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	<title>rosea &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/rosea/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "rosea"</description>
	<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 23:20:48 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[La Gazzetta...di altri mondi]]></title>
<link>http://blogaprogetto.wordpress.com/2007/08/29/la_gazzetta_di_altri_mondi/</link>
<pubDate>Wed, 29 Aug 2007 16:05:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>sonounprecario</dc:creator>
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<description><![CDATA[Ero in vacanza, durante uno degli ultimi giorni. Tempo brutto e siccome da tempo non ho contatti col]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Ero in vacanza, durante uno degli ultimi giorni. Tempo brutto e siccome da tempo non ho contatti col mondo decido di andare in un'edicola e tra le altre cose penso <em>"perché non comprare la Gazzetta?"</em>. In effetti gli ultimi due numeri della rosea che ho comprato erano rispettivamente quello dopo la vittoria del mondiale e quello...dopo la vittoria dello scudetto dell'Inter. Roba che segna eventi rari, da collezione.<br />
Subito mi accorgo che la Gazzetta è cambiata: impaginazione più <em>cool</em>, il modo di scrivere che è peggiorato notevolmente<em> (..e prima non era poi così corretto...!)</em>, gossip. Ebbene sì, il gossip ha invaso qualsiasi cosa, va bene l'interferenza ogni tanto sulla versione on line ma almeno risparmiatemi su quella cartacea. Altrimenti compro Chi, Oggi, ecc...</p>
<p align="justify">Ma in prima pagina c'è <font color="#99cc00">una cosa che più di tutte mi colpisce</font>. <strong>Altri mondi</strong>:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://img210.imageshack.us/img210/6259/brambilla01dt4.jpg" title="Click per ingrandire" target="_blank"><img src="http://img294.imageshack.us/img294/9518/brambilla02jk2.jpg" border="0" /></a></p>
<p align="justify"> Ebbene sì, un ritratto tracciato da Silvio su Michela Brambilla. Ora, so bene che RCS da tempo è finita in cattive mani, che praticamente non leggo più il Corriere <em>(infatti Repubblica ha superato il Corriere)</em> vista la non obiettività, ma sulla Gazzetta speravo solo di trovare notizie sportive e qualche chiacchiera da bar da sviluppare con gli amici. I tempi invece sono davvero cambiati.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://img210.imageshack.us/img210/8274/gazzettabrambilla01ac2.jpg" title="Click per ingrandire" target="_blank"><img src="http://img59.imageshack.us/img59/548/gazzettabrambilla02nb5.jpg" border="0" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Una <font color="#99cc00">leccaculata d'autore</font>, un'intervista al Cav. coi fiocchi <em>(a parte lui che parla di sé in terza persona alla quarta domanda)</em>. Su un quotidiano sportivo. Sono l'unico che ritiene che ci sia qualcosa che non va? Non voglio fare quello ossessionato, ma quando è troppo è troppo, qualunque politico ci sia stato; certo è che quando ci siano marchette e pubblicità politiche varie la parte politica sia la stessa mi da da pensare molto. Dalla Gazzetta del 23 agosto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>La Brambilla è una signora di quasi quarant'anni, rossa di capelli, avvenente, gran gambe, un figlio di 3 anni di nome Vittorio concepito con il suo compagno molto amato che si chiama Eros Maggioni e fa il medico. [...] È stata finalista di Miss Italia, autrice di libretti sugli animali, giornalista tv per mediaset, modella. [...] Tutti la descrivono come una forza della natura, tre ore di sonno a notte, ambizione smodata, capacità organizzative straordinarie. E poi gambe, gambe accavallate a tutto spiano. Ha fatto anche la pubblicità per la Omsa.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify"><strong>Oltre le gambe c'è di più</strong> <em>(a parte il noto detto sulle "rosse de cavei" - ndr)</em>, la soluzione è quindi molto semplice: non comprerò più la Gazzetta cartacea, almeno fino ad un altro evento cosmico.</p>
<p><strong>Share</strong>:<br />
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]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[A vaidade de uma ladra]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/07/06/a-vaidade-de-uma-ladra/</link>
<pubDate>Sat, 07 Jul 2007 03:07:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/07/06/a-vaidade-de-uma-ladra/</guid>
<description><![CDATA[Este texto é parte do que tenho chamado Os tribunais de Rósea. Para ler os outros capítulos em or]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>Este texto é parte do que tenho chamado <strong>Os tribunais de Rósea</strong>. Para ler os outros capítulos em ordem, <a href="http://bichoderondonia.com/rosea">clique aqui</a>.</em></p>
<p>Esta era a situação de Rósea naqueles dias: um país em mudança, com reformas profundas, que não mudavam quase nada em níveis mais baixos. As inovações deixavam grande parte da população feliz, entretanto. Eles prezavam poder votar em seus prefeitos e senadores, e admiravam o que o Legislativo fazia, garantindo-lhes direitos constitucionais, e escolhendo um ministro que realmente trabalhava, e não se dava a diversões inúteis como o rei bonachão.</p>
<p>Eram dias altamente abstratos e teóricos para o povo. Discutia-se nos bares e na universidade (Rósea só tinha uma) sobre a organização do Estado, a divisão dos poderes e as reformas, que se julgava serem bem-vindas. Todos citavam autores de teorias e filósofos em geral, tentando traçar paralelos com o que acontecia em Ádia, capital daquele pedaço grande de terra.</p>
<p>Alheia a tudo isso, caminhava uma moça pelas ruas de Ádia. Seu modo de andar  despreocupado, olhando para todos os lados e observando cada detalhe, fariam alguém pensar que ela não tinha destino nenhum, andando sem qualquer rumo pela desorganizada área comercial da capital.</p>
<p>Vestia uma roupa que, apesar de barata, seguia o modelo e as cores das tendências da moda na alta sociedade roseana. Calçava um sapato fechado, possivelmente para não sujar os pés na poeira das ruas não pavimentadas de Ádia.</p>
<p>Um parêntese: as ruas da cidade não deixaram de ser pavimentadas por falta de recursos. Alguns pequenos comerciantes da época de Lúcio Flávio III reclamavam do excremento dos cavalos das carruagens sobre o pavimento. Contudo, como só nobres e gente bastante rica tinha dinheiro para ter cavalos e carruagens, o excremento dos equinos só saía de meios muito caros e veneráveis de transporte.</p>
<p>Para não contrariar nem um nem outro, e para não forçar os nobres a ter que providenciar meios para não sujar o pavimento, o Legislativo recém-criado, em uma de suas primeiras decisões, determinou que as ruas não fossem pavimentadas, pois era “de maior praticidade lidar com o excremento dos cavalos em uma rua sem pavimento, com a terra nua”. O rei sancionou a lei com alegria,</p>
<p>Apesar do barateamento posterior dos cavalos e das carruagens, ninguém tinha tempo para se preocupar com o pavimento com tantas abstrações para discutir. A moça que ia andando pela rua, mencionada há pouco, também não tinha condições de se preocupar com tal fato. Ela saiu de casa para resolver um problema sério: sua mãe e seu irmão passavam fome. Isto significa que ela tinha um destino definido. Era a mercearia.</p>
<p>Ela não se dirigia à loja com dinheiro. Também não pretendia comprar a prazo, já que sua mãe devia bastante a Dimitri, dono do local. Ela entrou na mercearia para roubar, e não era a primeira vez. Já tinha subtraído de Dimitri ao longo de dez dias quase duas grades de leite sem que ele percebesse. E ela tinha ótimas armas: belíssimos olhos verdes, cravados em uma face perfeita. Mal entrou na mercearia e Dimitri exclamou com uma expressão estranha:</p>
<p>- Senhorita Lorena! Demorou a voltar!<br />
- Bom dia, senhor Dimitri. Chegou aquele biscoito?</p>
<p>Os biscoitos eram parte de uma história que Lorena sempre contava para distrair Dimitri. No seu primeiro furto de sucesso ela tinha perguntado se a mercearia dispunha de um certo biscoito. Dimitri não soube responder, e pediu que ela olhasse pelas prateleiras. Dimitri era um comerciante inovador, e, para fazer diferença frente aos concorrentes, tratava de expor os produtos em prateleiras, até para aproveitar melhor o espaço. Essa jogada comercial facilitava o trabalho de Lorena. A marca dos biscoitos, é claro, não existia.</p>
<p>- Não lembro, senhorita. Meu estoque é grande, e eu não lembro de produtos específicos. Mas que tal dar uma olhada?</p>
<p>O estoque da mercearia era minúsculo. Dimitri disse aquilo para tentar impressionar. Ele sabia que não haviam biscoitos, mas muito o agradava ver uma bela moça como Lorena circulando pela loja. A mulher do comerciante, Inácia, observava tudo com os olhos faiscando de ciúmes.</p>
<p>Lorena andou pelas prateleiras como que olhando tudo com atenção. Ao passar pelas garrafas de leite colocou uma embaixo do vestido, tão rápido que quem visse não saberia como. Chegou à seção de biscoitos e soltou, com um ar que tentava soar desanimado:</p>
<p>- Que pena! Não chegou!</p>
<p>Ia se encaminhar à saída quando passou pela prateleira que continha cosméticos. Um único frasco chamou a atenção dela. Era o novíssimo Pierre Simon, um xampú fabricado na Europa, que era a febre de então das moças ricas. O cabelo de Lorena era castanho claro e bem liso. Contudo, precisava de alguns cuidados que ela não podia dar por falta de dinheiro. E já que ela conseguia levar uma garrafa de leite sob o vestido, o que era um pequeno frasco de Pierre Simon?</p>
<p>Tremeu por um instante, hesitou, mas resolveu fazer. Tão rápido como fizera com a garrafa, Lorena escondeu um frasco do xampú embaixo da roupa e foi em direção à porta. Tentou ainda ser simpática. Enquanto levava a mão até a maçaneta da porta disse para Dimitri, que observava com cara de fome a moça:</p>
<p>- Tchau, senhor...</p>
<p>Ela pretendia concluir dizendo “senhor Dimitri”, mas não conseguiu. Foi impedida por um fato que a deixou imóvel, sem fala, e extremamente pálida. O movimento para abrir a porta fez o frasco de xampú escorregar, deslizar perna da moça, cair no chão fazendo um alto barulho e rolar até a base do balcão do caixa.</p>
<p>Dimitri e Inácia viram tudo. A mulher adquiriu uma expressão de ódio. Ele de lamento. Não lamentava pela moça, mas lamentava pela oportunidade perdida. “Se essa porca de minha esposa não estivesse aqui...”, pensava ele, “eu tiraria um ótimo proveito dessa situação. Essa princesinha não me escaparia!”</p>
<p>Inácia deu vazão ao ódio. Se lançou sobre a moça, deu-lhe um tapa que a fez cair para trás, deixando escorregar pelo vestido a garrafa de leite. Ao ver o duplo furto Inácia tratou de dar um chute na moça caída, revistá-la para ver se encontrava algo mais  e gritar:</p>
<p>- Ladra miserável! Chame a polícia, seu imprestável! - Disse para Dimitri, que considerava um prêmio de consolação ver as pernas de Lorena à mostra.</p>
<p>Inácia saiu pela porta da loja gritando para que chamassem a polícia. Parou na calçada um tanto impressionada pelo fato de já existirem quatro policiais parados à frente da loja. Os agentes não estavam menos impressionados que Inácia. Após algumas trocas de olhares curiosas e interrogativas entre Inácia e os policiais, a mulher rompeu o rápido silêncio que havia se estabelecido:</p>
<p>- Eita! Que eficiência!<br />
- Perdão, senhora? - questionou um dos policiais.<br />
- Certo, não sei como vocês chegaram tão rápido, mas é que é urgência mesmo. Tem uma ladra na minha loja.</p>
<p>Dito isto, Lorena saia cambaleando pela porta, fazendo caretas e se contorcendo em razão da dor das pancadas da dona da loja.</p>
<p>- É essa, essa é a bandida! - gritou Inácia.<br />
- Por favor, fique calma, senhora. - Disse um policial, contendo o ímpeto de Inácia.<br />
- Algemem ela – disse outro agente.</p>
<p>Um policial algemou Lorena e a colocou dentro da carruagem. Inácia estranhou o fato de os quatro agentes continuarem na calçada, à frente da loja. Agüentou por uns minutos, mas não se conteve e resolveu interrogá-los.</p>
<p>- Diga, vocês não vão levar a bandida pra delegacia?<br />
- Daqui a pouco, senhora.<br />
- E por que não já?<br />
- Dependemos de alguns fatores, senhora.<br />
- Quais?<br />
- Por enquanto dizem respeito ao nosso trabalho somente.<br />
- Desculpe aí.<br />
- Tudo bem, senhora.</p>
<p>Inácia entrou na loja meio sem graça com as respostas do policial, mas se conformou, e julgou ser apenas um procedimento especial da polícia. E, na verdade, ela estava certa.</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[O poder aos juízes e a crise da monarquia]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/07/06/o-poder-aos-juizes-e-a-crise-da-monarquia/</link>
<pubDate>Sat, 07 Jul 2007 02:58:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
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<description><![CDATA[Este texto é parte do que tenho chamado Os tribunais de Rósea. Para ler os outros capítulos em or]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>Este texto é parte do que tenho chamado <strong>Os tribunais de Rósea</strong>. Para ler os outros capítulos em ordem, <a href="http://bichoderondonia.com/rosea">clique aqui</a>.</em></p>
<p>Diferentemente de seu pai, Jorge Augusto II não gostava de julgar, pois achava uma perda de tempo. Sempre preferia ir direto à sentença, que geralmente condenava o réu a uma pena severa. Sua fama de cruel e implacável começava a preocupar o Conselho e o Legislativo, já que as revoluções do povo nos Estados vizinhos estavam fazendo cabeças rolarem, e, caso a moda pegasse em Rósea, eles sabiam que as primeiras cabeças cortadas seriam as deles.</p>
<p>O rei, como sempre, não se preocupava com nada, e isso frustrava as expectativas dos poderes. Os juízes pressionavam para a separação do judiciário, mas os conselheiros não se atreviam a falar com o rei, pelo simples fato de acharem que, apesar de sua crueldade, ele gostava, como o pai, de proferir julgamentos. Um erro de interpretação que causou a crise da monarquia.</p>
<p>O Legislativo, orientado por altos juízes, resolveu dar mais poderes a si próprio através da lei. Contudo, como as leis precisavam da aprovação do rei, criaram um artifício nada inteligente, mas que, talvez por se tratar de Rósea, funcionou. Enviaram para a apreciação do rei uma lei que restringia o veto real, e que permitia que o Legislativo vetasse decretos do rei por maioria de votos. A lei continha um artigo que previa que ela seria “aprovada automaticamente em caso de silêncio do Soberano por quinze dias, a contar da data da ciência da Lei”.</p>
<p>O rei recebeu o projeto de lei com o devido protocolo, leu o nome do projeto e jogou em cima de sua escrivaninha. Vinte oito dias depois estavam organizados em Rósea, através de leis votadas no plenário,  o Judiciário e o cargo de primeiro-ministro, eleito pelo parlamento, para servir de instrumento de governo da maioria dos senadores. Dois dias depois saiu a nova Constituição, que não fazia menção do Conselho. Os conselheiros reclamaram bastante. Como efeito, cada um ganhou um cargo de senador, o que não foi notado pelo povo, que nunca lembrava em quem tinha votado mesmo.</p>
<p>Em um mês, Rósea se transformou em uma monarquia parlamentarista. O rei gostou muito do fato, pois tinha cada vez menos trabalho. Lamentou apenas a perda de seus parceiros de dama.</p>
<p>A nova constituição dava uma atenção especial ao Judiciário. Instituiu tribunais nas províncias e a nível nacional, sendo que o tribunal de nível nacional podia julgar decisões do Legislativo.</p>
<p>Também deu-se uma atenção especial à polícia, que agora seria bem equipada e organizada, com uma relação afinada com o Judiciário, para combater o crime de forma eficaz. O plano do Legislativo de combate à criminalidade era tão eficaz que eles resolveram se proteger, dando os senadores a si próprios o que eles chamavam de imunidade relativa, que na prática era, todos sabiam, absoluta.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os tribunais de Rósea - 1]]></title>
<link>http://bichoderondonia.com/2007/06/13/os-tribunais-de-rosea-1/</link>
<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 18:19:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Teo Victor</dc:creator>
<guid>http://bichoderondonia.com/2007/06/13/os-tribunais-de-rosea-1/</guid>
<description><![CDATA[Este texto é parte do que tenho chamado Os tribunais de Rósea. Para ler os outros capítulos em or]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>Este texto é parte do que tenho chamado <strong>Os tribunais de Rósea</strong>. Para ler os outros capítulos em ordem, <a href="http://bichoderondonia.com/rosea">clique aqui</a>.</em></p>
<p align="center">&#160;</p>
<p align="center"><strong>A história recente de um pedaço grande de terra e seus soberanos</strong></p>
<p>A alguns pedaços grandes de terra é dado o nome “nação politicamente organizada”.  Rósea era um desses pedaços grandes de terra, cercado por outros pedaços grandes de terra e pelo mar.  Como outros pedaços grandes de terra, tinha um Governo e um Soberano. Em Rósea, entretanto, há poucos anos atrás, Governo e Soberano eram sinônimos: ambos significavam Rei Jorge Augusto II.</p>
<p>Há de se convir que Jorge Augusto, em Rósea, se tratava de um nome comum demais para um rei, chegando a ser até mesmo um pouco, como se dizia por lá, brega. O motivo era simples de explicar. Jorge Augusto I foi rei quatro gerações antes de Jorge Augusto II. E o primeiro foi um bom rei, segundo o povo. O melhor que Rósea já tinha visto, ou pelo menos o melhor que julgava ter visto. Foi tão bom na visão popular que seu nome caiu na graça de todos, e se transformou em um nome comum. Tão comum que virou costume. Um costume tão arraigado que o pai do segundo Jorge Augusto, Lúcio Flávio III, um compulsivo seguidor dos costumes e da maioria, resolveu por o nome no seu filho.</p>
<p>No mesmo dia que o príncipe Jorge Augusto nascera, as parteiras públicas registraram com o mesmo nome quatorze nascimentos masculinos e um feminino. A senhorita Jorge Augusto desapareceu no final da adolescência e não se teve mais notícias dela até os dias de hoje.</p>
<p>O rei detestava o fato de seu nome ser tão comum, mas procurava ignorar o fato. Aceitou um Jorge Augusto como governador, outro como prefeito de uma cidade grande, e outro como delegado de polícia. Mas não aceitou quando um certo cantor e poeta chamado Jorge Augusto começou a fazer sucesso pelos bordéis. Ordenou que o cantor mudasse o nome, já que, como dizia, “nos bordéis, bastava um Jorge Augusto de sucesso”. O cantor mudou o nome para Carlos Reginaldo, o que acabou sendo um desastre para sua fama.</p>
<p>A polêmica envolvendo o cantor fez o rei baixar um decreto proibindo que os recém-nascidos recebessem esse nome (proibição inócua, pois faria efeito de qualquer maneira), e que todos os menores de 18 anos chamados Jorge Augusto trocassem de nome, o que já vinha acontecendo antes mesmo do decreto. O texto da norma dizia ainda que “cidadãos que adquirirem notoriedade pública deverão trocar de nome caso chamem-se Jorge Augusto, não podendo o novo nome conter Jorge ou Augusto”. Ressalte-se que o tempo presente é válido para o texto da norma, que continua vigorando em Rósea.</p>
<p>O governador e o prefeito mudaram de nome, sem reflexo posterior em suas carreiras políticas. O delegado não era uma figura de notoriedade pública, mas resolveu mudar de nome.</p>
<p>A única polêmica pública dos primeiros quinze anos do reinado de Jorge Augusto II foi essa questão, ocorrida no quinto ano. Antes e depois disso, o rei desapareceu das conversas do povo, aparecendo vez ou outra em jornais assinando um decreto (eles eram periódicos – os jornais e os decretos) ou recebendo um chefe de pedaço de terra estrangeiro.</p>
<p>O soberano, na verdade, gostava de passar o dia fazendo coisa nenhuma. Sentava e ficava assistindo as pessoas passarem, ou reunia o Conselho do Reino para jogar damas. À noite visitava os bordéis, depois de cumprir algum evento social com a sua esposa, que, apesar dos apelos do Conselho, nunca chegou a ser chamada de rainha.</p>
<p>O Conselho do Reino era um órgão instituído pela tradição até então. Tratava-se de um conjunto de pessoas notáveis que, além de jogar damas, servia para orientar o rei em diversas situações e problemas. Eram, principalmente, donos de terras e casas produtivas e donos de casas que vendiam o que as terras e casas produtivas faziam, sendo que o cargo no Conselho era vitalício e hereditário.</p>
<p>Não havia na época consenso sobre como um conselheiro podia ser demitido. A família real tratava o problema de uma forma eficaz havia oito reinados: já que o cargo de conselheiro era vitalício, e não haviam regras nem tradição acerca da competência do rei para demití-lo, o rei mandava matar o conselheiro. Caso o herdeiro também não agradasse, era morto da mesma forma. Apesar do risco, o cargo de conselheiro era muito disputado nas famílias poderosas, já que o assassinato de alguém do conselho era raro, dizia-se.</p>
<p>Até a metade do reinado de Lúcio Flávio III, pai de Jorge Augusto II, o rei era o único detentor do Poder em Rósea. O Conselho já existia, como um grupo de consulta (e de damas), assim como os ministros do rei, a quem ele incumbia tarefas úteis que eram chatas demais para um rei desempenhar. Entretanto, as leis, os atos administrativos e de governo do reino e os julgamentos submetiam-se todos  ao que se chamava de Corte, que era composta pela família real e pelos cargos administrativos para funções chatas, todos de confiança, e o Poder da Corte emanava todo do rei, sendo dele a palavra final.</p>
<p>Então, na segunda metade do reinado, Lúcio Flávio III fez, orientado pelo Conselho, profundas reformas, que levaram dez anos de planejamento e mais cinco de implantação. O tempo de planejamento foi necessário, pois um dos requisitos da reforma era que se mudasse profundamente a teoria base que orientava o Estado em Rósea, mas que a prática continuasse a mesma. Assim instituiu-se o que anunciava-se como Legislativo, composto por senadores eleitos pelo povo.</p>
<p>O primeiro argumento do Conselho para tentar convencer Lúcio Flávio da necessidade do Senado foi que existia uma pressão popular para a criação do órgão. Era mentira, mas de qualquer forma o rei não deu a mínima para a idéia. Simplesmente comeu as quatro peças restantes no tabuleiro do conselheiro que falava com ele e saiu em direção ao bordel, sem entender essa história de partição de poderes. O segundo argumento, entretanto, foi fulminante. Todos os países à volta de Rósea tinham separado seus poderes. Antes que os conselheiros terminassem de falar, o rei pediu uma caneta para assinar o decreto e criar o Senado. Ele não podia ficar de fora da novidade, já que seus amigos reis e presidentes estavam todos no mesmo barco.</p>
<p>O problema de fato era que o Conselho se preocupava com sua imagem, bem como com a do Governo. O órgão não achava interessante que o rei criasse leis que eram vetadas por ele mesmo pouco tempo depois, devido a falhas de orientação do Conselho, ou por álcool em excesso na corrente sangüínea do soberano. A solução foi criar um apêndice do Poder, que ainda teve uma utilidade extra: aplacar os ânimos de uma parcela do povo e dos intelectuais.</p>
<p>Alguns dos mais instruídos estavam reclamando do sistema de Governo de Rósea, taxando-o de arcaico, e exigindo reformas. Uma pequena parte do povo, por alguns tomates a mais no almoço, ajudava os intelectuais em manifestações em frente ao palácio do rei, exigindo mudanças. Como o rei jogava damas sempre nos fundos do palácio, jamais soube das manifestações. Coube ao conselho contornar a situação, e o fez como já exposto.</p>
<p>Assim que o rei criou o Senado, o Conselho se reuniu com os representantes do povo e dos intelectuais, que vibravam diante da possibilidade de discutir e promulgar leis. Um deles chegou a lembrar que a divisão do Poder incluía três, e não dois órgãos, mas ninguém deu atenção. já que a novidade do Legislativo era excitante. Os conselheiros sabiam da divisão trina, mas como sabiam que o rei gostava de julgar nas horas vagas, resolveram deixar o Judiciário para outra oportunidade.</p>
<p>Ao senado cabiam principalmente duas funções: aprovar compulsoriamente os decretos do rei e criar projetos de lei que deviam ser aprovados pelo rei. O rei podia vetar os projetos baseado exclusivamente em dois critérios, que eram a sua vontade e a vontade do Conselho. Dessa forma, pregava-se que o povo participava indiretamente do processo de criação das leis através do Senado, o que não deixava de ser uma verdade.</p>
<p>Um benefício extra foi o bem-estar do rei, que odiava redigir o texto das leis. Isto é, mais uma função chata foi delegada a outro órgão, para que o soberano aproveitasse bem seu reinado e sua vida. Rósea não mudava para melhor com isso, mas o Conselho sempre vinha com o antigo provérbio: “como se dizia, já que ninguém sorri, que o Rei sorria!”</p>
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