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	<title>rosa-abboud &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/rosa-abboud/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "rosa-abboud"</description>
	<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 09:12:22 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[o músico.]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/?p=428</link>
<pubDate>Tue, 09 Sep 2008 12:31:24 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
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<description><![CDATA[
 
Do jeito que ele me olhava, eu me perdia. E era um desvia, olha, chama, olha de novo, que eu esq]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"></p>
<p class="post-body"> </p>
<div class="post-body">Do jeito que ele me olhava, eu me perdia. E era um desvia, olha, chama, olha de novo, que eu esquecia do resto que estava a minha volta. Esperava o dia amanhecer, tomar banho, ir pra lá só pra ficar de prontidão esperando ele passar e me dizer 'Bom dia!'.</div>
<div class="post-body">Em dias de sorte eu sorria e dizia também 'bom dia', mas por forças do destino e dos olhos daquele menino havia dias em que saia apenas um sussurrante 'oi', guaguejado e abafado pela minha ansiedade.</p>
<p>Ele tinha um violão, e eu nem ritmo tinha.</p>
<p>Em um dos dias em que eu não consegui dizer bom dia ele me olhou fundo e disse 'é verdade que você escreve músicas?'</p>
<p>eu não escrevia músicas, era só um amontoado de palavras que juntas eram melhores que separadas. Mas eu só consegui dizer 'sim!'</p>
<p>'Escreve uma pra mim!' ele me disse, e eu sem coragem de dizer que não conseguiria sugeri 'a gente não tem papel aqui'</p>
<p>Ele abriu um sorriso. o sorriso mais sorriso que eu conhecia. Abriu os braços também e me falou 'escreve nos meus braços'</p>
<p>Nunca tinha visto aquilo de escrever na pele o que tinha que estar no papel. Escrevi um poema que tinha feito por causa dele, meio tremendo, de encostar nos braços que eu sempre quis que encostassem em mim. Que caneta de sorte a minha.</p>
<p>ele pegou o violão, e sem tirar os olhos da minha letra ele cantou o meu poema. Tocava o violão, olhando os próprios braços. Olhava minhas palavras vendo a si mesmo.</p></div>
<div class="post-body">Era justo..minhas palavras só tinham vida naquele corpo, naqueles braços, com aquela voz.</div>
<p class="post-body"> </p>
<p></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[madrugada]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/?p=343</link>
<pubDate>Sat, 09 Aug 2008 14:30:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
<guid>http://ambidestria.pt-br.wordpress.com/2008/08/09/madrugada/</guid>
<description><![CDATA[O momento mais gelado da madrugada é aquele imediatamente anterior ao nascer do sol. Ela sabia diss]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>O momento mais gelado da madrugada é aquele imediatamente anterior ao nascer do sol. Ela sabia disso, ouviu em algum lugar, mas quase sempre que tinha visto o sol nascer, não tinha se preocupado muito com o clima, estava, na maioria da vezes, ocupada. Dessa vez não. Acordou de madrugada com um nó na garganta causado pela tristeza de um sonho horrível. Olhou para o lado e ele ainda dormia lá. Quis abraça-lo, pra sentir que o sonho era só sonho. Mas ela não podia. Desse tempo todo que passaram juntos ela nunca foi tão dependente dele quanto agora. Justo agora que ele vai embora. Eles vão se separar, ela sabe. Ela disse que assim era melhor. Mas não era. Passou a mão no cabelo dele, e sentiu o cheiro que já tava acostumada a sentir nela mesma. Tentou dormir, não conseguiu. A madrugada ia passando e o sono não chegava. Mas ela tava calma, ouvia a respiração funda dele ao lado, e isso dizia, de alguma maneira, que ela tava protegida. Começou a chorar baixinho, amargando a saudade que já sabia que viria, uma hora ou outra. A saudade, aconteça o que acontecer, sempre vem. 'Como é que eu faço pra te esquecer?' Disse alto, sem notar que não era só pensamento. Tapou a boca com a mão. 'shiiu, ele não pode perceber'. Tava começando a esfriar. Pegou o cobertor jogou sobre aquele moço imenso, que nem cabia na cama dela. Queria mesmo era tê-lo coberto com ela mesma. Ficar pequenininha no abraço dele. Pegou um cobertor pra ela também, voltou pro colchão e fechou os olhos. 'Agora vou dormir' - prometeu. Começou a pensar em como ele sequer demonstrava que sentia falta dela. Começou a pensar que talvez, de fato, ele não sentisse falta dela. Lembrou, em seguida, que era exatamente por isso que ele ia embora da vida dela. Era exatamente por ele não sentir, e não dizer que sente, que eles tinham que terminar. Quis chorar, mas o frio não deixou, ele a distraia. Esfriava cada vez mais, devia estar perto do sol nascer. Logo, o sol ilumina tudo e me esquenta, ele vai embora e você finalmente dorme. Mas depois, agora ela vai abraça-lo até o sol nascer, pra se aquecerem. Afinal, o momento mais gelado da madrugada é aquele imediatamente anterior ao nascer do sol.</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[ela pediu...]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/?p=274</link>
<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 04:23:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
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<description><![CDATA[Ai, pára. Você tá me machucando. Esse teu jeito de não decidir o que quer de mim, pra que isso? ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-style:italic;">Ai, pára. Você tá me machucando. </span>Esse teu jeito de não decidir o que quer de mim, pra que isso? <span style="font-style:italic;">Devagar, você tá me machucando. </span>Eu só queria entender o que passa nessa tua cabeça. É sarcasmo ou ingenuidade mesmo? <span style="font-style:italic;">Não faz assim, você tá me machucando. </span>Eu não consigo desistir de você, nem quando você mesmo já desistiu de você; péssimo defeito esse o meu, continuar acreditando. <span style="font-style:italic;">Ta doendo, vai devagar. </span>Você continua me olhando. Quando me abraça eu acho que vou explodir. <span style="font-style:italic;">Por favor, tenta não me machucar.</span> Queria te dizer tanta coisa, mas essa tua introspecção vai me fazer calar pra sempre. <span style="font-style:italic;">Você ainda ta me machucando, me solta.</span> Me solta, cara, me deixa ir embora. <span style="font-style:italic;">Não encosta mais em mim, você sempre me machuca. </span>Não volta com esse sorriso, que eu não quero sorrir pra você mais. <span style="font-style:italic;">Você é muito forte, não me aperta assim.</span> Você é muito forte, forte demais pra mim. <span style="font-style:italic;">Me solta. </span>Me solta. <span style="font-style:italic;">Me solta. </span>Não me solta nunca, nunca mais...</p>
<p style="text-align:right;">
<p style="text-align:right;">"seja do jeito que for</p>
<p style="text-align:right;">eu te juro, meu amor</p>
<p style="text-align:right;">se quiser voltar...ta perdoado"</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[quando era chora não sei se é dos olhos pra fora, não sei do que ri...]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/?p=228</link>
<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 16:31:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
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<description><![CDATA[Quando vi Júlia a primeira vez. Meus Deus. Ela usava uma meia-calça rasgada no joelho e o cabelo p]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Quando vi Júlia a primeira vez. Meus Deus. Ela usava uma meia-calça rasgada no joelho e o cabelo preso em um rabo-de-cavalo alto, bem alto, quase em cima da cabeça. Do rabo saiam uns fiapos que lhe desciam pelo rosto. Branco, pálido, com apenas as bochechas rosadas e boca vermelha. Tão vermelha como eu nunca tinha visto antes. Naquela luz eu só via Júlia. Sentado naquela cadeira eu só via Júlia. Na minha respiração, no meu tato, no meu sono na manhã do dia seguinte eu via Júlia. Desde quando conheci Júlia eu comecei a ter raiva das outras mulheres, que pareciam uma falta de respeito andando descontraídas, enquanto Júlia estava cansada. Ainda que eu adorasse ver Júlia cansada, porque a sua respiração ficava difícil e seu peito arfava, fazendo uma dança linda com o seu decote. Toda noite eu ia ver Júlia. Comecei de longe, até parar quase encostado nela. Sabia o que ela ia me dizer. Dizia, com uma ou outra modificação, as mesmas coisas todos os dias. Fazia os mesmos gestos e recebia os mesmos aplausos. Os meus. Nas sextas-feiras, talvez por falta do outro-que-fazer, os meus aplausos eram engrossados por umas quatro outras mãos. Mas ninguém aplaudia a Júlia como eu aplaudia. Minhas palmas eram frenéticas, cheias de um tesão que se desconhece em mãos desapaixonadas. Júlia sorria pra mim quando eu me levantava pra aplaudir de pé sua existência. Houve um dia, que a primeira fileira começou a ser pouco pra mim, eu quis subir naquele palco e levar Júlia embora comigo, era tanto que me doía vê-la só durante a noite. Esperei os aplausos acabarem, e, como era apenas eu que aplaudia, quase não tive que esperar. Esperei Júlia sorrir, e como eu amava aquele sorriso, quase não senti o tempo passar. Assim que ela derrapou pra dentro daquele palco eu me meti por detrás das cortinas e andei aqueles corredores sujos desesperado por ela. Corri. Corria e gritava pelo nome dela. E não encontrava. Júlia, meu deus, Júlia. Quando já saia desconsolado, parei em frente a porta daquele lugar imundo, que um dia – disseram – havia sido um respeitável teatro, para sentar um pouco e pensar em como ficar com Júlia quando eu ouvi sua voz que me dizia, OI?. Quase não acreditei, me virei de uma vez e me assustei porque não era Júlia que estava na minha frente. Talvez uma irmã, talvez uma prima, talvez uma impostora ridícula que imitava minha musa. É você que vem me assistir sempre né? Não, minha senhora, eu venho ver Júlia. Ah, claro, bom saber que você gosta desse personagem, já que fui eu mesma quem escrevi. Eu nem escutava o que ela falava, achava ridícula aquela mulher de cabelo solto e vestido até o pé, com a boca descolorida. Eu me perguntava meu deus quem é ela? Cadê a minha Júlia? Meu deus será que essa é a minha Júlia? Meu deus quem é você? Prazer, eu chamo Maria.</p>
<p> Eu sai andando. Aliviado! É claro que ela não era Júlia, a minha Júlia. Amanhã, quem sabe, eu consigo falar com ela.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[e sempre a mesma pergunta...]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/?p=183</link>
<pubDate>Fri, 09 May 2008 14:02:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
<guid>http://ambidestria.pt-br.wordpress.com/2008/05/09/e-sempre-a-mesma-pergunta/</guid>
<description><![CDATA[Você não tem ciúme? Não, eu não tenho ciúme. Você não gosta de mim, é isso. Só porque não]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Você não tem ciúme?</strong> Não, eu não tenho ciúme. <strong>Você não gosta de mim, é isso.</strong> Só porque não tenho ciúme quer dizer que não gosto de você? <strong>Não gosta, se gostasse teria ciúme, iria cuidar de mim. </strong>Cuidar de você não significa não gostar que você tenha contatos com o resto do mundo. <strong>Você confia demais em mim.<span style="font-weight:normal;"> Não</span><span style="font-weight:normal;"> deveria confiar? </span>Não</strong>. Não? <strong>Essa tua confiança excessiva só me subestima.</strong> Sua louca, ela te enaltece. <strong>Não, ela me subestima. Você sabe da minha insegurança, sabe que eu dependo de você e é por isso que você não sente ciúme.</strong> Mentira, eu não sinto ciúme porque confio no amor que a gente tem um pelo outro. <strong>E quem disse que você me ama? </strong>Ninguém precisa dizer, eu sinto. <strong>EU PRECISO DIZER, eu preciso que digam. É defeito meu, fazer o que? Gosto das coisas faladas, explicadas, ditas...no ouvido, na boca, gritadas, pro mundo todo ouvir. Eu gosto, é meu defeito. </strong>Não é defeito, é característica. <strong>Característica ruim pra caralho, logo, defeito</strong>. Você quer demonstrações públicas de afeto, é isso. Você quer que as pessoas olhem pra você e achem que você vive uma linda história de amor. <strong>Elas não precisam saber que eu vivo uma linda história de amor, mas eu preciso, preciso toda vez que acho que essa história só eu escrevo e você sai por ai interpretando o personagem que eu criei.</strong> Quer dizer que agora eu sou seu fantoche? Seu bonequinho? Valeu, querida, é assim que você diz que me ama<strong>? Eu quero te controlar e te fazer me querer, mas eu não consigo. Não, você não é meu fantoche, mas não por falta de vontade, e sim por falta de capacidade.</strong> Minha? <strong>Minha</strong>. Baby, você vai surtar se continuar com essas idéias. <strong>Eu surtei quando te conheci</strong>. É isso mesmo? Eu te faço mal? <strong>Não, você me faz bem demais. É o medo de perder isso que me põe maluca. </strong>Você é muito precipitada, a gente nem começou e você fica ai pensando em quando a gente vai terminar<strong>. A gente não vai terminar</strong>. A gente pode, por acaso, terminar. <strong>Não, a gente não vai terminar</strong>. Você não pode afirmar isso. <strong>Você não pode me negar isso</strong>. Você ta querendo dizer que agora eu me comprometi eternamente contigo? <strong>Tu te tornar eternamente responsável por aquilo que cativas. </strong>Lá vai, a letrete agora vai começar a citar. <span>Cita em francês, egocêntrica. <strong>Tu es responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé.</strong> </span>Como você consegue ficar ridícula fazendo esse bico. <strong>Pára, vai. Não começa a fazer graça que você me envergonha. </strong>Te envergonho ou te mato de rir? <strong>Eu sempre ri por educação</strong>. Mentira. <strong>Verdade</strong>. Duvido. <strong>Eu juro. </strong>Você não acredita em Deus, jura pelo o que? <strong>Pela minha dignidade.</strong> Qual? <strong>Nojento</strong>. Não tem dignidade mesmo. Você se rasteja por mim, como pode ser digna? <strong>Então amar você me torna indigna?</strong> É, exatamente isso. <strong>Ok, então, vou me tornar pura ficando com todos os seus amigos, depois com os seus colegas, até chegar nos inimigos e nos desconhecidos.</strong> É bem a sua cara fazer isso. <strong>Eu não acredito que você disse isso, ta me chamando de vadia?</strong> Não, é que... <strong>Vadia, sim senhor. E vadia por tua culpa, eu seria uma santa se não tivesse te conhecido</strong>. Seria? <strong>Sim, quem sabe até ia pra um convento</strong>. Mas você não acredita em Deus. <strong>Quem</strong><strong> disse?</strong> Você. <strong>Eu</strong> <strong>sempre acreditei em Deus, só dizia que não que era pra agradar o ateuzinho marxista que você era quando eu te conheci</strong>. Eu não sou marxista. <strong>Lógico, você nem sabe quem é Marx, nunca leu nada dele, só fazia pose com o cabelo comprido e barba longa</strong>. Você sempre gostou do meu cabelo, não começa. <strong>Gostei, e o que foi que você fez?</strong> Cortei. <strong>Cortou. Pelo que?</strong> Por nada<strong>. Pelo que, me diz?</strong> Por nada<strong>. Diz, pelo que?</strong> PRA TE MACHUCAR, PORRA. Eu sempre quis te machucar. Eu quero te machucar. <strong>Já conseguiu, parabéns</strong>. Mas você continua sorrindo...pára de sorrir<strong>. Não</strong>. Pára. <strong>Não. Mas pra que me machucar? </strong>Porque você nunca sente dor.<strong> Eu sinto. </strong>Sente?<strong> Sinto.</strong> Então me diz por que é que nunca sentiu que eu te amo.<strong> Você me ama? </strong>Amo, imbecil.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[dos fins que não acabam...]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/?p=132</link>
<pubDate>Wed, 09 Apr 2008 15:11:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
<guid>http://ambidestria.pt-br.wordpress.com/2008/04/09/dos-fins-que-nao-acabam/</guid>
<description><![CDATA[&#8216;Olha, acabou..&#8217;
Acabou nada, mulher, ainda tem o segundo tempo, você que nunca entende]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>'Olha, acabou..'</p>
<p><em>Acabou nada, mulher, ainda tem o segundo tempo, você que nunca entende nada de futebol</em></p>
<p><em>Acabou a dor-de-cabeça de noite e o seu cansaço sem justificativa</em></p>
<p>'Olha, querido, acabou'</p>
<p><em>Meu Deus, será que ela tá falando da cerveja? Acabar a cerveja antes do segundo tempo começar é foda.</em></p>
<p><em>Acabou toda espera, esperando que você entendesse alguma coisa</em></p>
<p>'Eu to falando com você, to dizendo que acabou..'</p>
<p><em>Deve ter acabado o gás, mas agora também não é hora de trocar, né, mulher...</em></p>
<p><em>Meu Deus, esse homem não me escuta, acho que nunca me escutou. Eu to dizendo que acabou, que acabou o dia de dizer faz tanto tempo que a gente diz que se ama. Ou não? Será que a gente diz que se ama ou eu digo que amo? Que amo por mim e por ele. E vou amando até ficar insuportável amar por dois..</em></p>
<p>'Querido, me escuta, não dá mais, acabou..'</p>
<p><em>Essa mulher vai me deixar maluco com essa história de acabou. Eu não to respondendo porque simplesmente não sei do que ela ta falando. Se não é o gás, o futebol a cerveja.. AHHHH, CARALHO...era hoje a peça que ela queria ver...Então já acabou, mesmo.</em></p>
<p>'Amor, me perdoa...acabou e eu não posso mais fazer nada..'</p>
<p><em>Ele assumindo a sua incapacidade de amar? Será que finalmente ele me ouviu? Será que finalmente ele saiu do mundo rosa-choque da mãe dele?</em></p>
<p>'Então, mas agora acabou...de vez...'</p>
<p><em>Caralho, eu não sabia que era fim de temporada. Ela vai me matar.</em></p>
<p>'Olha, querida, eu vou te recompensar, prometo.'</p>
<p><em>Do que ele tá falando? Do choro de todos esse tempo, de todos os orgamos não-tidos e fingidos, de toda vez que eu queria falar de futuro e ele só relembrava o que já foi bom?</em></p>
<p>'Recompensar, homem...recompensar como?'</p>
<p><em>É, idiota, recompensar como?</em></p>
<p>'Ah, querida...eu juro que não faço mais isso. Eu vou mudar. Eu sei que meu descaso te chateia, mas eu vou ser mais atento'</p>
<p><em>Atento a que, será? Aos meus peitos que agora perderam a graça pra ele? As minhas unhas que eu parei de pintar?  Atento...sei.</em></p>
<p>'E você propõe o que?'</p>
<p><em>O que eu proponho, deus?</em></p>
<p>'Vem cá, me dá um abraço, não chora mais...'</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Post Inaugural]]></title>
<link>http://ambidestria.wordpress.com/2008/04/01/post-inaugural/</link>
<pubDate>Tue, 01 Apr 2008 21:51:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>rosabboud</dc:creator>
<guid>http://ambidestria.pt-br.wordpress.com/2008/04/01/post-inaugural/</guid>
<description><![CDATA[Vem cá, deita aqui, e me explica o que você quer saber. Saber de mim?
A verdade é que eu só sei ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Vem cá, deita aqui, e me explica o que você quer saber. Saber de mim?<br />
A verdade é que eu só sei falar das pessoas e não de mim. Você faz questão absoluta de saber de mim? Logo eu, que sempre olhei pros outros que era pra não me ver...Eu, pelo que sei, falo demais. Eu, pelo que percebi, não gosto de escutar. Ouvir é demais penoso.Eita, não dorme. Espero tanto que você entenda. A gente se acerta, mesmo sem você entender. Uma idéia: você fica comigo essa noite enquanto eu falo das pessoas e depois...bem, depois eu deixo você escolher já que eu, do mais, tenho tempo. Eu sei que você acha que eu só vou falar de mim. Talvez isso aconteça. Eu ando vivendo de indiretas enquanto as indiretas sobrevivem de mim. Já disse que eu não gosto de ouvir? Faz silêncio, então, e fica aqui nessa cama. Eu vou falar baixo pra não espantar nossa loucura. Eu vou falar baixo que é pra não machucar ninguém; O ser humano não devia falar de si. Você, também, não fale; arranhe. Minhas pétalas aguentam, mas meus ouvidos não.</div>
]]></content:encoded>
</item>

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