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	<title>outros-escritos &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "outros-escritos"</description>
	<pubDate>Sat, 06 Sep 2008 17:48:24 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[O chinês e os pratinhos]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/?p=225</link>
<pubDate>Tue, 13 May 2008 16:30:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
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<description><![CDATA[Outro dia ouvi a confissão de uma amiga: não quero mais ser pratinho. Quero é ser o chinês.
Não]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia ouvi a confissão de uma amiga: não quero mais ser pratinho. Quero é ser o chinês.</p>
<p>Não entendi, tive vergonha de perguntar. Pensei ser gíria de gente nova e é nessas e outras que a gente entrega a idade. Não resisti, no entanto, a curiosidade a corroer.</p>
<p>Ela, então, explicou.</p>
<p>Tem homens (e ela estava falando em termos do gênero masculino, mas acho que vale para os dois) que mantém várias paqueras/relacionamentos/casos como os pratinhos que o chinês roda com varetas. Ele fica ali, rodando um pratinho, até que sente que outro está caindo. Ele então corre para este outro e agita a vareta. O pratinho começa a girar de novo, no ritmo do chinês. Até que ele vê outro que está quase caindo e se dirige para lá. E assim por diante, de modo que nenhum cai.</p>
<p>Achei a metáfora sensacional e me perguntei quantas vezes já fui pratinho na vida. Muitas, concluí. Chinês mesmo acho que nunca.</p>
<p>Minha amiga diz que quer ser um, mas eu duvido. Sei disso porque quando arruma um pratinho, fica satisfeita só com ele, rodando-o sem interrupção, com cuidado para que não caia jamais. E o pratinho, por sua vez, sendo o único, gira seguro, sem o menor medo de cair.</p>
<p>A metáfora é maravilhosa porque é verdadeira, retrata bem os relacionamentos atuais. Ao mesmo tempo é triste justamente porque é verdadeira e retrata muito bem os relacionamentos atuais.</p>
<p>Ando me imiscuindo na filosofia. O porquê disso não vem ao caso. Cada um recorre ao que lhe parece mais interessante para tentar ser mais feliz. A propósito, o livro do Alain de Botton chamado “As consolações da filosofia”, que mostra os motivos pelos quais grandes filósofos enveredaram por este caminho, que vão desde a falta de dinheiro, até desilusão amorosa, passando pela inadequação social.</p>
<p>Pois bem. Andei lendo André Comte-Sponville.</p>
<p>No delicioso livro “A felicidade, desesperadamente” explica ele, citando o pensamento de alguns filósofos da antiguidade: a pessoa só é feliz quando tem o que deseja. Acontece que desejo é falta; só desejamos o que não temos. Quando obtemos o que desejamos, continuamos sem ser felizes porque a felicidade é ter o que se deseja e não o que se desejava.</p>
<p>Complicado. Claro que ele propõe algo contra o círculo vicioso e aí vamos ao livro. Muito melhor lê-lo do que se contentar com parcas linhas de resumo.</p>
<p>Só sei que pensando nisso e relacionando com a história do chinês e seus pratinhos, vejo que os homens, e isso falo no sentido lato, só têm vontade de rodar o pratinho quando ele está caindo. Só deseja, portanto, o que falta, ou no caso, o que está quase faltando. O mais difícil, no entanto, é desejar o que se tem e, conseqüentemente, ser feliz com isso. Voltando ao nosso exemplo: rodar “o” pratinho (e não “um” pratinho), com dedicação e eficiência e sentir prazer nisso, mesmo ele estando lá firme, sem perigo de cair.</p>
<p>É isso o que eu quero: uma interação tal, que não importe ser o chinês ou o prato.</p>
<p>Queria aconselhar minha amiga a tentar também, mas não sei se me escutará, tão obcecada está com o objetivo de passar de pratinho a chinês.</p>
<p>Fica a torcida para que ela acesse o blog e leia a crônica.</p>
<p>por Selena Carvalho</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Escrever dá trabalho, trabalhar não dá]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/?p=220</link>
<pubDate>Thu, 17 Apr 2008 02:29:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
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<description><![CDATA[ Por Solange Pereira Pinto
Minha necessidade de escrever me atabalhoa. É que preciso (do verbo nece]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><a href="http://bp1.blogger.com/_g-45l6vN9RU/SAay7AiFC0I/AAAAAAAAB7g/KFBqgPlp0NY/s1600-h/olhos.jpg"><img style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" src="http://bp1.blogger.com/_g-45l6vN9RU/SAay7AiFC0I/AAAAAAAAB7g/KFBqgPlp0NY/s400/olhos.jpg" border="0" alt="" /></a> Por <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4238811T6">Solange Pereira Pinto</a></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Minha necessidade de escrever me atabalhoa. É que preciso (do verbo necessitar para sobreviver) de fazer outras coisas e me pego pesquisando pra escrever um texto novo ,cujo tema me entope veias e entala a garganta. </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Escrever é como ar para mim. Se o tema vem à baila, tem que bailar. Melhor dizendo, tem que bailar lindamente, de salto alto, traje a rigor, um bom perfume, um brinco adequado, para rodopiar no salão sem tropeço e receber aplausos no final (ainda que seja o auto-reconhecimento). </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Por isso, fico parecendo madame em dia de festa. Corre daqui. Ajeita dali. Sua acolá. Uma trabalheira que só! Praticamente um sofrimento. Aliás, um masoquismo, por que no meio de tudo isso há prazer.</span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Escrever dá trabalho! É fundamental pesquisar o tema. É essencial usar o dicionário. É recomendado olhar a gramática. É aconselhável pedir alguém que leia para ver se o dito está de fato dito como deve ser dito (traduzindo: se a mensagem está do jeito que você quer). É indispensável revisar, revisar, revisar.</span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Nessa ida e vinda de dedos saltitantes pelos teclados, idéias pululantes na cabeça e ponteiros agitados numa pressa que não compreendo o motivo (hahahaah), vou me perdendo do senso de realidade (?) e obrigações (!). </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Obviamente, a dona responsabilidade fica se metendo entre cada parágrafo, obrigando-me a correr com o texto, pois é hora de outros afazeres mais importantes (?). </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Dou uma driblada nela. Peço um minutinho a mais, emendo mais um parágrafo. Mas o alarme está ali "bléimmmmmmmmm, pára! Chega! Tá passando da hora!". Estou quase na conclusão do texto quando se faz urgente me levantar e sair para mais um compromisso remunerado (ainda que insuficiente). </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Nessa toada vou me frustrando e tentando compreender por que escrever dá trabalho e não é reconhecidamente um trabalho, e por que trabalhar nem dá tanto trabalho, na maioria das vezes mais aporrinhação. Ou por que não pode ser este o meu trabalho diário remunerado (já que o faço diariamente). Ou por que tenho a incontrolável necessidade de me ocupar com algo que não me sustenta o corpo, porém indescritivelmente me alimenta o ser. </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Enquanto não entendo esse mundo vou me perdendo entre as linhas de mais um pensamento para alinhavar outro argumento. Se a existência é mesmo incompreensível, gastar mais uns minutos traçar novos períodos não deve ser crime ou objeto de castigo. </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">Assumo as penalidades e vou para o grande final, pois o baile já vai começar... </span></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong></strong></div>
<div style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000066;">...</span></strong></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[As Isabellas que alimentam nossas sensibilidades e crueldades ]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/?p=219</link>
<pubDate>Sat, 12 Apr 2008 21:29:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/?p=219</guid>
<description><![CDATA[




Por Solange Pereira Pinto
Euzinha, como jornalista que sou, e ferrenha questionadora das mídia]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div id="Blog1" class="widget Blog">
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<div class="post hentry"><a name="58159142835556518"></a></p>
<div class="post-body entry-content">
<p><a href="http://bp2.blogger.com/_g-45l6vN9RU/R_8ADF0d9RI/AAAAAAAAB3s/nJRAqNklOe8/s1600-h/isabelascartaz.jpg"><img style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" src="http://bp2.blogger.com/_g-45l6vN9RU/R_8ADF0d9RI/AAAAAAAAB3s/nJRAqNklOe8/s400/isabelascartaz.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>Por Solange Pereira Pinto</p>
<p>Euzinha, como jornalista que sou, e ferrenha questionadora das mídias, suas manipulações e sensacionalismos, poderia neste caso da Isabella Nardoni esculhambar a imprensa que divulga há mais de uma semana - com incrível veemência - a queda da menina de cinco anos e mais do que subjetivamente induz a sociedade contra o pai e/ou a madrasta da menina.</p>
<p>Em contraposição, poderia também dizer que a opinião pública, que aparentemente clama por “justiça” gosta de comer cadáveres frescos. Ou quem sabe, poderia dizer que a morte do menino João Hélio, também largamente especulada e veiculada com orgulho pelos meios de comunicação de massa, já estava gelada demais.</p>
<p>De outra forma, posso relembrar o caso da outra Isabela, a Tainara, que desapareceu em maio do ano passado em Brasília e foi encontrada decapitada, chocando a capital federal e todo o Brasil, cujas investigações foram transmitidas quase em tempo real (sendo manchete de capa por dias) e o tio era um suspeito em potencial. Só que quase um ano depois, houve a prisão de um vizinho (da avó da vítima) que confessou o crime. Porém, as causas permanecem ignoradas. Que pena, queria tanto saber os detalhes...</p>
<p>Recapitular, quem sabe, a morte do índio Galdino que chocou o país por ter filhos da classe média envolvidos num crime tão bárbara e covardemente montado pelo Correio Braziliense e similares ajuda a esclarecer o título deste texto. Ou o ícone Guilherme de Pádua (assassino da filha da novelista global) que muita gente ainda crê ser absurdo o fato de ele estar livre e recompondo a própria vida, já que a nossa sociedade quer mais do que justiça e grita, sim, por vingança.</p>
<p>É que um pouco de tudo praticamente cai no esquecimento (principalmente a autocrítica). Tem gente que anda dizendo que o caso da Nardoni pode se assemelhar ao da Escola Base, cujos donos foram amplamente “acusados” de pedófilos, indo a bancarrota, para depois em notinhas serem admitidos como inocentes.</p>
<p>A nossa gente, nossa espécie, se alimenta como urubu da carniça. Somos feitos de clichês e maracangalhas. Enquanto esses crimes podem reascender a sensibilidade humana do “ohhhhhhhhh como isso pode acontecer!”, ressalta também a crueldade do “queremos justiça até queimar no fogo do inferno!”. Entre a sensação de pena e de vingança vamos comprando jornais, vendo TV, comentando nos botecos e repartições públicas nossos vereditos fundamentados em superficialidades e especulações.</p>
<p>“Lembra-se da mulher de Belo Horizonte que jogou o bebê na Lagoa da Pampulha? Dizem que não tinha problema psiquiátrico e tampouco depressão pós-parto... Vai saber por que alguém joga um ser indefeso ao léu! Só pode ser uma monstra”. “Ah, mas monstra maior é aquela empresária de Goiânia que torturava a adolescente, um horror!”. “Que nada, monstros são os jovens que agrediam prostitutas nos pontos de ônibus”...</p>
<p>Sim. Monstros fazem nossa cabeça. Ligar a TV ou ler o jornal para saber monstruosidade da hora é café da manhã melhor que pão e leite, como bem retratou o filme Hotel Ruanda durante o massacre dos Tútsis pelos Hutus.</p>
<p>Ocupar do comezinho nos torna “melhores”. “Ele faz e eu não!”. Aliás, eu não faço como ele faz, eu bato devagarzinho...</p>
<p>Porém, entre uns e outros casos divulgados há centenas de abusos, absurdos, despropósitos, maus-tratos, mortes acontecendo no anonimato. O que tem feito um caso ser notícia e outro não? O tempo que se demora para cortar as redes de uma janela? Como se dá a seletiva para as quartas de final para o horário nobre? Quem dá mais? Ibope...</p>
<p>A mídia cumpre seu papel capitalista: vender. A gente cumpre o nosso papel: acusar ou acolher dependendo do lobo a alimentar. Desse jeito está tudo certo. Uma sociedade que não quer sair da bóia precisa de Judas para malhar. Uma imprensa que não precisa elevar o nível (ao contrário vende mais quando abaixa) distribui defuntos pelo controle remoto. O senhor fulano que levou bronca do chefe precisa esculhambar alguém. A dona cicrana que é tida como a mais bem-informada do reduto precisa de novidades por minuto. E a espécie humana, que se acha muito civilizada, peida cheiroso e acha que a bosta do outro é a que fede.</p>
<p>Mas me diga ai: quem são as Isabellas que alimentam as SUAS sensibilidades e crueldades?
</p></div>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ficção diária...]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2007/04/15/ficcao-diaria/</link>
<pubDate>Sun, 15 Apr 2007 05:23:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2007/04/15/ficcao-diaria/</guid>
<description><![CDATA[Quinta-feira, Março 29, 2007

TODA VIDA DARIA UM LIVRO
Estamos cercados de narrativas e histórias ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a name="39506136" title="39506136" class="cinza"></a><strong><font size="2" color="#666666" face="Verdana">Quinta-feira, Março 29, 2007</font></strong><font size="2" color="#666666" face="Verdana"><br />
<hr SIZE="1" noShade="true" /></font></p>
<p><font color="#666666"><span class="item"><font size="2"><font face="Verdana"><strong>TODA VIDA DARIA UM LIVRO</strong><br />
Estamos cercados de narrativas e histórias inventadas por todos os lados. E isso é muito bom. Entenda por que uma dose diária de ficção é essencial em nossa vida</font></font></span></font><font color="#666666"><span class="item"><font size="2"><font face="Verdana"><strong>por  <a href="http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/">Fabrício Carpinejar</a></strong></p>
<p><img src="http://vidasimples.abril.com.br/imagem/052_01_01m.jpg" /></p>
<p>A história foi a seguinte: eu estava trocando dois dedos de prosa com a escritora Ana Miranda sobre a importância da ficção em nosso cotidiano, tema desta matéria. Ela então me olha muito estranha e diz: "Como assim?" Em seguida, parecendo imediatamente refeita do susto, faz uma declaração exultante, apaixonada: "O cotidiano não passa de uma ficção. Deus inventou o dia e nós, o dia-a-dia".</p>
<p>Não é preciso ser escritor para desconfiar que estamos cercados por ficção desde o raiar do dia até o pôr-do-sol - nas tiras de quadrinhos do jornal, nos games, na novela das 8, nas peças de teatro, nas histórias, causos e anedotas contados por todos em conversas corriqueiras e (evidentemente) nos livros. Essa dieta de ficção começa bem cedo em nossas vidas: ainda crianças pequenas, ouvimos as fábulas contadas pelos nossos pais, imaginamos histórias sobre cigarras e formigas, contos arrepiantes sobre monstros marinhos, somos platéia para alegres enredos sobre a turma de uma menina dentuça e muito brava, as aventuras de um certo camundongo...</p>
<p>E isso tem prosseguimento por toda a vida. Depois, aprendemos a ler e vamos procurar livros de aventuras, romances, vamos ao teatro e ao cinema, jogamos Mario Bros, participamos de RPGs - enfim, perpetuamos nossa busca por histórias inventadas. Por que acontece isso? Melhor dizendo: por que é universal e atemporal esse desejo por ficção? Por que é essencial essa dieta de sonhos? Quais são os ganhos para quem consegue ter uma vida equilibrada entre a realidade (às vezes, a dura realidade, aquela que só costumava aparecer em alguns livros lidos na adolescência) e a imaginação? Muitas perguntas, não resta dúvida. Mas segure-se na poltrona, vire a página, respire fundo e acompanhe os próximos capítulos dessa história. Porque você também é protagonista dela.</p>
<p><strong>Era uma vez...</strong></p>
<p>A magia da ficção está ligada aos contos de fadas. O famoso "Era uma vez" é a tecla play do imaginário das crianças, capaz de dar movimento, luz e som aos sonhos vida afora e expulsar o medo do escuro. A disponibilidade para a ficção nos anos de maturidade depende do que é capturado nessa primeira fase da vida. Assim como nosso equilíbrio entre real e irreal, entre o prosaico e o imaginado. "A infância é a época em que essas fantasias precisam ser nutridas", escreve o psicólogo austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990) em <em>A Psicanálise dos Contos de Fadas</em>. Isso porque, sendo um estágio que vai definir um bocado da nossa personalidade futura, a infância é o terreno mais fértil para plantar os sonhos e despertar os pequenos para a necessidade da invenção para enfrentar a realidade.</p>
<p>Os contos de fadas representam um corrimão para as crianças firmarem os próprios passos, brincarem com as idéias e tentarem entender seu universo. "Oferecer para a criança o pensamento racional como forma de organizar seus sentimentos e compreensão do mundo só servirá para confundi-la e limitá-la", afirma Bettelheim, que comprou a briga na defesa dos contos de fadas como o pontapé inicial de uma vida mental mais saudável. Contrariou os pais que identificavam nas histórias fantásticas uma fuga da realidade. "Não lhes ocorre que a verdade na vida de uma criança possa ser diferente dos adultos. Não percebem que os contos de fadas não tentam descrever o mundo externo e a realidade. Nem reconhecem que uma criança sadia nunca acredita que esses contos descrevam o mundo realisticamente", diz. "A verdade dos contos de fadas é a verdade de nossa imaginação."</p>
<p>Quando um pai ou uma mãe conta uma história ao filho, está se aproximando ainda mais da criança. "O potencial que teremos de abstrair vem dos encontros com nossos responsáveis. Da qualidade desse encontro. O conto de fadas é um pretexto para o diálogo", diz o psiquiatra e poeta gaúcho Celso Gutfreind, doutor em Psicologia Clínica pela Universidade Paris XIII, na França.</p>
<p>O pesquisador realizou terapia durante seis anos com crianças separadas de seus pais e com transtorno de conduta no grupo hospitalar Pitié-Salpetrière, na capital francesa. Seu método utilizava contos de fadas. A experiência está reproduzida no livro O Terapeuta e o Lobo. Entre muitas crianças, Gutfreind notou que elas não tinham capacidade de abstração. Confundiam os personagens com a realidade, não como mediadores dela. "Tive que recorrer às canções de ninar e às cantigas, como se fossem bebês, porque não se distanciavam de seus problemas", afirma.</p>
<p>Com as crianças, o psiquiatra aprendeu duas virtudes que são benéficas nos contos de fadas - e que, no limite, valem para todos nós, que adoramos ouvir (ou ler, ou assistir) uma história. Primeiro, a situação de plena troca. O menino ou a menina, durante meia hora, tem toda a atenção voltada para si. Alguém está olhando firmemente para seus olhos, dando seu tempo, importando-se com sua reação, alisando seus cabelos. "A criança é o ator e a mãe ou o pai é sua platéia", diz Gutfreind.</p>
<p>A segunda se refere à estrutura aberta e simbólica do conteúdo. "A criança se projeta na história, joga nela seus conflitos, seus desejos, suas brigas, sem que a história a ameace. É ela mas não é ela. As fadas, as bruxas e os ogros formam imagens indiretas do pai ou da mãe. São eles mas não são. O filtro simbólico sossega o coração da culpa pelos sentimentos adversos", completa. Para atiçar a alegria criativa e mantê-la acesa durante a vida inteira, o Gutfreind tem a receita na ponta da língua: "Conte para seu filho histórias que dão prazer a você. Só podemos nos encantar quando estamos encantados".</p>
<p><strong>Reeducação</strong></p>
<p>Estamos cercados de linguagem e narrativas por todos os lados, da manhã à noite. Na TV, nos papos de bar, na crônica lida entre um compromisso e outro. Ao descansar, ainda estamos operando fantasias e sob o encanto da ficção. Tanto que a escritora Ana Miranda não desperdiça o mistério de nenhum dos seus sonhos. A autora de Boca do Inferno, romance sobre o poeta Gregório de Matos, anota seus devaneios em uma série de caderninhos, hábito preservado de menina. "Tudo o que faço em minha vida tem conexão com o mundo onírico", diz. Ainda hoje se vendo como uma criança, de olhos graúdos e penteados pela luz, o excesso de infância está guardado dentro dela como um alçapão de histórias fantásticas. "O silêncio formou-se em mim como um mundo ficcional. Eu não dizia nada, não respondia a perguntas, depois abria o caderno e escrevia o que eu não havia dito. E escrevia corrigindo o mundo, adequando-o a minhas necessidades internas", afirma.</p>
<p>As dores e as alegrias de nosso cotidiano e dos nossos sonhos não sobreviveriam sem uma narrativa, que une todas as manifestações culturais num único DNA. Como escreveu o filósofo alemão Walter Benjamin: "A experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a que recorrem os narradores. E, entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos".</p>
<p>A arte é a vida organizada, distribuída em capítulos e episódios. Dependemos de uma síntese, para que os milhões de gestos, vozes, palavras, sons, tiques, hábitos e cheiros não caiam no vazio. Onde estariam os milhões de frases ditas nas manhãs, nas tardes e noites, se não houvesse uma coerência invisível interligando-as, cruzando os fios em longa tapeçaria e formando um sentido para a memória?</p>
<p>Por isso, deixar-se encantar por histórias é essencial. E não só as fábulas, cuja origem é mesmo fornecer uma explicação fantasiosa da realidade. Parece até um paradoxo digno de um conto, mas não é: a ficção, por nos permitir sair um pouco da realidade, é como aqueles períodos de férias em que várias idéias e resoluções para nossa vida aparecem com clareza. Distantes das preocupações do cotidiano, mais leves para encarar a vida e com a cabeça mais descansada, as férias nos permitem esses vôos mais distantes. Assim pode ser entendida a ficção. Ela é como esse período longe de tudo, férias da mente e do espírito, em que afastados das durezas diárias e encantados com enredos que muitas vezes (ainda bem!) em nada se parecem com a vida real, somos obrigados a rever nossos valores, nos defrontamos com outras alternativas para a vida. A ficção - as histórias, a imaginação - nos reeduca para a vida.</p>
<p>Por isso é que alguns personagens da literatura (e, mais tarde, aqueles surgidos do cinema, das histórias em quadrinhos, das séries de TV) ajudaram a moldar a visão de mundo de gerações inteiras de leitores em todo o mundo. O cavaleiro delirante de Dom Quixote, de Cervantes: o sonho e aventura. O Hamlet da peça homônima de Shakespeare: a dúvida. A provinciana dona-de-casa adúltera de Madame Bovary, de Flaubert: a insatisfação. Sentimentos e modos de encarar a realidade que, em larga medida, serviram de - modelos - para que milhões de apreciadores desse livros pudessem interpretar a realidade e preecher seus dias com outras maneiras de tocar a vida.</p>
<p><strong>Observação</strong></p>
<p>A jornalista Eliane Brum, autora de <em>A Vida que Ninguém Vê</em>, uma coletânea de reportagens em que recupera a história de anônimos, encarna no jornalismo o espírito de Sherazade, a contadora de histórias das Mil e Uma Noites. "Contamos sempre a mesma história. A nossa. E quem lê também lê sua própria história, mesmo que esteja lendo a do outro. Contamos e lemos histórias para ter certeza de que existimos. E de que não estamos sós na nossa dúvida sobre ser", afirma. "Acho que contamos histórias na tentativa de preencher nosso horror. Nosso horror de vazio."</p>
<p>A repórter descortinou - numa série de reportagens escritas como se fossem contos literários, repletas de recursos que estamos mais habituados a encontrar nos livros de ficção - personagens invisíveis da rua, acostumados a ser olhados com esquisitice, como produtos da loucura urbana, ou com indiferença, apagados como estátuas que perderam a novidade e fazem parte da paisagem. Para ela, olhar o cotidiano sem preconceito, buscando enxergar as muitas histórias de cada um, é um dos elementos que a empurraram para a profissão de repórter.</p>
<p>"É o que me fascina nas pessoas. O quanto elas são capazes de reinventar sua história apesar da brutalidade da vida. Em meus momentos de crise, declives de auto-estima nos muitos serpentários humanos desse mundo, eu costumo dizer a mim mesma: ninguém vai me dizer quem eu sou, não dou a ninguém o poder de dizer quem eu sou, eu escrevo minha história", diz Eliane.</p>
<p><strong>Reinvenção</strong></p>
<p>A ficção não é exclusividade dos artistas, e sim uma reserva de sanidade acessível democraticamente. Converse com o encanador, com o eletricista, com o carteiro, com o cobrador de ônibus, e eles contarão sua vida como se fosse um livro. Qualquer um acredita que sua vida rende uma obra. A ânsia pela história sinaliza o desejo diário de ser importante, de ser útil, de ter feito o certo.</p>
<p>A invenção representa uma catarse, desplugar-se por alguns instantes de um mundo repleto de exigências, cobranças e demandas profissionais e migrar para um faz-de-conta, feito de formas, sinais, tramas atemporais. Algo como uma dimensão paralela, em que o prazer grita mais alto. Uma saída para juntar os cacos, preservar a solidão e a unidade. O que explica o corretor de ações fazendo trabalhos de marcenaria nas horas vagas, a psicóloga pintando quadros em seu lazer, a professora costurando bonecas no intervalo das aulas, o engenheiro compondo versos durante as noites. A gula pelo conhecimento e sensibilidade não tem limites.</p>
<p>Um exemplo é o taxista de Porto Alegre Mauro Castro, 43 anos, casado e pai de uma filha adolescente. Um passageiro mudou sua trajetória. Ao conduzir com freqüência o diretor de um jornal popular da capital gaúcha, foi convidado a escrever crônicas sobre o que acontecia em seu veículo de prefixo 1296. Já são mais de 200 textos em quatro anos, que resultaram no livro Diário de um Taxista. "Escrever é exercitar. A ficção me salvou de ser mais um entre 4 mil taxistas da cidade. Eu seria mais um, sou menos um", afirma Castro.</p>
<p>A ficção foi quase como um programa de reabilitação. Na época anterior às crônicas, Mauro se impacientava com o trânsito, com os sucessivos engarrafamentos e com o relógio apertado. Cumprindo o turno das 7h às 17h, enfrentava a sina de morar no carro praticamente o dia inteiro numa capital movimentada. Saía engavetado do assento do carro. "Aprendi a deixar um pouco a direção e a entender a posição dos pedestres e dos demais motoristas. Não sofro mais de ansiedade. O engarrafamento pode ser lúdico. É um tempo maravilhoso para bolar enredos", diz.</p>
<p><strong>Imaginação</strong></p>
<p>Toda família forma uma biblioteca. Cada elemento dela é como se fosse um livro único. Tente conversar com os irmãos, com a mãe, com o pai, consigo mesmo, e verá versões de uma mesma cena - mais do que verdades. O pai descreverá igual lembrança de um modo bem distinto do seu. Quem tem razão? Por mais que se discorde: ambos. Contar é alterar. Inviável a tarefa de repetir perpetuamente, tintim por tintim, uma fábula aos filhos antes de dormir. Haverá alguma mudança de plano, um detalhe adicional, uma adaptação que fará a maior diferença. E a criança espera justamente a variação, não o que já ouviu e sabe de cor.</p>
<p>A incompetência de ser igual e a tentativa de pessoalizar a existência é que enche as estantes de livros, filmes e CDs. "Somos todos ficcionistas... Alguns, profissionais", afirma Luiz Alfredo Garcia-Roza, escritor, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de <em>Freud e o Inconsciente</em>.</p>
<p>De acordo com ele, que se consagrou também ao gerar o detetive Espinosa em uma série de romances policiais, a curiosidade é a principal característica da ficção, que leva à suspeita e desemboca na descoberta. Entre as três atividades que realiza - filosofia, psicanálise e literatura -, todas têm em comum a prática da desconfiança em nome de um entendimento maior da realidade.</p>
<p>O detetive Espinosa (dos romances <em>O Silêncio da Chuva</em> e <em>Uma Janela em Copacabana</em>) não o tornou melhor. "Eu diria que me deixou satisfeito", diz, brincando. As vantagens com a elaboração de histórias de investigação no Rio de Janeiro foram subjetivas. "O grande ganho pessoal resultante da ficção literária decorre da potência que ela tem de aumentar indefinidamente os limites do universo de cada um de nós, autores e leitores. É um ganho semelhante ao da criança que fantasia. Ela está 'em obras', construindo seu mundo."</p>
<p>Era uma vez...</p>
<p><strong>Para saber mais</strong><br />
Livros:<br />
<strong>*</strong> <strong>A Psicanálise dos Contos de Fada</strong>, Bruno Bettelheim, Paz e Terra<br />
<strong>*</strong> <strong>Fadas no Divã</strong>, Diana e Mario Corso, Artmed<br />
<strong>*</strong> <strong>O Terapeuta e o Lobo</strong>, Celso Gutfreind, Casa do Psicólogo</p>
<p><img src="http://vidasimples.abril.com.br/imagem/capa_0052.jpg" /><br />
Matéria de Capa da revista <strong>Vida Simples</strong>, edição de abril. <a href="http://vidasimples.abril.com.br/"><font size="2" face="Verdana">Confira</font></a><font size="2" face="Verdana">.<br />
</font></p>
<p></font></font></span></font></p>
<p align="justify" style="margin-left:12px;margin-right:12px;"><font color="#666666"><span class="item"></span></font></p>
<p align="justify" style="margin-left:12px;margin-right:12px;"><font color="#666666"><span class="item"><font size="2" face="Verdana">Fonte: <a href="http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/">http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/</a></font></span></font></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Faxina da virada]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/12/29/faxina-da-virada/</link>
<pubDate>Fri, 29 Dec 2006 15:06:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2006/12/29/faxina-da-virada/</guid>
<description><![CDATA[
Por Pandora Montana
Recesso de boas festas é um bom momento para se “arrumar as tralhas”. De r]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/12/faxinai.jpg" title="faxinai.jpg"><img src="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/12/faxinai.miniatura.jpg" alt="faxinai.jpg" /></a></p>
<p><strong>Por Pandora Montana</strong></p>
<p>Recesso de boas festas é um bom momento para se “arrumar as tralhas”. De repente o Papai Noel despeja seu saco em nossas casas e hora de reajeitar a bagunça do ano. E haja saco! Saco de lixo, saco de paciência, saco para reinventar uma nova vida para o ano novo que se aproxima.</p>
<p> Ontem foi dia de “faxinar” o quarto da criança que tem mais brinquedos que um dia pode conter. Pecinhas, jogos, panelinhas, coisinhas, bichinhos, bonecas, carrinhos, trenzinho etc., e haja fôlego para organizar, separar, e botar em ordem a desordem do ano, cuja pressa não nos deixa parar para manter os dias “arrumados” (se é que isso é possível).</p>
<p>Agora, estou aqui na virada da meia-noite, assistindo “Sex and the City” (tão recomendado pela Perséfone) e pensando a volubilidade da vida, pois viver é instável, praticamente incontrolável.</p>
<p>Pensando nos dias perdidos, nas noites insones, nos desencontros, nas alegrias, nas decepções, enfim, refletindo sobre o ano. Ainda não estamos no dia 31 de dezembro, mas não há data certa para se rever propósitos, desejos, valores.  </p>
<p>Sei que 2006 (especialmente o segundo semestre) foi pancada para mim. Porém, é preciso renovar alguns itens da lista do viver. Encaixar melhor algumas peças do quebra-cabeça psicológico, consertar alguns jogos do poder capitalista e lançar novas estratégias, trocar as pilhas de vontades adormecidas, separar os dados da sorte das ondas de azar. Cuidar para que cada coisa volte ao seu lugar logo que findar (ou antes mesmo) o momento ruim e dar corda à brincadeira que nos faz feliz enquanto os olhos brilham, o tempo pára e o coração palpita.</p>
<p>Perpetuar o que é bom é arte. Enterrar o que é ruim é virtude. E que 2007 seja um ano de arte e virtudes, acima de tudo lúdico, divertido. Sejamos sábios para que vida não vire simplesmente entulho!</p>
<p>Pandora sabe que é melhor abrir algumas caixas e trancar bem  outras...</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ficção ou realidade? e o "Caso Litvinenko" ]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/12/12/ficcao-ou-realidade-e-o-caso-litvinenko/</link>
<pubDate>Tue, 12 Dec 2006 16:30:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2006/12/12/ficcao-ou-realidade-e-o-caso-litvinenko/</guid>
<description><![CDATA[  

Por Solange Pereira Pinto
  

Há muito queria escrever sobre o que distingue a ficção da ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span></strong> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"><strong>Por Solange Pereira Pinto</strong></span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"><strong></strong></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Há muito queria escrever sobre o que distingue a ficção da realidade, se é que isso é possível. Vamos ao esboço dessa idéia.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Quem é escritor sabe que muitas vezes é tênue o limite que leva o leitor a "acreditar" que as cenas, ou os acontecimentos narrados no texto, foram totalmente inventados ou baseados em experiências reais. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Posso dizer, por mim, que vários dos meus textos são totalmente inventados, embora pareçam vividos. Acredito que essa é a arte de escrever, trazer uma verossimilhança que transporte o leitor à “ilusão da verdade”. É aí que ele se identifica e se apropria da história, reflete e transforma. </span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Mas, quando um texto parece absurdo e é relato “ficcionado” de algo experimentado por alguém? O escritor pode por firulas, pode acrescentar nuances, pode apimentar, porém a “trama”, o enredo precisa de algo, digamos, “lógico”. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">No entanto, a vida da atualidade está recheada de “verdades inacreditáveis”. Distinguir ficção de realidade é cada vez mais difícil. Quantas vezes já ouvi histórias de amigos, conhecidos, que jamais supus serem possíveis. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Escrever é um exercício de criatividade, imaginação, e, mais do que isso, coragem. Confundir o protagonista de uma obra, o narrador, ou outros personagens, com o indivíduo que escreve (o autor) é um tanto comum. Até mesmo porque várias obras têm algo de “autobiográfico” (outras não).</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">O repertório que se utiliza para a escrita não necessariamente vem da própria vida do escritor, porém de alguma forma esta ligado a algo que ele acha “possível” existir. Os temas vêm dos mais diversos olhares. De releituras. De observações. De experiências (suas ou alheias). De pura imaginação. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Eu, por exemplo, que estou sempre blogando tenho a mania de inventar “fatos”. Exercitar a capacidade de reinvenção da existência. Sonhos? Fantasias? Desejos? Viagens surreais? Memórias? Um pouco de tudo isso e mais. Lembrando Pessoa, “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Por isso, hoje lendo a notícia do “Caso Litvinenko” (que supera a ficção, dizem escritores) fiquei pensando nas inúmeras possibilidades da escrita que podem e devem ir além da realidade, pois viver nos surpreende dia após dia. E, as bizarrices estão a solta. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Veja a notícia abaixo.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">___________________</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><a href="http://newsbox.msn.com.br/article.aspx?as=article&#38;f=br-olbrent-entretenimento-nofilter&#38;t=3780&#38;id=4198315&#38;d=20061212&#38;do=http://newsbox.msn.com.br&#38;i=http://newsbox.msn.com.br/mediaexportlive&#38;ks=0&#38;mc=10&#38;ml=mh&#38;lc=pt&#38;ae=windows-1252"><strong><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">Caso Litvinenko supera a ficção, dizem escritores</span></strong><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"> </span></a></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">Por Paul Majendie</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"><a href="http://newsbox.msn.com.br/article.aspx?as=article&#38;f=br-olbrent-entretenimento-nofilter&#38;t=3780&#38;id=4198315&#38;d=20061212&#38;do=http://newsbox.msn.com.br&#38;i=http://newsbox.msn.com.br/mediaexportlive&#38;ks=0&#38;mc=10&#38;ml=mh&#38;lc=pt&#38;ae=windows-1252"></a></span> <span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">LONDRES (Reuters) - A vida supera a ficção. Para os escritores de romances de mistério, o envenenamento por material radioativo do ex-espião russo <a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Alexandre%20Litvinenko&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Alexandre Litvinenko</span></a> é um caso típico em que a realidade supera a criatividade literária.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">Cada novo desdobramento da trama macabra vem dando origem a novas teorias da conspiração, ressuscitando lembranças dos tempos da <a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Guerra%20Fria&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Guerra Fria</span></a> e abalando as relações diplomáticas entre Rússia e <a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Gr%C3%A3-Bretanha&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Grã-Bretanha</span></a>.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">Litvinenko, enterrado na semana passada no mesmo cemitério londrino onde está <a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Karl%20Marx&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Karl Marx</span></a>, acusou antes de morrer o presidente <a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Vladimir%20Putin&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Vladimir Putin</span></a> pelo envenenamento, o que o Kremlin negou com veemência.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">A caça a vestígios de radiação passou por aviões, hotéis e hospitais, de Londres a Moscou, de Roma a Hamburgo.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"><strong>Frederick Forsyth</strong>, um dos escritores de suspense mais famosos do mundo, disse que seus editores jamais acreditariam numa trama dessas. "Acho que meu editor me aconselharia a abandoná-la e preferir alguma coisa mais realista", disse o escritor, que fez fama com "<strong>O Dia do Chacal</strong>", sobre um plano para assassinar o presidente francês Charles de Gaulle.</span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">"Acho que meu editor me diria que eu estava exagerando e que eu devia dar um tempo. Está ficando muito difícil escrever alguma coisa que não fique superada, por mais bizarra e maluca que seja", disse ele à Reuters.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">Fascinado pelo caso Litvinenko, ele afirmou: "É o que sempre aconteceu, e está ficando pior, primeiro dentro da Rússia, e agora, parece, para além de suas fronteiras. Não vimos esse tipo de assassinato por encomenda no exterior há 20 anos".</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">"Mas por que preferir esse jeito bizarro de executá-lo, deixando toda essa confusão como rastro?", questionou.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"><strong>John Le Carré</strong>, cujos livros como "<strong>O Espião que Veio do Frio</strong>" evocam o clima da Guerra Fria, evita se envolver no caso. "Decidi resistir às perguntas sobre esse assunto", disse ele à Reuters, respondendo a um pedido de entrevista por email. "Com as provas que temos diante de nós confesso minha total perplexidade e não considero minhas conjecturas mais críveis que as de qualquer outra pessoa".</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">O soldado britânico que virou escritor <a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Andy%20Mc&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Andy Mc</span></a>Nab, que ficou famoso com o livro de 1993 "<a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Bravo%20Two%20Zero&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Bravo Two Zero</span></a>", onde narra uma missão fracassada do SAS (<a target="_blank" href="http://g.msn.com.br/BR8/3608.1?http://search.msn.com.br/images/results.aspx?FORM=MKTSQ&#38;q=Servi%C3%A7o%20A%C3%A9reo%20Especial&#38;&#38;CE=MSNBusca&#38;HL=ToolTip"><span style="text-decoration:none;">Serviço Aéreo Especial</span></a>) na Guerra do Golfo, disse: "A realidade é sempre mais estranha que a ficção".</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;">Assim como Forsyth, ele acha que não conseguiria vender a história para seus editores. "Tentar explicar essa trama para eles seria um pesadelo", disse McNab. "Todo mundo ficaria confuso".</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O velho Mal... por anos... Parte I – Gustave Flaubert]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/12/06/o-velho-mal-por-anos-parte-i-%e2%80%93-gustave-flaubert/</link>
<pubDate>Wed, 06 Dec 2006 03:00:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2006/12/06/o-velho-mal-por-anos-parte-i-%e2%80%93-gustave-flaubert/</guid>
<description><![CDATA[  Por Solange Pereira Pinto 
Não sei que nome dar a este texto. Nem o título eu consegui conce]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Por Solange Pereira Pinto</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Não sei que nome dar a este texto. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nem o título eu consegui conceber muito bem. O fato é que estou encantada (ou viciada?) pelos “desabafos” de Gustave Flaubert. Por isso, resolvi fazer uma escavação e apresentar aqui no Mal de Montano pedaços de trilhas. </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A vontade mesmo era dizer a todos: LEIAM. Então, eu digo: LEIAM. </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">No entanto, para quem sabe despertar um desejo, não me contenho e vou divulgar uns sublinhados. (É. Eu tenho o péssimo hábito de marcar os livros que me marcam. Talvez, uma doce vingança. Além de fazer meus comentários nos mínimos espaços brancos que circundam as palavras impressas, sejam agradáveis ou não). </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Não quis "interpretar", pois como, apropriadamente, disse Kierkegaard cada um que leia (de preferência o original, que não é aqui o caso) e tire suas próprias conclusões. Apesar de que “selecionar” já é uma maneira de induzir o outro a um olhar "prévio". Tatarará! Vamos nessa!</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Gustave Flaubert</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> (1821-1880) começou a escrever “<strong>Madame Bovary</strong>” em 1851 (aos 30 anos) e finalizou a obra em 1856. Isso é o que diz “<strong>Cartas Exemplares</strong>” (Ed. Imago, 2005, tradução de Carlos Eduardo Lima Machado). Mas, a verdade é que Flaubert inicia sua devoção pela escrita ainda menino, por volta dos dez anos. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">As correspondências estão “divididas” em três partes. Infância. Os anos de aprendizado (1821-1851). Os anos de <strong>Madame Bovary</strong> (1851-1856). De <strong>Salammbô</strong> a <strong>Bouvard et Pécuchet</strong> (1856-1880).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Na primeira parte do livro, as correspondências enviadas a Ernest Chevalier, Gougaud-Dugazon, Louis de Cormenin, Alfred Le Poittevin, Maxime du Camp, Louise Colet, Louis Bouilhet, Mme. Anne-Justine-Caroline Flaubert (sua mãe) revelam a ansiedade, os obstáculos, a obsessão e as dúvidas do futuro autor de Bovary em relação à arte de escrever. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Em muitos trechos ficam claros os conflitos vividos tão jovem. Ele que, por assim dizer, já “sofria do <strong>Mal de Montano</strong>”, a “doença diagnosticada” na obra de Enrique Vila-Matas. Então, nessa brincadeira do “Mal”, vamos a algumas passagens. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Diz para Ernest Chevalier, aos 18 anos: “[...] se eu vier a tomar alguma parte ativa no mundo será como pensador e desmoralizador. Eu serei obrigado a dizer a verdade, mas ela será horrível, crua e nua.” (p. 18). </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Aos 21 anos escreve à Gougaud-Dugazon: “[...] Mas o que me freqüenta a cada minuto, o que me tira a pena das mãos quando estou tomando notas, o que me faz deixar o livro quando leio, é meu velho amor, é a mesma idéia fixa: escrever! É por isso que não faço nada, embora me levante bem cedo e saia muito pouco” (p. 19).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">À Alfred Le Poittevin revela: “[...] A única maneira de não ser infeliz é encerrar-se na Arte e contar como nada todo o resto; o orgulho substitui tudo, quando está assentado sobre uma base firme. Quanto a mim, estou de fato muito bem, depois que aceitei estar sempre mal”. (p. 21).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] Estou me tornando artista com uma dificuldade que me desola; vou acabar sem escrever uma só linha. Creio que poderei fazer coisas boas; mas me pergunto sempre, para quê?”. Trecho da carta enviada à Máxime du Camp em 1846. (p.24).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Já Louise Colet, poetisa, amante e confidente de Flaubert, recebe a maioria das correspondências disponíveis na primeira parte do livro. É para ela que ele descreve mais profundamente a si mesmo, das contradições, paradoxos, aos<span>  </span>“piores e melhores” sentimentos quanto à vida, aos críticos, e ao ato da escrita. A angústia, decepção, instabilidade, euforia e persistência acompanham suas linhas. Alguns fragmentos a seguir:</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] A deplorável mania de análise me esgota. Eu duvido de tudo, e até mesmo de minha dúvida.” (p. 25). </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] Eu sempre evitei colocar algo de mim em minhas obras, e no entanto coloquei muito.” (p. 27). </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] Eu escrevo para mim, só para mim, como eu fumo e como eu durmo. É uma função quase animal, de tão pessoal e íntima”. (p. 34). </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] Há dias em que fico doente e em que, à noite, tenho febre. Mais eu avanço e mais eu me acho incapaz de alcançar a <em>Idéia</em>. Que mania esquisita essa de passar sua vida a trabalhar sobre as palavras e a suar todo dia para arredondar períodos! Há momentos, é verdade, em que se goza, desmedidamente; mas em troca de quantos desencorajamentos e amarguras não se compra este prazer!”. (p. 35).</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] Me vejo tentado a abandonar tudo e fazer coisas mais fáceis”. (p. 36)</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“[...] Não é um negocio fácil ser simples. Eu tenho medo de cair em Paul de Kock ou fazer Balzac ao modo de Chateaubriand.” (p. 43). Parte final da carta escrita à Louise Colet, em 1951, quando começa o romance Madame Bovary.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Em seguida, “Cartas Exemplares” traz o escritor atormentado com a elaboração do seu mais famoso romance. Contudo, essa parte eu ficarei devendo (nem vou prometer fazê-la tão breve! Às vezes me falta o ânimo tão bem descrito por Gustave). </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Posso adiantar que as correspondências desse segundo período são fascinantes. Mostra um escritor refletindo profundamente sobre sua atividade. Um Flaubert mais maduro, e ainda assim com todos dilemas e inseguranças que parecem jamais abandonar quem decide viver para e pelas palavras. A terceira parte lerei amanhã.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">É ler para ver além do que eu vi. Combinado?</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Coletânea I - Ele disse... Ela disse... Eu repasso... ]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/11/03/coletanea-i-ele-disse-ela-disse-eu-repasso/</link>
<pubDate>Fri, 03 Nov 2006 06:37:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2006/11/03/coletanea-i-ele-disse-ela-disse-eu-repasso/</guid>
<description><![CDATA[ 
Por Pandora Montana
Feriadão. Em casa de pijama sobre as teclas. Ih! Vinho. Taça sozinha. Lasco]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong> <a href="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/11/230906-001.jpg" title="Direct link to file"><img width="170" src="https://maldemontano.wordpress.com/files/2006/11/230906-001.miniatura.jpg" alt="230906-001.jpg" height="128" /></a></strong></p>
<p><strong>Por Pandora Montana</strong></p>
<p>Feriadão. Em casa de pijama sobre as teclas. Ih! Vinho. Taça sozinha. Lascou! Sem bagaceira, vamos lá! Sou mexeriqueira. Fucenta. O cuco voava da copa avisando: “menina, fecha logo essa caixa!” Que nada! Vou hiperlinkar um pouco mais. Hahahaha. As horas se acumularam. Peguei um retalhinho aqui, outro ali. Fui juntando minhas preferências para aspas de cada escritor blogueiro que visitei. Tombado o primeiro tinto, fiz a <strong>primeira coletânea de tesouradas: </strong>“Ele disse... Ela disse... Eu repasso...”</p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Afinal, aqui é um lugar que obsessivamente busca interagir escritores-escrituras-leitores. Não é? </span><span style="display:none;font-size:11pt;font-family:Verdana;">Ah, prometo, carinhosamente, publicar um capítulo por semana, ou quem sabe quinzena? </span><span style="display:none;font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="display:none;font-size:11pt;font-family:Verdana;">Aguarde, você pode ser o próximo a levar uma tesourada! Entrará na caixa de Pandora e sairá no <strong>Mal de Montano</strong>. </span>Capítulo I</p>
<p>“Participei final de semana passado do "Balada Literária", evento de lançamentos e debates literários espalhados pela zona "Oeste" de São Paulo. Conclusões? As mesmas de sempre. Um bando de frustrados. Sim, UM BANDO DE FRUSTRADOS, e eu bem que gostaria de dizer que não sou. Digo, participei de uma mesa de respeito, com Sérgio Sant’Anna e Nelson de Oliveira, mediados por Xico Sá, e o que mais se ouviu foi como escritor é fodido, como a literatura não tem espaço, como tudo é difícil... Fiquei aqui pensando que há poucas classes tão frustradas como a de escritores. UM BANDO DE FRUSTRADOS! Literatos” (<strong>Santiago Nazarian</strong>)</p>
<p>“Escritores apreciam uma decadência adolescente”. (<strong>Cristiane Lisboa</strong>)</p>
<p>“O pessoal, de fato, está empolgado e querendo mais palavras e cervejadas. Eu, de minha parte, já estou recuperando as forças para as próximas empreitadas”. (<strong>Marcelino Freire</strong>)</p>
<p>“Férias produtivas, limpei a casa do espírito, pintei dez quadros e escrevi um romance”. (<strong>Andréa Del Fuego</strong>)</p>
<p>“Como acredito que escritores deveriam apenas escrever romances e, fora disso, se entregar ao silêncio e ao anonimato, inauguro este blog no Globo Online com o único propósito de destruir a minha própria e incipiente reputação”. (<strong>João Paulo Cuenca</strong>)</p>
<p>___________________________</p>
<p>Observação: Todos os trechos acima foram  respeitosamente “recolhidos” dos blogs de seus respectivos autores. Veja os links: Mal ou cura?</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Circo de Horrores]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/10/23/circo-de-horrores/</link>
<pubDate>Mon, 23 Oct 2006 18:41:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2006/10/23/circo-de-horrores/</guid>
<description><![CDATA[
 
 
 Baga III

Por Perséfone Montana
  

Assisti, há algum tempo, um episódio do “Sex and]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"><a href="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/10/bonecaa1999.jpg" title="Direct link to file"><img width="170" src="https://maldemontano.wordpress.com/files/2006/10/bonecaa1999.miniatura.jpg" alt="bonecaa1999.jpg" height="128" /></a></p>
<p></span></strong><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></strong><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span></strong> <strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> Baga III</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Por Perséfone Montana</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span></strong> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Assisti, há algum tempo, um episódio do “Sex and the City”, intitulado “Circo de Horrores”, em que a personagem Carrie, após o término de um namoro, volta às baladas e encontra tipos, os mais variados, o cara bem de vida que roubava revistas baratas, o “Incrível homem de duas caras”, que a tratava com a maior delicadeza, quase ao mesmo tempo em que berrava para o homem atrás na fila e muitos outros.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Numa versão tupiniquim do famoso seriado, eu e Pandora temos passado por poucas e boas.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Lembro do dia em que encarnamos o papel das “Irmãs Caridade”. Eu, para ficar com um francês. Ela, com o mais tarde apelidado Zé Goteira. Pois bem, não estávamos lá com muita vontade, mas também não custava. O francês, depois de alguns carinhos tímidos disse que precisava ir ao banheiro. Velho truque, não me dei conta. Para ser sincera, só percebi que não tinha voltado quando recebi a seguinte mensagem no celular: “Desculpe, mais tem meu ex-amorada. Estou na QL.. Conj... Casa... (faltou o CEP, pensei). Gostei molto de você.” Ok, querido, também gostei de você. Não “molto”, é verdade, mas ainda assim. Quando se pensa que se está se fazendo um favor... Pandora, por sua vez, depois de muita insistência, resolveu ceder aos apelos do Zé Goteira, homem difícil de descrever. Disse ele, a princípio, estar separado há dois meses, não queria sair nas fotos que tirávamos etc. Minutos depois, não conseguíamos fotografar mais ninguém, ele metido na frente da câmera. Eu achando que Pandora tinha ido longe demais na solidariedade, o cara ficaria agradecido para o resto da vida, ele vira para o amigo: “Vaza, vaza!” E saem os dois sem se despedir. Inacreditável. Nesse mesmo dia, conhecemos Débi e Lóide, mas nem vale a pena entrar<br />
em detalhes. Foi também nesse dia que, a caminho do carro, ouvimos: “Cabelo de minhoca, cabelo de minhoca!”. Pandora deu um pulo: - É com a gente, é com a gente? – Ai, meu Deus, só faltava essa, Pandora vai engrossar!, pensei. –Ai, adorei! E me fez voltar para elogiar a originalidade dos rapazes. Pandora é surpreendente.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Costumo brincar com minha irmã: “Não sei como, mas todos os loucos tiveram acesso à informação de que eu ia sair, e saíram atrás.” O mesmo vale para Pandora. Situações, às vezes, inclusive, perigosas, como a do menino que encontramos já não lembro em que bar e a quem demos carona, que carregava uma misteriosa mochila, da qual não desgrudava um só instante. Por mais que insistíssimos não nos revelou o conteúdo. E aquele outro, que um dia tomou a chave do carro de Pandora e só a devolveu quando ela prometeu ser dele para sempre. Pobre amiga, até vomitou de tanto medo; no fim das contas ele só precisava ouvir o que ela acabou falando, mas foi demorado descobrir a senha.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Agora, coisa curiosa tem sido a sugestão recorrente de sexo a três. Submersa no Reino dos Mortos, devo ter perdido o momento em que convite desse gênero se tornou corriqueiro. Quando foi, alguém me informa? Que <em>menagé</em> faz parte do imaginário masculino (também do feminino, muitas vezes) é público e notório, mas tudo bem sair por aí abordando as pessoas, sem a menor cerimônia? A propostas têm vindo de todos os cantos, veladas ou escancaradas. Desde o intelectual gaúcho, que após breve citação de autores sulistas, arrisca: “E se fossêmos nós três para o meu hotel, assisti o DVD do Vinicíus?”, até o velho conhecido, por quem fui apaixonada, que confessou abertamente querer ir para cama comigo de novo, mas dessa vez,<span>  </span>levando Pandora junto.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Felizmente, de vez em quando, aparece alguém interessante. Assim, o Gato de Alice, alcunha carinhosa que ganhou de Pandora, por dançar sempre sorrindo. Gato de Alice foi capaz de segurar meu cabelo quando passei mal em frente ao Vem cá minha Puta. E mais: não se importou que eu dormisse em cima da mesa; ao contrário, ajeitou o braço, para que me acomodasse melhor. Eu tirando uma soneca, ele conversou sobre astros e estrelas com Pandora, enquanto ao lado, o amigo/amante dela comia, qual primata, pedaços enormes de algo que não conseguimos identificar. Batatas, talvez.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Bem, quando se chega ao fundo da bagaceira, é preciso tato para voltar à tona. Mas será que conseguiremos ir para casa, depois dos encontros do Mal, com a excitação dos projetos e das cervejas na cabeça? A Literatura é possível sem vivência? A se pensar.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Enquanto isso, talvez seja o caso de aceitar o conselho de Psique e passar um tempo num povoado, próximo a Marabá. Mergulharemos nos livros, nossas filhas crescerão cercadas pela natureza e só conviveremos com pessoas normais, se é que isso existe.</span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:11pt;font-family:Verdana;">Psique diz que amanhã manda o mapa do lugar.</span><font face="Times New Roman"> </font></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Domingo  ]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/10/11/domingo/</link>
<pubDate>Wed, 11 Oct 2006 06:18:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
<guid>http://maldemontano.wordpress.com/2006/10/11/domingo/</guid>
<description><![CDATA[
 Por Olímpia (ou Nosferatu, tanto faz)  



A única vez que avistei o Mal de Montano desconheci]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/10/tuneld1999.jpg" title="Direct link to file"><img width="99" src="https://maldemontano.wordpress.com/files/2006/10/tuneld1999.miniatura.jpg" alt="tuneld1999.jpg" height="128" /></a></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Por Olímpia (ou Nosferatu, tanto faz)</strong></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A única vez que avistei o <strong>Mal de Montano</strong> desconhecia a condição de atacada: hoje o chamo pelo nome, e nós – os enfermos – celebramos a margem de vilas e matas os efeitos desse mal em divina decadência.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Solitude, récit, etoile!</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Vivemos errando, pela penumbra dos bosques, com o romance perigoso: prima página pushkin.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Domingo</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">0:50 no mostrador: na rua uma voz canta. Letra inusitada: música caipira americana. Pela veneziana do banheiro brecho a figura que recita, solitária: uma estrela. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Temas eternos eternos serão? A eternidade é um canto infernal, antes de mim não foi criado mais nada senão eterno, e eterna eu duro. O mal dantes era assim: juntava os alhos com outros bugalhos.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Afinal, a mudança súbita para vozes e cercanias álteres<span>  </span>é uma das vantagens secretas que a literatura tem sobre a vida.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Quer ver?</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Domingo</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Sandra sofre de diabetes, tem 40 anos, nasceu em Brasília.<span>  </span>Mora em litoral que tanto podia ser Açores como Alcobaça;<span>  </span>a pequena come chocolates e brinca com ela, a tão@poderosa.com do romance do poeta Mário Faustino.</span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>“(...)</strong></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Vinha teu vulto tão belo</strong></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Em teu cavalo amarelo,</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Anjo meu, que, se me amasses,</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Em teu cavalo eu partira</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Sem saudade, pena, ou ira;</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>(...)</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Era tão cálido o peito</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Angélico, onde meu leito</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Me deixaste então fazer,</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Que pude esquecer que a cor</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Dos olhos da Vida e da dor</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>Que o Sono vinha trazer.” </strong></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A ambulância apareceu: os incrédulos do SUS! Levou Sandra, embora o rastro trágico e o escatológico vômito perdurem na tarde dourada e verde. Aqui nos Açores (Madagascar?), como em qualquer lugar, moramos entre o divino e o profano: blues no ar, vinho e queijo no bar. </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Domingo </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O <strong>Mal de Montano</strong> é cínico: gerou mania de ler escritores citados por escritores. <span> </span>Desde <em>Bartleby e companhia</em> (só de orelha) Montano fala no <em>The man without qualities </em>de Robert Musil. No agito de uma mudança geográfica, <em>popped up</em> na minha particular tela global proposta profissional. Honorários: livros da Amazon.com.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Blz: topei, mas caí na besteira de escolher um homem de <em>muita</em> qualidade, qualidade pra caralho: dois volumes. O primeiro tem 723 pp. e o segundo 1774. Em fonte miúda.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Reviro as páginas do Mal à procura do sentido da opção: “pouco depois, esse menino transformou-se em <em>o homem sem qualidades</em> do romance de Musil, aquele matemático idealista que contemplava as ruas de sua cidade e cronometrava, de relógio na mão, os automóveis, as carruagens, os bondes e as silhuetas dos transeuntes esfumadas pela distância. Aquele homem media as velocidades, os ângulos, as forças magnéticas das massas fugidias...”</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Knockout.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
<p></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O tempo não pára, a doença não sara...]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/10/03/o-tempo-nao-para-a-doenca-nao-sara/</link>
<pubDate>Tue, 03 Oct 2006 04:34:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
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<description><![CDATA[   Por Pandora Montana  

Estou muito inquieta, quase adoidada. Minha caixa está cheia, mas tud]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong> <span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span> </span>Por Pandora Montana</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Estou muito inquieta, quase adoidada. Minha caixa está cheia, mas tudo tão revirado e revisitado que resolvi abrir outra. Hoje escancarei a caixa do google. Simmmm! Fui fazer buscas no grande-mar-virtual-de-palavras-e-imagens-e-sons-e-doidices-crendices-verdades procurando pelo <strong>Montano</strong>.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Vocês sabem quem é Montano, né? É um velho conhecido meu e de muita gente que bloga, e lê, e escreve, e pensa, e fala, e sente, e chora, e é viciado em gente, em livro, em literatura, em qualquer coisa que nos tire dessa realidade sangrenta que corta as veias rotineiramente longe do encanto dos textos bem-escritos. Sim, pessoas que sofrem do mesmo mal. <strong>O Mal de Montano.</strong> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Foi tão curioso abrir a caixa... Queria ver <strong>os blogs do “mal”.</strong> Encontrei 655 ocorrências! Salve desse mar quem já afogou! Não teria uma chance de ressurreição? Gente, tem muitaaa coisa. Alguns ainda ancorados, outros à deriva. Nem todos com bússolas precisas, mas navegando! Vou mostrar uns retalhinhos, tá bom? </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span> </p>
<p align="left"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Das visitas às naus que fiz alguns trechos pesquei aleatoriamente<strong>:</strong> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></p>
<p align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">November 28, 2004</span></strong></p>
<p></span></p>
<p align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Trash</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“Desgosta-me ver O Mal de Montano entre todos aqueles livros, tão sozinho, tão desprotegido”. (Blog a <a href="http://anaturezadomal.blogspot.com/2004_11_01_anaturezadomal_archive.html">Natureza do Mal</a> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> )</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;"></span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;"></span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;"></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p> </span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;">Quinta-feira, Julho 14, 2005</span></h2>
<h3 align="center"><a name="112135146862905362" title="112135146862905362"></a><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Confissões de um Escritor Famoso (cont. do </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a href="http://divasecontrabaixos.blogspot.com/2005/07/regulamento-do-concurso-escritor.html"><span style="color:windowtext;text-decoration:none;">desafio</span></a></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">) </span></h3>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;">“Queria ver-me livre daquilo que estava aqui dentro, algures entre a memória e uma visão do futuro, mas que não saía. Que teimava em não sair. Há meses demais que não se transformava em palavras no papel. E as expectativas deixaram de o ser e já se tinham transformado em desilusões. escrever para o jornal, e ele em particular, tornara-se, entretanto, a minha única ajuda, depois desta íntima e comprovadamente arriscada decisão de viver exclusivamente do que escrevo. Arriscada. Não saiu mais nada desde o último livro. Um sucesso que ofuscou, quase novela ele próprio. Um <strong>mal de Montano</strong> inultrapassável e tantas vezes repetido na literatura. Um mal do vazio da página em branco que me fez transpirar e tremer com a caneta indecisa entre os dedos, e ele, depois dela ter partido, e com ela outras colaborações em revistas, era o último garante desta esperança do regresso da palavra. Não sei de alguma vez acreditou verdadeiramente que fosse possível recuperar deste mal. Acho que nunca acreditou. Ajudou-me por pena, só por pena. Pena. Do mal que me afligia. De <strong>Montano</strong>. Até esse se ultrapassou. - E então? Tive uma sensação de vertigem, como se as palavras presas se tivessem que soltar imediatamente. A pergunta foi brusca e desamparada demais para poder resistir a uma reacção mais intempestiva, que não era merecida. Tinha decidido manter a frieza. A distância possível para evitar a. e não queria transformar tudo em. (Não hoje. Não depois de tudo!)”<span> . </span></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;">(Blog <a href="http://georgecassiel.blogspot.com/2005/07/confisses-de-um-escritor-famoso-cont.html">George Cassiel </a>)</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;"></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p> </span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;">Agosto 25, 2006</span></h2>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Festas, muitas festas!</span></h3>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Não gosto nada de pessoas contentinhas. Se dependesse delas, a literatura já tinha desaparecido da face da terra. No entanto, as pessoas «normais» são muito apreciadas em todo o lado. Todos os assassinos são, para os seu vizinhos, tal como se vê sempre na televisão, pessoas satisfeitas e normais. As pessoas normais são cúmplices do <strong>mal de Montano</strong> da literatura. Pensei nisso hoje ao meio-dia, no táxi do Pico, enquanto me lembrava de uma frase que Zelda costumava dizer ao marido, Scott Fitzgerald: «Ninguém mais do que nós tem o direito de viver, e eles, os filho-da-puta, estão a destruir o nosso mundo.» Odeio esta grande parte da humanidade «normal» que dia a dia destrói o meu mundo. Odeio as pessoas que são de uma grande bondade porque ninguém lhes deu a oportunidade de saber o que é o mal e poderem então escolher livremente o bem; pareceu-me sempre que esse tipo de gente bondosa é gente de uma maldade extraordinária<br />
em potência. Detesto-os, penso muitas vezes como Zelda e vejo-os como uns filhos-da-puta". (</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Blog <a href="http://silencio.weblog.com.pt/arquivo/239111.html">Silêncio</a>)  </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;"></span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;"></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p> </span></h2>
<h2 align="center"><span style="font-size:10pt;font-style:normal;font-family:Verdana;">24 Junho 2005</span></h2>
<h3 align="center"><a name="111962523778900284" title="111962523778900284"></a><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Enrique Vila-Matas</span></h3>
<h3><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“A Cosac&#38;Naify está se preparando para lançar no dia 04 de julho o livro "O Mal de Montano", de Enrique Vila-Matas. Segue resenha do </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a target="new" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=816915&#38;sid=0019816827615620658465267&#38;k5=113B5599&#38;uid="><span>site da Livraria Cultura</span></a></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">: "<em><strong><span style="font-family:Verdana;">'O mal de Montano'</span></strong></em><em><span style="font-family:Verdana;"> celebra a riqueza e a força da literatura. Numa cruzada irônica, Vila-Matas convoca mais uma vez seus autores-ícone, alguns já presentes em 'Bartleby e companhia', como Robert Walser, Franz Kafka e Fernando Pessoa. Porém se naquele romance os autores preferiam não escrever mais, o que os reúne em 'O mal de Montano' é a obsessão pela literatura e pelo literário, o desejo de ser a "memória da literatura" encarnada. O "<strong>mal de Montano</strong>" deixa de ser uma enfermidade para tornar-se um antídoto eficaz contra a morte da literatura, uma arma contra os inimigos do literário.</span></em>" Já desisti de colocar tudo que quero na minha </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a target="new" href="http://www.submarino.com.br/wishlistclient.asp?wlid=416193285386"><span>wishlist</span></a></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">. Meu poder de compras é inversamente proporcional ao número de livros que quero”. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">(B<span style="color:black;">log <a href="http://odisseia2005.blogspot.com/2005/06/enrique-vila-matas.html">Odisséia 2005</a>)<span>  </span> </span></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span></span><span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></strong></span></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>28.07.2005</strong></span></p>
<p align="center"><strong>Vila-Matas</strong> </p>
<p></span></p>
<p align="center"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“Depois de ler o Mal de Montano ficou com imensa inveja. Ainda não tinha lido o suficiente para padecer de tão ilustre maleita”. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">(Blog <a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/2005_07_01_avatares-de-desejo_archive.html">Avatares de um desejo</a>) </span></span></p>
<h3><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<h3><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<h3><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p> </span></h3>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">19.01.2005</span></h3>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O autor, o autor</span></h3>
<h3 align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></h3>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“Gostei tanto de ler o André Belo (barnabe.weblog.com.pt) sobre o David Lodge. Gostei e invejei-o - tropeçar inesperadamente em Lodge e ouvi-lo falar sobre o seu último livro era uma coisa que eu gostava que me acontecesse (mesmo que tivesse que ser em Paris). Gostei tanto de ler o André porque até há um mês atrás só conhecia o David Lodge de ouvir falar. E, ultimamente, a seguir a um livro do Lodge só consigo pensar no livro seguinte do Lodge. Enfim, um espécie de um qualquer "estado de graça". Antes de ler o "post" do André, vinha com a ideia de fazer um post por causa de "O Museu Britânico Ainda vem Abaixo", que é de 1965. O <span> </span>“<strong>Mal de Montano”</strong> afinal já aqui está: o pobre Adam Appleby, o estudante católico atormentado com a contracepção, sofre alucinações (chega a encontrar Mrs. Dalloway) a que o seu amigo Camel chama "uma forma especial de neurose erudita", porque "já nem é capaz de distinguir entre vida e literatura". Adam Aplleby protesta. Qual neurose erudita: "A literatura é quase tudo sobre sexo e nada sobre ter filhos. A vida é o contrário". That's a very interesting point. <span> </span>(Já agora, André, venha lá a recensão...)”. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">(<span style="color:black;">Blog <a href="http://gloriafacil.blogspot.com/2005_01_01_gloriafacil_archive.html">Glória Fácil </a>)</span></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><a href="http://gloriafacil.blogspot.com/2005_01_01_gloriafacil_archive.html"></a></span> <span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></p>
<p align="center"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">____________________________________</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;">Havia também o <strong>“Mal de Montano</strong>” em outros blogs com nomes para lá de divertidos:<span>  </span>“Viver todos os dias cansa”, “O talento da mediocridade”,<span>  </span>“Mulher Capacete”, “Errância”, “Escrita Solta”, “O navio de espelhos”, “Desfazedor de Rebanhos”, “O gato na paisagem”...</span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;">Abrir a caixa hoje me trouxe a sensação que o “mal” é muito maior do que se imagina. Se isso é bom? Vila-Matas responde: </span><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">“Sempre gostei dos jovens seriamente perigosos para a sociedade bem-pensante, os que acham o mundo estúpido e durante um tempo querem abandoná-lo depressa. Eu fui um deles e meu filho soube sê-lo”.</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> (p. 22, O Mal da Montano, Enrique Vila-Matas).</span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">E, você, quem é você?</span></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
<p></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[As linhas por escrever...]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/09/27/as-linhas-por-escrever/</link>
<pubDate>Wed, 27 Sep 2006 08:51:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
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<description><![CDATA[





Baga II

 Por Pandora Montana  

Primeiro vou me apresentar. Não sei exatamente se sou uma ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;"><br />
<img width="250" src="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/09/mastigando1.miniatura.jpg" alt="mastigando1.jpg" height="220" /></span></span></p>
<p style="margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p style="margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Baga II</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Por Pandora Montana</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Primeiro vou me apresentar. Não sei exatamente se sou uma espécie de povo antigo da índia, um molusco feito concha ou instrumento de cordas como alaúde. Ou quem sabe sou a primeira mulher, enviada a Prometeu e seu irmão, </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">feita no céu. Falam que cada um dos deuses contribuiu com alguma coisa para me aperfeiçoar. Deram-me beleza, persuasão e música. E, depois de tudo isso me ofereceram à Epimeteu (sugestivo nome, não?).</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Acontece que o tal Epimeteu tinha em sua casa uma caixa. Lá guardava alguns artigos do mal (ou do bem, não se sabe). Curiosa que sou, fui saber o que continha aquela caixa. De repente, quando a destampei tudo de lá se escapou espalhando-se por toda a parte. Uma multidão de pragas que atingiram o desgraçado homem (ou de sortes?). Só ficou na caixa uma coisinha. Essa que nos salvaria sempre (será?). </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Bem, sei que existem outras versões para a minha história. Mas, deixa pra lá. O fato é que estou vivinha da silva, aqui, no Mal de Montano. E, vou abrir as caixas. Ah, se vou! Aquele item guardadinho vai se revelar um dia talvez. Mas, por enquanto, soltarei todos dos males e bens guardados na caixa, que agora é minha. A caixa de Pandora. </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Fomos no dia 21/9 no Mercado Municipal (509 sul) para mais um encontro das Montanas. O tema sobre títulos tinha rendido um bolão e fomos arriscar outra cena. Água com gás, gelo e limão. Mercado até interessante para boas fotos. A calçada do bar abarrotada de gente.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Se essa rua, se essa rua fosse minha eu mandava ladrilhar... A pobre W3 sul já foi palco de nobreza nos idos anos 60. Era a avenida das coisas boas e caras. Passarela da elite. Longe de cidade livre (atual Núcleo Bandeirante). </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A cidade cresceu. Construíram outras ruas. Eixos. Prédios. Bairros. Shoppings. Livrarias. Tudo foi se ajuntando na nova capital, Brasília. Numa derrocada, por volta dos anos 80, a W3 se tornou quase última letra do alfabeto e dos desejos brasilienses. Prédios velhos. Abandono. Descaso. Solidão. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Eis que surge agora o tal Mercado Municipal “revitalizando” a senhora, praticamente beata, dábliu três. Engraçado ver. Os motores dos ônibus rumando à rodoviária uníssonos ao tom embriagado da sociedade “candanga”. Mesas e cadeiras disputadas nas calçadas imundas e quebradas, apoiando saltos finos, tênis caros, fragrâncias chiques, roupas de grife. Homens e mulheres, de todas as idades, desfilando olhares, competindo chopps, buscando "parceria". Uma composição surreal (ou hiper-realista?) entre os letreiros antigos indicando “pousada”, “estética facial”, “estética corporal”, “kassabian aluguel de roupas” ...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nada que perturbasse muito o Mal. Lá estávamos para comer literatura. Di</span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">scutir Vila-Matas. Criar categorias poéticas. Traçar novas tramas. Cronicar. Durou o suficiente. Contabilizados cinco chopps a R$ 4,10 cada. Caixa aberta. Vamos em frente. </span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Rumo ao gelo seco. Embrenhar nos solos de luz néon. Dançar. Espantar os males? Ou recolhê-los? O que da caixa sai a ela retorna, pode ser. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Depois de muito sacolejo, Perséfone, que tem uma história para lá de controvertida, que já foi raptada por Plutão (planeta que agora saiu do mapa), resolveu ir para outras colheitas. Mais especificamente, para casa cuidar dos seus. </span></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Eu, que animada estava por revelar ainda mais os Males (coaptando retalhos para Montano), segui com a louca dos fins de noite. Uma espécie de ''Hades" noturna.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> Raptora, agora, de Pandora. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Seguimos para a tal sopa. Imagina o que é cantar embriagada por toda a madrugada? Soltar a voz de mesa em mesa, como quem panfleta santinho de canditado!</span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Fizemos do sopanário uma orquestra de babel. Pagode do Zeca se misturando com Nelson Gonçalves, apimentado da bossa de Tom e Vinícius, remexido do samba de Paulinho, fatiado de MPB variado "a la carte", raspado no fundo a ópera Carmen de Bizet. Isso mesmo. A maestrina de belos olhos azuis, pele de Branca de Neve, casaco de Salvador Dali, conduzindo a festa. </span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Um famoso compositor lá estava também. Tocando seu violão e curtindo. Observando as notas musicais, as pautas e  as linhas que só podem ser traçadas na bagaceira. Naquele momento quando todas as luzes de lucidez se apagam e os contos começam a surgir. Só quem anda sob a luz das estrelas, sob o véu da madrugada, é capaz de saber que os personagens são vivos. Deste cenário se constroem enredos. Eu mesma anotei alguns parágrafos, que brevemente estarão publicados aqui. </span></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A noite se acabou as sete da manhã. E, a maestrina, com suas baquetas, oferecia “quem quiser atestado médico para não trabalhar é só me pedir”. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Eu não precisava. Estava com o último segredo da caixa. Podia dormir por toda a manhã. Apenas um advogado, com reunião marcada para as nove, gritava inconsolável. Esbravejava: “só eu vou me ferrar. Só eu estou lascado. Só eu preciso trabalhar cedo”. </span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O sol brilhou no pára-brisa. Dei um sorriso largo. O último gole de água gasosa. Segui para casa pensando quantos contos se criam numa noite. Quantos livros se perdem na madrugada. Quanto ainda posso descansar para acordar refeita e me tomar novamente do Mal. Abrir outra vez a caixa e soltar todas as frases que ainda não foram escritas... ou já foram? </span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ É o fundo do poço?! É o fim do caminho?!]]></title>
<link>http://maldemontano.wordpress.com/2006/09/24/e-o-fundo-do-poco-e-o-fim-do-caminho-2/</link>
<pubDate>Mon, 25 Sep 2006 01:36:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>maldemontano</dc:creator>
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<description><![CDATA[                                                  ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="right" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span><font face="Times New Roman">  <img width="244" src="http://maldemontano.wordpress.com/files/2006/09/selenaskol.miniatura.jpg" alt="selenaskol.jpg" height="162" />                                                              <strong>  </strong></font></span><span><font face="Times New Roman"><strong>           </strong></font></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><strong>  </strong></span></span></p>
<p align="right" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p align="right" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p align="center" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><strong>                                      </strong></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><strong>                                                                                 </strong></span></span></p>
<p align="center" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p align="center" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p align="center" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p align="center" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><em><font size="3" face="Times New Roman">  </font></em></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><font size="3" face="Times New Roman"><em>                                                                                    </em></font></span></span></p>
<p align="center" style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Baga I</span></strong></span></span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></span></span></strong><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">por Perséfone Montana</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"></span></strong></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Bem que Penélope falou que a Bagaceira não tinha por quê estar fora do Mal de Montano. “Bagaceira” era o blog<span>  </span>que pretendíamos criar com estórias bem... que como o próprio nome diz... bem...</span></p>
<p></span></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span>        </span></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Encontro do Mal. Definição de objetivos, estratégias, o que escrever, publicar, divisão de tarefas. Café Balaio, garçom charmoso na assistência, galera jovem e bonita cantando na mesa atrás, contato para sarau. As Montanas se deram bem, eu sabia. Do mesmo saco, a farinha. Muita cerveja e risada, confissões na madrugada. Começou daí.</span></p>
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<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Um massagista da Chapada ligou depois de três anos para uma delas, bem no meio do encontro. –Vocês não têm idéia do que era aquela massagem! A outra se anima, pega o telefone: - Está atendendo hoje? O rapaz indo para Goiânia; deu meia volta e rumou para o Gates. Lá fomos nós. Vivência para dar força à imaginação. De onde Trevisan tirou aqueles contos de esbórnia, devassidão? </span></p>
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<p style="text-align:justify;margin:0;" class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Gates já um pouco vazio. O barman da semana passada, lindo, servindo a gente: -Por que você me despreza, meu amor? – É que voltei com a minha namorada. – E eu? O que fazer agora com esse sentimento? – Mas ficamos juntos só uma vez! – Mas não é suficiente para o amor?- (Tão 