetáculo, pautado pela emoção e sentimento através de imagens sofridas, não seria a única forma de tocar as pessoas ao ponto delas quererem mudar sua realidade?<br />
Ou a abundância deste tipo de imagem não acabaria deixando o sofrimento como algo vulgar e até comum? Como no filme, Hotel Ruanda, onde no meio do conflito há um jornalista fazendo filmagens e o líder, desesperado, pede para mostrar ao mundo toda a desgraça para que algo seja feito. O jornalista, responde: "Não importa o que eu mostre, as pessoas vão estar jantando, vão dizer 'que horror!' e depois de dois minutos irão se esquecer".<br />
O fotógrafo, o músico, o jornalista , o escritor, o cineasta, todos fazem o mesmo: jogam a bola pro outro. "Isto está acontecendo, e ai o que você vai fazer? Eu já fiz a minha parte". Vivemos em uma sociedade individualista, e eu me pergunto: Até onde fazemos imagens chocantes para mudar o mundo ou para mudar nosso status perante os outros? Fazer imagens, ao contrario do princípio de mostrar a realidade para incentivar um mundo melhor, teria se tornando em auto-promoção?<br />
James Nachtwey, o melhor fotógrafo atual de guerras, diz que faz isto porque o mundo precisa ver aquilo. Seria esse o método mais efetivo? Não traria uma banalização à violência? Será que estas imagens duras são capazes de mudar as pessoas ou só as deixariam com uma sensação de impotência? A ampla divulgação de desastres, em escala globalizada, não deixaria o ser humano sentindo-se pequeno demais para tomar uma atitude?<br />
Madre Theresa dizia que jamais iria a um protesto anti-guerra e sim a uma passeata pela paz. Chocar o publico é a melhor opção? O choque continuo acaba destruindo com a esperança. Lembrem daquelas pessoas que vocês considerem "felizes". Qual é sua característica em comum? Todos acreditam que o próximo dia será melhor. A vida é esperança. Empurrar imagens violentas não seria nocivo à esperança, logo, à vida?</p>
<p class="western">Júlia Otero</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Guy Debord - Sociedade do Espetáculo]]></title>
<link>http://biblioteko.wordpress.com/?p=8</link>
<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 16:55:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>burrilo</dc:creator>
<guid>http://biblioteko.wordpress.com/?p=8</guid>
<description><![CDATA[
Lançado na França em 1967, A Sociedade do Espetáculo tornou-se inicialmente livro de culto da al]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MiscTexto" align="center"><a href="http://www.scribd.com/doc/2230734/guy-deboard-sociedade-do-espetaculo"><img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img0/199550.jpg" /></a></p>
<p class="MiscTexto">Lança<span class="highlightedSearchTerm">do</span> na França em 1967, <i>A <span class="highlightedSearchTerm">Sociedade</span> <span class="highlightedSearchTerm">do</span> <span class="highlightedSearchTerm">Espetáculo</span></i> tornou<span class="highlightedSearchTerm">-</span>se inicialmente livro de culto da ala mais extremista <span class="highlightedSearchTerm">do</span> Maio de 68, em Paris; hoje é um clássico em muitos países. Em um prefácio de 1982, o autor sustentava com orgulho que o seu livro não necessitava de nenhuma correção.</p>
<p class="MiscTexto">O “<span class="highlightedSearchTerm">espetáculo</span>” de que fala <span class="highlightedSearchTerm">Debord</span> vai muito além da onipresença <span class="highlightedSearchTerm">do</span>s meios de comunicação de massa, que representam somente o seu aspecto mais visível e mais superficial. Em 221 brilhantes teses de concisão aforística e com múltiplas alusões ocultas a autores conheci<span class="highlightedSearchTerm">do</span>s, <span class="highlightedSearchTerm">Debord</span> explica que o <span class="highlightedSearchTerm">espetáculo</span> é uma forma de <span class="highlightedSearchTerm">sociedade</span> em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obriga<span class="highlightedSearchTerm">do</span>s a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tu<span class="highlightedSearchTerm">do</span> o que lhes falta em sua existência real.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Guy Debord - Sociedade do Espetáculo]]></title>
<link>http://biblioteko.wordpress.com/?p=8</link>
<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 16:55:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>burrilo</dc:creator>
<guid>http://biblioteko.wordpress.com/?p=8</guid>
<description><![CDATA[
Lançado na França em 1967, A Sociedade do Espetáculo tornou-se inicialmente livro de culto da al]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MiscTexto" align="center"><a href="http://www.scribd.com/doc/2230734/guy-deboard-sociedade-do-espetaculo"><img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img0/199550.jpg" /></a></p>
<p class="MiscTexto">Lança<span class="highlightedSearchTerm">do</span> na França em 1967, <i>A <span class="highlightedSearchTerm">Sociedade</span> <span class="highlightedSearchTerm">do</span> <span class="highlightedSearchTerm">Espetáculo</span></i> tornou<span class="highlightedSearchTerm">-</span>se inicialmente livro de culto da ala mais extremista <span class="highlightedSearchTerm">do</span> Maio de 68, em Paris; hoje é um clássico em muitos países. Em um prefácio de 1982, o autor sustentava com orgulho que o seu livro não necessitava de nenhuma correção.</p>
<p class="MiscTexto">O “<span class="highlightedSearchTerm">espetáculo</span>” de que fala <span class="highlightedSearchTerm">Debord</span> vai muito além da onipresença <span class="highlightedSearchTerm">do</span>s meios de comunicação de massa, que representam somente o seu aspecto mais visível e mais superficial. Em 221 brilhantes teses de concisão aforística e com múltiplas alusões ocultas a autores conheci<span class="highlightedSearchTerm">do</span>s, <span class="highlightedSearchTerm">Debord</span> explica que o <span class="highlightedSearchTerm">espetáculo</span> é uma forma de <span class="highlightedSearchTerm">sociedade</span> em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obriga<span class="highlightedSearchTerm">do</span>s a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tu<span class="highlightedSearchTerm">do</span> o que lhes falta em sua existência real.</p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
