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	<title>regional-rio &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "regional-rio"</description>
	<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 01:06:29 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[GerAções, da Ação Griô - Centro Cultural Cartola-RJ]]></title>
<link>http://acaogrio.wordpress.com/?p=53</link>
<pubDate>Sun, 11 May 2008 13:48:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>acaogrio</dc:creator>
<guid>http://acaogrio.pt-br.wordpress.com/2008/05/11/geracoes-da-acao-grio-centro-cultural-cartola-rj/</guid>
<description><![CDATA[Pedimos a benção a D. Zica e Cartola, para contar o que é o Projeto GerAções, da Ação Griô, ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="color:#000000;"><strong><span><span style="font-family:Arial;">Pedimos a benção a D. Zica e Cartola, para contar o que é o Projeto GerAções, da Ação Griô, no Ponto de Cultura <em>Centro Cultural Cartola</em>. E com a poesia inspiradora do compositor, alinhavamos nossas histórias, nossas palavras.</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="font-family:Arial;"><span>Diz aí, Cartola!</span></span></strong></span></p>
<p class="MsoBodyText"><em><span style="font-family:Arial;color:#000000;">A sorrir<br />
Eu pretendo levar a vida<br />
Pois chorando<br />
Eu vi a mocidade<br />
Perdida</span></em></p>
<p><em>Fim da tempestade<br />
O sol nascerá<br />
Fim desta saudade<br />
Hei de ter outro alguém para amar</em></p>
<p><em>A sorrir<br />
Eu pretendo levar a vida<br />
Pois chorando<br />
Eu vi a mocidade<br />
Perdida </em></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"><span style="color:#000000;">Jovem de 22 anos, Maíra de Freitas Ferreira é griô aprendiz, formação clássica em piano pela UFRJ, produtora musical de peças teatrais e recitais. Filha de pai músico – Martinho da Vila – e mãe porta-bandeira – Rita, do Salgueiro – traz a vida latente na confiança <em>de que o sol nascerá</em> para as crianças que aprendem flauta e teoria, num processo de descoberta pela musicalização. Fala, Maíra!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">A participação na Ação Griô ocorreu como conseqüência de um trabalho que eu já vinha fazendo no ponto Centro Cultural Cartola com as crianças na oficina de flauta. Através da Ação Griô eu pude relacionar de forma mais sistemática a tradição oral com a minha prática pedagógica na aula de música.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Meu contato com a tradição oral é de origem familiar, onde as questões da música popular, do samba e da cultura do carnaval estão presentes na minha vida desde muito cedo. Durante a Ação, eu pude trocar estas experiências e aprender novos saberes juntamente com a organização dos mesmos em relação ao trabalho musical nas oficinas de música.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>A convivência étnico-cultural na comunidade é muito harmônica e natural, uma vez que recebemos crianças de diversos locais, idades e classes sociais. Minha atuação é no sentido de conduzir para uma boa convivência e um compartilhamento dos diversos saberes que cada criança traz de casa. Confrontamos estas realidades e discutimos fazendo uma reflexão sobre própria diversidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span><span> </span>Minha forma de incorporar a missão da Ação é justamente, através da aula de flauta, trazer as questões da tradição oral e aplicá-las aos conteúdos tradicionais da aula de música não esquecendo dos próprios conteúdos. Deste forma, comparamos e confrontamos o que dito como formal e acadêmico com o que vem da tradição oral, ambos em graus iguais de importância e valor artístico. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">O vínculo com a minha ancestralidade se fortalece quando posso pensar nos saberes que incorporei ao longo dos anos de forma a relacioná-los com os conceitos teórico-musicais acadêmicos consagrados. Sem juízo de valor, posso colocar em pé de igualdade a cultura popular e a erudita, acabando com preconceitos e divisões que nos dias de hoje já não fazem mais sentido. Minha identidade e a identidade dos pequenos griôs se fortalece quando a nossa cultura ancestral é valorizada da mesma forma como é valorizado o currículo tradicional, sem supervalorizar um ou diminuir o outro em grau de valor.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>A ação griô foi muito importante para mim, pois pude através da troca de experiências desenvolver um trabalho que incorpora valores importantes para mim e muito presentes na cultura carioca especialmente na comunidade da Mangueira. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;text-align:right;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Maíra Ferreira</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:35.4pt;text-align:right;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><span> </span>Griô Aprendiz</span></p>
<p class="MsoNormal"><em><span style="font-family:Arial;">Ensaboa mulata, ensaboa<br />
Ensaboa<br />
Tô ensaboando<br />
Ensaboa mulata, ensaboa<br />
Ensaboa<br />
Tô ensaboando<br />
Tô lavando a minha roupa<br />
Lá em casa estão me chamando, Dondon<br />
Ensaboa mulata, ensaboa<br />
Ensaboa<br />
Tô ensaboando</span></em></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><br />
</span><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"><span style="color:#000000;">Lília Gutman Paranhos Langhi é a educadora, mestre em Letras pela UERJ e graduada em Gestão do Carnaval. Responsável Pedagógica pelo Projeto GerAções, cria desdobramentos a partir da contação do Griô mestre, estabelecendo pontes com o trabalho de musicalização do Griô aprendiz.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">O fazer do educador é marcado pelo gerúndio – tempo verbal que enuncia a ação em processo. A educação é um constante vir a ser. No espaço democrático de um Centro Cultural, o desafio é equilibrar os saberes entre o antigo e o novo, entre o popular e o erudito, entre o sagrado e o profano, entre o pessoal e o coletivo, o acadêmico e o experimental.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Fazer um projeto de tradição oral onde o patrono - Cartola - canta que “as rosas não falam”, foi tomar um caminho para descobrir como as rosas falam, sentindo seus aromas, percebendo sua essência... Minha busca do samba tocou minha ancestralidade. Meu pai - prof. Paranhos - foi pioneiro no trabalho em sala de aula com letras de samba, no início dos anos 60. Mostrava aos alunos o caráter poético desses textos, dando crédito à voz do sambista... Esse aspecto me inspirou o desejo de criar o projeto GerAções, com o intuito de explorar esse universo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Cartola é tema de muitos livros e projetos para escolas. Mas falar de Cartola dentro de sua própria casa tem gerado novas possibilidades. Algumas crianças não o conheciam, outras só conheciam suas composições. Aproximá-los de outros nomes destacados do mundo do samba fez com que se identificassem nas histórias familiares, relacionando-as às suas próprias, às dos avós, pais e irmãos, buscando informação sobre outros tempos.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">O jeito de contar da Maria Moura é muito natural. É espontâneo, entremeado por citações de trechos de música e falas de expoentes da música popular, com quem conviveu. Desta forma, a fala ganha rubrica de verdade, ainda que se misturem referenciais desgastados pelo tempo, vivências da infância e testemunhos de um universo delimitado pelas fronteiras cariocas. As crianças construíram o painel da pedra do sal – onde, segundo Maria, teria sido enterrado o segredo e o axé dos primeiros negros - e sentam-se sob a bananeira decorativa, um espaço eleito para a contação de histórias. No discurso do griô, diversas histórias mostram questões de discriminação racial e social, provocando um questionamento sobre o que ainda é permanência na realidade</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Um exemplo de atividade em que se buscou a relação com a ancestralidade afro-brasileira foi quando Maria mostrou ao grupo símbolos africanos. Com o conhecimento de seus significados, começaram a identificar esses desenhos nos elementos decorativos de gradis das casas, nos portões, signos que transcenderam os ferreiros que os fizeram e reproduziram. A partir desse entendimento, passaram para uma atividade coletiva de pintura com carimbos produzidos por eles. Já bem familiarizados, escolheram o símbolo para representar sua identidade como herói, criando uma bata pintada com tinta para tecido. Maria explicou o símbolo do “sankofa” e ensinou a idéia de que “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou para trás", associando o símbolo ancestral a um conceito atemporal.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Para nós, educadores, nada melhor do que ajudar a perceber o que é erro e transformá-lo em acerto, clarificar o processo de sua releitura e resignificação. Depois desta atividade, percebemos uma mudança muito grande na escuta e na participação dos meninos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">O Centro Cultural tem um acervo relacionado ao samba como patrimônio cultural, com exposições permanentes e uma pequena biblioteca especializada. É do Centro Cultural Cartola a tarefa de zelar pelo plano de salvaguarda do samba carioca como patrimônio imaterial. E uma vez protetores do samba, estendemos os limites do mapa para além Mangueira, contando a história das tias de outras comunidades, das porta-bandeiras, das pastoras e cabrochas, dando saltos temporais que façam pontes entre Tia Doca e Dodô da Portela, Zé Pereira e o Bloco dos Arengueiros, o corso, Chiquinha Gonzaga e os homens vestidos de baianas. Nessa releitura de carnavais passados, propus a criação de golas de papel crepon, decoradas com pompons e purpurina. Paralelamente, Maíra incluiu no repertório marchinhas de antigos carnavais – <em>Viva o Zé Pe</em>reira e <em>Abre-alas</em>, entre outras. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">O projeto GerAções estabelece, também, elos entre nós, da equipe, três diversas gerações – griô aprendiz, educadora e griô mestre.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Tenho buscado fortalecer esses elos, aprendendo sempre, porque o trabalho do professor é sempre o de aprender.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;line-height:14.4pt;text-align:right;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span></span><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Lília Paranhos Langhi</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;line-height:14.4pt;text-align:right;"><span style="font-family:Arial;"><span> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Educadora</span><em><span style="font-family:Arial;"> </span></em></p>
<p class="MsoBodyText"><em><span style="font-family:Arial;color:#000000;">Muito velho, pobre velho,<br />
Vem subindo a ladeira<br />
Com a bengala na mão<br />
É o velho, velho Estácio<br />
Vem visitar a Mangueira<br />
E trazer recordação<br />
Professor chegaste a tempo<br />
Pra dizer neste momento<br />
Como podemos vencer<br />
Me sinto mais animado<br />
A Mangueira a seus cuidados<br />
Vai à cidade descer </span></em></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;">Maria Moura é figura tradicional no mundo do samba, circula entre as rodas das quadras das escolas, das festas de velha guarda, dos rituais relacionados à tradição popular e à espiritualidade, inspirando profundo respeito entre representantes de todas as gerações.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;">Advogada, graduada em Gestão de Carnaval, é incansável na luta pela ressignificação das questões sociais no país. Dispõe-se integralmente ao trabalho com as crianças do projeto Ação Griô no Centro Cultural Cartola, afinada com as lembranças de quem viveu e conviveu com o compositor e outras grandes figuras do samba. </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"><span style="color:#000000;">Solta a voz, Maria!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">A cultura popular e a cultura negra sempre estiveram presentes na minha vida. Desde a infância, convivi com as senhoras da tradição do Carnaval e dos terreiros da Praça Onze onde, dentro das casas de cortiço, no bairro do Rio Comprido e do Estácio, minha avó Eliza, Tia Daí, Tia Guiomar me ensinaram a tradição que elas, por sua vez, aprenderam na antiga Praça Onze e que foi trazida das fazendas de escravos da Bahia e Minas Gerais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Desta forma, o Projeto Griô me deu oportunidade de poder exercer esse “ofício” de Griô no Centro Cultural Cartola. Meu contato com o Griô começou na Universidade Estácio de Sá quando fui aluna da professora Nilcemar. A primeira tarefa foi elaborar uma proposta para a Ação Griô no nosso ponto de cultura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">No encontro de Vassouras, tomei contato com outras regiões onde o projeto atuava e assisti à exibição do documentário sobre o trabalho do “Grão de Luz” e de outros mestres de várias origens.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">O que pude observar durante esses meses de convivência com os alunos, foi a mudança de comportamento, principalmente a auto-estima, concentração e participação dos alunos e responsáveis. As mães das comunidade da Mangueira, por exemplo, fizeram até uma horta na área da Casa de Cultura. Além disso observo que o grupo exercita a convivência com a diversidade, a partilha do material coletivo, voltada para uma ação ou produto e a capacidade de expressar-se através de diferentes linguagens.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;text-indent:35.4pt;line-height:14.4pt;text-align:right;"><span style="font-family:Arial;">Maria Moura</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:141.6pt;text-indent:35.4pt;line-height:14.4pt;text-align:right;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Griô Mestre</span></p>
<p class="MsoBodyText2"><strong><span style="font-family:Arial;color:#006600;"> </span></strong><em><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;color:#000000;">Tudo de alegrias e de tristezas conheci,<br />
Coisas do amor e do sofrer, eu já senti,<br />
Nada me transforma a alegria de viver,<br />
Ver a noite vir e sorrir, ao sol nascer,<br />
Vivo esperando o novo dia,<br />
Que irá trazer a luz, que sempre ficará! </span></em></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;">Nilcemar Nogueira é Mestre em Gestão de Bens Culturais e Projetos Sociais (FGV). É vice-presidente do Centro Cultural Cartola e atua como guardiã do plano de salvaguarda do samba carioca como patrimônio cultural do Brasil. Trabalha para construir um novo dia para as crianças e jovens do nosso Rio de Janeiro.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"><span style="color:#000000;">Com a palavra, Nilcemar:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">C</span><span style="font-family:Arial;">omo membro de família de sambistas, atuando com meu irmão Pedro Paulo no Centro Cultural Cartola, convivendo com pessoas consideradas ícones da cultura popular praticada no Rio de Janeiro e sendo ouvinte de histórias vivenciadas pela família, sinto um compromisso com as pessoas que integram essa memória afetiva. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Não existe uma rede de transmissão oral, observa-se a passagem do saber cultural apenas nos principais núcleos familiares, poucos, porém, com consciência de que são detentores e produtores de um bem cultural. A Ação Griô veio preencher uma lacuna no nosso programa, ajudando na sobrevivência da nossa identidade cultural - o samba - contribuindo no Centro Cultural Cartola para o resgate, registro e difusão da música, da dança, do ritmo e de simbolos identitários da comunidade Mangueirense. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:right;text-indent:35.4pt;"><span style="font-family:Arial;">Nilcemar Nogueira </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:right;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:#333333;"><span> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Coordenadora Geral do Projeto GerAções</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha ]]></title>
<link>http://acaogrio.wordpress.com/?p=52</link>
<pubDate>Sat, 10 May 2008 21:50:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>acaogrio</dc:creator>
<guid>http://acaogrio.pt-br.wordpress.com/2008/05/10/centro-de-cultura-e-educacao-ludica-da-rocinha/</guid>
<description><![CDATA[  Rocinha ontem e hoje: histórias brincantes
A parceria
 A história do Ponto de Cultura Centro de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> <span style="color:#000000;"> </span></span><strong><span style="color:#000000;">Rocinha ontem e hoje: histórias brincantes</span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;"><span style="color:#000000;">A parceria</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>A história do Ponto de Cultura Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha começa com uma parceria de longa data. Antônio Carlos Firmino, coordenador da ASPA (Ação Social Padre Anchieta) e Nathercia Lacerda, coordenadora de projetos do CIESPI (Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância) vêm traçando caminhos que convergem para práticas que promovem e debatem o sistema de garantia de direitos, mais especificamente de crianças e jovens, nos âmbitos da educação e da cultura. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Esse caminhar através de inúmeros desafios, longe de ser solitário, agrega experiências, saberes, profissionais e estudantes, amigos de convivência que enriquecem e ampliam perspectivas, tornando a ação coletiva: Marta, Carla, Eduardo, Pablo, Everton, Carol, Tayná, Isabelli, Heitor, Maicon, Arthur, Vicente, Aerson, Lino, Maria da Paz, Lena. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Diante de um território com área ocupada em mais de 877.575 m² e uma população aproximada de mais de 150.000 habitantes, os parceiros afinam o olhar para uma Rocinha lúdica, com uma história de lutas comunitárias e uma rede de cultura e educação infantil ativa e combativa. O estandarte, confeccionado pelo grupo Mulheres Solidárias: confecção e artesanato, sintetiza essa rede com a frase elaborada pela artesã Maria da Paz: “Educação é cultura na Rocinha”. </span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;"><span style="color:#000000;">No caminho, uma Rocinha lúdica</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>O Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha tem, em sua estruturação, a proposta de integração entre educação, cultura, ludicidade e memória. Nesse sentido, promove ações que estimulem e favoreçam a articulação entre os diferentes atores e instituições locais: artistas, educadores, moradores de idades variadas, espaços formais e não-formais de educação que atingem diferentes faixas etárias. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Entre as atividades realizadas destacam-se:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Levantamento sócio-cultural que formou um pequeno acervo com informações (filmadas, fotografadas, gravadas e escritas) sobre a Rocinha no que diz respeito à sua formação inicial, urbanização, como também às brincadeiras, cantigas, festejos, histórias locais e pessoais, etc;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Formação de jovens agentes cultura viva através de palestras e debates abordando temas como educação, cultura, diversidade, participação, cidadania, dentre outros, e de práticas lúdicas envolvendo brincadeiras, confecção de brinquedos artesanais e a criação de espaços de convivência através do brincar;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Oficinas Lúdicas voltadas para crianças e educadores tendo os jovens, agentes cultura viva, como monitores. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">A Rocinha é ampla e com muitas histórias a serem descobertas, desvendadas, recontadas. Encontramos pontas de fios dessa longa História em cada canto. Como juntá-los? O levantamento sócio-cultural que visa facilitar a junção de muitos desses fios, tem como um dos focos a tentativa de colher dados que esclareçam a possível existência de um quilombo na área hoje ocupada pela Rocinha. Informações recolhidas sobre a história local, registradas no livro Varal de Lembranças: Histórias da Rocinha (1983),datam de uma época mais recente, já no século XX. Contam os mais velhos que na Rocinha já houve, sim, um quilombo. Alguns dados históricos sobre a cidade do Rio de Janeiro também apontam para essa possibilidade. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Outro foco reside no fato da Rocinha estar situada numa das franjas da floresta da Tijuca como também estar plantada à beira mar. Como vivem hoje e viviam os caiçaras? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Outra questão que se soma a esses muitos fios a serem tecidos em uma história única: será que em tempos remotos também viveram índios nas terras litorâneas onde hoje se expande a Rocinha? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O levantamento não só gerou um pequeno acervo de informações sobre a Rocinha, sua história e seus moradores, como também acionou no grupo de jovens agentes cultura viva o desejo de ampliar essa ação promovendo o diálogo entre as escolas e os saberes e memórias da comunidade. Como forma de facilitar esse diálogo entre instituições e gerações unindo o levantamento sócio-cultural às oficinas lúdicas, alguns brinquedos foram confeccionados pelos jovens sob a orientação do grupo Mulheres Solidárias: confecção em artesanato. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Em um espaço de educação e cultura que tem como foco o lúdico, a idéia e a prática a serem expandidas residem na realização de oficinas com crianças, jovens e educadores locais, promovendo um grande caldeirão de histórias, onde os tempos se entrelaçam através do brincar. Brincando aprendemos sobre nós, sobre os outros, sobre o mundo; brincando, criamos elos entre pessoas, grupos e lugares; brincando juntamos fios de História. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">As oficinas, realizadas em diferentes locais da Rocinha, tiveram os jovens agentes cultura viva como monitores e tornaram-se um rico laboratório que permitiu aos jovens experimentarem os conhecimentos assimilados no processo de formação, ampliando seu aprendizado como atores ativos no espaço comunitário.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Dentre os brinquedos criados, destaca-se aqui o jogo de tabuleiro – No caminho, uma Rocinha lúdica – que tem como base um mapa da Rocinha mostrando suas diferentes localidades/bairros. Através do percurso sugerido pelo tabuleiro, os participantes trocam informações sobre a história local e seus protagonistas como também são levados a brincar, cantarolar, adivinhar, etc. Para a criação, concepção e confecção desse jogo o grupo de jovens contou com a parceria de Vicente Barros (professor do departamento de Artes e Design da PUC-Rio).</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>“Nós queríamos mostrar a Rocinha de forma lúdica, pois temos esse compromisso com a ludicidade, daí pensamos na construção de um brinquedo que ao mesmo tempo trabalhasse a questão geográfica e histórica da Rocinha, pois já tínhamos passado por um processo de levantamento sócio-cultural através do Ponto de Cultura. Cada casinha representa uma cartela, cada cartela aborda atividades diferentes. Umas são perguntas relacionadas à história e geografia da Rocinha, outras são de quadras populares e “o que, o que é”, outras cartelas são de sorte ou revés e as últimas são brincadeiras e músicas. Muitas das perguntas relacionadas à Rocinha, retiramos do “Varal de Lembranças” (livro que conta a história da formação da Rocinha), outras são de relatos de moradores antigos que entrevistamos em nossas caminhadas. Temos também o “Rodo do Bonde”, antigo meio de transporte que percorria a rua Marquês de São Vicente (localizada na Gávea, bairro vizinho)<span> </span>com moradores da Rocinha. No Mapa-jogo, o “Rodo do Bonde” funciona como uma espécie de roleta que determina o número de casas que andaremos. O Mapa é um brinquedo que estará sempre em processo de construção (cada participante pode opinar, inserir perguntas, sugerir brincadeiras, etc.,ampliando o leque de cartelas), pois ele é também uma forma de coletar informações, brincadeiras e músicas, através do brincar.” (Pablo, jovem agente cultura viva)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“A gente faz uma comparação do uso do espaço da Rocinha com fotos da Rocinha antiga e da Rocinha atual. São muitas dúvidas sobre a Rocinha e sua ocupação, desde a quantidade de habitantes – 110 mil habitantes, 200 mil habitantes, 156 mil habitantes. Quando queríamos falar sobre ocupação e crescimento e vimos que de fato não existe um censo que fale da realidade e desse processo de ocupação e surgimento da comunidade, através de um mapa antigo começamos a desenvolver atividades com os jovens e foi criado o mapa-jogo”. (Firmino, equipe coordenadora do centro lúdico)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>O caminho para a Ação Griô na Rocinha já estava criado, possibilitando uma integração imediata entre as propostas como uma ampliação e um fortalecimento de iniciativas em andamento que valorizam a tradição oral e a convivência étnico-cultural na comunidade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Sobre esse percurso do Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha integrando-se à Ação Griô, com o projeto Rocinha ontem e hoje: histórias brincantes, Firmino, da equipe coordenadora, dá seu depoimento:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>“Nós começamos as atividades do Ponto numa parceria entre o CIESPI (Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância) e a ASPA (Ação Social Padre Anchieta) que desenvolviam atividades complementares que envolviam a ludicidade e a criação de brinquedos. Com o passar do tempo, convidamos pessoas da comunidade que pudessem disseminar esse saber – educadores(as) e professores(as) das creches. Vimos então que tinham outros talentos ligados à questão da cultura e educação para serem compartilhados. Daí aconteceu o edital griô onde nós nos identificamos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Eu já tinha ouvido falar de vô Aerson, encontrei com ele no ônibus e ele falou que me viu na televisão local com o Gilberto Gil falando sobre a Rocinha como quilombo. Daí a gente começou a contar a história da Rocinha. Lembrei que sempre quis conversar com ele. Fui em sua casa na época que surgiu o edital do griô e então indiquei Vô Aerson. Desde o início foi uma troca muito rica de saberes com ele que vem sendo muito gratificante. A gente não imaginava o que ele fazia como dirigente religioso e espiritual; não imaginávamos a dimensão que tinha. E tio Lino, este eu já conhecia desde 1999 realizando trabalhos fantásticos na comunidade da Rocinha. Ele transforma tudo que a gente conversa em brinquedo. A gente fala, ele ouve, imagina e cria o produto. Os materiais utilizados por ele são todos reciclados e reutilizados. Ele está sempre criando. Um exemplo é o Jacaré que ele construiu e que estamos sempre usando para falar do meio ambiente. Havia uma grande lagoa antes de chegar à antiga praia da Gávea, hoje praia de São Conrado. A gente começou a contar as histórias da Rocinha e seus mitos, a história da Bica das Almas e a história da lagoinha que era um pântano, e ele contou que quando ia pescar via aquele rabo grande. Daí surgiu o jacaré como símbolo sobre a ocupação e devastação do espaço para o surgimento do bairro de classe média alta de São Conrado. O jacaré acompanhou diversas atividades, inclusive foi o mediador do diálogo do griô regional Alexandre com as crianças e as histórias que ele trouxe para contar.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Tio Lino fez também a casinha que retrata como era a Rocinha de antes: a casa de taipa, de estuque. Fizemos também um barco. Pois, quando falamos de jacaré, as crianças sugeriram que tinha que ter um barco. Lembrando que se usava barco para chegar a uma parte da praia da Gávea, este barco rendeu em torno de um mês de histórias. A Martinha eu já conhecia do Centro Comunitário da rua Dois e da ASPA pelo trabalho que ela já desenvolvia como brinquedista.” (Firmino, equipe coordenadora do centro lúdico)</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Martinha, uma andarilha brincante</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Maria Marta Diniz da Silva, a Martinha, é uma brinquedista de longa data. Sua experiência com brinquedos e os diferentes espaços de brincar tem início na criação da Brinquedoteca Peteca da ASPA (Ação Social Padre Anchieta) em funcionamento ininterrupto há 20 anos. Sua facilidade de comunicação a faz referência na comunidade para escolas, educadores, pais e principalmente crianças. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>A trajetória de brinquedista à griô aprendiz foi talhada no trilhar diário de sua prática ampliando sua atuação comunitária e lúdica. Tendo o brincar como eixo, sua principal fonte brota de sua própria infância. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Na minha infância não tinha brinquedo, pois minha família sempre foi muito pobre, mas tinha espaço para brincar de pique-bandeirinha, pipa, corda, amarelinha, roda e queimado, brincadeiras que hoje quase não se vê por falta de espaço. Nessa época não havia luz elétrica na minha casa, somente em alguns pontos da Rocinha. Fazíamos lamparinas com lata e uma vela dentro. Brincávamos muito de sombra na parede. Quando chovia, a gente ficava brincando de barquinho dentro da vala. Finca-finca também era legal, a gente pegava um prego e íamos brincar no chão depois da chuva. Bola de gude nem se fala!” (Marta, griô aprendiz)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">A relação entre Marta, o mestre e griô de tradição oral tem sido de total sintonia como uma equipe ativa que troca lembranças, idéias e encaminhamentos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“O Vô Aerson eu já havia ouvido falar porque ele é rezador conhecido, mas não o conhecia pessoalmente. Hoje temos uma sintonia que se dá através das histórias da Rocinha que lembramos e contamos e das atividades desenvolvidas com as crianças. Vô Aerson é uma figura fundamental em relação ao que diz respeito à educação passada, conhecedor de saberes culturais para o nosso trabalho. O Lino eu já conhecia de vista, pois ele também passou a infância na Rocinha.” (Marta, griô aprendiz) </span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">À sombra do jambeiro</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;"> </span></strong><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Ao pé de um jambeiro, ladeado por um coqueiro e um pé de urucum, Martinha, Lino e Aerson conversam e tecem lembranças. Essas rodas de conversas semanais sob o jambeiro mostraram um celeiro rico em grãos de histórias e causos a serem maturados e germinados no terreno da escola. Esses encontros incensados pelo fumo do cachimbo de Vô Aerson (mestre de tradição oral), pelo olhar visionário de Tio Lino (griô de tradição oral) e pela energia brincante de Marta (griô aprendiz), trouxeram à tona muitas traquinagens, causos, folias, descrições de uma Rocinha de antes com suas construções em estuque, com aparições de seres fantásticos, brinquedos construídos com sobras caseiras, pessoas marcantes que se foram, ervas que curam e não se encontram mais com tanta facilidade. Risadas, curiosidades, perguntas e conversas, lembranças adentro movem as tardes desses griôs, que as transmitem com alegria contagiante para as crianças e jovens.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Passo a passo, de tarde em tarde, ensolaradas ou friorentas, mas sempre cercada de crianças que brincam, perguntam e olham curiosas o grupo que conversa, a história da Rocinha vai sendo mostrada através da palavra de griôs e mestres que partilham suas memórias do tempo de menina e meninos, montando, como em um quebra-cabeça, as peças de uma história vivida.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Vô Aerson tem a palavra:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“É com a raiz que estamos trabalhando.”</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">O quilombo</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Na mensagem que recebi, eu vi direitinho: eram uns homens assim, cor de canela, naquela pilha de barco vermelho e eles pareciam ciganos com aqueles brincos de argola e tudo com aquelas roupas de pano de saco do tempo colonial e andando assim tudo sério, e se dirigiam lá pra cima e lá era um quilombo. Eu comentei isso com o Firmino bem antes de entrar com vocês no projeto. Aqui, antes, eram fazendas de portugueses e espanhóis. Os escravos é que mantinham as fazendas daqui. Por isso a nossa raiz. Por isso na mensagem eu vi esse homem assim um pouquinho mais claro que ela aqui (Marta). Cabelo assim bem crespo, aquele brinco assim bem grande, e aquela roupa: “Eu vou subir.” Aí subiu. A rua Quatro era uma trilha assim dessa largura. A rua era no meio da favela, só podia ser a rua Quatro no século passado.” </span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">As ervas que curam</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Aqui na Rocinha tinha muito o que colher de ervas que curam. Cânfora, não encontra mais Cânfora. Lembra de Cânfora? Dava em qualquer lugar. Hoje em dia você não acha. Você botava ela na infusão do álcool que você passava, aquilo ali curava... Arnica, Pé de galinha pra dor de dente. Muita coisa boa. A evolução acabou com tudo. Isso não era plantado, nascia pela natureza. Tomate também... broto de tomate também era bom pra dente. O quebra-pedra que fazia chá pros rins... cana do brejo também é pra chá. Erva santa Maria que é pra verme, socava ela mas tinha que botar na minguante pra poder resolver. Na lua cheia aí é que crescia mais. Erva de santa Maria ou óleo de ríceno, oh coisa ruim. E tinha que beber senão a vara de marmelo já estava. Óleo de fígado de bacalhau! Tudo pra limpar o intestino.”</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Aparições</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“As lendas que tinham! A gente tinha medo da Mula-sem-cabeça. “Vem a zebra aí!” não ficava um. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Era bom então o Lobisomem. Ninguém saía pra fora de casa. Naquela época tinha mesmo. Aqui na Rocinha, perto da minha casa, tinha um cachorro chamado Espião. Já tava dando uma meia noite e pouco, quase uma hora da manhã. Aí o cachorro: au, au, au! Eu senti o cachorro dando em cima, debaixo da janela. Eu levantei e fui ver o que era. Aí eu abri a porta. E tô vendo o cachorro au, au, au... Quando eu vi que era aquela bola preta.<span> </span>Tô vendo o cachorro dando em cima mas de uma bola desse tamanho! O cachorro dando em cima, dando em cima. Aí eu disse: “Olha a foice! Me dá a foice!” Aí ele por aqui, descendo ribanceira abaixo. E o cachorro foi atrás. Eu entrei e fechei a porta. Aquilo foi rolando, rolando, rolando... que tinha um galinheiro lá perto de um chiqueiro... E aquela bola rolando e o cachorro dando em  cima. Essa bola era o lobisomem. Era um velho. Eu não botava muita fé não, mas depois que eu vi...ah, existe mesmo. E ele virava mesmo. Ali onde tem a mina d’água, ali tinha um chiqueiro de porco e tinha uns pés de bananeira ali. Ele saía dali.” (Aerson, mestre de tradição oral) </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Aconchegados em roda, embalados pelas histórias, Tio Lino conta:</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Folia de Reis</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Naquele tempo existia um folclore muito bonito na nossa comunidade que era a Folia de Reis e, de madrugada, aquele apito: Piiiiiiiii! Bum! A gente já sabia. E aí nós falávamos assim: “Vem descendo a Rua Um!” Nós no passo, na batida do tambor.<span> </span>Minha mãe tinha um terreiro, minha mãe dava almoço pra eles. E aí eu rezava pra visita todo o dia chegar em casa. Minha mãe só fazia coisa boa: café, era batata doce, aipim, inhame, mamãe matava galo, fazia aquela panelada de galo com quiabo, angu... Jesus! Sai de baixo! Aí eu ficava chateado porque a gente não comia aquilo, mas quando vinha a visita da Folia de Reis... carne de sol, aquela carne bonita. Vinha gente do subúrbio que vinha fazer isso na Rocinha. Mamãe recebia eles, mamãe tinha que rezar a bandeira, tinha um São Pedro que vinha na bandeira. Existiam vários palhaços. Então era uma coisa bacana porque, quando as Folias de Reis se encontravam, era uma briga dos palhaços... a gente vaiava eles. Era uma briga dos palhaços pelos territórios. Minha mãe cansava de discutir<span> </span>com os palhaços: “Você vai comer na minha casa, vou servir você...”</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Avô índio</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Meu avô era caboclo, era índio. Engraçado que eu falava com ele assim: Ih, vô, você não tem botão na frente da sua calça não? Ele usava tipo um pijama. É um barbante... Você fazia a camisa e a calça de pano de carne seca. Engraçado que eu me lembro disso. Ele era um mulato, cabelo pretinho. Ele não usava henê não. Mas o cabelo... eu nunca vi! Cor de canela! E a roupa que ele usava, roupa que chamavam de carne seca, vinha de Portugal, não vinha aqui do Brasil não. Poucas pessoas podiam usar aquilo porque era caro. Nós morávamos na casa do meu avô que era feita de barro e bambu.” </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Bichos, frutas e água</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Eu comia muito carne de paca. Meu avô falava assim pra mim: Hoje tem carne de paca. Aqui na Rocinha tinha muita paca. Tinha paca, tinha tatu. Eu comia muito tatu, paca, lagarto, cada lagarto maior do que o outro. Tinha gambá. Porque meu avô falava assim... ele chegava no meu ouvido e falava assim: “Eles fogem de lá pra vir parar aqui, sabe por que? Porque aqui tem comida, tem muita fruta: jaca, jabuticaba.” Tinha muita jabuticaba, tinha muito jamelão. Tinha uma cachoeira ali na curva do S, fantástica a cachoeira. Quando a gente vinha da praia, tomava banho ali. A gente carregava água dali porque não tinha água em casa.” (Lino, griô de tradição oral)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Conversa vai, conversa vem, Tio Lino transforma as lembranças em objetos; faz surgir, através das mãos, o tempo de hoje e de antes, antenado com o futuro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Conversas que viram casa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Casa que conta as tantas histórias.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Casa de estuque, casa de terra, casa da terra, casa-raiz.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“E a casa de sapê... eu já tô montando essa casa e trouxe aqui pra vocês. Então acontece uma coisa interessante: as pessoas passam no meu ateliê e falam assim: Caramba, tio Lino, o senhor vai dá isso pra quem? Não, isso é do projeto, eu não vou dá isso pra ninguém porque isso aqui é um histórico, é pra todo mundo vê e aí vai ter uma placa de como as casas de primeiro eram feitas. Essa casa tá ficando um mistério, todo mundo quer essa casa! Falta um bocado de coisa. Vai ter o fogão à lenha. O chão vai ser o seguinte: vou jogar areia da praia por fora, depois vou jogar o barro com pincel e verniz. Eu tô com a idéia de botar uns móveis aqui dentro. Não vou esquecer do poço não, tá tudo aqui na cabeça. Aqui são as janelas e as portas. Aqui vai ter uma cerca de arame farpado... E essa casa seria dos anos 40, 1940 até 60. Hoje você ainda acha casa assim. A gente pode fazer o seguinte: vou encher a casa de barro até aqui, mal acabado,<span> </span>pra aparecer o bambu e em cima vou deixar cru. O bambu, aqui... vou pegar um barbante, porque de primeiro existia cipó, era feito com o cipó, cipó caboclo.” </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">“Meu dom está nas minhas mãos. Agradeço a Deus esse dom. Meus filhos me dizem: Pai, seu saber tá nas suas mãos.” (Lino, griô de tradição oral)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Escola Caminhante</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>A mediação de Martinha entre crianças, jovens, educadores e griôs é brincante, alegre e estimulante, integrando saberes, histórias e vivências. As conversas à sombra do jambeiro são fonte inspiradora e ponte para a valorização do saber de tradição oral no processo da educação formal. Estabelece com os jovens uma relação de compromisso e companheirismo possibilitando uma importante interlocução entre diferentes gerações.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Sua atuação na escola está ligada a uma presença constante que se realiza a cada semana. A parceria com o CIEP Dr. Bento Rubião é anterior à Ação Griô, tendo sido local de estágio em sua formação no curso de Pedagogia. Seu caminho para repensar e propor uma nova prática escolar está na sintonia com as crianças. O estar junto brincando e conversando gera um encantamento mútuo que se expande para professores, pais e crianças de outras séries que se aproximam curiosas. Sua forma de agregar emana de sua energia brincante, do corpo flexível no espaço, do sentar no chão, em roda, onde cada um se vê e se descobre abrindo um espaço de convivência do brincar e aprender.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Com as crianças, sua prática metodológica parte de histórias, brincadeiras, brinquedos e objetos lúdicos que funcionam como ativadores de curiosidades, perguntas e conversas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O jacaré do pântano</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Houve um tempo em que a parte mais baixa da Rocinha era um pântano.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">A Rocinha tem muitas histórias! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Casa de estuque, casa de todos</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O que será que tem nessa caixa? Fechem os olhos que tem uma surpresa!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Antigamente as casas na Rocinha eram de estuque, assim desse jeito que está aqui.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Encantamento é a palavra para esse encontro dos pequenos olhos curiosos diante da maquete que resume as tantas histórias contadas e brincadas. Ali é possível ver o tempo de ontem e de hoje da Rocinha e antever o futuro. A moça que se prepara para cozinhar, o cachorro na porta, o poço que guarda a água, o quarto de dormir, o quintal de brincar. Hoje é igual a ontem? Como era antes? Como é hoje? Como será depois? Como tem sido a vida na Rocinha desde os tempos em que era uma grande floresta banhada pelo mar? Vamos conhecer brincando e contando histórias?</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Patinete, rolimã e arco</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Brincar é criar, construir, desconstruir, pensar, organizar, descobrir, recriar, reconstruir, repensar, reorganizar, redescobrir, redescobrir-se a cada dia, em um espiral que se move permanentemente. Confeccionar brinquedos a partir de materiais simples e acessíveis como patinete, carrinho de rolimã e arco, e brincar das brincadeiras que atravessam gerações levam a um mergulho no tempo acionando saberes e aprendizados.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O caminho de Martinha é um caminho pelo brincar e pelas crianças. Sua aposta metodológica é que as encantando, os adultos serão encantados e, com o tempo, agregados. Pelas ruas, crianças passam e apontam: “Olha, mãe, essa é a professora que brinca e conta histórias!”. O ato de brincar, por sua vez, cria um espaço de menos resistências, despertando lembranças de infâncias e convidando a participar. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>No espaço escolar, caminha como observadora da prática institucional cotidiana. Busca compreender os inúmeros desafios da escola atual, mais especificamente da que está inserida em um grande centro urbano e em uma comunidade com dimensões e complexidades de cidade. Observa, anota, reflete e devolve seu aprendizado à equipe da Educação infantil (segmento com o qual iniciou a ação) através de oficinas lúdicas e encontros de avaliação e planejamento. As oficinas instigam temas que estimulam a reflexão coletiva da prática escolar e o diálogo entre o currículo e a tradição oral. Aposta na construção de uma relação de confiança, abrindo canais para possíveis transformações na escola atual.</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Um convite à experimentação</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Tudo pode ser brinquedo – uma caixa, um pedaço de madeira, uma roupa usada, um sapato maior que o pé, etc. Brinquedos novos ou usados, saídos da loja ou reaproveitados têm o mesmo caráter desafiador e desencadeador de curiosidade que leva à interação e à brincadeira; são sempre um convite a brincar. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha possui um acervo de brinquedos artesanais singulares, versáteis em sua forma de uso, em sua maioria sem regras previamente definidas, que possibilitam a expressão livre e criadora – um convite à descoberta e à experimentação. Brinquedos únicos confeccionados com materiais simples que, assim como o mapa-jogo, brotam da convivência entre adultos, jovens e crianças, explorando cor, textura e movimento. São brinquedos orgânicos criados em parceria com o olhar sensível de Vicente Barros e mãos bordadeiras de Lena e Maria da Paz.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Histórias, brincadeiras, informações sobre a Rocinha, cantigas, encenações, construção de brinquedos fazem parte desse universo colorido e múltiplo, onde o brincar e o aprender caminham juntos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">O grupo de jovens agentes cultura viva realiza oficinas brincantes com adultos e crianças utilizando esse acervo e relembrando brincadeiras populares passadas de geração a geração.</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Encontro de gerações</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>“Quem faz a ponte entre as idades, entre as crianças e os mais velhos, são os jovens; eles têm esse papel de interagir. Uma das ações que cada vez mais vai enriquecendo é que os griôs vão chamando os mais velhos da comunidade para darem seus depoimentos. Quando mostramos o mapa-jogo, eles vão corrigindo as informações das cartelas e contando sobre os brinquedos e brincadeiras. Um saber que mexeu muito comigo, e que é parte da pedagogia Griô, é essa coisa do “impacto de gerações”. Sempre que temos alguma atividade com os mais velhos, procuro estar presente, pois acho super interessante ouvi-los. Como sou jovem e conseqüentemente não desfrutei das vivências contadas por eles, fico imaginando e desenhando todo esse processo e isso pra mim é fantástico.” (Pablo, jovem agente cultura viva)</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family:Arial;">Trilhas primeiras </span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Os primeiros passos na direção da construção coletiva da Ação Griô na Rocinha, através do Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha, deram-se em um caminho formado por nomes. Nomes como pés caminhantes que deixam marcas e traçam trilhas em uma terra repleta de gravetos, folhas, pedras, asperezas, temperaturas, umidades, onde o vento, a chuva e o cotidiano intrincado e agitado da vida urbana interferem mudando rumos, desafiando os andarilhos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Fomos desenhando, em conjunto, um esboço repleto de linhas e formas que se organizaram em trilhas brincantes, trilhas de histórias, trilhas de memórias, trilhas de oralidade, trilhas dos artistas da comunidade. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Chegamos a um momento em que não se delimita mais, tão claramente, o que é o centro lúdico e o que é a Ação Griô. O que é desenhado mistura-se fazendo surgir novas veredas que instigam, inspiram e desafiam aqueles que as percorrem juntos apostando em uma convivência justa e brincante, na direção da garantia de direitos igualitários para todos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"><span> </span>Abril de 2008</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Sistematização: Nathercia Lacerda</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Fotos: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Everton Carlos Maia</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Lucas Pablo S. de Oliveira</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Nathercia Lacerda</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Autoria coletiva:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Antônio Carlos Firmino</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Aerson Luiz Costa</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Carla Daniel Sartor</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Everton Carlos Maia</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Lino dos Santos Filho</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Lucas Pablo S. de Oliveira</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Maria Marta Diniz da Silva</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Nathercia Lacerda</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Vicente Barros</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Bibliografia:<br />
Varal de Lembranças: histórias da Rocinha. Rio de Janeiro: União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha; Tempo e Presença: SEC:MEC: FNDE, 1983.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Jongo da Serrinha, através de Carlos]]></title>
<link>http://acaogrio.wordpress.com/?p=51</link>
<pubDate>Sat, 10 May 2008 18:34:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>acaogrio</dc:creator>
<guid>http://acaogrio.pt-br.wordpress.com/2008/05/10/jongo-da-serrinha-atraves-de-carlos/</guid>
<description><![CDATA[Jongo da Serrinha
Em nossa festa de Cosme Damião e Doum, a roda de jongo aberta à visita, o Alexan]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Jongo da Serrinha</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Em nossa festa de Cosme Damião e Doum, a roda de jongo aberta à visita, o Alexandre Santini, griô caminhante regional chegando com Cosme e Damião para seu encontro na escola que teve sua concentração na biblioteca do jongo. Tambores, histórias, agogôs e a dança pedindo licença à escola que desceu toda para matar a vontade de brincar. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"> Da parceria de Denise , Kátia e Mariangela, professoras da Escola Dominicana:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"> - Carlos, me desculpe, qual é seu santo ?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">- não é santo, sou feito de yemanjá. Eu sou Ekede, sou de Odé. Meu Orixá me deu liberdade de trabalhar fora do barracão. Caí na educação. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Rimos muito. Liberdade ?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Assim é a relação com a nossa escola. Passa pelo informal. A história de vida é que permeia a relação. A cobrança da CRE-Coordenação Regional de Educação com a escola perpassa pelo envolvimento geográfico. Uma escola dentro da Serrinha, logo tem compromisso com o Jongo, com o Império Serrano e com o Mercadão de Madureira. Mais uma fala de Denise:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;"> - a criançada evangélica estava chorando na escola porque a Império desceu para o grupo B. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Essa é a alavanca, o amor pelo samba. O DNA preto feito o sabor jabuticaba.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Na apresentação do espetáculo da Débora Kolker no Teatro Municipal, Tia Maria estava com um broche lindo ! era uma coroa imperiana. A Vanessa ( educanda de 11 anos) olha o broche e solta: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">- Tia Maria, quando a senhora não quiser mais a senhora me dá esse broche ?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family:Arial;">Na hora Tia Maria me chama e diz :</span></p>
<p class="MsoNormal">- Oh, Carlos, quando eu morrer eu quero que o broche vá para Vanessa, só assim é que não vou usar mais.<br />
Num intervalo do balet, a história de vida, de morte, de tradição, de amor ao samba, ao tempo acontecendo no intervalo.</p>
<p>Uma vez foi um jornalista da TVE lá no Jongo, perguntou no início da entrevista pela importância de São Benedito, Tia Maria riu e disse que para o jornalista que São Benedito não tinha tanto destaque para o jongo, e que ela não sabia muito sobre o santo... Mais perguntas e de novo o jornalista pergunta por São Benedito. Tia Maria já sem sorrir informou que era católica, sabia de São Benedito, mas não sabia explicar a importância dele para as danças não!</p>
<p>Quando mais uma vez ele tentou outra pergunta, Tia Maria foi direta: Olha sobre santo você pergunte ao Carlos! – oh Carlos, fala pra ele de São Benedito, eu já disse que sou católica!<br />
Uma outra vez que Tia Maria apontou bem essa relação de mediador do Aprendiz foi no encontro de Vassouras: - oh Carlos, eu fico até sem jeito, toda hora vem um e me pede “sua benção minha Yá” que coisa é essa de Yá?<br />
Lhe disse pra responder ‘que minha Mãe te abençoe’, a mãe poderia ser Maria ou uma ayabá ao sabor da imaginação do interlocutor. Claro, isso nunca pretendeu ser um conselho, nem Tia Maria deixou de responder bem a qualquer pedido de benção. Nessas nossas conversas fica claro o quanto ela ri desse ideário do preto folclorizado. E ao ri disso comigo, me convidando a tomar parte no colóquio, ela valida a relação de mediador do Griô Aprendiz com a Mestra da tradição Griô.</p>
<p>É bom pensar nessa mediação do griô, mas a posição de validação dessa existência pulsante passa a ter uma cor, um nome, uma forma. Essa forma sou eu. O Carlos. Sempre que tomo a bênção a tia Maria, ela também pede a minha. Ela reconhece, ou melhor, ela diz que essa forma sujeito, sujeito mediador, é uma garantia da continuação oral. O registro desse cotidiano. A pista para a transmissão. Essa é a relação político pedagógica lá na serrinha através da Ação Griô. Não me sinto muito a vontade com missões, lembro muito dos Jesuítas. Já Ação, sim essa palavra me permeia. Ela vira sufixo para dar movimento. Estar na Ação Griô é possibilitar movimento às letras e às oralidades. Mediar cor, por o coração para trabalhar, isso é que incorpora...com a escola é a mesma relação. Eu , Marisa, Su e Braian ( os dois últimos nossos educandos mestres) somos contatados à qualquer intenção de manifesto jongueiro.</p>
<p>Um bom marcador dessa mediação tratada a cima, foi o novíssimo convite a estarmos na Sala de Leitura. O acervo literário a nossos cuidados jongueiros, eu, Suelen e Braion criando ponte entre dança, livro, percussão. Antes já estávamos lá e sempre muito bem recebidos, mas sempre ‘recebidos’ agora o assunto é outro, estamos no processo pedagógico estável da escola, parcerizando um espaço quase nunca usado e com bom nível e plural acervo que contempla a cultura preta no que há de melhor.</p>
<p>Fico pensando o sentido destes símbolos e histórias pros meninos do jongo. Outro dia eu tava contando pra eles sobre a primeira fada preta escrita no Brasil, de uma história não só de um ideário num contexto literário de Ana Maria Machada - a Gota de Mágica. Primeira não. A primeira fada preta é Nastácia do Sítio do Pica Pau Amarelo, ela era uma fada preta com sua colher de pau, sua vara de condão, ela era a magia da história como Dona Benta, duas faces da mesma moeda de um matriarcado. Mas Ana Maria Machado tem um potencial diferente na sua história, vou contar porque ela também é primeira no Brasil. Este livro é muito usado nas primeiras séries. Joana é um personagem, ela vai à fila da bica pegar água numa lata, dai ela fica olhando a gota de água e imagina uma fada de gola leve e etérea (a roupa dela era assim). Então a Joana se imagina como uma fada preta, mas Ana Maria Machado não relaciona a cor preta dentro do desenho ou no texto, mas por causa do cenário na favela. A gente vê. Joana pega a lata d'água e bota na cabeça e de novo volta ao mundo da imaginação, ela vê um caco de tijolo e um objeto mágico dentro dele que acende e apaga, era uma bola de gude como se fosse um vagalume, aí ela descobre que a gota de mágica está ali naquele objeto, dai ela chega em casa coloca a lata d´água na mesa e guarda a bola de gude. É sensacional o ordinário ser mágico, do dia a dia ser mágico, do meu fazer mais cansativo como pegar uma lata d´água tornar-se mágico. Mas porque eu peguei esse assunto para falar aqui ? Ah, sim claro ! eu parei de contar essa história para as crianças pobres por um tempo, porque este livro foi muito criticado como se fosse uma cartilha de alfabetização, mas ele na verdade cai na poesia concreta não cai na armadilha da cartilha. Vi isso quando fui pro Jongo e conheci Deli. Eu soube que lá na balaiada tinha um barro que descia que só ! quando chovia virava mingau de chocolate. Deli é a herdeira de direito do jongo, neta de Vovó Maria Joana, quem trouxe o jongo para a Mangueira e depois levou para a Serrinha. Essa historia da gota de mágica é a história de Deli, ela percebe neste fazer de buscar a água lá na balaiada uma mágica, uma ludicidade, ela não perde seu lugar de rainha pegando aquela lata de 20 k na cabeça, ela é plena de beleza, de poder, de boniteza, é invejada na comunidade, ela e as demais mulheres de lá   encerram e despertam esse processo da inveja, essa coisa etmologica da invídia, inveja, que dá video, liga aquilo que vejo e desejo.  É um exercício difícil, mas cada menina preta pode pegar um livro de Ana Maria Machado para ser uma Deli, qualquer uma pode ser assim, uma rainha, sem precisar viajar com o ideal estranho da barby, mas com uma gude. Quando você pega uma coroa da barby vc vê que não se aproxima da magia de uma bola de gude. A bola de gude tem um poder de brinquedo e obra e de arte. Este livro lida com isso. Quem é meu herói afinal ?<br />
Essa inquietação do herói. Quem é o herói brasileiro ? os feriados nacionais nas escolas estão bem prolixos, essa discussão uma vez saiu no feriado de tiradentes. Uma professora pegou uma conversa na rua - hoje é feriado, porque ?. Antigamente a gente sabia, hoje se perdeu essa relação com tiradentes, mesmo com toda questão que pudesse ter em relação ao herói. Ela contou que ele não gostava de tirar dentes porque ele era dentista, e sabia que bonito era um sorriso cheio de dentes. A gente precisa contar a vida dos heróis, eu por exemplo não sabia que ele não gostava de tirar dentes, a gente sabia que ele era inconfidente, que ele foi morto que tem o palácio tiradentes e várias outras coisas, mas hoje nem isso se sabe mais. Até estes heróis estabelecidos pelo sistema de ensino estão perdendo espaço.</p>
<p>Nos anos 70 existia no Bairro do Campo Grande do  Rio de Janeiro uma praçã, a praça dos pretos velhos, esse lugar tem toda uma relação com um preto que de fato existiu, se chamava tio João, então, mamãe levava a gente para a praça do preto velho, sendo macumbeiro ou não, era uma grande festa do lugar tipo um São João, aí nos anos 77 ou 78 ( mae senhora morreu em 75 ou 65 ??), criaram uma estatua de Mãe Senhora a pedido de Antonio Olimpo e outros que faziam parte do Opô Afonjá. Como isso foi um pedido da intelectualidade do rio, a imagem ficou aqui no Rio mesmo, aí eu me respondo. M  as sendo a estátua de uma herói feminina ( não gosto da palavra heroina, lembra outra coisa), jogou-se a estatua para o Campo Grande, onde até hoje se acredita que a imagem na praça dos pretos velhos é de uma entidade espiritual e não de Mãe Senhora - amiga de Jorge Amado, Dourival Caimi, Pierre Verger. Isso é que é feito dos nossos heróis brasileiros, por não serem Joana Darc nem rainha da inglaterra, se quer Ana Neri.</p>
<p>Dai a gente pensa no antiherói, o herói brasileiro na minha opinião é o antiherói, vou fechar com o Mário de Andrade, o herói é minha pergunta, não existe o herói brasileiro, tem o zumbi que como tiradentes são antiheróis que o poder condena e não legitima, são perseguidos pelo poder, eles são exatamente o povo e encerram a questão do anti-heroi. Então, com as crianças temos que levantar quem são os heróis deles, o que é um herói. Na minha prática, juntando cacos dá um vaso, um indicador meu pro meu herói passou pelo objeto mágico, que a gente segura para a abertura da roda Griô. Sempre procurei trazer um objeto novo, são 3 por excelência : o opaxorô ( cajado de oxalá), eu aprendi isso com o Velho Griô quando o conheci com a mão de pilão na mão. Vi Oxalá e Exu homenageados alí com seu símbolo fálico masculino. Daí criei nosso cajado.</p>
<p>Nilcemar, Lygia da Mangueira ( mestre em educação), ao olharem o Apaxorô/ogó ( cajado, objeto mágico) nosso mais estimado signo das aberturas das rodas Griôs, diz: - Olha ! o pau dele é verde e rosa ! e conversamos sobre samba com educação. Eu disse de meu encontro com tia Neuma ...</p>
<p><em>Dona Neuma, maravilhosa,<br />
é a primeira mulher da verde e rosa !<br />
E onde é que se junta o passado, o futuro e o presente ?<br />
onde o samba é permanente<br />
na mangueira, minha gente</em></p>
<p>... nos fins dos anos 90 e foi aí que formalizou-se as apresentações. Eu estava falando com a filha de Donga, um dos precursores do samba, grande amigo e parceiro de pixiguinha, a Lygia, e com a neta de Dona Zica e do Cartola, esse sambista das " Rosas não falam" - a Nilcemar. Lygia me diz que todo sambista seja ele das tantas escolas do Rio, é sempre um imperiano. Me contou histórias da relação interna, da teia que envolve o samba não só no todo mas na individualidade do sujeito. Deu nesse dia para entender o que de fato é a Império Serrano no cenário do samba carioca. Elas duas são duas grandes figuras femininas da Mangueira e do cenário do samba dando a pauta no valor da verde e branco de Madureira.</p>
<p>Mas depois fiquei me perguntando que objeto mágico poderia representar o matriarcado jongueiro de mulheres e meninas:  Dona Eulália, Vovó Maria, Tia Maria, Deli, Luiza. Mulheres que trouxeram e sustentam o jongo na serrinha, dizendo para o mestre Darci para ensinarem o jongo para as crianças. Recriando as regras, porque antes não podia jongo para as crianças. Mulheres que dão a pista do novo, tomam decisões. Daí fiz um Calunga para representar e homenagear a Mãe Senhora do Ofô Apon Já, e levei para o jongo para apresentar esse objeto mágico para as crianças. A Calunga passou a encarnar outras personagens femininas como Euá, a Cumadre Florzinha ( no nordeste muito conhecida como protetora das meninas virgens) de acordo com a história feminina que tinha um mito importante. A calunga espelhava este mito feminino. Mas as crianças nunca falaram : - Ah, mas ela não é a Mãe Senhora do Pierre Verger , do Antonio Olimpo. Porque eu acho que a calunga cumpre o espelho da herói da própria comunidade que são as mulheres que já falei. Elas tem uma respeitabilidade que ninguém vai conseguir, são heroís femininas e a calunga entrega isso para as crianças. Os espaços estão tomando estes nomes, é a comunidade assumindo isso, a creche leva o nome de Vovó Maria Joana, outra a Tia Maria do Jongo ... é diferente de nomear a rua dé Barão de Rio Branco e Presidente Vargas.</p>
<p>O cajado, a roda Griô e os heróis, o mais velho encontra o mais novo, o cajado encerra isso sendo objeto de oxalá que fecha o xirê, mas exu que é o mais novo também usa o cajado, cajado diferente, não é um cajado para descansar, é o cajado da potencia do não cansaço, seu ogó. Na roda Griô essa relação é também presente, o mais novo dialoga com o mais velho abrindo e fechando ciclos, o velho ensinando vida a quem na vida estréia.</p>
<p>No centro do Rio tem uma loja tradicional ( a casa Turuna) especializada em artigos de carnaval. Desde criança eu tenho uma relação de medo com três máscaras que pontuam o carnaval de rua, o carnaval de fantasia chamado de carnaval do Clóvis ou do bate bola. São as do diabo, da morte e do morcego. O sujeito não veste o Clóvis, ele se veste com uma túnica preta para usar tais máscaras. E sempre sai o trio, nunca se vê um só. Eu acreditava que já estavam extintas essas máscaras, mas vendo à venda na Turuna perguntei quem as confeccionava. O Sr me respondeu que era um artesão de Madureira. Daí falei com as crianças sobre as máscaras, elas me disseram da continuidade da tradição, mas que só os adultos as usavam, como na minha infância.</p>
<p>Passa o tempo e morre um irmão de minha mamãe - Tio Mário. No primeiro encontro com a meninada, na hora da roda de bênçãos estávamos usando a bandeira do jongo para passar na roda, na minha vez pedí a bênção ao meu tio Mário. Lembrei e contei meu carnaval de criança. Mário montava o molde de barro, colava tiras de jornal, pintava e fazia nascer a máscara. Era uma máscara parente das que vi na casa Turuna. No meio do meu relato para as crianças, o choro veio e cortou a fala. Eu era só memória. Me recompuz e passei a bandeira do jongo adiante na roda. Aí o Claudiney pediu também a bênção ao meu Tio Mário, depois Suelen e os outros ao tio do tio Carlos. Claro, a emoção foi muito maior, e pude ali, no encontro Griô chorar a morte de meu tio, como ainda não tinha feito. Tia Maria pediu benção a Xangô, Orixá de vida... E era isso, identidade, ancestralidade, cultura. Numa troca de ensinamento, de delicadeza, de memória.</p>
<p>Acredita esse griô que o maior produto da Ação Griô no ponto tenha sido um espetáculo “pock” que nasceu para atender ao TEIA em Minas Gerais. Contar a história do Jongo permeando-a com música e dança. Ficou tão bonito que virou presente para a festa de aniversário da Tia Maria no Império Serrano no dia 30 de dezembro que acontece todo ano.</p>
<p class="MsoNormal">
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Tá na rua, através de Alexandre Santini]]></title>
<link>http://acaogrio.wordpress.com/?p=47</link>
<pubDate>Thu, 08 May 2008 19:26:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>acaogrio</dc:creator>
<guid>http://acaogrio.pt-br.wordpress.com/2008/05/08/ta-na-rua-atraves-de-alexandre-santini/</guid>
<description><![CDATA[Ponto de Cultura Tá Na Rua 
Griô aprendiz: Alexandre Santini
 
Com vocês, o grupo Tá Na Rua
Tea]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;color:#000000;">Ponto de Cultura Tá Na Rua </span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Griô aprendiz: Alexandre Santini</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Com vocês, o grupo Tá Na Rua</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Teatro, Alegria, Animação</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">São séculos, milênios de Teatro</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Ao alcance do seu coração...</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">( trecho da Canção de abertura do grupo Tá Na Rua / 1981)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">      </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Minha atuação enquanto griô aprendiz do projeto político pedagógico do ponto de cultura Tá Na Rua em parceria com o Colégio Pedro II se vincula diretamente à minha história e projeto de vida na medida que integra e articula dimensões significantes e fundamentais de minha identidade, ancestralidade, formação e visão de mundo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Nós levamos nas mãos</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">O futuro de uma grande e brilhante nação</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Nosso passo constante e seguro</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Rasga estradas de luz na amplidão</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(...)</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Estudaram aqui</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Brasileiros de enorme valor</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Teus exemplos, seguis, companheiros!</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Não deixemos o antigo esplendor!</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> (...)</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Vivemos para o estudo</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Soldados da ciência</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">O livro é nosso escudo</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">E arma, a inteligência...</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> (trechos do Hino do Colégio Pedro II)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Sou ex-aluno do Colégio Pedro II, unidade Centro, onde desenvolvemos o projeto durante o ano de 2007. Nesta escola construí parte importante de minha formação, cidadania e inserção social e política na sociedade. Fui representante de turma, presidente do grêmio, participei do grupo de teatro amador da escola. Primeiros amores, prazeres, tristezas, vícios saudáveis (sinuca, cerveja, jogo de sueca), grandes mestres e amigos para toda a vida. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Ingressei no grupo Tá Na Rua em 2001, e desde então assumi como minha a missão desta instituição. Ao longo desses anos atuei e atuo como ator, dramaturgo, dirigente institucional e na elaboração e coordenação de diversos projetos, dentre os quais o Ponto de Cultura e o Memória Tá Na Rua. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">“Ser artista é uma possibilidade que todo mundo tem, independente de ofício, carreira ou arte. Todo mundo pode viver a sua expressão sem estar preso a uma papel. Não se trata de todos os artistas serem operários, mas de todos os operários serem artistas. Das pessoas terem relações férteis, criativas e de transformação com o mundo, a realidade, a natureza, a sociedade. O homem não está condenado a ser destruidor, consumista, egoísta, como a sociedade nos leva a crer.”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Manifesto do Grupo Ta Na Rua, 1981)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Um dia pobre, um dia rico, um dia no poder,</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Um dia chanceler, um dia sem comer</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Eu sou do Tá Na Rua</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Eu tô legal</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">No palácio Guanabara ou em Vigário Geral</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">- É Roubada?? (É!)</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> - É de graça?? (É!)</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">O Tá Na Rua tá na praça!</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Rap do Tá Na Rua, 1993)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">O projeto da Ação, que firmou uma parceria entre essas duas instituições, me possibilitou fazer a ligação entre essas dimensões que formam a minha identidade, portanto muito mais que um trabalho, a Ação Griô se insere no meu projeto e história de vida. Devido a este histórico de vínculos e identificação pessoal tanto com o ponto como com a escola, o meu lugar enquanto griô aprendiz e articulador entre os saberes de tradição oral relacionados no projeto e o espaço escolar foi bastante natural e positivo</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Os griôs e o mestre do projeto são pessoas cuja história de vida está diretamente ligada ao teatro popular e ao trabalho do grupo Tá Na Rua, que constrói sua linguagem e dramaturgia a partir de fontes da cultura oral. Meu vínculo afetivo e de trabalho com eles se consolidou em oficinas, ensaios, apresentações de espetáculos, viagens pelo Brasil e exterior e reuniões diversas, atividades próprias da dinâmica de um grupo de atuação e pesquisa teatral, que levam a uma convivência quase diária e bastante intensa.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">“Os amigos já me chamavam de griô há muito tempo, talvez por ser filho do Abdias do Nascimento, uma figura mitológica para o movimento negro no Brasil e no mundo. Eu já era um griô músico na boemia da Lapa, fui “presidente de la movida madrileña” na Espanha dos anos 80. Mas agora eu sou um Griô oficial, do Tá Na Rua e do Brasil, com carimbo do Ministério da Cultura”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Abdias do Nascimento Filho ( Bida ), Griô de tradição oral/ Ponto de Cultura Tá Na Rua- RJ)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Minha ligação mais recente com o Colégio Pedro II começou através do convite de uma aluna, Renata Sampaio (hoje estudante de artes cênicas na UNIRIO, onde me formei), que conheceu o meu trabalho no Ta Na Rua, soube que eu era ex-aluno e me convidou para orientar as oficinas de teatro que ela desenvolvia voluntariamente na escola, com o apoio da equipe docente do depto de sociologia. No final de 2006, com  lançamento do edital da Ação Griô, propus aos alunos e a prof. Silzane, que desenvolvêssemos um projeto conjunto. A proposta foi aceita e posteriormente a educadora Jane Aguiar se ligou ao projeto e foi a professora que se vinculou efetiva e afetivamente nesta parceria, como parte de seu projeto de vida, sonhos e aspirações profissionais. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Quando eu falei com a Lillian sobre observação participante, um conceito clássico da antropologia, ela me falou de encantamento. No Encontro Regional da Ação Grio eu entendi o encantamento, que tem a ver com a vivência, com a pedagogia, com a nossa história de vida, criando novos elos e dando novos significados ao que a gente fazia. Eu trabalho em outra unidade e não poderia invadir o espaço de outro professor, mas a aproximação com a pedagogia griô me transformou, não só ler mas vivenciar, virou estratégia de sobrevivência.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Jane Aguiar, educadora do depto. de sociologia do Colégio Pedro II/ Unidade São Cristóvão –RJ)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">E foi assim que me tornei um vetor dos desejos, aspirações, propostas, linguagens, projetos e histórias de vida que se reuniram no projeto da Ação Griô nesta parceria Pedro II / Ta Na Rua.   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Nossa proposta de trabalho na Ação Griô foi desafiadora no sentido de pensar a questão das redes de transmissão oral no espaço urbano, e de compreender a linguagem teatral do Ta Na Rua como uma pedagogia baseada em um meio de cultura oral por excelência: o teatro popular, que é praticado há milênios nas ruas e nas praças das cidades. Procurei incorporar essa dimensão da teatralidade na construção do meu lugar de griô aprendiz: na roupa, nas máscaras, na postura, nos gestos, na palavra. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Minha roupa de griô já vinha se construindo ao longo dos espetáculos do Ta Na Rua. Nas apresentações do grupo os atores sempre entram em cena com uma roupa-base Eu  uso sempre uma calça colorida, tênis all-star, colete, uma casaca que achei do acervo do grupo, que pra mim tem mais de 500 anos, é uma roupa ancestral que vem de geração em geração há mais de 500 anos, uma roupa de arlequim da comédia dell’arte. Cartola de mágico enfeitada com uma máscara dos carnavais de Veneza. A essa base eu fui acrescentando elementos e acessórios necessários  encontrados e recolhidos ao longo da caminhada: Instrumentos musicais. ( zabumba nordestina, agogô de cabaça e 06 gaitas de blues), bolsa a tiracolo, bonequinho do invenção brasileira, broche  da Escola Roberto Silveira, de Caxias, que troquei com uma estudante pela gaita, elementos das culturas indígenas Xavante e Tapajoara, que recolhi em Mato Grosso e Alter do Chão (PA).   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Trabalhar com griôs cuja linguagem de tradição oral é essencialmente o teatro contribui muito nessa construção e nesse aprendizado. Essa linguagem teatral, em diálogo com a inspiração da pedagogia griô e da caminhada do Velho Griô em Lençóis, definiu métodos e procedimentos de caminhada:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Lá, nos Sertões da África</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Entre aldeias distantes</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Caminham mulheres e homens</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Aprendendo e ensinando as histórias de seu povo</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">São os Griôs!</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">E quando os griôs chegam nas aldeias</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">As crianças, os pais, as mães e as avós se sentam na roda.</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Está aberto o ritual do contador de histórias!</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Apresentação do Velho Griô, incorporada ao roteiro das caminhadas da regional RJ)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">A essa tarefa, já bastante desafiadora, de construir esta parceria entre o Tá Na Rua e o Pedro II, se somou o convite para assumir o lugar de griô aprendiz regional, articulador dos 8 pontos de cultura vinculados à Ação Griô no Rio de Janeiro. Ocupar este “duplo papel”, de griô aprendiz do ponto e da regional enriqueceu muito minha experiência e conhecimento vivencial sobre a cultura do Rio de Janeiro, estabelecendo pontes e conexões, vislumbrando uma rede de transmissão oral que se constrói nos trilhos urbanos e mistura samba, jongo, capoeira, trem, teatro, asfalto, favela, fazenda, compondo o mosaico cultural carioca e fluminense. Por outro lado, as diversas demandas e atividades da caminhada regional, somadas às minhas múltiplas atividades e interesses, impediram uma presença mais constante e regular no Pedro II.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"><strong><span style="color:#000000;">Recuperar a fala da TEIA</span></strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Ainda assim, considero que na minha atuação como griô aprendiz compreendi, incorporei e vivenciei a missão da Ação Griô, com desdobramentos concretos e definitivos nos rumos da minha vida. Eu posso me considerar um excelente indicador de resultados da Ação Griô, uma vez que o reconhecimento deste meu lugar como griô aprendiz, dialogando com a pedagogia Griô, reconhecendo as especificidades e particularidades do meu lugar de artista, de militante do movimento social, engajado nesta movimentação dos pontos de cultura pelo Brasil, todas essas facetas se encontraram em minha caminhada da Ação Griô</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Na primeira conversa com a equipe de griôs antes da caminhada na escola, eles colocaram uma resistência, dizendo que eles eram artistas do Tá na Rua, e não Griôs. Eu falei que eles eram Griôs exatamente por isso,  pelos que eles são, e que a Ação existia como espaço para afirmar este lugar, eles não teriam que ser outra coisas para serem griôs.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(relato na caminhada da Colheita 2008 )</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">É importante ressaltar o impacto positivo na implementação da Ação Griô no ponto de cultura Ta Na Rua, um resultado que a princípio não estava previsto no projeto e superou nossas expectativas. Os griôs do Ta Na Rua viram o seu lugar no ponto reconhecido e ressignificado a partir da ação Griô, passaram a ser reconhecidos e chamados de “griôs”, pelos atores do grupo e pelos alunos das oficinas do ponto de cultura, foram valorizados enquanto grupo nos encontros da Ação com os outros pontos da regional. Isso contribuiu para a valorização, auto-estima e empoderamento pessoal e social desses artistas. As atividades internas do ponto de cultura também foram influenciadas pela Ação Griô, Lillian Pacheco realizou 2 atividades no ponto de cultura (vivência da pedagogia griô e oficina de biodança), diversos alunos do ponto de cultura participaram das caminhadas no Pedro II e nos pontos da regional. O livro da pedagogia Griô e o filme Sou Negro foram objeto de estudo e debate nas oficinas do ponto.  Eu, como griô aprendiz e também dinamizador das oficinas teatrais no ponto, trouxe diversos conteúdos aprendidos na Ação para as oficinas: cantigas aprendidas nas caminhadas e encontros regionais, metodologias como os círculos de cultura, histórias de tradição oral e relatos das experiências de caminhadas nas escolas, como a ida com o repentista Zé Pedreira numa sala de aula em Lençóis (BA), ou a lenda do boto contada e cantada pelos estudantes de Alter do Chão (PA).</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Eu sou educador e artista, fui animador cultural no primeiro governo do Brizola, trabalhei com Augusto Boal, Darcy Ribeiro, Amir Haddad. Me convenci que a escola estava falida, não tinha mais jeito, tinha que acabar e fazer outra! Mas começo a perceber que a Ação Griô pode ser uma possibilidade interessante de diálogo entre cultura e educação...</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Licko Turle, coordenador do ponto de cultura Tá Na Rua, Vivência da pedagogia Griô, MINC/ RJ, 2006)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Em relação à escola, a principal conquista foi a identificação pessoal, afetiva e profissional da educadora parceira, Jane Aguiar, com a missão e os objetivos da Ação. Jane se encantou e se vinculou com a Ação, foi parceira e cúmplice nas atividades na escola, participou do encontro regional da ação, do encontro de pontos de cultura RJ/ES e das atividades da Ação Griô na TEIA, em Belo Horizonte – MG. Jane ressignificou sua atuação como educadora em sala de aula, articulou  a metodologia da Ação com os conteúdos da disciplina de sociologia, mobilizou educadores de seu departamento. Hoje divulga e implementa a Ação Griô nos seus espaços de atuação profissionais e acadêmicos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">O Pedro II é muito tradicional, no bom e no mau sentido da palavra, com diversas disputas políticas, a questão é como conseguirmos ocupar estes espaços. Nesta história toda o que fica é o que já está marcado em mim, e não tem mais jeito. Acabei usando as vivências pensando a ocupação do morro do alemão e produzimos uma vinheta de animação, e naquele momento estava rolando a discussão do cristo redentor como a  8ª maravilha do mundo, então  você traz este nexo , e com a  pedagogia Griô você pensa isso sentado no chão, com música, trabalhando em grupo. A caminhada gerou uma parceria vinda de baixo, e daí eu entendi a estratégia da pedagogia griô, não vem por cima, das estruturas hierárquicas, são parcerias de vínculo e de identificação, isso para o tipo de política pública que estamos propondo é essencial. Tivemos uma reunião com os educadores, uma capacitação solicitada por eles a partir da caminhada. O Pedro II é hoje a base de uma disputa ideológica. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Com linha temática e os conteúdos trabalhados na caminhada na escola procuramos trabalhar a identidade histórica do Colégio Pedro II (instituição federal, que completou 170 anos em 2007) com o território onde sua sede está localizada. Até a inserção do projeto pedagógico da Ação Griô, o Colégio Pedro II não realizava nenhum trabalho relacionado aos saberes e fazeres da cultura oral de sua comunidade, apesar de se localizar em uma região da cidade (o Bairro de Santo Cristo, conhecido no séc. XIX como “África Pequena”, a Pedra do Sal, a estação Central do Brasil, a Praça Onze, onde era a casa de Tia Ciata, etc.), a região portuária da praça Mauá, espaços com grande importância na história da cultura negra no Rio de Janeiro e no Brasil. A escola, considerada modelo na educação pública do país, chegou a responder uma interpelação do Ministério Público Federal por  não ter aplicado, de forma sistemática e consistente, a Lei 10.639 em seus parâmetros e estruturas curriculares.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Fui na Bahia, e vim aqui para lhes contar</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">A história de um brasileiro</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Seu nome é Dom Obá</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Obá de Rei, Dom de Guerreiro</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Nasceu junto com Lençóis</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Na guerra do paraguai foi feroz</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Morreu na favela do Rio de Janeiro</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(adaptação do cordel de Dom Oba, de Lillian Pacheco e Márcio Caíres, na caminhada do Tá Na Rua no Colégio Pedro II, 2007.)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">Apresentamos o cordel de Dom Obá em um formato de narrativa dramática, eu falando e os atores apresentando imagens daquelas cenas. A entrada de Dom Obá, Bida entrou com um chapéu comprido de palha, tinha tudo a ver o Bida fazer o Dom Obá, por essa coisa dele ser filho do Abdias Nascimento, a figura dele ficou forte. Depois os três griôs entraram fazendo os Reis Magos, e depois Marcelo Bragança e Bida improvisaram um encontro entre Dom Oba e o Imperador Pedro II, um número engraçadíssimo aplaudido em cena aberta.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">(Relato da Caminhada)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Arial;"><span style="font-size:small;">A assessora pedagógica e o griô aprendiz foram convidados a participar da Reunião de Colegiado do Departamento de Sociologia, visando sensibilizar um grupo de 25 educadores e promover a capacitação na pedagogia Griô. O objetivo principal seria oferecer recursos para a reformulação curricular já iniciada no ano de 2007. As mudanças que estão sendo formuladas no Projeto Político Pedagógico do CPII consistem em pensar novos diálogos entre os conceitos sociológicos que integram o conteúdo programático em conexão com diferentes abordagens metodológicas.</span></span></p>
]]></content:encoded>
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