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	<title>resmungo-midiatico &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/resmungo-midiatico/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "resmungo-midiatico"</description>
	<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 08:08:29 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Enfim, algo realmente sério nos jornais...]]></title>
<link>http://hmilen.wordpress.com/?p=417</link>
<pubDate>Sun, 04 May 2008 23:29:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Henrique Milen</dc:creator>
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<description><![CDATA[[ Entrevista do filósofo Javier Esteban ao jornal espanhol La Vanguardia, em março deste ano. Ch]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span><span>[ <span style="color:#888888;">Entrevista do filósofo <strong>Javier Esteban</strong> ao jornal espanhol <strong>La Vanguardia</strong>, em março deste ano. Chamaram-na "Filósofo defende o direito de ficar bêbado".</span> ]</span></span></p>
<p><span><span>*</span></span><br />
<em><span style="color:#888888;">Ele tem 42 anos. Nasceu e vive em Madri. Licenciado em Filosofia e Direito, dirije a revista universitária "Geração XXI". É casado e tem duas filhas, Alma (10) e Sol (8). É um excêntrico de centro. É sufi: caminha para onde caminha o amor. "O poder combate a embriaguez", ele diz.</span></em></p>
<p><strong>O que é a embriaguez?</strong><br />
Uma expansão da consciência que descortina os véus que ocultam a realidade.</p>
<p><strong>Desde quando ela existe? <br />
</strong>Desde sempre. Até os animais se drogam com substâncias naturais, com frutos fermentados... Formigas, cabras, pássaros, macacos... Todos se extasiam e brincam!</p>
<p><strong>Então nós somos como os animais?</strong><br />
Não, eles agem por um determinismo instintivo, mas nós temos liberdade! Liberdade para a embriaguez. Liberdade para experimentar com a nossa consciência. </p>
<p><strong>Liberdade para nos drogarmos? <br />
</strong>É o uso dessa liberdade que nos torna humanos! O direito à embriaguez, portanto, é um direito humano fundamental. </p>
<p><strong>Quem é que coíbe o direito humano à embriaguez, em sua opinião? </strong><br />
A Igreja católica e o Estado (igreja laica), que querem fiscalizar a nossa consciência.</p>
<p><strong>Castigando os motoristas bêbados?</strong><br />
Não, eu não me oponho a sancionar as condutas que são perigosas para terceiros. Mas critico o fato de que estão boicotando o autocontrole que temos de nossa consciência. </p>
<p><strong>Desde quando isso acontece?<br />
</strong>Começou com a destruição do templo grego de Eleusis, no século 4 d.C.</p>
<p><strong>Agora você foi longe!</strong><br />
Esteban - Desde o ano de 1.500 a.C., no contexto dos mistérios eleusinos, acontecia um ritual de embriaguez que cada grego vivia uma vez na vida, e isso lhes abria as portas da consciência. </p>
<p><strong>Em que consistiam esses mistérios? <br />
</strong>Eram rituais que aconteciam à noite. Em comunhão coletiva, eles ingeriam um enteógeno. </p>
<p><strong>O que é um enteógeno?<br />
</strong>A palavra significa "deus existe dentro de mim". É uma substância psicoativa capaz de induzir a uma experiência extática de unidade com o cosmos. Uma vivência da divindade.</p>
<p><strong>Que substância era ingerida em Eleusis?<br />
</strong>Uma sopa de cereal chamada "kikeon", que continha cornelho de centeio, um fungo com uma substância psicoativa idêntica ao LSD, o enteógeno mais poderoso conhecido.</p>
<p><strong>O que acontecia então?</strong> <br />
Cada um vivia a sua própria experiência de consciência expandida. Símbolos eram mostrados e cenas eram representadas para guiar o indivíduo ao autoconhecimento. </p>
<p><strong>Era uma embriaguez ritualizada? <br />
</strong>Sim, fazia parte do sistema, em benefício da livre consciência de cada indivíduo. Isso foi varrido, destruído. Hoje sentimos falta disso, e nossos jovens, ignorantes, acabam causando danos a si mesmos em suas irrefreáveis tentativas de embriaguez.</p>
<p><strong>Quem destruiu esse ritual?</strong> <br />
Os bárbaros e os monges cristãos nestorianos, no século 4 d.C. A cultura ocidental ficou sem referência de embriaguez. </p>
<p><strong>Temos o vinho, o álcool...</strong> <br />
Não são enteógenos, são muletas úteis para nossas vidas insatisfatórias, escravizadas pelo rendimento econômico. E, em vez de expandir a consciência, a deixam turva. </p>
<p><strong>Um pouco de álcool pode cair muito bem. <br />
</strong>A verdade é que o veneno está na dose, como diziam os gregos. </p>
<p><strong>Que personagens ilustres sabiam disso?</strong> <br />
Toda a obra de Platão é uma crônica de embriaguez! Aqueles filósofos, assim como os xamãs, chegavam ao êxtase, assim também como os druidas e depois as bruxas, ou até mesmo os místicos, ébrios sem substâncias, que tanto inquietaram a Igreja. O poder estabelecido sempre combateu essas pessoas!</p>
<p><strong>Por que motivo?</strong> <br />
Não há nada mais dissolvente que o livre acesso à própria consciência! Por isso Nixon arremeteu contra os profetas do LSD (Hoffman, Junger, Michaux, Wason, Huxley, Kesey, Leary...), cujas experiências alimentaram o feminismo, a militância ecológica, o pacifismo, os direitos civis... Nixon declarou guerra à consciência: quando começou a guerra contra a droga, começou a grande catástrofe. </p>
<p><strong>Que catástrofe? <br />
</strong>Milhões de presos, dezenas de milhares de mortos, narcoditaduras, a terceira maior fonte de renda do mercado negro no mundo, camponeses com fome, multiplicação de politoxicomanias... A proibição da droga foi o maior erro do século 20!</p>
<p><strong>Você propõe eliminar a proibição?</strong> <br />
Por acaso a proibição evitou que nossas crianças estejam se metendo com drogas aos 13 anos de idade? Não! Pelo contrário: a proibição presenteia as máfias com um poder imenso. </p>
<p><strong>Um político colombiano já me disse isso... </strong><br />
Muitos governantes já reconhecem o fracasso da praga proibicionista. </p>
<p><strong>Você faz a apologia das drogas?</strong><br />
Das drogas não, mas da embriaguez. Qualquer pessoa maior de idade deveria poder consumir qualquer substância (com o limite único da liberdade de terceiros). E, veja só, Silicon Valley nasceu da embriaguez de pessoas como Bill Gates. Este sim admite que fumou alguns baseados!</p>
<p><strong>O que você diria a Zapatero?</strong> <br />
Que o direito à embriaguez é um direito inerente à liberdade de consciência, e que a lei deveria protegê-lo.</p>
<p>*</p>
<p><span><span><span><span style="color:#888888;">Eloise De Vylder traduziu este texto para o UOL -- onde o li. <em>Teje creditado.</em></span></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Convidado: Walter J. Kovacs]]></title>
<link>http://hmilen.wordpress.com/?p=399</link>
<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 15:38:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Henrique Milen</dc:creator>
<guid>http://hmilen.wordpress.com/?p=399</guid>
<description><![CDATA[
Do diário de Rorschach
Torrentes desafinadas anunciam o outono do novo ano. A década acabou e uma]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://hmilen.files.wordpress.com/2008/04/rorschach.jpg"></a><a href="http://hmilen.files.wordpress.com/2008/04/rorschach1.jpg"></a><a href="http://hmilen.files.wordpress.com/2008/04/roscharch2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-400" src="http://hmilen.wordpress.com/files/2008/04/roscharch2.jpg" alt="A cidade tem medo de mim." /></a></p>
<p><strong>Do diário de Rorschach</strong></p>
<p>Torrentes desafinadas anunciam o outono do novo ano. A década acabou e uma juventude envelhecida não tem o que gritar. Nem sonho que não caiba num sonho de consumo.</p>
<p>O presidente é fofo e o País brilha, diz o jornal inglês. Janotas e calhordas resmungam no aeroporto e comungam na missa do cardeal televisivo e dos concílios midiáticos.</p>
<p>Uma melancólica banda de rock esteve na cidade. A cidade tem medo dela -- e de tudo mais que trespasse o imediato sentido das evidências.</p>
<p>("É uma queda e tanto").</p>
<p>* * *</p>
<p>Nos Hospitais, entro num ônibus verde para ganhar alguns minutos rumo a Downtown.</p>
<p>Num banco sujo rumino mentalmente investigações passadas e futuras. Deixo raciocínios em ponto morto, psicografo os ectoplasmas do fim da tarde.</p>
<p>O motorista desliga o motor. E então percebo que se passaram dez minutos sem que o ônibus saísse do lugar.</p>
<p>Desço e vou andando sem pressa. Um dólar deixado num ônibus parado.</p>
<p>Apenas outra tarde de sexta.</p>
<p>* * *</p>
<p>Há 99 anos, o Le Figaro publicava o Manifesto Futurista:</p>
<p>1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.</p>
<p>2. Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.</p>
<p>3. Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo ginástico, o salto mortal, a bofetada e o soco.</p>
<p>4. Nós declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre adornado de grossos tubos como serpentes de fôlego explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Somotrácia.</p>
<p>5. Nós queremos cantar o homem que está na direção, cuja haste ideal atravessa a Terra, arremessada sobre o circuito de sua órbita.</p>
<p>6. É preciso que o poeta se desgaste com calor, brilho e prodigalidade, para aumentar o fervor entusiástico dos elementos primordiais.</p>
<p>7. Não há mais beleza senão na luta. Nada de obra-prima sem um caráter agressivo. A poesia deve ser um assalto violento contra as forças desconhecidas, para intimá-las a deitar-se diante do homem.</p>
<p>8. Nós estamos sobre o promontório extremo dos séculos!... Para que olhar para trás, no momento em que é preciso arrombar as portas misteriosas do impossível? O tempo e o espaço morreram ontem. Nós vivemos já no absoluto, já que nós criamos a eterna velocidade omnipresente.</p>
<p>9. Nós queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo - o militarismo, o patriotismo, o gesto destrutor dos anarquistas, as belas idéias que matam, e o menosprezo à mulher.</p>
<p>10. Nós queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todas as covardias oportunistas e utilitárias.</p>
<p>11. Nós cantaremos as grandes multidões movimentadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela revolta; as marés multicoloridas e polifônicas das revoluções nas capitais modernas; a vibração noturna dos arsenais e dos estaleiros e suas violentas luas elétricas; as estações glutonas comedoras de serpentes que fumam; as usinas suspensas nas nuvens pelos barbantes de suas fumaças; as pontes para pulos de ginastas lançadas sobre a cutelaria diabólica dos rios ensolarados; os navios aventureiros farejando o horizonte; as locomotivas de grande peito, que entoucinham os trilhos, como enormes cavalos de aço freados por longos trilhos, e o vôo deslizante dos aeroplanos, cuja hélice tem os estalos da bandeira e os aplausos da multidão entusiasta.</p>
<p>(concordo em parte)</p>
<p>* * *</p>
<p><img src="http://hmilen.files.wordpress.com/2008/04/rorschach1.jpg" alt="O crepúsculo fede a fornicação e más consciências" width="500" height="261" /></p>
<p>Mataram uma garotinha na Zona Leste, os canalhas.</p>
<p>São fracos, incapazes de cuidar de alguém ou de criar alguém mais forte do que eles.</p>
<p>São também vaidosos, assoberbados, e se acham bons demais para seus filhos.</p>
<p>São covardes. Abandonam e humilham quem os amam incondicionalmente. E num acesso de "fúria", são capazes de matar quem não tem como se defender. Pois não sabem o que é fúria de verdade.</p>
<p>Acima de tudo são pouco inteligentes. Deixam um rastro de lambança da hora que acordam até o momento em que são pegos e tentam correr para o papai.</p>
<p>Em frente à delegacia, bêbados, serventes e desocupados pedem mais sangue. Escória.</p>
<p>A cidade está morrendo de hidrofobia. Será que só consigo limpar a baba da sua boca? </p>
<p>* * *</p>
<p>Não será aqui, neste ambiente decadente, que eu terei uma epifania.</p>
<p>Um rato olhou para mim. Parecia dizer:</p>
<p>"Mas isso é uma epifania".</p>
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