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	<title>millor-fernandes &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/millor-fernandes/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "millor-fernandes"</description>
	<pubDate>Fri, 25 Jul 2008 23:09:10 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Barata à Vista - Guia pratico para você matar uma barata]]></title>
<link>http://blogdobonomi.wordpress.com/?p=180</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 05:02:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Felipe</dc:creator>
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<description><![CDATA[ A barata é a mais lídima das aquisições democráticas do mundo. Quase toda a casa a            ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"> A barata é a mais lídima das aquisições democráticas do mundo. Quase toda a casa a             possui. Aos</span><img class="alignright" src="http://www.bemparana.com.br/marcus/wp-content/uploads/2007/12/barata.gif" alt="" /><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"> pobres lhes cabe melhor quinhão desses insetos, muito embora o Sr. Guinle             não possa se queixar pois o Copacabana também as tem apesar de todo o DDT. Pertencendo             à família das BLATÍDEAS, muito conhecida nos buracos de rodapés, cantos de estantes,             fundos de arquivos e de gavetas, as baratas têm hábitos próprios interessantíssimos             com os quais me familiarizei nos meus longos anos de pertinaz contato com arcanos e             alfarrábios.</span></p>
<p>Para se lidar com baratas há quem acredite em inseticidas e baraticidas. Como em tudo             mais, acredito em psicologia. Para se aplicar a psicologia é preciso um certo método e             uma vasta disciplina. Vejamos.</p>
<p style="text-align:justify;">Encontra-se a barata. Para se encontrar uma barata não é preciso muito gasto de energia.             Em geral ela nos procura. E mais em geral ainda ela vem ao meio de nossos dedos quando             pegamos aquela pilha de livros que estava embaixo da escada. No momento em que sentimos a             barata presa em nossos dedos um sentimento de horror inaudito corre nossa espinha.             Largamos livros, agitamo-nos furiosamente, batemos no chão, nos móveis e nos livros com             o primeiro pano ou jornal que se nos depara, mas, a essa altura, a barata já estará             longe, escondida numa das 365 mil páginas dos 870 livros que espalhamos no chão. Como             encontrá-la? eis o problema. Esse problema, depois de acalmados nossos nervos e             esfregadas nossas mãos com sabão e bastante álcool, é que procuramos resolver.</p>
<p style="text-align:justify;">Existe, para se pegar uma barata, dois processos distintos. Um é chamar a empregada e             dizer: "Tem uma barata aí! Quero isso bem limpo!" e virar covardemente as             costas. Dessa atitude pode resultar que a barata atinja um extraordinário grau de             longevidade pois a empregada passará um pano nos livros e jogará por cima deles um pouco             de DDT, dando-se por satisfeita. A barata também. E daqui há seis meses, quando você             for pegar aquele velho exemplar de Balzac, terá a desagradável surpresa de ver, à             página 276, olhando-o com aqueles olhos brejeiros e aquelas antenas irônicas que lhe             são próprios, a mesma barata que você tinha condenado à morte. Vocês fitar-se-ão             demoradamente. Ela continuará baloiçando as antenas. E você, depois de um segundo de             inércia, saltará para o ar, jogará o livro para o outro lado e berrará femininamente.             Pois eis que as baratas têm o extraordinário poder de nos afeminar a todos, afirmativa             essa que se aceitará sem contestação se se atentar para o grande número de baratas que             há em nossos teatros.</p>
<p style="text-align:justify;">Portanto não se deve virar as costas a uma barata, como fazem os elementos da ribalta,             mas sim enfrentá-la masculamente. Para isso precisamos, antes de mais nada, saber se a             barata é uma BLATÍDEA comum ou se é uma PERIPLANETA AMERICANA, ou, em linguagem menos             científica, uma dessas baratas que voam. Se é dessas aconselho o leitor a desistir de             qualquer pretensão máscula, arrumar as malas, fechar as portas de sua casa e entrar para             o Teatro.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora, se é das outras, sempre há recursos:</p>
<p style="text-align:justify;">1 — Pegue um <em>Correio da Manhã</em> bem dobrado, deixando à mostra o artigo de             fundo. Sacuda os livros e espere, trepado numa cadeira. Atente sobretudo para o estilo de             bater quando a barata surgir. Lembre-se: o estilo é o homem.</p>
<p style="text-align:justify;">2 — Quando a barata surgir bata de uma vez. Não durma na pontaria. Ela normalmente             pára um pouquinho, para sondar o ambiente cá de fora e confrontá-lo com a literatura em             que vive metida. esse o momento de atacar.</p>
<p style="text-align:justify;">3 — Trate de verificar se o inseto em que você está batendo é uma barata ou um             barato. Nunca se esqueça: o barato sai caro.</p>
<p style="text-align:justify;">4 — Nunca aproxime e afaste o jornal para fazer pontaria. As baratas sabem muito bem             o que as espera quando sentem esse ventinho, quando você bater de verdade ela já terá             embarcado para a Europa.</p>
<p style="text-align:justify;">5 — Não tenha pena de bater. Bata firme, forte, decididamente. É a vida dela ou a             sua. Se você não a matar terá que passar a existência inteira alimentando-a a             inseticida.</p>
<p style="text-align:justify;">6 — Não se importe com as coisas que o cercam. Afinal de contas que são meia dúzia             de copos partidos, um tapete manchado, dois livros com as páginas rasgadas e uma perna de             cadeira quebrada se você conseguiu eliminar uma barata?</p>
<p style="text-align:justify;">7 — Se falhar, só a paciência lhe dará outra oportunidade. A barata não lhe dará             outra tão cedo, enquanto permanecer em sua memória o trauma da pancada que quase lhe             tirava a vida. Não adianta você sacudir livro após livro porque se recusará a             aparecer. Agarrar-se-á às páginas e, se cair ao chão, correrá rapidamente,             escondendo-se por trás do guarda-roupa.</p>
<p style="text-align:justify;">8 — Não se deixe levar pela vaidade. Às vezes você atinge uma barata de leve e ela             vira-se de barriga para o ar agitando as perninhas ininterruptamente, com a expressão de             quem está dando uma gargalhada, achando você engraçadíssimo. Isso poderá lisonjeá-lo             mas não a poupe por esse motivo.</p>
<p style="text-align:justify;">9 — Às vezes elas tentam outro truque sentimental. Atingidas de leve elas vão se             arrastando tristemente, de vez em quando olhando para você com um olhar que 1he dilacera             o coração, como quem diz: "Seu malvado, viu o que você fez?" Antes de             começar a chorar bata até matar. Depois chore.</p>
<p style="text-align:justify;">10 — De seis em seis meses faça um teste consigo próprio para ver se você está             mais desbaratador do que no semestre anterior. Se a resposta for negativa não esmoreça.             Continue lutando até que possa, como nós, cobrar caro pelas lições administradas. E             essa é nossa última recomendação: cobre sempre caro pelos seus conselhos nesse setor.             Não se barateie!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Notas de um ignorante]]></title>
<link>http://blogdobonomi.wordpress.com/?p=175</link>
<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 04:19:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>Felipe</dc:creator>
<guid>http://blogdobonomi.wordpress.com/?p=175</guid>
<description><![CDATA[Entre as coisas que me surpreendem e humilham, figura esta, fundamental, que é a cultura de meus am]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Entre as coisas que me surpreendem e humilham, figura esta, fundamental, que é a cultura de meus amigos e conhecidos. Não só a cultura no sentido clássico, mas também o conhecimento imediato das coisas e fatos que lhe estão sob os olhos no dia-a-dia da existência. Quem está a meu lado sempre leu mais livros do que eu, conhece mais política do que eu, já esteve em mais países do que eu, já teve mais casos sentimentais do que eu, estudou mais do que eu, praticou e pratica mais esportes. Paro e me pergunto que fiz dos meus anos de vida. Já fui atropelado e sofri alguns acidentes, como explosão, queda e afogamento. Mas entre os acidentados não estou na primeira fila. Tenho vários amigos que já caíram de avião, outros de cavalo, alguns sofreram pavorosos desastres de automóveis, um esteve preso num armário enquanto uma casa (não a dele, é claro!) se incendiava, outro ajudou a salvar o navio Madalena em meio a tremendas ondas que ameaçavam arrebentar sua lancha a todo momento.</p>
<p style="text-align:justify;">Que fiz eu de minha vida? Em matéria de cultura encontro imediatamente quinhentas pessoas, só entre as que eu conheço, que sabem mais línguas do que eu, leram mais, falam melhor e mais logicamente, conhecem mais de teatro e citam com precisão escolas filosóficas, afirmando que tal pensamento pertence a esta e contradiz aquela. Que fiz eu? De esportes ignoro tudo, não sei sequer contar os pontos de vôlei, só assisti até hoje a uma partida de pólo, nunca joguei futebol e quando vou ver esses jogos desse esporte, só consigo reconhecer os jogadores mais famosos. Esqueço o nome de todos, e no domingo seguinte já não sei mais o escore da partida a que assisto neste. Nado mal, corro pedras, jamais consegui me levantar num esqui aquático, não guio lancha, joguei golfe uma vez, tênis seis meses, não entendo de velejar (o que já me causou uma grande humilhação diante de esportivíssimas americanas de quinze anos que me conduziram num passeio lá na terra delas), e, em matéria de mares, nunca lhes sei os ventos e fico parvo com o senso de direção de muitos e muitos de meus amigos que jamais supus tomassem nada de brisa e tufões. Guio, mas o motor de meu carro é para mim um mistério indevassável. Sei apenas abrir o capô e contemplar a máquina, atitude metafísica que até hoje não pôs carro algum em marcha.</p>
<p style="text-align:justify;">Seria eu então um homem dedicado á cultura propriamente dita, aos livros, ao estudo, ao amor da leitura e do pensamento? Não, pois meu pensamento é confuso e minha leitura parca. Conheço homens, dos que não vivem de escrever, que pensam muito melhor do que eu e leram muito mais, sem contar os especialistas, que conhecem livro pelo cheiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Entre os que viajam também não sou dos que tenham viajado mais. Com o agravante de que nunca sei bem onde estou, não conheço a distância que vai de Roma a Paris, nem sei se Marselha está ao Sul ou ao Norte da Itália. Fico boquiaberto quando vejo amigos meus apontarem estátuas e falarem sobre os personagens que elas representam com uma facilidade com que falariam de si próprios. Mesmo o conhecimento de nomes, pessoas e fatos adquiridos em viagens eu o esqueço em três semanas. Mas não adianta o leitor querer me consolar, dizendo que talvez eu seja um bonvivã, porque nunca o fui dos maiores, tendo minha vida sido conduzida sempre numa certa disciplina, necessária a quem veio de muito longe. Donde o amigo poderá concluir então que eu sou um trabalhador infatigável, um esforçado, um detonado. E isso também não é verdade porque, com raras exceções, nunca trabalhei demasiadamente e cada vez procuro trabalhar menos, numa conquista ao mesmo tempo prática e filosófica. Bebo? Bebo mal e ocasionalmente. Não sei quando a bebida é boa ou falsificada. Não sei o nome dos vinhos mais triviais e sempre me esqueço qual é o restaurante em que eles fazem um prato que certa vez eu adorei. Por mais jantares a que tenha ido e por melhores alguns lugares que tenha freqüentado, devo sempre esperar que alguém se sirva na minha frente para não pegar o talher errado e o copo idem. Além do que não como muito, nem tenho nenhuma particular predileção por comer. Gosto então da vida calma, sou um praticante da meditação e do ioga? Nunca dos que mais o são. Por outro lado a extrema agitação também não me é familiar.</p>
<p style="text-align:justify;">Que fiz da minha vida? Quando há um acidente de rua, vem-me o pavor de tomar partido, pois nunca tenho realmente a convicção do lado certo. Se fala o mais poderoso eu sou inclinado a ficar de seu lado por uma tendência a defender os que hoje são mais comumente acusados de todos os males, vítimas do tempo. Se fala o mais humilde sinto-me inclinado a defendê-lo por um ancestralismo que me faz seu irmão, por idéias arraigadas que fazem com que todo homem queira lutar instintivamente pelo mais fraco. Por quê? Não sei. Sou bom de guardar nomes, caras, datas? Já disse que não. Sempre esqueço o nome dos conhecidos e troco o dos amigos mais íntimos num fenômeno parifásico que só a loucura mesma explicaria ou então a bobeira nata que Deus me deu. E política meu conhecimento chega ao máximo de saber que o Sr. Plínio Salgado pertence ao PRP, o Brigadeiro à UDN e Jango ao PTB e creio que há alguns outros partidos também. Mas mesmo essas convicções não são inabaláveis e, se alguém me pegar desprevenido e fizer dessas letras e nomes outras combinações, lá vou eu a aceitá-las, embrulhado e tonto, até que outro interlocutor crie para mim novas combinações e novas confusões.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas peguem um puro e simples crime e eu nunca sei quem matou a empregada e em meu peito jamais se chegou a criar uma suspeita sólida a respeito do poeta de Minas. Isso, aliás é o máximo a que vou – sei que houve um crime em Minas Gerais, alguém matou alguém. O morto não está na lista de minhas lembranças, não sei de quem se trata. Sei que o indiciado assassino é um poeta, vi sua cara barbada e meio calva em muitos jornais e revistas. Mas meus conhecidos sabem de tudo. As mulheres de meus conhecidos então nem se fala. Que fiz eu de minha vida? – me pergunto de novo, honestamente, com a surpresa e a amargura com que o Senhor perguntava: “Caim, que fizeste de teu irmão?” Pois boêmio não sou, embora tenha gasto milhares de noites solto pelas ruas. Mas os boêmios me consideram um arrivista da boemia assim como os homens cultos me consideram um marginal da cultura. E os esportistas a mesma coisa com relação aos parcos esportes que pratico. Todos com carradas de razão.</p>
<p style="text-align:justify;">E nem a maior parte do meu tempo foi gasta em conquistas amorosas, pois nesse terreno o Porfírio Rubirosa, se me conhecesse, me olharia com o mesmo desprezo com que me olham conhecidos galãs nacionais.</p>
<p style="text-align:justify;">Dessa mente confusa, dessa existência confusa, dessas mal-traçadas-linhas de viver creio que só resta mesmo uma conclusão a que durante anos e anos me recusei por orgulho e vergonha – sou, por natureza e formação, um humorista.</p>
<p style="text-align:justify;">--<br />
Comecei a ler "Notas de um Ignorante" livro do Millôr Fernandes, muito bom o livro, esse texto é de lá.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[livros, livros e mais livros]]></title>
<link>http://thernotes.wordpress.com/?p=36</link>
<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 21:16:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>R. » thernotes.wordpress.com</dc:creator>
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<description><![CDATA[meu passatempo preferido é ler um livro, se fico um segundo de bobeira, me pego procurando meu comp]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>meu passatempo preferido é ler um livro, se fico um segundo de bobeira, me pego procurando meu companheiro inseparável, sou rato de bibliotecas e livrarias assumido. costumo brincar que se as mulheres possuem um covinha sob o braço de tanto carregar suas bolsas eu possuo uma de tanto carregar meus livros.</p>
<p>minha história com os livros é de longa data. quando tinha dez anos, meu pai começou a trabalhar em uma distribuidora de livros. quase todos os dias quando saia da escola, eu ia visitá-lo, na verdade ia visitar ele e aqueles milhares de livros que ficavam empilhados nas infindáveis prateleiras de lá. ficava cinco, seis horas lendo sem parar, não comia nem bebia nada, o livro me alimentava por completo.</p>
<p>lá conheci alguns dos meus melhores amigos de infância - Erico Verissimo, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Nelson Rodrigues, Euclides da Cunha, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Jorge Amado, Mario Quintana, Oswald de Andrade, Millôr Fernandes, Manuel Bandeira, Luis Fernando Verissimo e muitos outros (só para citar os nacionais) - e nunca mais dei bola pra minha gorduchinha (televisão)…</p>
<p>hoje meu pai não trabalha mais lá, mas não fiquei órfão, pois, ele abriu sua própria livraria. meu irmão seguiu no ramo e hoje é editor em uma editora, eu fui livreiro por quase cinco anos, minha mãe por dois, minha tia uns quinze, já deu pra entender né?</p>
<p>os livros (como vocês já devem ter notado) ocupam um espaço enorme em minha vida e, a partir de agora, dividirei com vocês, o que ando lendo, relendo e descobrindo desde que iniciei estas minhas notas. a idéia, é fazer uma roda de debates, um pequeno clube do livro, na verdade, uma desculpa esfarrapada para reunir bons amigos.</p>
<p>hoje a noite começo a ler <strong>Memória de minhas putas tristes de Gabriel García Márques</strong>, como é um livro relativamente fino, espero terminá-lo em três ou quatro madrugadas. até breve!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Frase na Chapa]]></title>
<link>http://chapabranca.wordpress.com/?p=191</link>
<pubDate>Sat, 07 Jun 2008 16:18:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Moraes</dc:creator>
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<description><![CDATA[“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão, que]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-size:14pt;">“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo</span></em><span style="font-size:14pt;"> <em>e já tinha inventado a televisão, que ensina a desprezar o distante.”</em> </span></p>
<p><em><span style="font-size:14pt;">Millôr Fernandes</span></em><span style="font-size:14pt;"></span></p>
<p style="text-align:center;"><em><span style="font-size:16pt;font-family:Verdana;"></span></em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Discurso de Deus a Eva]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/?p=600</link>
<pubDate>Sat, 24 May 2008 21:40:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
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<description><![CDATA[&#8220;&#8230; Eva, de repente, descobrindo uma bela cascata, resolveu tomar um banho de rio.  A cr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">"... Eva, de repente, descobrindo uma bela cascata, resolveu tomar um banho de rio.  A criação inteira veio então espiar aquela coisa linda que ninguém conhecia.  E quando Eva saiu do banho, toda molhada, naquele mundo inaugural, naquela manhã primeval, estava realmente tão maravilhosa que os anjos, arcanjos e querubins, ao verem a primeira mulher nua sobre a Terra, não se contiveram, começaram a bater palmas e a gritar, entusiasmados: "O AUTOR! O AUTOR! O AUTOR!".</p>
<p>"P.S. - Este discurso do Todo-Poderoso está sendo divulgado pela primeira vez em todos os tempos, aqui neste livro.  Nunca foi publicado antes, nem mesmo pelo seu órgão oficial, A BÍBLIA."</span></em></p>
<p align="left">
<span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">"Minha cara,</p>
<p>eu te criei porque o mundo estava meio vazio, e o homem, solitário. O Paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro. As árvores, ninguém para criticá-las; os jardins, ninguém para modificá-los; as cobras, ninguém para ouvi-las. Foi por isso que eu te fiz. Ele nem percebeu e custará os séculos para percebê-lo. É lento, o homenzinho. Mas, hás de compreender, foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila, material precário, embora maleável. Já em ti usei a cartilagem de Adão, matéria mais difícil de trabalhar, mais teimosa, porém mais nobre. Caprichei em tuas cordas vocais, poderás falar mais, e mais suavemente. Teu corpo é mais bem acabado, mais liso, mais redondo, mais móvel, e nele coloquei alguns detalhes que, penso, vão fazer muito sucesso pelos tempos a fora. Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensara que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho. Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus <em>public-relations</em>, os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.</p>
<p>Nasces sábia, na certeza de todos os teus recursos, enquanto o Homem, rude e primário, terá que se esforçar a vida inteira para adquirir um pouco de bens que depositará humildemente no teu leito. Vai! Quando perguntei a ele se queria uma Mulher, e lhe expliquei que era um prazer acima de todos os outros, ele perguntou se era um banho de rio ainda melhor. Eu ri. O homem e um simplório. Ou um cínico. Ainda não o entendi bem, eu que o fiz, imagina agora os seus semelhantes.</p>
<p>Olha, ele acorda. Vai. Dá-me um beijo e vai. Hmmmm, eu não pensava que fosse tão bom. Hmmmm, ótimol Vai, vai! Não é a mim que você deve tentar, menina! Vai, ele acorda. Vem vindo para cá. Olha a cara de espanto que faz. Sorri! Ah, eu vou me divertir muito nestes próximos séculos!"</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><em><br />
<span style="color:#888888;">Texto extraído do livro</span></em><span style="color:#888888;"> "Esta é a verdadeira história do Paraíso", </span><em><span style="color:#888888;">Livraria Francisco Alves Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. s/nº.<br />
</span></em></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Carioca É. Antes de Tudo.]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/?p=599</link>
<pubDate>Sat, 24 May 2008 21:31:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
<guid>http://brunarangel.wordpress.com/?p=599</guid>
<description><![CDATA[Os paulistanos (!) que me perdoem, mas ser carioca é essencial. Os derrotistas que me desculpem, ma]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;">Os paulistanos (!) que me perdoem, mas ser carioca é essencial. Os derrotistas que me desculpem, mas o carioca <em>taí</em> mesmo pra ficar e seu jeito não mudou. Continua livre por mais que o prendam, buscando uma comunicação humana por mais que o agridam, aceitando o pão que o diabo amassou como se fosse o leite da bondade humana. O carioca, todos sabem, é um cara nascido dois terços no Rio e outro terço em Minas, Ceará, Bahia, e São Paulo, sem falar em todos os outros Estados, sobretudo o maior deles o estado de espírito. Tira de letra, o carioca, no futebol como na vida. Não é um conformista -- mas sabe que a vida é aqui e agora e que tristezas não pagam dívidas. Sem fundamental violência, a violência nele é tão rara que a expressão "botei pra quebrar" significa exatamente o contrário, que não botou pra quebrar coisa nenhuma, mas apenas "rasgou a fantasia", conseguiu uma profunda e alegre comunicação -- numa festa, numa reunião, num bate-coxa, num ato de amor ou de paixão -- e se divertiu às pampas. Sem falar que sua diversão é definitivamente coletiva, ligada à dos outros. Pois, ou está na rua, que é de todos, ou no recesso do lar, que, no Rio é sempre, em qualquer classe social, uma <em>open-house</em>, aberta sob o signo humanístico do "pode vir que a casa é sua".<br />
<!--more--><br />
Carioca, é. Moreno e de 1,70 metro de altura na minha geração, com muitos louros de 1,80 metro importados da Escandinávia na geração atual, o carioca pensa que não trabalha. Virador por natureza, janota por defesa psicológica, autocrítico e autogozador não poupando, naturalmente, os amigos e a mãe dos amigos -- ele vai correndo à praia no tempo do almoço apenas pra livrar a cara da vergonhosa pecha de trabalhador incansável. E nisso se opõe frontalmente ao "paulista", que, se tiver que ir à praia nos dias da semana,vai escondido pra ninguém pensar que ele é um vagabundo.</p>
<p>Amante de sua cidade, patriota do seu bairro, o carioca vai de som (na música), vai de olho (é um paquerador incansável e tem um pescoço que gira 360 graus), vai de olfato (o odor é de suprema importância na fisiologia sexual do carioca).</p>
<p>Sem falar, que, em tudo, vai de espírito; digam o que disserem, o papo, invenção carioca, ainda é o melhor do Brasil, incorporando as tendências básicas do <em>discurso</em> nacional: o humanismo mineiro, o pragmatismo paulista, a verborragia baiana.</p>
<p>E basta ouvir pra ver que o nervo de todas as conversas cariocas, a do bar sofisticado como a do botequim pobre e sujo, por isso mesmo sofisticadíssimo, a do <em>living-room</em> granfa, a da cama (antes e depois), é o humor, a crítica, a piada, a graça, o descontraimento. Não há deuses e nada é sagrado no Olimpo da sacanagem. O carioca é, antes de tudo, e acima de tudo, um lúdico. Ainda mais forte e mais otimista do que o homem da anedota clássica que, atravessado de lado a lado por um punhal, dizia: "<em>Só dói quando eu rio</em>", o carioca, envenenado pela poluição, neurotizado pelo tráfego, martirizado pela burocracia, esmagado pela economia, vai levando, defendido pela couraça verbal do seu humor.</p>
<p>Só dói quando ele não ri.</p>
<p>Só dói quando ele não bate papo.</p>
<p>Só dói quando ele não joga no bicho.</p>
<p>Só dói quando ele não vai ao Maracanã.</p>
<p>Só dói quando ele não samba.</p>
<p>Só dói quando ele esquece toda essa folclorada acima, que lhe foi impingida anos a fio com o objetivo de torná-lo objeto de turismo, e enfrenta a dura realidade... carioca.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span><em><br />
</em></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Chapeuzinho Vermelho]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/?p=598</link>
<pubDate>Sat, 24 May 2008 21:23:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
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<description><![CDATA[Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;color:#888888;">Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).</span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#888888;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;color:#888888;"><!--more--></p>
<p>Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".</p>
<p>Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.</p>
<p>Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". <span style="font-family:Verdana;">W. B. Saunders Company, Publishers.) </span></span></span><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-family:Verdana;"><em><br />
</em><span style="font-size:x-small;"><em><br />
<span style="color:#888888;">Extraído do livro "</span></em><span style="color:#888888;">Lições de Um Ignorante</span></span><em><span style="font-size:x-small;color:#888888;">", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág. 31<br />
</span></em></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Receita de Mulher]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/?p=574</link>
<pubDate>Fri, 23 May 2008 22:01:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
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<description><![CDATA[Os olhos sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto
A da terra. (Vin]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Os olhos sejam de preferência grandes</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">E de rotação pelo menos tão lenta quanto</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">A da terra. <strong>(Vinícius de Moraes)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">O seu semblante, redondo</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Sobrancelhas arqueadas</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Negros e finos cabelos</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Carnes de neve formadas. <strong>(Thomaz Antônio Gonzaga)</strong></span></span></p>
<p><!--more--></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Simpáticas feições, cintura breve,</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Graciosa postura, porte airoso, </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Uma fita, uma flor entre os cabelos. <strong>(Gonçalves Dias)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Verde carne, tranças verdes. <strong>(Garcia Lorca)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Lábios rubros de encanto </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Somente para o beijo. <strong>(Junqueira Freire)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">A sua língua, pétala de chama. <strong>(Cândido Guerreiro)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Nos lobos das orelhas</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Pingentes de prata. <strong>(Gonçalves Crespo)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Mão branca, mão macia, suave e cetinosa</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Com unhas cor de aurora e luz do meio dia</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Nas hastes cor-de-rosa. <strong>(Luiz Delfino)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Os braços frouxos, palpitante o seio. <strong>(Casimiro de Abreu)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">O dorso aveludado, elétrico, felino</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Porejando um vapor aromático e fino. <strong>(Castro Alves)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Seu corpo tenha a embriagues dos vícios. <strong>(Cruz e Souza)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Com mil fragrâncias sutis</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Fervendo em suas veias</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Derramando no ar uma preguiça morna. <strong>(Teófilo Dias)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Nádegas é importantíssimo</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Gravíssimo porém é o problema das saboneteiras</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Uma mulher sem saboneteiras </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">É como um rio sem pontes. <strong>(Vinícius de Moraes)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">As curvas juvenis </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Frescas de ondulações de forma florescente</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Imprimindo nas roupas um contorno eloqüente. <strong>(Álvares de Azevedo)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Qualquer coisa que venha de ânsias ainda incertas</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Como uma ave que acorda e, inda mal acordada,</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Move, numa tonteira, as asas entreabertas. <strong>(Amadeu Amaral)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">De longe, como Mondrians</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Em reproduções de revistas</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Ela só mostre a indiferente </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Perfeição da geometria. <strong>(João Cabral de M. Neto)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Que no verão seja assaltada por uma </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Remota vontade de miar. <strong>(Rubem Braga)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">A graça da raça espanhola</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">A chispa do Touro Miura</span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">Tudo que um homem namora </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><span style="color:#888888;">Tudo que um homem procura. <strong>(Paulo Gomide)</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">E todo o conjunto deve exprimir a inquietação e espera. Espera, eu disse? Então vou indo, que senão, me atraso! </span></p>
<p><span style="font-size:x-small;color:#888888;font-family:Verdana;">*Vinícius que me perdoe plagiá-lo. Mas beleza é fundamental. (M.F.)</span></p>
<p><em><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><br />
<span style="color:#888888;">(Show da Rhodia: Mulher, esse super homem/1967).</span></span></em></p>
<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;"><em><br />
<span style="color:#888888;">Extraído do livro</span></em><span style="color:#888888;"> "Trinta anos de mim mesmo", </span><em><span style="color:#888888;">Editora Nórdica - Rio de Janeiro,1972, pág. 146.</span><br />
</em></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Pedro Silva - O Sabe Tudo]]></title>
<link>http://aspirantepensador.wordpress.com/?p=6</link>
<pubDate>Mon, 19 May 2008 09:22:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>geckobr</dc:creator>
<guid>http://aspirantepensador.wordpress.com/?p=6</guid>
<description><![CDATA[Texto de Millor Fernandes

Enquanto isso Pedro Silva estuda. Tem soberano desprezo pelas coisas do m]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Texto de Millor Fernandes</em></p>
<p><img src="http://www1.istockphoto.com/file_thumbview_approve/864268/2/istockphoto_864268_nerd_face_1.jpg" alt="nerd" width="255" height="244" /></p>
<p>Enquanto isso Pedro Silva estuda. Tem soberano desprezo pelas coisas do mundo, desde que essas coisas não sejam rios da África, imperadores da Dinastia de Kao, pássaros da família dos Lenotápteros. Tem adroração pelo papel impresso, horror à coisa viva. Repudia o ato físico, ignora um belo corpo, teme doentiamente o sol, nunca foi ver Nicole passeando no Arpoador.</p>
<p>É recalcadinho e solene, usa óculos pesados, que lhe melhoram a visão oftalmológica, ainda que não a psicológica. Pois é falho e pobre e fora de tudo que sabe não sabe mais nada. E como tantas vezes melhor compreender a existência é necessário um pouco de ignorância, Pedro Silva, que tudo sabe, logicamente ignora tudo isso. Assim, sua sabedoria total transforma-o num ignorante completo. Jogo de palavras e de idéias, esse no qual se encerra o ciclo vital da ignorância e da sabedorias humanas.</p>
<p><em>(Millor Fernandes, Tempo e contratempo. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, s.d., s.p)</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Por um bom motivo]]></title>
<link>http://ideiafix.wordpress.com/?p=282</link>
<pubDate>Sat, 10 May 2008 00:56:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>Frank Toogood</dc:creator>
<guid>http://ideiafix.wordpress.com/?p=282</guid>
<description><![CDATA[Hoje não vai ter Opinix&#8230;. O Carlos ficou ocupado (e vocês já vão entender o porque) e não]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Hoje não vai ter Opinix....</strong> O Carlos ficou ocupado (e vocês já vão entender o porque) e não pôde fazer a coluna dele hoje.</p>
<p>Durante a semana ele vai repor, de uma forma especial...</p>
<p>Para preencher o espaço, a<strong>qui vai uma texto do Millôr Fernandes</strong>... Já que essa coluna é sobre política e economia, nada melhor (fora o próprio Carlão) que um HUMORISTA... ou melhor O HUMORISTA para destrinchar esses assuntos:</p>
<p style="text-align:left;"><em>"Na minha infância, quando alguém mais respeitável da família falava em falta de decoro, eu sabia o que era. Mas hoje, quando falam em "quebrar o decoro parlamentar", não sei o que querem dizer. Falta de decoro de que se falava, naquele então, era, no máximo, um velho da família sair do banheiro de braguilha aberta, com o pinguelo ao ar livre. "Deus do céu, vovô não tem mais decoro."</p>
<p>Agora, quando rivais, ou juristas, ou a imprensa, falam de um malversador, ladrão, patife, aquilo que no todo se sintetiza com o substantivo canalha, ele está apenas faltando com o decoro? Putsgrila!</p>
<p>Vejam agora no plano internacional. Recebi, pela internet, de várias fontes, um filme com a figura do grande líder italiano Berlusconi, em primeiro plano, close, fotografia nítida e ao vivo, tirando ouro do nariz. Não só tirando, mas apertando entre os dedos. A descrição é repugnante? Poupo-lhes a imagem – este é um saite asseado.</p>
<p>Ah, bom, todos sabem quem é Berlusconi. Sem dúvida o homem mais poderoso da Itália. E um cidadão cujos feitos são de tal ordem e tal desfaçatez que reduzem nossos grandes líderes no setor, Quércia, Maluf, Jader Barbalho, ao nível de trombadinhas.</p>
<p>No meu tempo (meu tempo é daqui a dez anos) esse homem, que possivelmente será novamente primeiro-ministro da Itália e domina 45% da televisão, não seria convidado em jantar em família."</em></p>
<p style="text-align:right;"><strong>Daily Míllor - 16 de maio de 2008<br />
Em <a href="http://www2.uol.com.br/millor" target="_blank">Millôr Online</a></strong></p>
<p>Agora vocês devem estar se perguntando: <strong>QUAL ERA O BOM MOTIVO PRA NÃO TER OPINIX?</strong><br />
Respondo: Carlão passou o dia preparando o próximo Entrefix, com uma personalidade importantíssima do cenário político e da imprensa...<br />
<span style="text-decoration:underline;"><strong>Aguardem para breve Franklin Martins!</strong></span></p>
<p>E não é que isso aqui está  virando um blog de garbo e elegância? Até correspondentes tem!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Fim de noite com Millôr Fernandes]]></title>
<link>http://cotidianorecordable.wordpress.com/?p=117</link>
<pubDate>Wed, 07 May 2008 23:51:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>cotidianorecordable</dc:creator>
<guid>http://cotidianorecordable.wordpress.com/?p=117</guid>
<description><![CDATA[&#8220;Estamos seguros de que mais vale um pássaro voando do que dois na mão, cão que ladra só n]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>"Estamos seguros de que mais vale um pássaro voando do que dois na mão, cão que ladra só não morde enquanto ladra, e, se o hábito não faz o monge, fá-lo parecer de longe. Por isso a cavalo dado deve-se olhar os dentes com atenção redobrada". (Bíblia do Caos: Novo Evangelho)</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Me chama de lagartixa]]></title>
<link>http://slsnake.wordpress.com/?p=356</link>
<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 16:07:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>S.L. Snake</dc:creator>
<guid>http://slsnake.wordpress.com/?p=356</guid>
<description><![CDATA[Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar.
Millôr Fernandes
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Esnobar<br />
É exigir café fervendo<br />
E deixar esfriar.</p>
<p><b><a href="http://www.pensador.info/frase/MTY5Mg/" target="_blank">Millôr Fernandes</a></b></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobre Machado de Assis]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/2008/03/16/sobre-machado-de-assis/</link>
<pubDate>Sun, 16 Mar 2008 03:19:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
<guid>http://brunarangel.wordpress.com/2008/03/16/sobre-machado-de-assis/</guid>
<description><![CDATA[Desde a escola, somos condicionados a acreditar que se trata de um grande escritor. Assim, todo mund]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Desde a escola, somos condicionados a acreditar que se trata de um grande escritor. Assim, todo mundo repete isso, mesmo sem ter lido uma linha. Eu nunca disse que não gostava de Machado de Assis, mas o considero um escritor de segunda - afinal, na época dele tínhamos o Proust. Machado era um burocrata. Não entendo, por exemplo, por que tanta discussão sobre a possível traição em Dom Casmurro - só faltam encomendar agora o teste de DNA da criança para tirar a dúvida. Afinal, a se julgar pelas cartas que escreveu para o Escobar, o Bentinho era uma bicha louca, que só não saiu do armário porque não era comum na época.</p>
<p>Fonte: <a target="_blank" href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070915/not_imp52247,0.php"><strong><font color="#536d88">Estadão </font></strong></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero | Millôr Fernandes]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=961</link>
<pubDate>Thu, 13 Mar 2008 22:02:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=961</guid>
<description><![CDATA[Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero | Millôr Fernandes
E, como é, onde é que estamos?
E]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero &#124; Millôr Fernandes</strong></p>
<p>E, como é, onde é que estamos?<br />
Estamos numa floresta<br />
Em que até santo não presta<br />
Quem puder que se defenda<br />
Quem não compra que se venda<br />
Acho que é um mar profundo<br />
Mais que isso, até sem fundo,<br />
Do meio pra cima imundo.<br />
Robalo come tainha<br />
Tubarão come cação<br />
Bonito come sardinha<br />
E traíra o próprio irmão<br />
Depois todos são comidos<br />
Por cação e tubarão<br />
E esses reis da crueldade<br />
Tudo que comem descomem<br />
Através do próprio homem<br />
Nos mercados da cidade.<br />
Tem razão o bom patrão<br />
Viver não é só comida<br />
Estive fazendo as contas<br />
É só metade da vida<br />
Mas eu ficava contente<br />
Comendo só uma vez<br />
Bem, uma vez por mês,<br />
Só quem não vê nem miséria<br />
No banquete universal<br />
Só eu nessa comilança<br />
Não ponho nada na pança<br />
E sou muito boa boca<br />
Como o fino, o trivial,<br />
O que me vier eu traço<br />
Olha aqui, meu pai do céu,<br />
Qualquer coisa, sabe, vai,<br />
Quero a fruta e o bagaço<br />
Como a casca e o caroço<br />
Só não quero coisa pouca<br />
Menos do que o essencial<br />
Como até açúcar sem sal<br />
Qualquer coisa dá pra mim<br />
Do refinado ao chinfrim<br />
Aqui como como aqui,<br />
E a vocês que são cabanos<br />
Eu digo sem desdenhá-los<br />
Em Roma eu como os romanos.</p>
<p><strong>Millôr Fernandes</strong><br />
<a HREF="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=21016&#38;Type=1&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a HREF="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Millor%20Fernandes&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=blended&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">World</a></p>
<p>-----<br />
<i>+ Veja também:</i></p>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/search/label/Lista%20dos%20Mais%20Vendidos">Lista dos livros mais vendidos</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/02/shine-light-rolling-stones-scorsese.html">Documentário: Shine a Light (The Rolling Stones/Martin Scorsese) &#124; Trailer</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/telefone-celular-nokia-n96-memoria-16gb.html">Novidade: Telefone Celular Nokia N96 com 16GB de Memória</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/2008/03/04/320/</link>
<pubDate>Tue, 04 Mar 2008 20:01:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
<guid>http://brunarangel.wordpress.com/2008/03/04/320/</guid>
<description><![CDATA[Quão maravilhosas as pessoas que não conhecemos bem. (Millor Fernandes)
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Quão maravilhosas as pessoas que não conhecemos bem. (Millor Fernandes)</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Jaguar do Millôr]]></title>
<link>http://onomatopoetico.wordpress.com/?p=3</link>
<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 23:26:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>Francisco</dc:creator>
<guid>http://onomatopoetico.wordpress.com/?p=3</guid>
<description><![CDATA[
O texto a seguir, uma descrição que Millôr fez de seu amigo Jaguar, foi publicado (também) no ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://farm3.static.flickr.com/2381/2301023394_228e8f5dff_m.jpg" border="0" alt="Jaguar - Foto ABI Online" hspace="7" vspace="3" width="130" height="170" align="right" /></p>
<p><span style="color:#333333;">O texto a seguir, uma descrição que Millôr fez de seu amigo Jaguar, foi publicado (também) no livro <em>É Pau Puro! O Jaguar do Pasquim</em>, que trazia uma seleção de cartuns do grande desenhista de humor publicados no <em>Pasquim</em>. Tenho a edição do Círculo do Livro, lançada em 1982. Hoje o livro pode ser encontrado apenas em bons sebos. </span></p>
<p><span style="color:#333333;">Os desenhos que ilustram esta postagem são de autoria de Jaguar (<em>exceto a figura maior, embaixo</em>) e podem ser ampliados. Para isso basta clicar em cada uma das imagens.</span></p>
<p><strong><span style="color:#000080;">Retrato 3 x 4 de um amigo 6 x 9</span></strong></p>
<p><a href="http://farm4.static.flickr.com/3173/2300230153_11222e2032_o.jpg" target="_blank"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3173/2300230153_c5e8418495_t.jpg" border="0" alt="Sig - CLIQUE PARA AMPLIAR" width="87" height="100" align="right" /></a><a href="http://farm3.static.flickr.com/2397/2300230763_15ef34a919_o.jpg" target="_blank"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2397/2300230763_cd81525344_t.jpg" border="0" alt="Sig - CLIQUE PARA AMPLIAR" width="97" height="100" align="left" /></a>Jaguar tem dois lados – o lado de lá de tarde bate sol, por isso é que sua fisionomia é toda contra-luz. Movimenta-se em vários sentidos, três deles completamente neutros, nem por isso, porém, impraticáveis. Usa bigode, mas não se vê. É patriota contratado esperando efetivação. Com as suas mãos conseguiu executar uma terceira que usa para os melhores desenhos que faz. É casado mas não acredita no inferno. Às sextas-feiras, às vezes entrando pelo sábado – é <a href="http://farm4.static.flickr.com/3147/2300220007_9cb2d7c6c3_o.jpg" target="_blank"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3147/2300220007_d378127280_m.jpg" border="0" alt="Até tu, Brutus? - CLIQUE PARA AMPLIAR" width="240" height="212" align="left" /></a>apocalíptico. Em dias de alegria fica triste mas esconde isso sob tal tumulto que sempre recebe o troféu Alegria da Festa. Tem uma filha cor-de-rosa e um filho verde nascido misteriosamente em Piraçununga, alguns anos atrás. Agora, quanto ao câncer, é a favor. Seus melhores amigos estão nas linhas transversais, mas não se importa; de vez em quando até desenha um com aquela espada. Pratica-se diariamente, por isso é que é tanto. Tem degraus, setenta e oito ao todo, mas está pensando em instalar uma elevatória. Grande coração, as dimensões do qual têm sido até exageradas – pois não transplanta. Da ponta do pé ao topo da cabeça vai toda a altura, mas nem isso o diminui. Reto quando a prumo, se curva todo ao menor elogio contrário. Tem olhos azuis, com os quais procura disfarçar seus estranhos óculos redondos. Modelo de pai, tem sido escolhido sempre como mau exemplo. Sua diversão preferida é ficar todo torcido diante dos espelhos que distorcem e fundir a cuca dos espelhos. Qualquer balança, porém, logo o desequilibra. No Banco do Brasil é considerado um funcionário bárbaro porque por onde<a href="http://farm4.static.flickr.com/3219/2300230897_20ff8f29ab_o.jpg" target="_blank"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3219/2300230897_4d7a07aa35_m.jpg" border="0" alt="Me Tarzan, you Jane - CLIQUE AQUI PARA AMPLIAR" width="226" height="240" align="right" /></a> ele passa não cresce grana. Se levanta com o sol: o difícil é ir deitar lá em cima da montanha da Gávea às quatro da manhã, depois de um pifa. Não fuma, mas, zangado, deita fumaça. Túnel rebouças foi apenas durante quinze dias pois detesta ar encanado. Quanto a Ipanema, diz sempre com orgulho: "I am a banda". Tem trinta e seis anos, o que fica muito bem na sua idade. Como o vidro, é eternamente jovem a não ser que o arranhem. Embaça um pouco, em dias de maresia interior, mas basta uma flanela que de novo brilha e reflete. Costumo lhe dizer: "Com teu talento, Jaguar, eu não estaria aqui. Estaria em cana, nos Estados Unidos".</p>
<p><em><strong>Millôr Fernandes<br />
</strong>Publicado na revista </em>Veja<em>, em 1969</em></p>
<p><em><a href="http://farm3.static.flickr.com/2277/2300230339_2470e332e9_o.jpg" target="_blank"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2277/2300230339_0517365f20.jpg?v=0" border="0" alt="Jaguar na animação " vspace="5" width="500" height="301" align="bottom" /></a></em><br />
<span style="color:#666699;"><span><em>Acima, Jaguar é personagem da animação</em></span> <strong>Santa de Casa</strong><em>, baseado no conto</em> Santa Milagrosa<em>, de Aldir Blanc, que foi adaptado por Allan Sieber e Leonardo Rodrigues. Clique no desenho para ir ao site de Allan Sieber e assista ao filme no</em></span> <a href="http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=4841&#38;Exib=2948" target="_blank">Porta Curtas</a>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Começando com graça]]></title>
<link>http://onomatopoetico.wordpress.com/?p=4</link>
<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 23:16:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Francisco</dc:creator>
<guid>http://onomatopoetico.wordpress.com/?p=4</guid>
<description><![CDATA[Nada melhor do que inaugurar este blog homenageando um dos grandes mestres do humor e do cartum do ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#333333;"><a href="http://farm4.static.flickr.com/3191/2300231411_3dbca9ef0e_o.jpg" target="_blank"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3191/2300231411_9b656733fa_m.jpg" border="0" alt="Sig, como o Leão do horóscopo - CLIQUE PARA AMPLIAR" width="144" height="240" align="right" /></a>Nada melhor do que inaugurar este blog homenageando um dos grandes mestres do humor e do cartum do Brasil. <a href="http://onomatopoetico.wordpress.com/2008/02/29/o-jaguar-do-millor/" target="_blank">Este texto</a> que abre o <strong>Onomatopeya</strong> foi escrito por outro humorista genial, Millôr Fernandes, que faz uma descrição brilhante de seu amigo, Jaguar.</span></p>
<p><span style="color:#333333;">Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe nasceu no Rio de Janeiro e, neste ano, comemorou seus 75 anos. Bem... como ele nasceu no </span><span style="color:#333333;">dia 29 de fevereiro, ele só faz aniversários de quatro em quatro anos. O que o torna, praticamente, um adolescente com apenas 19 aninhos! Então, estamos todos de parabéns! Não é qualquer povo que tem um Jaguar como esse!</span></p>
<p><span style="color:#333333;">O desenho ao lado, de sua autoria, foi publicado num "horóscopo" do <em>Pasquim</em>. <em><span style="color:#808080;">Clique na imagem para ampliar.</span></em></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Predestinação]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/2008/02/24/predestinacao/</link>
<pubDate>Sun, 24 Feb 2008 05:58:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
<guid>http://brunarangel.wordpress.com/2008/02/24/predestinacao/</guid>
<description><![CDATA[Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o si]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.<br />
Pois chamava-se Mário Lago.<br />
Viu a luz sob o signo de Piscis.<br />
Brilhava no céu a constelação de Aquário.<br />
Veio morar no Rio.<br />
Quando discutia, sempre levava um banho.<br />
Pois era um temperamento transbordante.<br />
Sua arte preferida: água-forte.<br />
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".<br />
Sua piada favorita: "Ser como o rio: seguir o curso sem deixar o leito".<br />
Pois estudava: engenharia hidráulica.<br />
Quando conheceu uma moça de primeira água.<br />
Foi na onda.<br />
Teve que desistir dos estudos quando já estava na bica para se formar.<br />
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.<br />
Donde desceu até ser leiteiro.<br />
Encarregado de pôr água no leite.<br />
Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.<br />
Mas ela o traiu com um escafandrista.<br />
E fugiu sem dizer água vai.<br />
Foi aquela água.<br />
Desde então ele só vivia na chuva<br />
Virou pau de água.<br />
Portanto, com hidrofobia.<br />
Foi morar numa água furtada.<br />
Deu-lhe água no pulmão.<br />
Rim flutuante.<br />
Água no joelho.<br />
Hidropsia.<br />
Bolha d’água.<br />
Gota.<br />
Catarata.<br />
Morreu afogado.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Reflexão sobre a reflexão]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/2008/02/23/reflexao-sobre-a-reflexao/</link>
<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 18:46:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
<guid>http://brunarangel.wordpress.com/2008/02/23/reflexao-sobre-a-reflexao/</guid>
<description><![CDATA[








Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes pen]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bp2.blogger.com/_eCwDtBybKi0/R8Dj58UFneI/AAAAAAAAAO4/X6xR8w_EzR8/s1600-h/200536281-001.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_eCwDtBybKi0/R8Dj58UFneI/AAAAAAAAAO4/X6xR8w_EzR8/s200/200536281-001.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a></p>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div>Terrível é o pensar.<br />
Eu penso tanto<br />
E me canso tanto com meu pensamento<br />
Que às vezes penso em não pensar jamais.<br />
Mas isto requer ser bem pensado<br />
Pois se penso demais<br />
Acabo despensando tudo que pensava antes<br />
E se não penso<br />
Fico pensando nisso o tempo todo</div>
<div>Millôr Fernandes</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Predestinação]]></title>
<link>http://brunarangel.wordpress.com/2008/02/23/predestinacao-2/</link>
<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 18:44:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>brunarangel</dc:creator>
<guid>http://brunarangel.wordpress.com/2008/02/23/predestinacao-2/</guid>
<description><![CDATA[Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o si]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.<br />
Pois chamava-se Mário Lago.<br />
Viu a luz sob o signo de Piscis.<br />
Brilhava no céu a constelação de Aquário.<br />
Veio morar no Rio.<br />
Quando discutia, sempre levava um banho.<br />
Pois era um temperamento transbordante.<br />
Sua arte preferida: água-forte.<br />
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".<br />
Sua piada favorita: "Ser como o rio: seguir o curso sem deixar o leito".<br />
Pois estudava: engenharia hidráulica.<br />
Quando conheceu uma moça de primeira água.<br />
Foi na onda.<br />
Teve que desistir dos estudos quando já estava na bica para se formar.<br />
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.<br />
Donde desceu até ser leiteiro.<br />
Encarregado de pôr água no leite.<br />
Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.<br />
Mas ela o traiu com um escafandrista.<br />
E fugiu sem dizer água vai.<br />
Foi aquela água.<br />
Desde então ele só vivia na chuva<br />
Virou pau de água.<br />
Portanto, com hidrofobia.<br />
Foi morar numa água furtada.<br />
Deu-lhe água no pulmão.<br />
Rim flutuante.<br />
Água no joelho.<br />
Hidropsia.<br />
Bolha d’água.<br />
Gota.<br />
Catarata.<br />
Morreu afogado.</p>
<p>Millôr Fernandes</p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
