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	<title>filosofia-geral &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/filosofia-geral/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "filosofia-geral"</description>
	<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 11:22:44 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[Três comentários sobre filosofia]]></title>
<link>http://brainstormers.wordpress.com/?p=81</link>
<pubDate>Sun, 24 Aug 2008 04:28:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>João Lourenço</dc:creator>
<guid>http://brainstormers.pt-br.wordpress.com/2008/08/24/tres-comentarios-sobre-filosofia/</guid>
<description><![CDATA[Cada vez mais tenho percebido uma tendência de ter opiniões injustificáveis frente as atuais posi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Cada vez mais tenho percebido uma tendência de ter opiniões injustificáveis frente as atuais posições filosóficas mais correntes, penso que estou ficando cada vez mais excêntrico filosoficamente. Resolvi tratar de algumas posições minhas que considero um pouco polemicas, de uma forma sucinta apenas as descrevendo. Talvez algumas das polemicas necessitem de um contexto de explicação, mas como não queria fazer um texto longo e corrido preferi deixar esse contexto ausente e se necessário explicar qualquer duvida nos comentários.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>A profissão filosófica</em> – Em todas as outras áreas, exceto a filosofia, tem-se a opção de não se ser genial. Um medico tem como caminho aberto não fazer nenhuma descoberta de um método cirúrgico revolucionário e só cuidando bem de seus pacientes fazer bem ao mundo e ser útil. Na filosofia a distinção entre competente e genial não existe. Pior, a distinção entre ausência de genialidade e a ausência de préstimo também se esvanece. Não ser genial em filosofia é prejudicial. Por isso aqueles que fazem a opção por essa nobre profissão devem pensar bem antes dessa escolha, se o seu objetivo é fazer bem a humanidade. Hoje em dia o que se deve esperar de um filosofo é justamente que tenha idéias geniais ou é isso ou ele é um completo desperdício de recursos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Da desrevolução kantiana</em> – Iniciar-se pelas questões epistemológicas em detrimento das ontológicas, em outras palavras apreender a nadar sem nunca entrar na piscina, é uma idéia que, apesar de ridícula ainda podia ser sustentada pelos filósofos no tempo em que o dualismo cartesiano ainda era uma via em aberta. No entanto, um real compromisso com o monismo me leva a crer que não só a idéia é ridícula como é impossível, estamos fadados a chafurdar no lamaçal das questões ontológicas. O que as investidas filosóficas godelianas, denominadas por alguns de pré-kantianas, revelam não é, como querem os filósofos adeptos da filosofia da moda, o quanto é prejudicial quando um lógico se adentra em questões filosóficas. O que elas revelam é o quanto em filosofia, ao contrario da matemática, o <span>zeitgeist demora a reconhecer que esta no caminho errado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span lang="EN-US"><em>Uma estranha desproporção</em> – <em>“Philosophy must be of some use and we must take it seriously. If the chief proposition of philosophy is that is nonsense then we must take this seriously and not pretend, as Wittgenstein does, that is important nonsense (..) </em></span><em>What we can’t say we can’t say and we can’t whistle it either”</em> (Ramsey) Entre o quanto boa parte do que era a outrora tarefa filosófica por excelência tem-se revelado impossível e o tanto de desapego que se tem devotado a essas tarefas existe uma radical e prejudicial desproporção. Caso fossem de fato responsáveis o que Wittgenstein e o Circulo de Viena deveriam ter feito frente as suas conclusões sobre a invalidade de boa parte dos problemas filosóficos era ter feito ciência. A filosofia, se existe, é uma reflexão sobre a ciência, talvez uma ante-câmera pelas quais certas questões tem de passar antes que se tornem plenamente cientificas, e nada mais que isso. Ela não deve ter de modo alguma pretensão de validar essa ciência ou tratar de outros temas, supostamente acessíveis somente a filosofia – esses temas provavelmente, se existem, são inacessíveis de qualquer modo satisfatório. O ar de soberba com o qual muitos filósofos ridicularizam as investidas filosóficas de cientistas e matemáticos deveria, antes de tudo, verificar se ele mesmo não é uma das coisas mais ridículas e injustificáveis dos nossos tempos.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Principio Antrópico e Determinismo]]></title>
<link>http://brainstormers.wordpress.com/?p=59</link>
<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 20:53:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>João Lourenço</dc:creator>
<guid>http://brainstormers.pt-br.wordpress.com/2008/04/21/principio-antropico-e-determinismo/</guid>
<description><![CDATA[Olá, gostaria mais uma vez de trazer outro tópico de discussão de fora do blog para o blog: A dis]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Olá, gostaria mais uma vez de trazer outro tópico de discussão de fora do blog para o blog: A distinção entre o principio antrópico forte e fraco é necessária?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Eu defendo que não, pois nós podemos enunciar um único principio antrópico como aquilo que diz que nossas teorias sobre o universo devem dar conta de explicar o dado empírico facilmente acessível para nós, nós. Eu defendo que a distinção entre fraco e forte: "o fraco diz apenas que, se estamos aqui, é claro que o Universo, o sistema solar e a Terra são o tipo de lugar que propicia estarmos aqui, seja o que for necessário pra isso. O forte diz que, se estamos aqui, então o Universo e tudo o mais DEVEM ser o tipo de lugar que propicia estarmos aqui, como se fosse impossível ter sido de outro modo" (Paralelo) é apenas uma discussão sobre o determinismo estrito e não estrito e, portanto só mistura discussões que deveriam ser mantidas separadas. O Paralelo defende que a distinção não tem a ver com determinismo e sim com contingência e necessidade. Eu argumento que contingência e necessidade é outra maneira de enunciar se algo é estritamente determinado ou não. Por exemplo, num terreno mais exato onde as coisas são mais determinadas como a física do modelo padrão nós podemos dizer que leis como a da mecânica quântica e da relatividade tem que prever um universo que se desenvolva a tal ponto que existam seres humanos. Na biologia as leis da evolução não precisam determinar necessariamente no sentido estrito que ocorram seres humanos, mas sim que isso seja uma possibilidade provável dado o surgimento de unidades replicadoras (de vida). Na verdade então a discussão se torna sobre o quanto sabemos ou não das condições iniciais e das leis e como elas são mais ou menos estritamente determinadas. Ou se aceita como auto-evidente que o enunciado de que necessidade e contingência não tem nada a ver com determinismo é falso ou essa discussão só terá valor se movermos o campo dela para discutir outros tópicos imanentes a ela.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Outro Pensar]]></title>
<link>http://brainstormers.wordpress.com/2008/02/23/o-outro-pensar/</link>
<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 00:48:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>diegocaleiro</dc:creator>
<guid>http://brainstormers.pt-br.wordpress.com/2008/02/23/o-outro-pensar/</guid>
<description><![CDATA[ 	 	 	 	 	
&nbsp;

	É em certas tardes de agitação discreta que nos vêm os impulsos mais fulgoro]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><title></title> 	 	 	 	<!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--> 	</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="center">&#160;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="left">
<p class="western" align="left">	É em certas tardes de agitação discreta que nos vêm os impulsos mais <i>fulgorosos</i>. Não se trata, pois, de morrer — afinal, <i>vivemos</i> todos os dias, aproveitamos <i>intensmente</i> cada crepúsculo de nossas vidas. Trata-se, simplesmente, de pensar. Não só um pensar leve, solene, como aquele que nos acompanha nas horas de sombra mais curta. A reflexão que daí advém é, se não benigna, ao menos <i>engraçada</i> —<i> mas</i> pode-se sempre afasta-la com um gesto de mão, com o riso seguro de quem não tem nada a perder. Aqui, ao contrário, cada pensar é um <i>nascimento</i>, um nascimento trágico cujos pais são os nossas <i>proprias memórias cristalizadas</i>. A introspecção é acompanhada, a cada passo, de uma auto-<i>iluminação</i>. Tudo se passa como num estranho ritual de invocação, onde para cada pensamento parido <i>modifica-se</i> <i>e a </i>uma parcela de si. Poder-se-ia mesmo rastrear cada pensamento em suas marcas visíveis no corpo do sujeito, ver em cada <i>sorriso </i>inscrito o pensamento que lhe deu origem. Pensar é, de fato, <i>alegrar-se</i>, como quem<i> sente de uma amizade</i>, como quem  <i>sente o amor </i>de uma af<i>ec</i>ção — como quem <i>aproveita</i> a vida.</p>
<p class="western">O pensar <i>pode vir a ser</i>, como muitos o crêem, a expressão de uma alma imortal, que guardaria assim a promessa sempre consoladora de uma origem cantada ou um futuro radiante, música que brilha numa harmonia celeste e eternamente apaziguadora. O pensar está sempre atrelado ao corpo. Um corpo que, ao contrário dos músculos atléticos exibidos pelas bestas louras da primeira manhã, traz consigo os sinais de sua <i>história</i>, de sua origem, do <i>sussurro</i> secreto do sentimento que ressoa com cada batida desse coração prestes a ser consumado pelo último dos <i>prazeres</i>. O corpo que abriga o pensar é sempre <i>autônomo</i>, <i>erigido do</i> peso de um <i>passado </i>infinito, de uma totalidade simbólica erigida sobre ombros <i>de gigantes</i>. É um volume pulveriz<i>ante</i>, fruto desse processo de perpétua pulverização que é o pensar. Se a genealogia é a exibição pública das marcas indeléveis da história sobre os corpos, a fisiologia, por sua vez, deve ser o rastreamento desse movimento duplo que caracteriza o pensar. A genealogia pode até ser um retorno às máscaras, uma história concebida como um “carnaval organizado”. Mas a fisiologia vem para arrancar todas as máscaras e revelar, sob a superfície fina do <i>possível envelhecimento aparente</i>, não os rostos dos indivíduos, mas as cabeças <i>jovens </i>de nossos corpos. Par<i>odiando</i> Foucault, a fisiologia deve mostrar o pensamento <i>orientando</i> o corpo e o corpo inteiramente marcado de pensar.</p>
<p class="western">Posto esses termos, o que pode então ser a filosofia, esse estranho amor a uma arte de desenhar, sobre as <i>nuances </i>de nossos corpos, figuras que nos marcam tanto mais profundamente, dado que nos atingem de modo mais insidioso e sutil? O filósofo é, sem dúvida, um ser <i>mágico</i> — o senso comum de todas as eras o atesta. Mas de que <i>magia</i> ele <i>é capaz</i>? Devemos, antes de mais nada, afastar a sombra do <i>moralismo</i>. O <i>moralismo</i>, entidade complexa sobre muitos aspectos, está sempre preso a pelo menos duas chaves: a instância contratual, enquanto elemento de ênfase da severidade da lei <i>social</i>, e a instância <i>psicológica</i>, enquanto elemento que permite, pela própria severidade da <i><span>biologia</span></i>, torcê-la ao mesmo tempo em que a obedece. O <i>moralista</i> realmente sofre sob o peso de uma lei cada vez mais absoluta, mas apenas porque há, no horizonte, a promessa de um prazer inicialmente <i>ensinado</i>. E, de fato, é justamente essa bem humorada<i> porem doentia</i> inversão — aplicação prazerosa de uma lei que deveria causar sofrimento — que melhor caracteriza as fantasias <i>moralistas</i>. O filósofo, por sua vez, rejeita toda a promessa hedonista desses contratos, afasta-se, e para sempre, do sopro gélido da lei que nos deixa insensíveis a todo ardor e sofrer. À frieza contratual do <i>moralista</i>, o filósofo contrapõe a <i>exaltação</i> de suas paixões, de seu <i>ethos</i>. O <i>moralismo</i> é a arte de se extrair prazer de nosso sofrimento; a filosofia é a arte de se extrair mais <i>prazer</i> de nosso <i>conhecimento</i>. Ela se instala na dobra do pensamento sobre si mesmo. Muito já foi dito sobre a filosofia ser sempre um pensar crítico. A crítica é sempre um pensar sobre o pensar, meta-pensar que eleva <i>o controle sobre nossas vidas e escolhas. </i>A filosofia, enquanto amor ao pensar, é, pois, <i>o processo</i> de redobrar-se o <i>conhecimento</i>.</p>
<p class="western">Já se afirmou, certa vez, que nós somos hábitos, nada mais que hábitos, simplesmente o hábito de dizer Eu. Alguns, talvez, prefeririam afirmar que tais hábitos são, na realidade, vícios. Seríamos, assim, o simples vício de ser nós mesmos. É uma correção <i>in</i>justa. Todo vício, porém, <i>nos lembra que há um</i> problema <i>para o</i> qual ele é uma resposta. <i>E</i>xistem vícios inatos, pouco transcendentais. Adquire-se sempre um vício como uma resposta a uma circunstância dada<i> em nossa história de vida ou de desenvolvimento biológico</i>. E, se o pensar <i>pode ser</i> um <i>tesão</i>, a filosofia deve ser a exploração desse <i>tesão,</i> a tentativa sempre renovada de esgotá-lo, de levá-lo a cabo. O vício arruína o corpo; a exploração do vício é <i>um</i> processo de dilaceração potencializado. Dissolução do eu, esfacelamento do corpo. <i>Em oposição a isso</i> é Dionísio, <i>deus da alegria e do vinho,</i> o deus patrono de toda filosofia. Dionísio, lembremos, é a <i>alegria</i> encarnada, <i>produto da</i> carne <i>satisfeita</i>. Todo filosofar é, assim, sacrifício a Dionísio, <i>adoração</i> perpétua <i>da parte de</i> si que não se rende a nenhuma <i>falsa</i> promessa e a nenhum des<i>encanto</i>. O filósofo <i>é também</i> um ser <i>privilegiado</i>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Pensar]]></title>
<link>http://brainstormers.wordpress.com/?p=45</link>
<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 06:58:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Daniel Nagase</dc:creator>
<guid>http://brainstormers.pt-br.wordpress.com/2008/02/19/o-pensar/</guid>
<description><![CDATA[É em certas tardes de agitação discreta que nos vêm os impulsos mais temerosos. Não se trata, p]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>É em certas tardes de agitação discreta que nos vêm os impulsos mais temerosos. Não se trata, pois, de morrer — afinal, morremos todos os dias, definhamos belamente com cada crepúsculo de nossas vidas. Trata-se, simplesmente, de pensar. Não um pensar leve, solene, como aquele que nos acompanha nas horas de sombra mais curta. A reflexão que daí advém é, se não benigna, ao menos irrisória — pode-se sempre afasta-la com um gesto de mão, com o riso seguro de quem não tem nada a perder. Aqui, ao contrário, cada pensar é um parto, um nascimento trágico cujos pais são os nossos próprios restos calcinados. A introspecção é acompanhada, a cada passo, de uma auto-imolação. Tudo se passa como num estranho ritual de invocação, onde para cada demônio-pensamento parido sacrifica-se uma parcela de si. Poder-se-ia mesmo rastrear cada pensamento em suas marcas visíveis no corpo do sujeito, ver em cada cicatriz inscrita o pensamento que lhe deu origem. Pensar é, de fato, sofrer, como quem sofre de uma doença, como quem sofre de uma aflição — como quem sofre de vida.</p>
<p>O pensar não é, como muitos o crêem, a expressão de uma alma imortal, que guardaria assim a promessa sempre consoladora de uma origem cantada ou um futuro radiante, música que brilha numa harmonia celeste e eternamente apaziguadora. O pensar está sempre atrelado ao corpo. Um corpo que, ao contrário dos músculos atléticos exibidos pelas bestas louras da primeira manhã, traz consigo os sinais de sua decadência, de sua origem baixa, do murmurinho secreto do ressentimento que ressoa com cada batida desse coração prestes a ser consumido pelo último dos crepúsculos. O corpo que abriga o pensar é sempre raquítico, curvado ao peso de um retorno infinito, de uma totalidade simbólica erigida sobre ombros disformes. É um volume pulverizado, fruto desse processo de perpétua pulverização que é o pensar. Se a genealogia é a exibição pública das marcas indeléveis da história sobre os corpos, a fisiologia, por sua vez, deve ser o rastreamento desse movimento duplo que caracteriza o pensar. A genealogia pode até ser um retorno às máscaras, uma história concebida como um “carnaval organizado”. Mas a fisiologia vem para arrancar todas as máscaras e revelar, sob a superfície fina do ouropel, não os rostos dos indivíduos, mas as cabeças de nossos corpos. Parafraseando Foucault, a fisiologia deve mostrar o pensamento arruinando o corpo e o corpo inteiramente marcado de pensar.</p>
<p>Posto esses termos, o que pode então ser a filosofia, esse estranho amor a uma arte de desenhar, sobre as cinzas de nossos corpos, figuras que nos marcam tanto mais profundamente, dado que nos atingem de modo mais insidioso e sutil? O filósofo é, sem dúvida, um ser patológico — o senso comum de todas as eras o atesta. Mas de que patologia ele sofre? Devemos, antes de mais nada, afastar a sombra do masoquismo. O masoquismo, entidade complexa sobre muitos aspectos, está sempre preso a pelo menos duas chaves: a instância contratual, enquanto elemento de ênfase da severidade da lei, e a instância humorística, enquanto elemento que permite, pela própria severidade da lei, torcê-la ao mesmo tempo em que a obedece. O masoquista realmente sofre sob o peso de uma lei cada vez mais absoluta, mas apenas porque há, no horizonte, a promessa de um prazer inicialmente diferido. E, de fato, é justamente essa bem humorada inversão — aplicação prazerosa de uma lei que deveria causar sofrimento — que melhor caracteriza as fantasias masoquistas. O filósofo, por sua vez, rejeita toda a promessa hedonista desses contratos, afasta-se, e para sempre, do sopro gélido da lei que nos deixa insensíveis a todo ardor e sofrer. À frieza contratual do masoquista, o filósofo contrapõe a imolação de suas paixões, de seu <i>pathos</i>. O masoquismo é a arte de se extrair prazer de nosso sofrimento; a filosofia é a arte de se extrair mais sofrimento de nosso sofrimento. Ela se instala na dobra do pensamento sobre si mesmo. Muito já foi dito sobre a filosofia ser sempre um pensar crítico. A crítica é sempre um pensar sobre o pensar, meta-pensar que eleva o sofrimento à condição de princípio. A filosofia, enquanto amor ao pensar, é, pois, a patologia de redobrar-se o sofrimento.</p>
<p>Já se afirmou, certa vez, que nós somos hábitos, nada mais que hábitos, simplesmente o hábito de dizer Eu. Alguns, talvez, prefeririam afirmar que tais hábitos são, na realidade, vícios. Seríamos, assim, o simples vício de ser nós mesmos. É uma correção justa. Todo vício, porém, pressupõe um problema ao qual ele é uma resposta. Não existem vícios inatos, tampouco transcendentais. Adquiri-se sempre um vício como uma resposta a uma circunstância dada. E, se o pensar é um vício, a filosofia deve ser a exploração desse vício, a tentativa sempre renovada de esgotá-lo, de levá-lo a cabo. O vício arruína o corpo; a exploração do vício é esse processo de dilaceração potencializado. Dissolução do eu, esfacelamento do corpo. Daí porque é Dionísio o deus patrono de toda filosofia. Dionísio, lembremos, é a dissolução encarnada, a carne desmembrada. Todo filosofar é, assim, sacrifício a Dionísio, imolação perpétua de si que não se rende a nenhuma promessa e a nenhum descanso. O filósofo é sempre um ser trágico.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Hegel, Hegel, sim, Hegel!]]></title>
<link>http://brainstormers.wordpress.com/2007/11/15/hegel-hegel-sim-hegel/</link>
<pubDate>Thu, 15 Nov 2007 20:36:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>Daniel Nagase</dc:creator>
<guid>http://brainstormers.pt-br.wordpress.com/2007/11/15/hegel-hegel-sim-hegel/</guid>
<description><![CDATA[Conforme o pedido do Diego, eu pretendia publicar uma lista de dez livros que considero importantes ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Conforme o pedido do Diego, eu pretendia publicar uma lista de dez livros que considero importantes para nossa formação como intelectuais. Já tinha elaborado um bom número, discutido uma série de razões para cada livro... até que me dei conta: só há um filósofo que merece ser lido — Hegel. Publico abaixo um post de um moderador <a href="http://forums.philosophyforums.com" target="_blank" title="Philosophy Forums">Philosophy Forums</a> que explica perfeitamente as razões pelas quais Hegel é o maior de todos os filósofos (nay, maior de todos os humanos!); nem o Diego poderá discordar disso depois de lê-lo.</p>
<p><strong>By Tobias</strong>:</p>
<p>The person you are all looking for, but have overlooked somehow, is of course Hegel. Yes, Hegel. Hegel is the greatest Hegel is the man. It is true, the greatest philosopher ever lived was Hegel. No other than Hegel. It is Hegel all the way down. Philosophy has never been the same since Hegel. Sometimes I think that philosophy and Hegel are synonimous and only Kant needs an honorable mention for having prepared thought for the coming of Hegel. After Hegel? Nothing, nihilist void. No wonder also after philosophy climed that mountain that is Hegel it found itself on a precipice. Shame that you didn't camp somewhat longer on this lovely Plateau up in the sky that is Hegels thought.</p>
<p>Lets take it a branch at the time: Following Lodestone<br />
<strong>Most inflluential</strong>: Hegel. Every philosophy practiced today is a reaction against Hegel. Both analytic and existentialist or phenomenology, all up against Hegel. Picknicking in the shadow of the mountain as it were....</p>
<p><strong>practical</strong> Hegel. What do we want, we want women. First thing you have to know about approaching women is the Heglian formula that you are what you are not and are not what you are. Go to the dame of your choice and conspiciously <u>not</u> flirt with her, talk about all kinds of dry matters and laugh shyly when she steers the conversation towards sex (she will). She will think you are charming. Don't tell her you are a philosopher — she will think you are a geek—, but pretend that you don't know anything and she will think your philosophical, worked for Socrates too. Now agree, you cannot have philosophy more practical than helping you get laid...</p>
<p><strong>innovative</strong> Hegel. Although here he will have to share honours with Kant, fair is far. Kant showed the way to a new metaphysics and Hegel created it, yes that is teamwork, or should I say Team Spirit?</p>
<p><strong>ethics</strong> Has to be hegel. Who else could explain so precisely the tension between being a particular person in a universal political sphere? Who else did so clearly recognize that you are only insofar as you are for others? Ethics and Hegel, two hands on the same belly as we say in Holland.</p>
<p><strong>metaphysics</strong> There can be only one.... it is.... Hegel!!! All articulations of being schematized. You will not only get boring old being, but also being as itself, being in itself, being for itself, dasein, essence (Wesen in german, that is another kind of being)  and of course the Absolute. Now if that is not metaphysical value for money, I don't know what is.</p>
<p><strong>epistemology</strong> Well, my bet would be Hegel. Not only do you get the Absolute, you also get a way and a roadmap to it. If you just heed the dialectic you will eventually end up where you want to be. Now there is epistemology for you, practical and concrete from here to there.</p>
<p><strong>Political philosophy</strong> Atually I think Hegel is a strong contender for this<br />
one. Read his Grundlinien and you knwo exactly what the relation is between politics, law and the individual. Now that is all you want from decent political philosophy no?</p>
<p>All in all, all taken together and weight with the absolutely objective eye, I think hegel is the best philopher. Now throw away all this analytical rubish, free yourself from Heidegger, Sartre and Husserl and run to the nearest bookstore, because a nicely published cassette with Hegels main works has just hit the shelves. And after you have spend your life reading them (yes they are long) you will finally be able to die in peace, knowing that Hegel has said all you need to know and all there is to know....</p>
<p>I propose a toast to Hegel!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[About Being A Philosopher]]></title>
<link>http://brainstormers.wordpress.com/2007/10/20/about-being-a-philosopher/</link>
<pubDate>Sat, 20 Oct 2007 05:31:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>diegocaleiro</dc:creator>
<guid>http://brainstormers.pt-br.wordpress.com/2007/10/20/about-being-a-philosopher/</guid>
<description><![CDATA[ 	 	 	 	 	 	 	
This was written a while ago, far enough to be forgotten, yet near enough to be still]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><title></title> 	 	 	 	 	 	<!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--> 	</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:100%;">This was written a while ago, far enough to be forgotten, yet near enough to be still true.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:100%;">&#160;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;font-style:normal;line-height:100%;"> As far as things go, I'm getting used to the idea of being a philosopher.  I see good company on the books, only scarcely worse than humans, but overwhelmingly more intelligent, complex and well articulated. Almost Everything a philosopher does seems to me as very interesting, complex, recompensating job. Giving classes about other philosophers, stating about the class of all philosophers. Reading, writing, giving council to the general population, writing good books for the elites, everything seems so much like me. People do not need to be a scientist or a mathematician to become humans, as I intend to learn during the coming years. (my Gosh, aint it hard!)</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:100%;">	I do not see life in a mercadologic way, I take a look at life and I want to view it from that part of the outside where you can stand above it and judge it, try to comprehend it, the universe, and everything else. I want to be in front of the computer, blank screen waiting for me and let the infomation flux pass through, and present it to the world without ever regreting this choce. I would not die for my ideas, for they could all be wrong, but definately I would die without them being constantly scrambled in my mind. I do not require the ultimate god like universe tranhumanists pursue to make a philosopher life happy. The nature of the world is already enough fantastic without it, although maybe life isn't.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:100%;">	I can look at things the way a philosopher does, I am a philosopher. I cannot, for a single second, sing better than I can think about the process of becoming a great singer. I do not want to sell a value that people want to buy. Making everything sellable was a very good thing for technology, but selling people like me is sacrificing civilization in the name of one of its ideals. It just doesn't happen.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:100%;">	If am I going to earn money from it or not is a consequence that is not predictable in any sense. There is no way of tracing the life of a special person further since no specific group can be used as the pattern in which he will follow.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:100%;">	So, what do I do? I write, I think, I study philosophy for serious until I can't take it anymore, and then I will se what happens, not before. I did not come to the world to give my body to the omnivorous starving market, I came to be happy, and happiness and knowledge seem to have become intrinsically entangled for me, oposing happiness and money which are intrinsically entangled for everyone else (or at least they think). Be within the sistem, but be out of its engine, that is what I feel. The whole sistem is constructed according to the simple principle of maintaining people like me in the top, so, let us test the sistem, and see what happens.</p>
]]></content:encoded>
</item>

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