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	<title>livros-livros &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "livros-livros"</description>
	<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 18:36:30 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Fazes-me Falta]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2291</link>
<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 22:05:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[&#8220;Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que s]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;">"Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio - nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência"</span></h2>
<h5 style="text-align:justify;">Inês Pedrosa, em FAZES-ME FALTA</h5>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Livros Trocados]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2248</link>
<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 13:04:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Terminei de ler NAS TUAS MÃOS de Inês Pedrosa. Como sempre indicação de K. muitas vezes ela não]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei de ler <strong><span style="color:#008000;">NAS TUAS MÃOS</span></strong> de Inês Pedrosa. Como sempre indicação de <a href="http://incompletudes.wordpress.com"><strong>K.</strong></a> muitas vezes ela não chega propriamente a indicar, faz uma referência ou outra ao que está lendo e eu corro na livraria. acho que ela sabe muito bem o que lê (bem informada apenas ou indicações privilegiadas? rs). não vem ao caso. temos lido coisas iguais e só me decepcionei (razoavelmente) com um livro (Paraíso Perdido - não, não o de Milton), mas essas coisas acontecem e ela mesma disse que também não tinha achado lá essas coisas. isso me faz pensar em outra coisa: semanalmente os jornais têm cadernos literários, eventualmente programas de TV sobre literatura (como o do <a href="http://www.todoprosa.blogspot.com/"><strong><span style="color:#ff6600;">Ricardo Soares</span></strong></a> em SP). todos são interessantes, todos, de uma forma ou de outra, acrescentam. mas devíamos reparar mais como o "boca a boca" (eba!!) funciona. muitas vezes não compro um livro indicado nos cadernos literários, mas vou correndo comprar algum que a <a href="http://aneaguirre.blog.br/"><strong><span style="color:#ff6600;">Ane</span></strong></a> ou K. ou Ricardo comentaram. na maioria das vezes, nos interessa muito mais o que pessoas com quem temos afinidades estão lendo do que resenhas frias porque obrigatórias. e esse <span style="text-decoration:underline;">trocar de informações</span> funciona de forma perfeita na internet, esse mundo paralelo onde vivemos esquizofrenicamente.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Ainda Inês]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2229</link>
<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 14:52:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[&#8220;O que me interessa é a diferença. Interessa-me a voz das margens, a poesia dos rebeldes, do]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<h3><em><span style="color:#993300;">"O que me interessa é a diferença. Interessa-me a voz das margens, a poesia dos rebeldes, dos bêbados, dos discriminados, tipos que não encontram quem os ouça e que têm a verdadeira experiência dos abismos!"</span></em></h3>
<p><strong>Inês Pedrosa</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[O medo como representação]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2192</link>
<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 15:21:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Sigo fielmente as indicações de K. sobre livros (menos os clássicos porque já li a maioria e nã]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Sigo fielmente as indicações de<a href="http://incompletudes.wordpress.com/"> </a><span style="color:#ff0000;"><strong><a href="http://incompletudes.wordpress.com/">K.</a></strong> </span><span style="color:#000000;">sobre livros (menos os clássicos porque já li a maioria e não ando com saco. Acho que agora é a vez dela...(rs). Ela diz que <a href="http://www.todoprosa.blogspot.com/">Ricardo</a> é o mentor literário dela e, já que ele se nega a ser o meu (rs - transtorno de homofobia...rs), transferi esse conceito de <span style="text-decoration:underline;">guru</span> para ela.</span></p>
<h2 style="text-align:justify;">Isso para contar</h2>
<p>que estou começando a ler <strong>"Nas</strong> tuas mãos" de Inês Pedrosa e, pelas primeiras trinta páginas, parece-me uma obra de arte, um exercício literário desses que todos nós deveríamos fazer sem nos preocuparmos em que ano ou século o livro foi escrito. Desses livros que a gente vai lendo com vagar, prestando atenção a nuances que a autora vai mostrando e escondendo, dando a perceber e não dando outras vezes. Em alguns momentos, em meio à leitura, percebo que "tinha alguma coisa ali atrás", no meio da página <span style="text-decoration:underline;">passada</span> e não me dei conta. E volto lá para constatar que sim, havia uma ou mais frases dessas que nos tiram o ar, nos emocionam, nos fazem repensar toda a vida. Principalmente (se algo pode ser 'principalmente') o Diário de Jennifer - é nele que estou e já acho <strong>quase</strong> impossível um relato mais chocante e impressionante. Os mistérios das nossas almas, dos nossos gostares, das nossas opções. Quantas opções temos cada um de nós e não as praticamos porque estão <span style="text-decoration:underline;">apagadas</span>, completamente apagadas no fundo do nosso cérebro, uma inconsciência terrível que impossibilita a plenitude de viver.</p>
<h2 style="text-align:justify;">A força das mulheres é tão maior e mais profunda que a dos homens que compará-las é covardia.</h2>
<p style="text-align:justify;">Assim vou passando meu tempo enquanto chove tanto lá fora e sinto-me tão, mas tão só, como se fosse o único vivente desse mundo. O pânico (que falei abaixo) senta-se ao meu lado e fica tamborilando o teclado junto comigo, coloca o braço sobre meu ombro como se fôssemos já, inseparáveis. E justamente, ao lado desse pânico</p>
<h2 style="text-align:justify;">vou reaprendendo a viver</h2>
<p style="text-align:justify;">vou percebendo que tudo o que mais considerei até o momento não era de fato o mais importante. Porque o momento é o agora e a forma como o futuro começa a levantar as cortinas para mim, muito suavemente, de forma a que eu vá tomando ciência, que vá percebendo pouco a pouco e a me ensinar principalmente que, ao contrário do que eu sempre acreditei e gritei, <strong><em>EXISTE</em></strong> futuro. <strong>Sim</strong>. E esse futuro é sempre pior do que o presente, as coisas podem melhorar sim, mas podem piorar igualmente... não... em tudo e por tudo, as coisas pioram sempre.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>"RENEGO A PRIORIDADE DE IMAGINAR QUE ALGUMA COISA ESTEJA PREPARADA PARA LOGO APÓS AQUELA ESQUINA" E AGORA RENDO-ME À IGNORÂNCIA QUE TAL PENSAMENTO POSSA ESBOÇAR.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;">Então o que faço em meio à borrasca, em meio à chuva que açoita e ao meu espírito <strong><span style="text-decoration:line-through;">QUE</span></strong> vira um nada, não um "oceano de cachaça" como cantou meu amigo Geraldinho <span style="text-decoration:underline;">Carneiro</span>, mas um respingo, uma pequena poça de uísque de quinta misturado com anti-depressivos e outras drogas baratas, drogas que não drogam, que fazem não um grande efeito, mas cócegas nas grandes angústias. Sim, essas grandes angústias conseguem te jogar no chão, cara, ainda que ao lado possa existir uma angústia <span style="text-decoration:underline;">mil vezes maior</span> (e se não sinto, posso entender, mas não percebo). Somos egoístas? Não sei, não creio que seja uma avaliação muito correta como a querer que apenas as pessoas mais desgraçadas do mundo, em todos os sentidos, tenham algum direito a sofrer. Volto à <span style="color:#008000;"><strong>"NAS TUAS MÃOS".</strong> </span>volto a torcer de K. me apareça, volto a torcer para que os sábados não terminem porque eles, minhas gripes e as chuvas são o álibi que uso tão à vontade nesse meu mundo de <strong>mentiras</strong>, de <strong>escamoteações</strong> constantes, de <strong>fugas atrapalhadas</strong>, de tremores durante o <span style="text-decoration:underline;">entrecortado</span> sono.</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[A revolta do niilismo - O equívoco de Sartre: O inferno somos nós]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2152</link>
<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 23:06:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
<guid>http://sobretudodelona.pt-br.wordpress.com/2008/08/27/o-equivoco-de-sartre-o-inferno-somos-nos/</guid>
<description><![CDATA[O sorriso fácil pode mostrar o equívoco que provocamos no outro quando este pensa que estamos feli]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O sorriso fácil pode mostrar o equívoco que provocamos no outro quando este pensa que estamos felizes ou tranqüilos. Nada mais errado. O sorriso fácil é mais uma das mil e uma máscaras que utilizamos no dia a dia para tornar possível nossa relação com o mundo. Esta relação se traduz numa enorme quantidade de <span style="text-decoration:underline;">signos</span> que vamos usando (muitas vezes criando) de forma a buscar uma compreensão mínima do que esperamos uns dos outros. O que é outra mentira. Não esperamos nada uns dos outros, não esperamos nada de nenhuma pessoa e quando esperamos (muitas vezes) algo, trata-se de uma explosão emocional descontrolada onde busca-se o céu ou o inferno no próximo ( ver "O inferno são os outros" - Sartre).</p>
<p style="text-align:justify;">Essa fragilidade ontológica em Jean-Paul traduz o limite do pensamento humano mesmo na área filosófica onde ainda conseguimos fazer vôos um pouco mais altos.  Não adianta a filosofia de per-si não havendo uma perceção bem mais "rasteira" que é a aplicação pura e simples de conclusões que contaram com recursos intelectauis que fogem à nós mortais.</p>
<p style="text-align:justify;">Relações de trabalho, de companheirismo, coleguismo, amizade e amor são tão somente a representação de uma <span style="text-decoration:underline;">idealização inconsciente</span> de uma espécie de mundo melhor (se me entendem), um mundo onde sofreríamos menor violência, agressividade e dor. Ou seja: uma fantasia, uma inverdade. Da mesma forma buscamos conforto espiritual numa série de crendices tolas que convencionamos chamar de religiões. A religião também é mais ou menos isso, mais ou menos uma forma de garantirmos algum apoio, alguma promessa metafísica que nos garanta o que não conquistarmos na existência terrena. Pois não temos nem garantias na existência terrena nem (muito menos!) na metafísica. Sartre se equivoca quando diz "O inferno são os outros"... deveria ter esperado mais e percebido que é mais correto afirmar sem medo de errar que "o inferno é a vida" o que podemos traduzir como "O inferno somos nós".</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Arriaga]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2137</link>
<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 19:35:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[&#8220;É estranho, mas parece que nos seres humanos o ato de mais profunda consciência aparece pre]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>"É estranho, mas parece que nos seres humanos o ato de mais profunda consciência aparece precisamente no momento de maior inconsciência: o sonho"</strong></em></p>
<p><em><strong>"A sensação que nos sobrevém quando algo é perdido é uma das mais fortes às que é submetido o ser humano, e isso porque tal sensação tem um forte parentesco com a morte. É, por assim dizer, sua manifestação cotidiana (...) quando morre em ente querido, nos dá tristeza, nos sentimos impotentes.. (...) Não há, no entanto, sentimento mais trágico, em toda a extensão da palavra que perder o destino ao qual se crê estar destinado (...)"</strong></em></p>
<p><strong><em><span style="color:#ff0000;">guilhermo arriaga em O ESQUADRÃO GUILHOTINA</span></em></strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Eu, K. e os autores]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2123</link>
<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 20:24:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[K. faz um comentário sobre o livro de Cees Nooteboom, o Paraíso Perdido. Ela diz que se apaixonou ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://incompletudes.wordpress.com/">K.</a> faz um comentário sobre o livro de Cees Nooteboom, o Paraíso Perdido. Ela diz que se apaixonou pelo autor, por suas posições, visão de mundo etc. Não posso dizer nada porque não vi nenhuma declaração de Cees. Realmente li o livro porque vi um comentário de K. Ela fala para eu comentar, mas tenho muito pouco a dizer. Se é um livro interessante? Pode ser, talvez uma tentativa de sair do lugar comum. <em>Pessoas que rodam o mundo, que são cultas e que vêm anjos.</em> Seria alguma coisa próximo a um certo realismo fantástico se fosse de Borges, de Calvino ou mesmo de um Dias Gomes. Então eu não sei... é um livro que promete e não cumpre. Que faz um voo rasante sobre propostas interessantes, mas não pousa de fato em nenhuma delas. Faz uma mistura de locais e situações (como o estupro em São Paulo) que não acrescentam nada, que estão colocados ali por estarem. Um teatro do Absurdo ou do Oprimido? Não chega a nenhum dos dois. Pra mim, valeu a experiência de ler esse volume. Outros, aí já é demais. Não tenho todo o tempo do mundo para ver se um autor se acerta em outro livro. <span style="text-decoration:underline;">Não mesmo</span>. O autor deve ser pleno em cada um dos seus romances (ainda que existam melhores e piores)</p>
<p>Uma proposta levemente parecida, mas concretizada é a de Paul Auster em seu último livro "Homem no Escuro". Já disse aqui várias vezes que Auster junto a Philip Roth são os autores americanos e modernos mais importantes. Acompanho Auster desde sempre, desde sua "Trilogia de Nova York", passando por inúmeros romances, situações e personagens (e seus personagens e situações, muitas vezes, também aproximam-se de um certo realismo-fantástico, mas de um outra forme, de uma forma real - o que acaba nos angustiando mais). Auster não é para ser lido, é para ser aplicado na veia. Paul Auster vicia como qualquer droga. Neste último livro, um homem, escritor insone, um velho, passa as noites no escuro olhando para o teto e criando histórias que jamais serão escritas. Ele cria histórias para fazer o tempo passar. Numa dessas histórias ( com urdidura tão perfeita) percebemos que o personagem criado pelo escritor, de repente, tem a missão de assassinar esse mesmo escritor, esse velho que olha o escuro. E assim vamos nos embrenhando por situações-limites e surpresas não imaginadas - e podemos questionar em uma história dentro da outra, qual será a verdadeira - enquanto esse mesmo escritor velho vai relatando e se envolvendo com dramas pessoais e de sua própria família. Ao terminar, na última página, tenho certeza de que lerei novamente esse texto em breve, como faço com todos os livros de Paul. Entre leitura e releitura, me aguarda um volume ansioso: "O Esquadrão Guilhotina" de Guilhermo Arriaga, um dos maiores contadores de histórias de língua espanhola (escreveu, entre muitas outras coisas, os roteiros dos filmes: Amores Brutos, 21 Gramas, Babel e muitos outros). Pelas credenciais do autor, com certeza esse romance deve ser mais um soco no estômago. Como disse, não tenho mais tempo de dar duas ou três chances a um autor que claudica fortemente em um dos seus livros.</p>
<h6>Enquanto isso uma tosse estranha, forte, convulsivante não me deixa dormir (meu corpo por dentro está completamente doído de tanto fazer força) e cuido em não investigá-la porque não quero ter notícias ruins. Mais notícias ruins.</h6>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Auster novamente]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2096</link>
<pubDate>Wed, 13 Aug 2008 15:15:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[quando percebo, me vejo colocado numa espécie de fôrma, de talha, de molde. sigo adiante, mas carr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>quando percebo, me vejo colocado numa espécie de fôrma, de talha, de molde. sigo adiante, mas carregando comigo, todos os rótulos que se inventam por aí... e me desfaço deles... dia desses eu falei que dalton trevisan é fundamental, hoje retiro o que disse e afirmo que, muitas vezes ele pode ser um chato repetitivo. enquanto isso, <a href="http://incompletudes.wordpress.com/"><span style="color:#ff0000;">K</span></a> vai postando frases do Paraíso Perdido (o romance)... nesse caso (já terminei de ler), mas preferi fazer todas as minhas anotações numa caderneta que está ao lado do romance, na estante. este é um livro para ser lido mais de uma vez, como o são os de kundera, calvino e casares, para ficar em poucos. releio muitos livros por motivos diversos (alguns merecem ser aprofundados, outros devem ter suas histórias melhor fixadas em nosso espírito e outros motivos mais). por sinal, saiu um novo do paul auster, estão sabendo? não entendo como pessoas que gostam de ler não têm auster entre seus favoritos... muitas coisas são difíceis de compreender no universo dos leitores assíduos.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Dalton]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2075</link>
<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 05:19:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Bicho&#8230;. Não ler Dalton Trevisan é tentar desconhecer o inferno (nosso)!
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bicho.... Não ler Dalton Trevisan é tentar desconhecer o inferno (nosso)!</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Oceano Mar]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2030</link>
<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 13:14:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[K. me instiga a falar sobre o livro OCEANO MAR (do italiano Alessandro Barrico). Como não sou resen]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://incompletudes.wordpress.com/">K.</a></strong> me instiga a falar sobre o livro OCEANO MAR (do italiano Alessandro Barrico). Como não sou resenhista, não posso fazê-lo. Existem várias maneiras de interpretá-lo. Li de duas formas: como um <span style="text-decoration:underline;">poema em prosa</span> e como um <span style="text-decoration:underline;">romance de suspense</span>. Não consegui largá-lo desde a primeira linha. Existem livros, creio, que foram escritos para nós. Eu acredito nisso. Livros que acreditamos que apenas nós iremos percebê-los e não é verdade, claro. Este é um caso assim. Poucos personagens (todos míticos), uma estalagem gerenciada por uma menina de dez anos, um pintor que leva sua vida a pintar... o mar. Um professor que escreve uma obra sensacional, uma enciclopédia infinita, os tormentos em uma jangada, o ser humano em sua brutalidade e em seu afeto maiores, desses que não temos consciência. Não, menina, não sei o que dizer o livro. Realismo fantástico? De certa forma sim, de certa forma, não. Leia e conversaremos</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Book Crossing]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=2004</link>
<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 12:50:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Ontem novamente encontrei o mendigo-intelectual que aparece sempre na rua com um caudaloso livro e e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem novamente encontrei o mendigo-intelectual que aparece sempre na rua com um caudaloso livro e escrevendo ele mesmo sobre o que está impresso. Sei de muitas pessoas que fazem anotações no rodapé ou nos espaços laterais respeitando sempre o que o autor publicou. Esse homem (cada dia ele me diz um nome) é muito mais ousado (e, acredito, muito mais criativo). Ele reescreve os livros, "<span style="text-decoration:underline;">dá uma força para o autor</span>". Sentei-me a seu lado e procurei ler o que ele escrevia e, para minha surpresa, era uma redação lógica - ainda que louca - mas que poderia estar impressa igualmente. Diz ele que não concorda com alguns livros - que eu saiba, não concorda com nenhum - e, pacientemente, vai reescrevendo-o em partes ou no todo. Não pede dinheiro nem anda embriagado, sua droga é esse tipo de literatura que ele absorve e, simultaneamente, produz. Verdade que ele não fala muito, absorto em seu trabalho. O que me pergunto sempre é como (ele) escreve tanto e os jovens - grande parte deles - não conseguem fazer uma mísera e simples redação escolar!</p>
<p>Vez por outra esse homem me conta histórias, diz que não é do Rio de Janeiro (e outras vezes diz que não é do Brasil) e não gosta muito de conversar, mas que sente simpatia por mim, pela minha atenção com seu "trabalho". Já perguntei porque ele não escreve num caderno com folhas em branco onde poderia criar o que bem entendesse, mas ele argumenta que não, que sua missão é corrigir informações imprecisas ou "sem criatividade" já impressas anteriormente. Para maior surpresa ainda, revela que, ao terminar suas anotações, <span style="text-decoration:underline;">deixa o livro em qualquer lugar</span> para que outros o encontrem e leiam o que ele escreveu. Ou seja, diante dessa aparente loucura, ele participa do Book Crossing - movimento internacional em que pessoas deixam livros em locais públicos para que outros encontrem e a cultura e informação circulem mais democraticamente!</p>
<p>E isso acontece aqui, no Centro do Rio, próximo à Lapa. Ou seja, creio que a sociedade deveria dar mais voz à população das ruas, aos que vivem à margem, porque muitos deles (a maioria) cria métodos de sobrevivência e de ocupação de seu tempo que não seja, necessariamente, esmolar.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Revisitando nossos Autores]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1993</link>
<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 22:21:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
<guid>http://sobretudodelona.pt-br.wordpress.com/2008/07/20/revisitando-nossos-autores/</guid>
<description><![CDATA[Não pretendo fazer resenha de livros por vários motivos - o principal deles: não ter competência]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Não pretendo fazer resenha de livros por vários motivos - o principal deles: não ter competência para tal. Mas sinto-me obrigado ainda a falar rapidamente da "Crônica da Casa Assassinada" de Lúcio Cardoso, que releio, como disse, com alguma freqüência. E por quê? Porque esse caudaloso romance se passa numa fazenda em Minas Gerais, um lugar mágico onde parecem reunir-se todas as tragédias humanas. O tom de todo o livro é claustrofóbico, personagens doentes, arrogantes, loucos - e desses loucos que contaminam tudo. A fazenda e as pessoas em questão me remetem a "O Castelo" de Kafka, a 'Fim de Jogo' de Beckett ou a 'Crime a Castigo' de Dostoiévski com pitadas do mais sórdido de Nélson Rodrigues. Pode parecer um certo exagero, mas quem conhece o romance sabe do que eu falo.</p>
<p>A verdade é que, em geral, conhecemos pouco nossa literatura, conhecemos pouco a genialidade de autores que passam ao largo de Guimarães Rosa, Jorge Amado, Veríssimo e esses outros igualmente famosos (e igualmente geniais). Lúcio Cardoso se insere nessa galeria de autores que souberam criar um universo doentiamente mágico, ainda que decadente, da sociedade. A abrangência com que pontua, a profundidade emocional de seus personagens não fica a dever nada a ninguém. Seus livros não estão entre os mais vendidos, não se fala dele nem nas faculdades de Letras e os blogs que se referem eventualmente a livros igualmente o descartam. Mas não é por falta de genialidade em seu trabalho, por falta de persistência em buscar o que há de mais fundo (e secreto) nos homens. É falta de conhecimento.</p>
<p>Temos uma cultura errada, chinfrim, que "ensina" a cultuar autores de hoje ou clássicos (muitas e muitas vezes bolorentos!). É preciso revisitar a galeria de autores nacionais, deixar um pouco de lado o modismo de Clarice Lispector e afins e ir fundo no que existe de importante, de sério (não que os outros não sejam) em nossa literatura. É preciso menos odes a Machado de Assis e uma releitura maior de Lima Barreto, por exemplo. É preciso, por fim, olharmos para dentro, para o Brasil, para o nosso umbigo e percebermos o que há de importante, de impactante, não só na literatura, mas na cultura nacional.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Francis melhor nos jornais]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1978</link>
<pubDate>Thu, 17 Jul 2008 14:57:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
<guid>http://sobretudodelona.pt-br.wordpress.com/2008/07/17/francis-melhor-nos-jornais/</guid>
<description><![CDATA[Sim, &#8220;Carne Viva&#8221; de Paulo Francis é bom. Apenas isso: bom. Francis é muito melhor em ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, "Carne Viva" de Paulo Francis é bom. Apenas isso: bom. Francis é muito melhor em todas as suas crônicas, nas opiniões certeiras que nos deixou, na sua irritação diante da burrice generalizada. Portanto, ter um livro (ou alguns livros - romances 'bons' é muito pouco). Claro que todo mundo tem direito de escrever seus romances, todos podemos nos aventurar nos caminhos tortuosos da literatura. Mas nem sempre vencemos. Nem o Francis.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Deuses e Personagens]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1971</link>
<pubDate>Sun, 13 Jul 2008 18:25:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Sem dúvida existe o momento em que paramos e olhamos para nós mesmos. A visão nem sempre é agrad]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Sem dúvida existe o momento em que paramos e olhamos para nós mesmos. A visão nem sempre é agradável, nem sempre desperta carinho. Em nenhum momento deixamos de ser caçadores, em nenhum momento deixamos de correr porque, igualmente, somos caça. A única forma de reinvertar-se, de reinventar a vida é através da arte, da literatura. Não por causa de uma certa erudição tolinha, jeka, mas pela possibilidade de conviver com situações e personagens iguais a nós mesmos, mas que não somos nós, que foram pensados por outras pessoas. Uma das dificuldades da vivência plena é a culpa de pensarmos a vida, dela ser conseqüência dos nossos atos. Personagens nos retratam, mas são personagens (o que alivia a culpa metafísica, a persistência atávica no erro cotidiano). Nem todos os personagens são interessantes da mesma forma que nem todos nós somos interessantes. De qualquer maneira temos a opção de perseguir reações de personagens e fazer a vida imitar a arte. É o paradoxo da arte existir porque existe vida e a vida existir porque reflete a arte.</p>
<p>Já tentei mais de uma vez fugir de ambas as possibilidades e criar uma vida minha, exclusiva, completamente solitária (e, portanto, mais realista), uma vida em que os valores e equívocos são observados apenas por mim, onde o tempo não existe e não faz falta, onde valores são revistos e novos conceitos entram em jogo como numa brincadeira com espelhos. É uma opção interessante (Thoreau já provou isso no magnífico Walden), mas que raramente dá certo porque o homem, ser humano, se agrega, se integra não consegue conviver muito tempo consigo próprio.</p>
<p>Esse tipo de dilema não é novo. Mas o que parece que são os autores, ao escreverem suas obras, que encontram um meio termo: conseguem sair da vida comum, de uma suposta 'realidade', conseguem igualmente afastar-se de um EU que não interessa em nada na medida em que está idealizando EUS outros, que nem ele é capaz de ser. Claro que é louco você idealizar alguém que você mesmo, criador, não consegue ser. Por isso sempre acreditei que os deuses devem ter inveja dos humanos e de todas as formas de vida porque somos o que eles não conseguiram ser.</p>
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<title><![CDATA[Carne Viva - Paulo Francis]]></title>
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<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 23:42:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Chega enfim o último romance escrito por Paulo Francis (estou nas primeiras linhas) - (1930/1997) ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Chega enfim o último romance escrito por Paulo Francis (estou nas primeiras linhas) - (1930/1997) - Carne Viva - Li todos os romances de Francis, todas as biografias, todos os "dicionários", todas as reportagens em livro, todas as memórias. Francis, sem dúvida, é um divisor de águas no jornalismo do Brasil. Um homem à frente do seu tempo, ainda que contraditório. Francis representa toda a cultura, informação e impaciência que um homem pode ter. E um homem só pode ser importante ou mesmo genial, à partir da sua impaciência. Um homem só pode pensar quando solta as amarras de toda a cultura ocidental, imposta por meia dúzia de "salta-pocinhas".... quando caem por terra "teorias", quando afloram a falência dos eruditos, da "inteligência". Dá pra entender? Não? Ok. A contradição de Francis é tão somente a contradição humana, a revolta contra a ignorância, contra essa coisa que chamamos de "cultura", mas é tudo mentira de todos esses "leitores de orelha de livros", de todos esses que apresentam títulos conquistados em faculdades de quinta categoria. Volto a falar do último romance do Francis mais na frente (ou não digo nada).</p>
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<title><![CDATA[Sétimo Selo]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1948</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 01:30:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Algumas dúvidas me assolam imediatamente após a última linha do último livro de Roth. São as me]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Algumas dúvidas me assolam imediatamente após a última linha do último livro de Roth. São as mesmas dúvidas de sempre, embaladas com a qualidade de um bom texto literário. É um existencialismo despojado de filosofia e transformado subitamente em arte maior, em narrativa vivenciada na imaginação do autor maior quando seu alter ego envelhece com as agruras de quem retirou uma próstata cancerosa e reencontra amigos todos eles muito doentes ou mortos. Como se estivesse num outro mundo, como se todos os caminhos indicassem que ele, igualmente, deveria "sair de cena". E, à medida que avançamos o romance, avançamos em idade, no dissabor da velhice e toda a sua desgraceira que nos aguarda sempre em cada esquina. Esquinas que não podemos evitar, espaços-tempo que não deixam atalhos ou encruzilhadas. Olhamos fixamente em frente e nossas pernas têm um caminhar autônomo que foge e ri da nossa tentativa de parar. Seguimos como quem segue preso a trilhos de uma montanha russa controlada por um deus sacana, velho, feio e doente, prisioneiro de uma psicose que ele mesmo criou. O homem segue embalado não mais por cantigas de ninar, mas pelo som indescritível soprado com hálito podre pelas bruxas ancestrais como que fugidas do Sétimo Selo com toda a sua peste e pestilência. O homem continua escorregando, buscando agarrar-se a alguma coisa que o salve, que diminua a velocidade da queda e percebe que não há nada em volta. Pessoas são apenas fantasmas que riem impregnados por suas condições do que "não são", passaporte para a salvação de suas almas que nos deixam escorregar sem pena, olhando nossos olhos arregalados de pavor. O mundo é um pavor, é fruto de todos os pavores de nossas mentes que não tiveram oportunidade de optar desde o início do tempo.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[De novo....Roth]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1942</link>
<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 15:31:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Sai mais um romance de Philip Roth, &#8220;O Fantasma sai de Cena&#8221;. É muito difícil falar de]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Sai mais um romance de Philip Roth, "O Fantasma sai de Cena". É muito difícil falar de Roth porque ele é o melhor autor americano moderno e seus livros surpreendem e se superam sempre. Um Flaubert da nossa era. Um Dostoiévsky mais contido... Mas dessa vez Roth vai longe demais: seu alter ego Nathan Zuckerman, um escritor judeu (como Roth) está velho... está impotente e com incontinência urinária desde que retirou a próstata com câncer... E esse homem que estava escondido há onze anos no campo retorna à cidade por uma motivação tola e encontra uma sociedade que ele praticamente esquecera. E encontra escritores jovens e impetuosos como ele fora, encontra uma mulher por quem se apaixona (apesar da impotência).... Enfim, certamente no final do livro (que ainda não cheguei) ele morrerá... e com ele morrerá uma parte de Roth. Vale à pena</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Confesso]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1926</link>
<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 01:23:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Eu vou contar depois porque está uma barafunda minha cabeça com a quantidade de livros que estou l]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vou contar depois porque está uma barafunda minha cabeça com a quantidade de livros que estou lendo ao mesmo tempo já que não me resta espaço na agenda para ler um de cada vez. Mas é delicioso o "Verdes vales do fim do mundo" de Antonio Bivar (que li há tanto tempo atrás que praticamente não o reconheço).</p>
<p>Igualmente, mas agora novidade mesmo pra mim é esse do colombiano <strong>Fernando Vallejo</strong> com seu "<strong>O despenhadeiro</strong>" Punk. Desses livros que a gente não larga, que a gente se sente meio dentro dele, personagem do personagem, não levando, mas dando socos em estômagos fúteis. Imitação de uma espécie de percepção coletiva niilista latina (que é diferente das outras). A poesia da dor e da Aids que não existe, porque a Aids, como ele diz, é o passar dos anos da vida. Ah, Colômbia, ah, minha América tresloucada, travestida de região onde moramos todos nós, índios e descendentes de europeus da pior espécie. Por que não nos deixaram índios, porque não nos aproximaram da África de maneira diferente de forma a que aprendêssemos ao invés de escravizarmos?! Êta continente inconseqüente que pariu essa nação partida de loucos, de <em>covers</em>, de maiorias que sentem-se minorias, gente louca, com pimenta, mas sem destino, sem radar, gente que se reproduz e esses meninos de onze anos nos assaltam e nos matam em troca de um celular... Afinal, quem sabe da verdade, quem distingue a loucura, quem são os médicos e quem são os pacientes, ma fala meu Deus, mesmo a mim, esse ateu confesso que é justo contigo, que não te engana.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[As voltas que a cabeça dá]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1919</link>
<pubDate>Thu, 22 May 2008 19:10:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Feriado prolongado e mouse quebrado, que situação! A livraria não entregou os livros que solicite]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Feriado prolongado e mouse quebrado, que situação! A livraria não entregou os livros que solicitei, livros que deveria ter lido há vinte anos atrás. Agora, por acasos da vida, sei que eram importantes e não os conheci na época apropriada. Em contrapartida, conheci outros e os que falam comigo sobre aqueles também não leram os que eu li. O velho dilema de que a vida é muito breve para lermos tudo o que desejamos (e o que não desejamos também). Fazer o quê? Tentar recuperar tempos perdidos ou utilizar melhor esse tempo. Talvez escrever (retomar a escrita) de projetos maiores do que um blog. Talvez comentar mais no espaço de<a href="http://incompletudes.wordpress.com"> K.</a> já que ela me pede para ser levada (não, não levada assim - que isso ela já é, ser levada por mim). Ou talvez não comentar nada e mandar algumas cartas diretas para ela e impublicáveis - não necessariamente pelo que possam estar pensando.</p>
<p>O mercado editoral brasileiro vai de vento em popa apesar dos preços extorsivos praticados, deixando a maior parte de população sem acesso à leitura. Parte do meu minguado salário fica em livrarias mensalmente. Todo mundo que lê separa um considerável montante de dinheiro para as livrarias. Os sebos no Brasil são muito fracos (um dos melhores, no edificio Central, fechou). Sim, já percebi que estou colocando frases soltas, reflexo de uma cabeça desconcentrada. A concentração é uma forma de "efeito colateral" da paz de espírito e meu espírito nunca esteve em paz (creio que jamais estará). A véspera de feriado também me leva a madrugadas em bares da Lapa, a delírios mais ou menos etílicos diante do paradoxo do saudosismo. Entenderam?</p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Pessoa]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1908</link>
<pubDate>Thu, 01 May 2008 15:24:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Pela manhã estive com o grupo dos meninos de discussão de literatura. O entusiasmo é grande com o]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Pela manhã estive com o grupo dos meninos de discussão de literatura. O entusiasmo é grande com os novos textos encontrados no baú de Fernando Pessoa (que morreu inédito). Parece que nunca termina a descoberta de textos do autor. Juntando tudo (do material conhecido) vai nascendo a certeza de que Pessoa levou toda a sua vida num processo de criação feérico, devotado dia e noite à produção dessa caudalosa (e maravilhosa) obra literária. Se reler Fernando Pessoa é um deleite, imagine saber que sempre estão aparecendo mais inéditos do autor! Estranhamente, parece que os eruditos não se dão conta de que o conjunto da obra do autor português faz parte (sim!) dos clássicos universais. E nossa discussão de hoje foi justamente em torno dessa questão: o que é um clássico e porquê Pessoa não é um clássico? Ou é e não se dá o crédito devido? Existe um tendência tolinha de achar que a produção literária moderna é distanciada do que se convencionou chamar cultura universal. Isso é tolo demais, é não perceber o amplo movimento intelectual moderno. É fechar os olhos para o presente.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Jota Efegê]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1860</link>
<pubDate>Sun, 16 Mar 2008 18:58:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Existe um momento. Existe um momento em que estou nas encruzilhadas da vida. Das muitas vidas. Do so]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um momento. Existe um momento em que estou nas encruzilhadas da vida. Das muitas vidas. Do sonho que se parece vida e da vida que parece sonho. De lá pra cá e de cá pra lá. Nesse momento, estimulado por um amigo, estou na placenta de um Brasil miscigenado e malemolente, de cores e sons, aromas e gostos. Um Brasil plural. E reconheço que não tenho olhado as coisas por esse prisma, tenho focado elementos estanques que me agradam ou me desagradam. Talvez, em busca de uma cultura num sentido mais amplo tenha me internacionalizado demais. Por outro lado, é necessário. Se não me atenho a esse Brasil multifacetado é porque a globalização está presente em cada passo, em cada pensamento ou informação. E o clássico não se resume a Machado de Assis. Ganhei de presente dois livros de uma amiga. Livros que já tive, li e adorei, mas que, nas minhas várias mudanças se perderam. Pois bem, os tenho novamente: "Figuras e coisas do Carnaval Carioca" e "Meninos, eu vi" de Jota Efegê. Trata-se de um sábio genial porque consegue ser simples em sua narrativa, visão, em suas observações. "Meninos, eu vi" é uma aula de crônica, de jornalismo, de emoção. Trata desde o cinema americano até as festas da Penha. Com sua gravata borboleta, Jota Efegê, corajosamente, abriu caminhos (como o fizeram João do Rio, Antonio Maria, Paulo Mendes Campos e tantos outros) árduos, caminhos não aventurados. Hermínio Belo de Carvalho me mostrou orgulhoso, em seu acervo particular os óculos de Jota, do Mestre. Eu era meio 'criança' ainda e talvez não tenha dado àquilo seu real valor. Aliás, eu conheci muita gente, passei por muitas pessoas e situações sem ter ainda a noção da importância de cada momento, de cada coisa que me foi revelada. Sempre sonho e me imagino retornando a momentos da minha adolescência com a visão de mundo que tenho hoje, sonho fugaz e impossível. O tempo é meu devedor. Por isso minha eterna angústia com a aridez "pós moderna", com os dias de hoje, com a falta de coragem dos que não colocam suas caras à tapa em erros e acertos, mas sempre em produção. Acho mesmo que é chegada a hora. Se não queremos viajar para os clássicos da Humanidade, que nos debrucemos sobre nossas velhas repúblicas, nossa História, nossos movimentos, nossos parangolés, mistura nativa e influências de tantos povos, tantas culturas. E acrescente Jota Efegê.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[A estética dos livros, a burrice humana e o repúdio]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1853</link>
<pubDate>Sun, 09 Mar 2008 00:14:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Às vezes coisas se misturam, se fundem, se atravessam de uma forma bacana porque dessa fusão resul]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Às vezes coisas se misturam, se fundem, se atravessam de uma forma bacana porque dessa fusão resultam obras interessantes tanto ética como esteticamente legais ou mellhor: fundamentais como oxigênio. Eu tava discutindo determinados livros com um grupo e rolou uma certa resistência, discordância do que eu estava dizendo. As pessoas entendem a questão estética somente no que é visível, na composição de elementos em todas as artes. <strong>Não é verdade</strong>. A carpintaria da literatura talvez seja exatamente a que agrega a maior necessidade da composição estética e é bom que se reflita bem sobre isso antes de negar. Entendo que todos os grandes livros, os autores legais (ou sabidamente importantes) têm uma visão estética na composição da obra igual ou maior do que a de um produto de cinema ou de televisão por exemplo. Claro que cinema e televisão - teatro - são arte, obra de artistas. <strong>Óbvio</strong>. Mas imagino que o diretor de qualquer tipo de produto audiovisual esteja <u>automaticamente</u> preocupado com a estética - <em>ou deveria estar, né?</em> - enquanto o escritor parte do nada, de uma folha em branco. Não conta com bons atores, equipamentos ou efeitos visuais. O escritor <strong>carrega</strong> o mundo nas costas. À partir do nada absoluto - nada absoluto! - ele cria ambiências, personagens, tramas, <strong>lógica</strong> (nem sempre percebida pelo leitor). O escritor e o poeta são os únicos que procuram descrever o amor, o ódio, a morte, a culpa... Não existe sociedade sem livros. Pessoas não crescem sem livros. É na literatura que encontramos a base do existir, a possibilidade de entender-se, recriar-se até - se for o caso. E querem me dizer que o escritor não tem responsabilidade estética? Não só a estética como tudo nasce de um livro. Inclusive Deus.</p>
<p><strong>P.S. Repudio o Dia da Mulher, do Índio, do Negro etc</strong>.<strong> Isso é discriminação! Mulheres, negros e índios não diferem em nada. Todos são seres humanos iguais!</strong> (Particularmente acho as mulheres mais inteligentes, capazes e aptas... melhores no todo...)</p>
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<title><![CDATA[A pior invenção humana: O Tempo]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1833</link>
<pubDate>Tue, 26 Feb 2008 14:06:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>G</dc:creator>
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<description><![CDATA[Acho que sou meio ganancioso porque tenho tantas e tantas expectativas na vida que, ao mesmo tempo, ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que sou meio ganancioso porque tenho tantas e tantas expectativas na vida que, ao mesmo tempo, sei que o próprio tempo não me permitirá realizá-las. Tenho 52 anos e se eu morrer hoje, vou morrer danado porque não fiz isso e aquilo, mas se eu morrer com cem anos, igualmente, irei desta (para qual?) reclamando e blasfemando contra Deus por não ter me dado mais tempo. <strong>Ok,</strong> vão me lembrar que <u>sou ateu</u>, mas não interessa porque na hora da morte <u>só se pensa em Deus</u> (estou apenas me adiantando, sem alterar minhas convicções de hoje - a formação sartriana e existencialista adquirida na minha juventude não me deixa - principalmente A Naúsea). Sim, sim e sim, não precisam dizer das minhas idiossincrasias nem muito menos na minha ansiedade (trato de tomar calmantes ou um chope pra relaxar) Pelo menos procuro ser claro e objetivo (mesmo quando essa objetividade se perde em elocubrações onde até eu mesmo me perco). Não interessa no momento. No momento é assim, pensarei em amanhã, amanhã. Aliás, voltando, sempre travei uma surda discussão com o tempo simplesmente porque não acredito nele, foi invenção de um demente qualquer pra angustiar a humanidade. O tempo existe por um lado, mas não existe por outro, quando estamos tratando de coisas outras, quando estamos voltados para nós ou quando trabalhamos intelectualmente ou quando nos divertimos. Tempo? Bah! Tento apenas fazer (e não estou falando do trabalho formal) estou tratando do "fazer" para mim, para minha realização metafísica. Ok, sou metafísico porque não estou simplesmente nessa dimensão, estou em várias, como nesse momento estou na virtual e em outras situações me enfio no Aleph. E é por isso também que vivo atracado com Calvino principalmente nas Cosmicômicas e no 'Se um viajante numa noite de inverno'. Mas acho que são coisas difíceis de explicar aqui, principalmente agora. Agora eu tenho na minha frente a pior invenção do homem: um relógio! Há muitos anos atrás escrevi uma história que virou mini série para o Flávio Migliaccio quando ele fazia o Tio Maneco na extinta TVE, que era exatamente sobre um velho de barbas brancas que encarnava o tempo e se metia em tremendas confusões... Enfim...</p>
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<title><![CDATA[O engodo da internet]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/2008/02/21/o-engodo-da-internet/</link>
<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 14:18:21 +0000</pubDate>
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<description><![CDATA[Enfrento graves problemas nos grupos de discussão por causa da internet, do Google. Percebo um núm]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Enfrento graves problemas nos grupos de discussão por causa da internet, do Google. Percebo um número maior de pessoas deixando os livros de lado e caçando resumos vários no Google. Essa ferramenta sem dúvida auxilia as pessoas em determinados momentos expecionais onde a velocidade da informação de faz presente. Mas reparem que não é isso o que acontece. De alguma maneira é mais do que óbvio que a internet agrega valor e conteúdo numa vasta população de usuários. O problema é outro: é que fica tudo nivelado por baixo, o usuário passa a conhecer coisas e obras, mas de forma telegráfica. Até porque quando a pessoa que colocou aquela informção ali fez por um motivo específico que, naquele momento, poderia ser bastante. Isso difere muito "daquela informção" tornar-se referência para milhares de pessoas dando-lhes a falsa impressão que "conhecem" a obra ou o assunto. Sempre repito que a cultura é muito cara e fica evidente que a massificação de cultura via internet não dá certo, engana, ilude. Creio então que o uso de computadores para estudantes, sem dúvida, é mais do que necessário, mas é idiota achar que, de alguma forma a internet, substitui os livros, os professores e mesmo a convivência acadêmica.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Diários, Carnaval e cama]]></title>
<link>http://sobretudodelona.wordpress.com/?p=1782</link>
<pubDate>Tue, 05 Feb 2008 14:06:35 +0000</pubDate>
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<description><![CDATA[Para minha enorme surpresa, ontem à tardinha três pessoas que estudam literatura e fazem parte do ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Para minha enorme surpresa, ontem à tardinha três pessoas que estudam literatura e fazem parte do grupo de discussão me telefonaram perguntando se podiam dar uma passada rápida na minha casa. Sim, eles combinaram entre eles e me ligaram depois. Lembrei-os que era segunda feira de carnaval, que a chuva tinha parado. Dois deles apenas iam a uma festa carnavalesca, mas queriam passar aqui. Ok, vieram. O motivo foi surpreendente: viram no blog que estou lendo os diários de Sylvia Plath e cada um dos três comprou um volume para que pudéssemos discutir. Por fim chegaram e nos acomodamos tomando um pouco de vinho branco (que ganhei semana passada). Eles foram diretor ao assunto: Sylvia tinha depressão crônica, cada página de seu diário é uma tristeza, uma depressão só. Bom... comprei antes e estou mais adiantado na leitura, mas tive que concordar. Sim. Depressão do início ao fim do dia. Não foi o marido dela que a 'sufocou' com seu sucesso, foi ela que não suportou o que ela mesma chamava de seu fracasso. Claro que tem muita coisa pra ler ainda, um livro de letras miúdas e oitocentas páginas. Mas você pode abrir em qualquer página, qualquer época que ela está lá reclamando do "nariz entupido", da falta de ânimo, falta de vontade de dar aulas, angústia com os alunos, angústia com as revistas que não aceitam sua poesia, angústia com o tempo. Um dos meninos objetou que sempre lera que ela não resistiu à forma agressiva-literária do marido, mas não é o que ela revela no diário. Se ele foi agressivo (e foi), muito e muito antes, ela já estava completamente deprimida. É uma depressão tão forte que contamina enquanto estamos lendo. Ela sofreu muito nos seus trinta anos de vida e, por falta de tratamento adequado, seu suicídio deve ter sido uma benção. Um outro menino me perguntou se eu não achava que a paixão de Ana C. por Sylvia não era mais pelo seu modo de ser (uma espécie de estranho 'glamour' da depressão) do que propriamente por sua poesia. Fiquei muito inclinado a concordar com ele, mas achei imprudente e respondi com um 'Talvez'. Um terceiro me disse que a obra de Ana C. é melhor e maior que a de Plath e devolvi-lhe a pergunta : o que poderia, de que forma, uma poesia poderia ser melhor do que outra? Sabia que minha resposta era ridícula. Muito poucos jovens gostam de estudar pra valer, mas o que gostam, nossa, sai de baixo. Procuro tomar cuidado com esses meninos, muito embora eu não seja professor (quem sou eu?). Eles querem me mostrar as coisas, me mostrar que estão interessados pelas coisas, que estão lendo e estudando (e é tudo verdade). O problema é que eles não sabem exatamente por onde começar, quais autores escolherem por vez e essas coisas muito comuns da juventude. Nisso talvez eu ainda tenha alguma coisa a acrescentar, mas tenho consciência que será por pouco tempo, que se eu tivesse bastante tempo de vida, em breve, eles estariam me orientando tranqüilamente. Acho isso muito bom, reconfortante. Às vezes a juventude (com suas características de juventude) me irritam muito - e aí é culpa minha de não saber compreender, claro - mas, como disse, existem grupos que botam pra quebrar e fico feliz por eles, por entender que, de certa forma ele irão muito mais longe do que outras pessoas: eu, por exemplo.</p>
<p>De toda a forma não chegou a ser uma discussão séria, conversamos um bocado e, findo o vinho, dois deles disseram que iam curtir o carnaval e o terceiro disse que ia ao cinema. Logo, eu estava sozinho (com o Artur, é claro) e, meio indisposto, fui assistir uma comédia água com açúcar na televisão... Depois começou um outro filme, mas não consegui, peguei no sono.</p>
]]></content:encoded>
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