<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!-- generator="wordpress.com" -->
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	>

<channel>
	<title>registro-compulsivo-incronicas &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/registro-compulsivo-incronicas/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "registro-compulsivo-incronicas"</description>
	<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 09:48:03 +0000</pubDate>

	<generator>http://wordpress.com/tags/</generator>
	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[(atualmente) preferidos]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=154</link>
<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 14:06:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/09/28/atualmente-preferidos/</guid>
<description><![CDATA[Da Lua
Se eu fosse escolher textos que, hoje, gostaria que muitos vissem.
Clicariam (?):
Inflexo do ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[[caption id="attachment_157" align="aligncenter" width="494" caption="Da Lua"]<a rel="attachment wp-att-157" href="http://numadessas.wordpress.com/2008/09/28/atualmente-preferidos/descartavel0451/"><img class="size-large wp-image-157" title="da lua" src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/09/descartavel0451.jpg?w=494" alt="Da Lua" width="494" height="339" /></a>[/caption]
<p>Se eu fosse escolher textos que, hoje, gostaria que muitos vissem.</p>
<p>Clicariam (?):</p>
<p><a title="Inflexo do Baton" href="http://numadessas.wordpress.com/2007/08/01/inflexo-do-baton/" target="_blank">Inflexo do Baton</a></p>
<p><a title="O alvoroço de Helena" href="http://numadessas.wordpress.com/2008/04/05/o-alvoroco-de-helena/" target="_blank">O alvoroço de Helena</a></p>
<p><a title="Bege" href="http://numadessas.wordpress.com/2008/04/02/bege/" target="_blank">Bege</a></p>
<p><a title="Passeia a mão por toda extensão da redoma" href="http://numadessas.wordpress.com/2007/12/31/passeia-a-mao-por-toda-extensao-da-redoma/" target="_blank">Passeia a mão por toda extensão da redoma</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Gargalhada]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=105</link>
<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 02:16:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/08/31/gargalhada/</guid>
<description><![CDATA[Nunca tive tanto orgulho das minhas gargalhadas (na maioria das vezes, vergonha pela indiscrição);]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca tive tanto orgulho das minhas gargalhadas (na maioria das vezes, vergonha pela indiscrição); não que eu esteja me comparando com o <em>céu</em> ou com o <em>mar</em>, mas me sinto mais segura com os escandalos (sempre sem-querer, sempre, sempre) que faço quando gargalho.</p>
<p>E esse é só meu primeiro livro da Cecília Meireles.</p>
<p style="text-align:center;">____________________________________________</p>
<h2>Gargalhada</h2>
<p>(<em>Cecília Meireles</em> in <em>Viagem</em>)</p>
<p>Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!</p>
<p>Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.</p>
<p>Dobra essa orelha grosseira, e escuta</p>
<p>o ritmo e o som da minha gargalhada:</p>
<p> </p>
<p>Ah! Ah! Ah! Ah!</p>
<p>Ah! Ah! Ah! Ah!</p>
<p> </p>
<p>Não vês?</p>
<p>É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.</p>
<p>Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,</p>
<p>vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,</p>
<p>destruir as lâmpadas, abater as cúpulas,</p>
<p>atirar para longe os pandeiros e as liras...</p>
<p>O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.</p>
<p> </p>
<p>Mas é preciso ter baixelas de ouro,</p>
<p>compreendes?</p>
<p>- e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.</p>
<p>E as lâmpadas, Deus do céu!</p>
<p>E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trêmulas...</p>
<p>Escuta bem:</p>
<p> </p>
<p>Ah! Ah! Ah! Ah!</p>
<p>Ah! Ah! Ah! Ah!</p>
<p> </p>
<p>Só de três lugares nasceu até hoje esta música heróica:</p>
<p>do céu que venta,</p>
<p>do mar que dança,</p>
<p>e de mim</p>
<p style="text-align:center;">___________________________________</p>
<p style="text-align:justify;">Não posso evitar de agradecer à querida Cris. Eu poderia ter encontrado a música que ouço agora em qualquer lugar, baixado de algum <em>site </em>fuleira, ou sei lá. Mas foi ela quem lembrou da adolescente que fui, da música preferida que eu guardava cantarolada no canto dos lábios e foi ela que (lembrando - mesmo uma década depois, mesmo um milênio de anos maculados-claros e bonitos-escuros depois, mesmo assim, ela lembrou - da adolescente que fui) e me presenteou com a música que eu guardava cantarolada por baixo da língua, há tanto, mas tanto, tempo atrás(?). Em um ano de humor tumultuado, ganhar de presente um arquivo de internet de uma música pop-letra-bobinha-juvenil e achar um livro da Cecília é como dia de sol cegante. E eu gosto disso.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A segunda vinda]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=83</link>
<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 01:21:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/07/27/a-segunda-vinda/</guid>
<description><![CDATA[(precipício)
Só depois que percebi que, em verdade, o desta tarde era ele. Esse mesmo, que me apar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[[caption id="attachment_85" align="aligncenter" width="420" caption="(precipício)"]<a href="http://Nenhum"><img class="size-full wp-image-85 " src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/07/sdc10953.jpg" alt="" width="420" height="315" /></a>[/caption]
<p style="text-align:justify;">Só depois que percebi que, em verdade, o desta tarde era ele. Esse mesmo, que me aparecera em Salvador, sentado sobre as pedras lisas e quentes do pelourinho (paredes coloridas, coloridas, coloridas). Lá em Salvador viera já com os olhos verdes, porém manco: fora essa a Primeira Vinda. Nesta tarde, ele veio novamente com olhos verdes (embora fossem outros os trejeitos e sorrisos) e novamente viera persuasivo. E esta foi apenas a Segunda, daí a certeza de que, ainda que inteira, eu já esteja destruída (a pele lisa e saudável escondendo as entranhas, que vêm quebrando feito blocos de pó).</p>
<p style="text-align:center;"><strong>oOo</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Ele estava ligeiramente bêbado. Plena manhã e ligeiramente bêbado. Africano, embora com a pele de um marrom demasiado claro, muito claro claro e claro e os olhos (tinha uma cicatriz sobre uma das pálpebras pesadas) de um verde sólido, inteiriço. Às vezes flagrava uma espécie de diversão nos seus olhos, uma diversão malvada. Teve sempre brincadeiras de uma delicadeza bruta.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Talvez ventasse. Provavelmente ventava, pois era um dia preferido. Meus dias preferidos: sol com vento. Ao atravessar a porta: uma sala sem paredes e sem teto; colunas de cimento e vigas de madeira subindo ao céu. A luminosidade do céu azul-perfeito estourando feito arma em meu rosto. O vento agitando minha blusa, as folhas de sulfite que eu carregava na mão. Tenho medo (ou susto) de altura: invariavelmente, sinto náuseas. Medo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ele seguiu até a beira da sala, que sem paredes, era apenas um pequeno precipício urbano, lá embaixo uma perua estacionada, o asfalto sujo de cimento, ao redor os eucaliptos agitados, balançando com certa fúria e a luminosidade ferindo nossos olhos de azul-céu (perfeito) e uma confusão de madeira, cimentas, colunas em construção, eucalipitos. Ele seguiu até a beira da sala-precipício, parou ali e ficou a olhar pra baixo, as mãos nos bolsos da calça. Ficou de costas pra mim. Enquanto eu, agitada pelo vento, me dividia entre: ou morrer de amor (pelo céu azul e o vento, dia preferido) ou matar por precaução o homem à minha frente. Seria fácil, ninguém veria: era só empurrá-lo. </em><em>Algo em mim morria, morria, morria ao vê-lo parado, à beira do precipício, charmoso ao me cultuar como linda, mesmo não me dizendo linda, mesmo pouco ligando pra mim.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Não sei bem se antes de encontrá-lo ou a um passo da minha fuga: perdidos em algum corredor, ele pegou meu pulso e o virou pra cima. Nada disse: virou meu pulso pra cima e sorriu (olhar malvado carinhoso). Nada tinha dos chifres ou pés de bodes e eu acho que deveira ter, assim teria evitado confusões.</p>
<p style="text-align:justify;">Súbito entramos em alguma sala de aula proibida, ainda em construção. Não havia teto nem paredes, apenas o chão da sala de aula de um primeiro andar, o solo 5m abaixo. Precipício.</p>
<p style="text-align:justify;">Divertem brincadeiras com meu medo de morte. Medo de escada, medo de atropelamento, susto de altura, medo de beiradas precipícios, medo de trovões, medo de solidões. Empurra-me pela escada, empurra-me; empurra-me que, embora verdadeiramente apavorada (é preciso atentar às palavras: verdadeiramente apavorada), eu rirei. Frente aos meus medos o desespero duela com o riso. Divertem-me brincadeiras de morte.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ele estava de costas. Vê-lo ali, parado a beira do pequeno precipício, bonito, fazia algo agonizar (de bocado em bocado) dentro de mim. Ou morria de amor pelo sol cegante e o azul-perfeito ou devia matá-lo,só pra garantir minha sobrevivência. Ele parado de costas, charmoso: e virou apenas o rosto, pra me observar, assim, de lado mesmo. Olhos grandes e verdes de uma solidez malvada. Tinha sotaque de quem tem como língua materna o inglês; disse assim:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Quer ser minha garota? Hem? - falou delicamente, embora pouco conseguisse disfarçar uma brutalidade de sentimento de posse.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Quer ser minha garota? Hem?- o vento agitando-nos. estreitei os olhos, silenciei. Sorri malvadamente também, mas nada disse.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Você é minha garota? Sabia? - sim, sim. Eu sabia e morria por dentro. Morria. Ligeiramente bêbado, ele balouçava na beira do abismo. Sorria carinhoso e bonito (tão bonito que algo dentro de mim morria; quanto mais observava-o eu morria, morria por dentro, morria aos bocados):</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Minha garota, hem?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Passei a rir como quem dissesse: não, não sou sua. Ele riu também embora sorriso algum podia esconder o melindre de seus olhos, a vilania de sua querência. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Veio meio brincando, meio correndo e se postou atrás mim. Segurou-me pelos ombros delicadamente e impelimiu-me pra frente, pra beira do abismo. Parámos na beirada e ele cantarolava, brincando, murmurando junto a minha nuca:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Vamos nos jogar daqui, hem? Hem?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bruta delicadeza. Brincadeiras de morte. Ri, desvincilhei-me. Pilherei:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Já passei da idade de tentar me matar. - ele adorou, riu com gosto. Balançava a cabeça, rindo, como se inconformado. </em></p>
<p style="text-align:justify;">Eu flagrei, vez em quando, um olhar verde-limão-sólido trigueiro (avaliativo e melindroso) sobre mim.talvez, nos primeors momentos, quando nos conhecemos e nos abstivemos de falar nossos nomes. Quando eu o flagrava, ele sorria como se pudesse suavizar seu maquiavelismo - ou talvez estivesse exibindo-o, no primeiro movimento de sedução.</p>
<p style="text-align:justify;">Fosse maior o tempo, fosse maior e seria o início do fim. Meia hora da minha vida que gastei com ele e fora suficiente: cumplicizamos pequenas malvadezas com os outros, esbarramo-nos as mãos, rimos, discutimos o mundo e Deus e, explicitamente, mas sem palavras, cogitamos matar um ao outro (por sobrevivencia ou ciúmes, nem sei). Seria mais fácil, seria tudo mais fácil e claro e simples e eu nao titubearia tanto se ele ostentasse chifres vermelhos e fumegantes, mas já esta era a Segunda Vinda e ele tenta evitar os clichês.</p>
<p style="text-align:justify;">Dado momento, não sei se antes ou depois de ambos terem (secretamente) cogitado o assassinato um do outro, ele argumentava, com voz pausada de quem explica a uma criança, os olhos verdes e duros contrastando com a rutilância do céu anil: "Você é minha garota. Ficaríamos ricos. Você é inteligente. Eu sou inteligente. Você é bonita. Eu sou bonito. Preciso de uma mulher como você. Seríamos ricos". Nós contra todos.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Instanto-me à beira do abismo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>_ quer ser minha garota? - vê-lo me matava por dentro. assim, lindo, eu morria aos bocados. Morria morria morria. Deveria tê-lo empurrado, quem veria?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E se ele me atirasse lá de cima seria uma morte justa, pois em vê-lo eu já morria, morria oas bocados, aos bocados, aqui dentro. observá-lo charmoso e eu morria aos bocados, morria ao bocado de doce. Doçura na minha morte. Conforta-me: se ele me atirasse dali com certeza ele choraria com sinceridade a perda de mim. Porque é próprio dele. Porque isso é próprio dele. Reconheci-o.</em></p>
<p align="center"><strong>oOo</strong> </p>
<p style="text-align:justify;">Só depois que despistei-o foi que o reconheci. Deveria ter atentado aos olhos verdes. Afora a sedução velada, a solidez dos olhos verdes foi a única coisa que ele se permitiu repetir nesta Vinda. Brincadeiras de morte. Ficar com ele, quedar junto a ele seria o mesmo que morrer. Afundar-me em tudo que me destruiria, em tudo ilícito, em tudo tranhas de degradação e, exatamente afundada assim: ser feliz. Ele foi muito mais persuasivo nesta Vinda. Muito mais. Mesmo aqui, inteira e lúcida, já me sei perdida e morta, pois na Terceira Vinda, obviamente, ele virá indiscutivelmente (desesperadamente) irresistível. É simples: já estou morta.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ária para Fernanda]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=79</link>
<pubDate>Mon, 07 Jul 2008 01:49:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/07/06/aria-para-fernanda/</guid>
<description><![CDATA[(Maria de Fátima Prado-20/05/2006)
Ah menina, não te engane por esses desenhos nos muros, de uma c]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>(Maria de Fátima Prado-20/05/2006)</p>
<p>Ah menina, não te engane por esses desenhos nos muros, de uma criança empinando uma pipa, mas na</p>
<p>verdade é a pipa que empina a criança e ela nem percebe isso!</p>
<p>Vê aquele homem correndo verticalmente em direção ao sol,</p>
<p>sem conseguir conter a náusea? A vida o deixou assim;</p>
<p>chorando a inocência dos monstros, sentindo a cartilagem dos feridos...</p>
<p>Agora o chamam de louco. Idiotas! Não vêem que ele</p>
<p>está a fazer poesia...</p>
<p>Falar-te de flores? Como? Se as que plantei</p>
<p>nem me lembro onde para poder colhê-las?</p>
<p>Vê em mim essas marcas de vinho tinto?</p>
<p>é assim que escrevo um livro pois</p>
<p>roubaram me a biblioteca, caverna de palavras</p>
<p>puras onde minavam meus versos.</p>
<p>Ah, menina não fique assim como eu,</p>
<p>brinque zombando de tudo que ainda há tempo,</p>
<p>porque não terás rumo e tua bussola será</p>
<p>os braços cansados dos remos.</p>
<p>Arrebenta os cadeados dos parques fechados</p>
<p>E anda de bicicleta com o moleque triste</p>
<p>Que te observa do lado de fora da grade</p>
<p>não seja assim como ele, e que nunca</p>
<p>te vejam cavando trincheiras nos</p>
<p>olhos quando a saudade chega</p>
<p>Vá, enterre os ossos das asas</p>
<p>que morreram na primavera.</p>
<p>Endureça seu coração, marca em brasa</p>
<p>a veia líquida do amor e sigas em frente.</p>
<p>Amadureça que nem bicho e foge para as matas</p>
<p>mas não deixa que te cacem enquanto fruto</p>
<p>mantenha-se verde, porque se te colherem só valerás</p>
<p>prá eles o tempo de enfeitares a fruteira...</p>
<p>Fere  o rosto do outono com o bisturi do vento</p>
<p>e farás com que as estações desgarrem-se de ti pouco a pouco.</p>
<p>Vá menina, que o tempo afogará teus bons momentos</p>
<p>na palidez do nunca mais. Parta agora</p>
<p>E de bagagem, só o sorriso da boneca de pano que</p>
<p>sempre será o mesmo, a cortina dançarina da sala, as</p>
<p>cirandas que não se romperam e o amigo que cavou</p>
<p>dentro dos olhos o poço da tua ausência</p>
<p>Nada mais, além disso, porque pesam muito as lembranças...</p>
<p>Vá embora logo, suma da minha frente! (antes que</p>
<p>Eu me arrependa e te peça pra ficar)</p>
<p>Porque da minha parte não haverá verso nem prosa,</p>
<p>não haverá dedicatória, nem dor, nem lágrima,</p>
<p>nem aceno, sem colo.</p>
<p>Prá que não fique assim tão tola como eu agora</p>
<p>deixando que a vida pareça um grande oceano</p>
<p>e eu só tenha essa gota de sal pra te ofertar</p>
<p>Presa nos olhos.</p>
<p>_____________________________________________________________________</p>
<p>Lirismo escorre pelos versos de Fátima; no exercício de entredizer meus olhos, aconselhou vida. Conselhos feminis. Fátima é doçura, deixou que eu colocasse sua poesia aqui.</p>
<p>(diálogo paralelo: e se o moleque triste não quiser andar de bicicleta comigo?)</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[redomas]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=66</link>
<pubDate>Mon, 26 May 2008 22:28:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/05/26/redomas/</guid>
<description><![CDATA[ 

Literatura com lápis-de-cor. Falta carregar a mão nos verbos.
 
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><img class="size-full wp-image-67" style="vertical-align:top;" src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/05/redoma1.jpg" alt="" width="420" height="520" /></p>
<p>Literatura com lápis-de-cor. Falta carregar a mão nos verbos.</p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[a tristeza com um rifle]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=64</link>
<pubDate>Sun, 25 May 2008 19:24:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/05/25/a-tristeza-com-um-rifle/</guid>
<description><![CDATA[Havendo uma tristeza armada em mim. Ela veste uma armadura, empunha espada e escudo, pronta a lutar ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Havendo uma tristeza armada em mim. Ela veste uma armadura, empunha espada e escudo, pronta a lutar contra qualquer coisa que deseje meu sorriso.</p>
<p>Arrumo meu prato de almoço, retiro a cadeira da mesa em que sentará toda a família para almoçar. Coloco a cadeira do lado de fora da casa, sob o sol. Eu almoçando sob o sol. Minha mãe perguntando enquanto concentrada em temperar a salada:</p>
<p>­_ Tá com frio, filha?</p>
<p>Respondo rápido (com a mesma certeza que a palavra amém carrega). Eu respondendo com voz clara e firme e séria... respondendo.</p>
<p>E, quero dizer, minha mãe perguntando:</p>
<p>_ Tá com frio, filha?</p>
<p>Eu respondendo:</p>
<p>_ Sempre.</p>
<p>Fim do diálogo.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ensejo de novo ano]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=46</link>
<pubDate>Sun, 18 May 2008 01:43:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/05/17/ensejo-de-novo-ano/</guid>
<description><![CDATA[(31/12/2007-01/01/2008)
 
não compreendendo, em absoluto, aniversariar em dias comuns. no dia 31 d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:left;"><span style="font-family:Times New Roman;"><em><img class="alignleft size-full wp-image-62" style="float:left;" src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/05/flro-de-ferro-e-fogo.jpg" alt="" width="186" height="559" />(31/12/2007-01/01/2008)</em></span></div>
<div style="text-align:left;"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></div>
<div style="text-align:left;">não compreendendo, em absoluto, aniversariar em dias comuns. no dia 31 de dezembro, já é precipício (já é precipitada) a Festa. ares de álcool ares de risos ares de estardalhaços ares de novo ano ares de música infiltram poros e, assim, o suor de verão é também suor (ansiedade) de Festa. meu traçado destino: nascida destes ares. suo estes ares e, sendo verão, sendo Festa, todos suam meu aniversário (comigo).</div>
<p style="text-align:left;">(aniversário é uma data egoísta) minha egoísta comemoração se perde nestes suores, nestes antecípios de novo ano. mas nem os fogos de artifício (que muitos dizem serem pra mim) entranha, da maneira que eu gostaria, minha lembrança junto à’lgumas pessoas. aproveito. aproveito a superstição desta data (primeiro dia do ano), aproveito as magias religiosas desta data (magias catolicistas, umbandistas, quais sejam). aproveito o ensejo e faço meu desejo de novo ano:</p>
<p style="text-align:left;">que brote na pele, que seja marcado (que seja esse ensejo por apenas segundos, que seja) a ferro (à dor de ferro que rasga a pele e tatua) uma flor, que seja marcado à ferro (por apenas uns segundos, que seja, ao menos) uma flor na pele daqueles que me ... que suba da flor volteados ramos, enfeitados com folhas. que seja flor de ferro que queimou a pele, ensejo de segundos, desejo de ano novo, desejo de ensejo de um dia, o primeiro. que seja. ares quentes de verão, calor de verão e clima de Festa.</p>
<p style="text-align:left;">dada a quentura e a querência, a flor doeria assim tatuada; doeria na pele de todos. mas ensejo de desejo de segundos, que seja. pois, assim, se a vista dos artificiais fogos é fácil esquecer de mim (artifícios a brilharem como ouro em queda rutilante pelo céu noturno), a flor de ferro e sangue (contraditória como tudo que sou) marcaria (por força de meu medo de morte) a lembrança de mim, em todos. data egoísta.</p>
<p style="text-align:left;">meu único possível desejo de novo ano. desejo de um dia.</p>
<p align="left"> </p>
<p><em>(obs.: era pr'eu ter postado este no ano novo. Só cinco meses de atraso)</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[sobre a chuva]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=59</link>
<pubDate>Sat, 10 May 2008 01:01:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/05/09/sobre-a-chuva/</guid>
<description><![CDATA[ 
do céu que no chão bate
que molhando roupas faz sugestões aos desejos
vêm em suas gotas sujei]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:12pt;">do céu que no chão bate</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:12pt;">que molhando roupas faz sugestões aos desejos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:12pt;">vêm em suas gotas sujeiras que no ar se embatem</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:12pt;">e até os vômitos que nas privadas se esvaem</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:12pt;">e que na garganta, antes, manejo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
