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	<title>faniquito &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/faniquito/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "faniquito"</description>
	<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 04:30:05 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=79</link>
<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 04:05:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[(Não há riscos de luz no quadro negro da noite. O vento arranha as folhas com frio afago. Bocas re]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">(Não há riscos de luz no quadro negro da noite. O vento arranha as folhas com frio afago. Bocas retas. Olhares perdidos no tempo híbrido. Há música. Sempre há música à noite, nos dedos do vento ou nos rios do sangue. Como não a ouvissem, resignou-se em sussurro. É hora de silêncio.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Eu gosto do frio. Parece que a solidão é natural.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Você não sabe o que diz.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Sei o que sinto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Você não está só.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Você não sabe de nada.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Sei que você é linda.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">(Palhas de coqueiro acenam para o vazio. A natureza é morta como não o é o óleo sobre tela. Nuvens esgarçadas empoeiram o horizonte. Não há distâncias. Não há verdade. Não há.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Sou este grão aqui. Está vendo todos esses outros grãos ao redor dele? Não sabem que este aqui existe. Sequer desconfiam. Há mais estrelas no céu do que grãos de areia na Terra, sabia? Pensar na dimensão do Cosmos me faz sentir ínfima, porém igual e viva.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Grande coisa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Você é medíocre.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Você é gostosa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">É preciso compreender o mundo e a si para aliviar o fardo da vida sob o efeito analgésico da resignação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Beije-me.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">(Pedras desenhadas sob uns tantos passos mudos. Palavras escarradas por precisão. Não há lugar para elas na garganta estreita. O bafo da maresia ainda tem o mesmo aroma de eternidade.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Não.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Por que não?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Porque você é meu amigo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Eu não sou seu amigo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Eu sou sua amiga.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Troco sua amizade por um pedaço de sua língua.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">(Cambalhotas de onda na areia. Pêndulo das águas. No tabuleiro de grãos encharcados, o suicídio em bolhas de espuma. Transcendência. O mar não sabe do vento que o assedia. A onda que precipita não sabe do abismo das almas.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Se eu beijá-lo terei de olhar para você de maneira diferente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Por quê?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Porque você o fará e esperará isso de mim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Quero que você me coma com os olhos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Prefiro olhá-lo com ternura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Porra de ternura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Você não sabe viver.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Agora lascou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Enxergar o mundo com os meus olhos seria um primeiro motivo para eu lhe dar a língua inteira.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Às almas não é dada a identidade, mas a singularidade inconformada da consciência.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Assim seja.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">(O ar que rodopia também assovia uma canção. Talvez um lamento. Ou um presságio. Não palpitam as horas nem é firme o espaço. Aquilo a que se olha não é o que se vê. É tempo de sensações.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Tremo de frio</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Vem mais para perto. Deixe-me abraçá-la</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Deite-se aqui ao meu lado. Me dê a sua mão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Eu gosto de você.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">(Uma estrela perfura a tela escura da noite. O traço de luz irrompe veloz e prescinde de pincel. Olhos nos olhos: a centelha das almas, o vermelho do ponto remoto. A noite tem olhos de amêndoa. E hoje suas pálpebras pesam, tal como pesam as nuvens. Estas e a chuva que não tarda. Cataratas celestes.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:36pt;"><span lang="PT-BR">Eu também.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2008/05/28/75/</link>
<pubDate>Wed, 28 May 2008 04:23:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/05/28/75/</guid>
<description><![CDATA[Amizade é para sempre, como a História. Ambos existem enquanto houver memória. Enquanto houver pa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Amizade é para sempre, como a História. Ambos existem enquanto houver memória. Enquanto houver passado que a alimente, numa relação de simbiose, ou que lhe crave os dentes de parasita. Amigos estão para a amizade com os fatos para a História. A presença daqueles faz resplandecer a amizade, tanto quanto a reprodução dos fatos confere nitidez à História. Interessante é que vão-se os fatos, mas ela permanece. Vão-se os amigos e resta a amizade. Eis o que me intriga.</p>
<p style="text-align:justify;">É evidente que o 'fazer' histórico não se confunde com o 'contar' uma história. Fazer história é cavalgar o tempo, sem rédeas. Ou ser cavalgado por ele, sem destino. Tem-se História a cada trote, a cada movimento, a cada inspiração do homem, a cada expiração do tempo. Uma vez consumado o ato, gravado na lápide do tempo que se fez poeira ou rascunhado no borrão do porvir e sendo tudo isso entornado nas duas mãos da memória, pode-se afirmar que há História.</p>
<p style="text-align:justify;">O mesmo acontece com a amizade. Uma vez 'amizade' (não digo 'verdadeira' porque dispenso redundâncias), sua imortalidade depende da capacidade de ser chama. A sensação de amizade, a sua lembrança, a paz que ela nos proporciona, equanto acesa na memória, é perene, tanto na forma de diálogo e convivência, quanto na forma de recordação, emoldurada em saudade.</p>
<p style="text-align:justify;">É verdade que, assim como enxergamos a História com olhos adaptáveis à luz da realidade, o que nos faz contemplá-la de maneira diferente conforme a época em que se vive, também a transformação que sofremos, ininterrupamente, modifica a imagem do amigo e da amizade. Tal distaciamento, normalmente, tem o condão de atenuar possíveis aspectos negativos, ao passo que contribui para que tanto a História quanto a amizade tornem-se cada vez mais rarefeitas, menos intensas, menos presentes, embora ainda presente.</p>
<p style="text-align:justify;">Prova disso é sentir o coração soluçar, apertado, ao abrir uma das portinholas do armário do cérebro e rever o filme do passado compartilhado. É, com uma das mãos, protejer a chama que persiste e, com a outra, aparar as gotas do coração que se faz líquido pelo calor. Eu amparo uma fogeira com todos os membros, com todo o cuidado, com toda a discrição do mundo.</p>
<p>E por ninguém ter nada com isso, tome-se o dito por não dito.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[(Sob)re escombros]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=73</link>
<pubDate>Mon, 14 Apr 2008 04:37:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/04/14/sobre-escombros/</guid>
<description><![CDATA[
A consciência do passado é sempre penosa, sejam bons ou ruins os fatos soterrados pela neblina do]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A consciência do passado é sempre penosa, sejam bons ou ruins os fatos soterrados pela neblina do tempo. Ocorre que, pela simples razão de que ficaram para trás, num recanto empoeirado de saudade ou repúdio, embora cada vez mais longínquos, sussuram, insistentemente, a proximidade do fim. São migalhas de vida que se deixa pelo caminho para sempre ermo, becos em que jamais se pisa uma segunda vez, bosques estéreis que os sopros da memória teimam em revirar e a que emprestam vida sem alma.</p>
<p style="text-align:justify;">É bem verdade que existe uma tal saudade menos dolente que outras, a qual transborda quando não ansiamos por reviver uma vírgula qualquer do passado, mas cujo traçado não nos suscita arrependimento. Se há uma pretensa vertente da saudade que tenha o condão de nos fazer sorrir enquanto indagamos os rastros do tempo é, precisamente, a que acabo de mencionar. No entanto, agonize sob os escombros do destino oportunidade ou 'felicidade' perdida, cada segundo é tempo que não volta. É contagem regressiva para o abismo da velhice fria e seca, mesmo que seja em cores e em família. A velhice é um fardo por si própria, mas também pelo peso que as ferragens de uma vida<em> in memoriam</em> depositam nos ombros frágeis e doentes. Não há eufemismo mais agressivo do que "melhor idade", expressão politicamente correta, mas refutada quando dos finalmentes (finalmentes mesmo). Ou você, caro leitor desocupado, já ouviu alguém dizer por aí que fulano morreu de "melhor idade"? Seria, no mínimo, politicamente incorreto. (rs)</p>
<p style="text-align:justify;">Entrementes, toda conotação negativa só faz sentido quando confrontada com o seu oposto. Visto que, em se tratando de vida, não há frente e verso, mas só frente com pinta de verso (alternativas há em hipótese, mas não de fato), simplesmente não há razões para reclamações ou cara feia. Resta-nos o colo amigo da resignação, da aceitação da vida em toda sua plenitude.</p>
<p style="text-align:justify;">A consciência do passado é, sim, penosa. A do futuro, angustiante ou extasiante. E nós vivemos, precisamente de passado e de futuro. O presente é tempo de sensações irracionais, jamais de impressões, porquanto estas são feixes de luz ou sombra projetadas num outro tempo que paira, em volta, denso e torto. Este presente, tão logo exista para a mente, já é anterior em frações de tempo. Presente, enquanto intervalo, não pode ser presente, posto que, findo o lapso, o início jaz sob a lápide do tempo pretérito. Presente só o é, de fato, pontualmente, e o ponto está para o espaço, em realidade, assim como o presente para o tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste mundo de máscaras e desilusões, em que se mostra os dentes perante espelhos enquanto o sapato espreme os dedos, há que se pensar o suficiente, fingir muito e escrever pouco.</p>
<p style="text-align:justify;">Escrever pouco, sobretudo.</p>
<p style="text-align:justify;">
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2008/03/20/71/</link>
<pubDate>Fri, 21 Mar 2008 02:13:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/03/20/71/</guid>
<description><![CDATA[Admiro aqueles que sabem focalizar algo na vida. E o faço pela mesma razão pela qual uma criança ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>Admiro aqueles que sabem focalizar algo na vida. E o faço pela mesma razão pela qual uma criança admira um mágico de circo: simplesmente por não ter noção de como ele consegue fazer o que faz. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>O minúsculo estilhaço de mundo posto ao alcance da percepção individual é suficiente para desnortear o espírito de razoável ou generosa sensibilidade. Noutras palavras, o apocalipse da existência – seja ela real ou irreal – é a perdição do homem sensível.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>Quando me refiro à sensibilidade, quero significar, além da faculdade de sentir com a alma, a ânsia do conhecimento do que há em volta, daquilo que concorre para o espetáculo da existência dinâmica. Não fosse o mundo tão exagerado em sua multiplicidade, falar em foco seria infinitamente mais fácil. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>Acontece que, enquanto uns dedicam a vida a compreender o modo de vida das formigas, outros escavacam tumbas a procura de um passado mudo. No instante em que se fotografa um pássaro raro nos confins de uma floresta, estufam-se as veias do pescoço do engravatado que berra nãoseioquê na bolsa de valores. Ao mesmo tempo em que o som agudo de um violino estremece os miolos de ouvintes atentos, galáxias entrelaçam-se e estraçalham-se para o vazio. Cristais de neve dançam ao encontro do chão, e os dedos da terra que os ampara também seguram o magma. O mar não sabe do computador, que não sabe da semente, que não sabe do número, que não sabe do homem, que não sabe de nada.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>Os livros na estante parecem querere falar para contradizerem-se. Eles que são fragmentos de mundo encadernados. Eles que são tantos que não se pode contar numa vida. E diversos de uma maneira que não se pode conceber, quase tanto quanto o complexo de possibilidades do existir. É possível que todos tenham sido escritos por pessoas que estabeleceram um foco na vida, que não se deixaram soterrar pela avalanche do universo traiçoeiro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>É bem provável que a história seja feita pelos que sabem ajustar o foco do pensar e do agir, embora os ‘desfocados’ somente possam ser recriminados se, ao abestalharem-se diante das coisas, limitarem-se a gozar a infertilidade da contemplação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;" align="justify"><span>Vai ver que tudo é, de fato, uma questão de foco, como reza o lema dos incansáveis concurseiros. Vai ver que eu deveria estar estudando direito financeiro, neste exato momento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2008/03/11/70/</link>
<pubDate>Wed, 12 Mar 2008 02:44:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/03/11/70/</guid>
<description><![CDATA[O amor somente cogita em erguer bandeira branca na implosão do desespero. Quando até o silêncio d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>O amor somente cogita em erguer bandeira branca na implosão do desespero. Quando até o silêncio discorda e contradiz.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[À espera do elevador]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=69</link>
<pubDate>Wed, 12 Mar 2008 02:00:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/03/11/a-espera-do-elevador/</guid>
<description><![CDATA[Poucas coisas na vida são tão desconcertantes quanto um arranhar-se de olhares desconhecidos. Semp]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Poucas coisas na vida são tão desconcertantes quanto um arranhar-se de olhares desconhecidos. Sempre dura o suficiente para nos fazer sentir vulneráveis, inseguros e com todos os defeitos em evidência, ao mesmo tempo em que indagamos o outro no escuro. Nestas circunstâncias age-se como em resposta a uma afronta, a um desrespeito, em retaliação a um atentado à privacidade que se quer incólume.</p>
<p align="justify">Com os olhos engatilhados e munidos de preconceitos, descarregamos impressões forjadas  que, não raro, têm o poder de apontar rumos de relações em potencial. Acontece que o primeiro embate de olhares é sempre um erguer e soprar de cartas simultâneo. Incômodo e perturbador, atua em sentido contrário ao intuito original, comumente repelindo ou adiando aproximações.</p>
<p align="justify">A ameaça do olhar seria menos aterrorizante não fosse a absoluta ignorância da arma que se empunha ou diante da qual costuma-se fraquejar. Soubessem, as mentes que se espreitam, o que sussuram as sinapses, seus corpos não se poriam em estado de tenso e fingido alerta; os olhos, incautos, não apelariam a alvos aleatórios e a sensação de desconforto seria incomensuravelmente menor, porque estariam a par da situação.</p>
<p>Não haveria graça alguma, em suma.</p>
<p align="justify">Uma troca de olhares é exercício de sensibilidade. E o mistério do outro, sua perdição.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Entre parêntesis]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=68</link>
<pubDate>Wed, 27 Feb 2008 23:14:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/02/27/amor-e-fogo-que-arde/</guid>
<description><![CDATA[Amor é fogo que arde
e incinera a si próprio.
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Amor é fogo que arde<br />
e incinera a si próprio.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Isso me dá um faniquito!]]></title>
<link>http://digosblog.wordpress.com/?p=54</link>
<pubDate>Mon, 11 Feb 2008 21:18:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rodrigo Sampaio</dc:creator>
<guid>http://digosblog.pt-br.wordpress.com/2008/02/11/isso-me-da-um-faniquito/</guid>
<description><![CDATA[Nunca em toda a vida o velho conselho desligue a TV e vá ler um livro me foi tão útil! Aproveitan]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if !supportEmptyParas]--><!--[endif]-->Nunca em toda a vida o velho conselho desligue a TV e vá ler um livro me foi tão útil! Aproveitando-se da situação de chegar mais cedo do meu mais novo trabalho, sentei-me no sofá, e liguei a TV. No fatídico canal do plim plim.</p>
<p class="MsoNormal">Malhação. Era esse o programa no ar. Confesso que no passado acompanhei algumas temporadas da novela que sempre muda, mas continua a mesma: um romance adolescente, que não pode desenrolar, tem o vilãozinho e bla bla bla...</p>
<p class="MsoNormal">Para a minha surpresa, agora além de todas as peripécias já manjadas feitas por todos os personagens, eles também cantam e dançam em shows de talento no mundo do Múltipla Escolha.</p>
<p class="MsoNormal">Abaixo, um motivo para você fechar essa janela e ir ler outro blog.</p>
<p class="MsoNormal"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/XmC3SHFmyDA'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/XmC3SHFmyDA&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
<p class="MsoNormal">Ps: o que eu vi hoje, era bem pior e inspirou o título do texto (sim isso é possível), mas não chegou ao You Tube ainda...</p>
<p class="MsoNormal"> E se você gostou do que viu, junte-se a <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=20251684" target="_blank">isso aqui!</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Espasmos de meia-noite]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2008/02/11/espasmos-de-meia-noite/</link>
<pubDate>Mon, 11 Feb 2008 04:23:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/02/11/espasmos-de-meia-noite/</guid>
<description><![CDATA[    Desenvolvi amor pela vida para obstruir as artérias do ódio que nunca tive, mas que bem poderi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">    Desenvolvi amor pela vida para obstruir as artérias do ódio que nunca tive, mas que bem poderia ter tido, pois, como é sabido, ambos ódio e amor entreolham-se tão próximos que não se pode afirmar onde terminam os cílios de um e começam os do outro. Tusso minha sina num estertorar de tísico e escarro o destino que se diz meu, enquanto arrasta-me por rédeas curtas sobre o asfalto livre. Desfaço-me em curvas e sorrisos sinceros quando renasço para fora, mas nunca retiro-me de todo e, enquanto aceno com a mão tímida, esqueço a outra na segurança do bolso, como toda a gente o faz. E não me importo de ser incompreendida. Não mais.</p>
<p>O bom da vida é haver analgésicos lícitos...</p>
<p>... como o pôr do sol.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[De alma para luz.]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=66</link>
<pubDate>Sun, 10 Feb 2008 05:54:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/02/10/de-alma-para-luz/</guid>
<description><![CDATA[    Que razão têm as estrelas em brilhar para todos e para ninguém a mesma luz? Que razão têm o]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">    Que razão têm as estrelas em brilhar para todos e para ninguém a mesma luz? Que razão têm os cometas em rasgarem a eternidade em órbita a perpassar os mundos visíveis e invisíveis? Que razão têm a poeira, os gases e quaisquer outros elementos ou substâncias em combinarem-se para dar forma à qualquer coisa por que clame o acaso? Há razão na engenharia dos anéis de saturno ou na voracidade do buraco negro? Qual a razão do espetáculo das supernovas?</p>
<p align="justify">    Razão nenhuma. Porque razão é coisa altamente inferior e desnecessária à continuidade do cosmo, e ainda, muitas vezes, prejudicial à interação harmônica entre seres vivos e mortos. Aperfeiçoa-se sem que se possa afirmar sua evolução ou involução, se considerados o bem e o mal que desencadeia por intermédio da única espécie que, acredita-se, a possui. De que me vale conhecer de mim e do alheio duvidosos e raros prós e incontáveis contras? Para entender o mundo e o ser. Sim. E daí? Não há razão em saber do mundo e do ser. Não há razão em saber. Não há razão em ser. A ignorância é a virtude e o conhecimento, o câncer.</p>
<p align="justify">    Por isso fecho o livro sem marcar a página, apago todas as luzes ao alcance e procuro as estrelas todas, para conversar. De alma para luz, em paz.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Impressões de carnaval]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=65</link>
<pubDate>Thu, 07 Feb 2008 00:27:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2008/02/06/impressoes-de-carnaval/</guid>
<description><![CDATA[Percebo as coisas e tudo é triste. O lençol fino que esperneia no varal úmido, a janela sóbria d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Percebo as coisas e tudo é triste. O lençol fino que esperneia no varal úmido, a janela sóbria de olhos entreabertos, o muro amputado que mente ao morno lar sobre o frio inóspito da rua avessa, o mato pouco verde que roga ao vento surdo a incerteza da liberdade para além da terra frágil...</p>
<p>As telhas, entulhadas em certa ordem, só elas são menos tristes, porque, escancaradas ao céu, gozam as estrelas.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[À tarde, sonâmbula.]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/?p=64</link>
<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 23:54:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Contemplo o mar desde as gotas que me alcançam os pés até a finitude imensuravelmente reta que es]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Contemplo o mar desde as gotas que me alcançam os pés até a finitude imensuravelmente reta que esbarra no céu. Adiante, erquem-se robustos arrecifes que cruzam a eternidade aos socos de brutas ondas coroadas de branco sal. E assim, a cada rugido violento, sendo já outros e jamais os mesmos, para sempre hostis ao incansável gigante diminuído em liberdade, logram retardar as horas moribundas, ora distraídos a gozar a beleza dos ramalhetes efêmeros de rala espuma em salto, ora a lacrimejar bolhas de tédio em represália à monotonia do ser...</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[De costas para o espelho]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2008/01/27/de-costas-para-o-espelho/</link>
<pubDate>Mon, 28 Jan 2008 02:55:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Voltar a vista ao passado e contemplar uma vastidão de erros e frivolidades e, ainda, admitir que t]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Voltar a vista ao passado e contemplar uma vastidão de erros e frivolidades e, ainda, admitir que tudo ou quase tudo seria deliberadamente modificado ao primeiro descuido do estrito e autoritário curso do tempo é atitude digna de admiração...</p>
<p>... e pena.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2008/01/06/59/</link>
<pubDate>Sun, 06 Jan 2008 16:46:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Aquele instante em que o corpo denuncia uma vontade incontrolável de chorar inquieta-me como uma d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Aquele instante em que o corpo denuncia uma vontade incontrolável de chorar inquieta-me como uma dúvida. É quando cedem as amarras da sobriedade ou estravaza o cálice da razão e a pobre criatura entrega-se ao instinto, como no princípio. A carne palpita, a face lateja e entorta-se numa expressão que prenuncia o desespero. Os olhos acendem, ardem, encharcam-se num estado deplorável de falso alerta. O último fôlego é disperdiçado na peleja inútil para a preservação da mínima serenidade, invólucro de uma pseudo insensibilidade. A alma esforça-se, a todo custo, por permanecer dissimulada, embora esteja certa de que no passo seguinte desfalecerá sobre o joelhos, apática, ao escorrer da primeira lágrima. Despe-se, então, peça a peça, <em>persona </em>a <em>persona</em>, para render-se no instante seguinte de nudez. A sensação é de impotência, de derrota, de não se saber o que fazer, nem o que se transfigura nem o que o contempla.</p>
<p align="justify">De minha parte, padeço do mal de não saber consolar. Talvez por um forte sentimento de empatia, que me faz enxergar as coisas de dentro e não de fora. Não consigo dizer palavras fortalecedoras porque muitas delas seriam hipócritas e, ademais, não resolvem nada. Podem criar uma atmosfera aprazível que dê novas cores à situação, mas nada mudam, em geral. Se têm esse poder, todavia, são mais que bem vindas.</p>
<p>Por essas e outras calo-me e há quem me chame "coração gelado"... rs. Mas o meu coração é líquido.</p>
<p>E goteja.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Natal para além do tempo]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/12/26/natal-para-alem-do-tempo/</link>
<pubDate>Wed, 26 Dec 2007 05:46:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Confesso que não me sinto a vontade para desejar feliz natal nem aos entes mais próximos. Não s]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Confesso que não me sinto a vontade para desejar feliz natal nem aos entes mais próximos. Não se assustem com a heresia, cada vez mais instintiva e presente em meus pensamentos desregrados. Não se trata de negar importância ao evento, que traz, em essência, um válido significado altruísta. Acontece que coisa nenhuma há cuja essência permaneça intacta. Tudo corrompe e é corrompido. Viver, enquanto matéria, é degenerar-se.</p>
<p align="justify">O Natal hodierno não passa de uma festa como qualquer outra, em que se inaugura uma roupa nova para exibir-se aos convidados, brinda-se com a família em poses felizes para capturar fotos para o orkut, empanturra-se de Peru com arroz com passas e vinho e queijo do reino, liga-se para alguns gatos pingados de amigos e outros familiares isolados, dá-se presentes quaisquer a qualquer um quase que por obrigação e ainda faz-se cara feia diante do presente ganho no amigo secreto, deseja-se paz, saúde, harmonia e blá, blá, até que chega o dia 25, feriado, e o nome "feriado" se sobrepõe ao "natal" e tudo já volta à bruta normalidade de sempre, sem votos de felicidades e dias vindouros melhores que o de ontem.</p>
<p align="justify">Tudo passa e retorna e passa e retorna e passa novamente e retorna uma outra vez e assim sucessivamente. E vira rotina, habitual, previsível. O bicho homem achou por bem criar datas específicas para se desejar o bem ao outro, o que não é má idéia, não fosse a cara de estranhamento que se entorta diante de nós se desejamos paz, saúde e felicidade para qualquer um num dia qualquer do ano. Assim, deseja-se feliz natal mais como uma formalidade, por educação, como uma palavrinha mágica feito "bom dia" ou "por favor" do que por vontade própria, simplesmente como quem diz "passe-me a farofa, por favor". Mais por dever cristão, moral, de gentileza do que como manifestação de amor ao próximo.</p>
<p align="justify">Desejar feliz natal constrange-me por isso: porque sinto-me numa situação forjada, num espetáculo de aparências. Prefiro fazer votos de boa ventura no dia de seu ninguém, sem coação de data comemorativa nenhuma, sem compromisso com o calendário. Mesmo assim eu não fujo à regra e desejo "feliz natal" a torto e a direito, embora com o coração na mão. Esforçando-me por ser verdadeira e não cair na trivialidadedos votos automatizados, bem como por sorver toda a sinceridade dos votos alheios.</p>
<p align="justify">Aproveitando o ensejo, desejo a você, caríssimo corajoso, que lê este miolo de pote com tanta paciência, um Natal verdadeiro e perene, que rompa os grilhões das datas e cujo espirito paire feito neblina, sempre, para além dos tempos.</p>
<p align="justify"> Para além do tempo.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Razões irracionais]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/12/09/razoes-irracionais/</link>
<pubDate>Sun, 09 Dec 2007 03:33:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Escrevo poesia, simplesmente, porque não caibo em mim. Porque, embora saiba ser o ser humano inatin]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><font size="2">Escrevo poesia, simplesmente, porque não caibo em mim. Porque, embora saiba ser o ser humano inatingível em sua essência, uma teimosia atípica não me permite desistir de esticar os braços e rogar às pontas dos dedos que roçem essa essência. Escrevo porque sinto o universo em carne viva. Nuances cambiantes invadem-me por todos os poros d'alma. Múltiplas sensações quadruplicadas de prazer e dor arrebatam-me. Minha sensibilidade ultrapassa os limites do tolerável. E sonho. Degraçadamente sonho.</font><font size="2"> </font><font size="2"></p>
<p align="justify">Escrevo porque sou insaciável. Completamente insaciável. A profusão de possibilidades latentes que pulsam frenéticas em volta me fazem assim. Almejo a perfeição descaradamente, enquanto quase todos a espreitam invejosos e resignam-se previamente pela certeza da impotência. Escrevo porque calo. E assim processo as impressões do exterior sob os afagos da solidão enclausurada. Escrevo porque sou só. Porque sou incompreensível e não compreendo. Como todos o são e o fazem. Escrevo porque amo. E meu amor é grande e maior. Sempre maior.</p>
<p align="justify">Escrevo. E isso não basta. Diz-me o que basta e serei paz.</p>
<p align="justify">Escrevo.</p>
<p align="justify">Porque sou pequena. E não caibo em mim.</p>
<p></font></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Teatro que dá gosto]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/11/06/teatro-que-da-gosto/</link>
<pubDate>Tue, 06 Nov 2007 20:52:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Assistir a um grande espetáculo teatral deixa-me não menos inquieta do que exultante. Sobretudo qu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><font size="2"><font size="2"><font size="2">Assistir a um grande espetáculo teatral deixa-me não menos inquieta do que exultante. Sobretudo quando a peça é filha autêntica dessa Paraíba de tantos talentos e percalços no caminho dos que fazem teatro.</font></font></font><font size="2"><font size="2"><font size="2"> </font></font></font><font size="2"><font size="2"><font size="2"></p>
<p align="justify">Não que eu seja bairrista ao ponto de considerar a "naturalidade" da montagem um critério idôneo para avaliar sua qualidade, mas é, no mínimo, imensamente gratificante contemplar no palco jovens e experientes atores numa excelente encenação paraibana desde o texto base, perpassando a eficiente adaptação para teatro, a trilha sonora, o figurino, cenário e tudo o mais até a sóbria direção do mestre Tarcísio Pereira.</p>
<p align="justify">A inquietude que me fustiga e, vez por outra, negligente, deixa escapar uma lágrima tímida que engatinha face abaixo na escuridão da platéia, deve-se ao desejo - saciável, saliente-se - de ver proliferarem, nesse Estado, uma infinidade de boas produções que dignifiquem o teatro aos olhos do próprio paraibano, inicialmente.</p>
<p align="justify">A recente montagem da Fantástica Peregrinação do Coronel Severino Luciano Atrás de um Rabo de Saia, baseado em livro quase homônimo do deputado Fabiano Lucena (o nome do livro ainda traz mais um dúzia de palavras) é um desses espetáculos a que dá gosto assistir. Admito que, quando soube quem era autor do livro adaptado, cometi a injustiça - instintiva - de despertar o preconceito cultural que procuro manter adormecido. Mas isto é justificável pela legenda que abriga o deputado e, sobremuitomaisdoquetudo, por seus conchavos, origens e amizades políticas, que não vêm ao caso.. (Diz-me com quem andas blá, blá, blá...)</p>
<p align="justify">O espetáculo, no entanto, não apenas despiu-me, em partes, do preconceito, mas encantou-me. E o fez mais pela beleza idílica do cenário de Yon Pontes e sua dinamicidade e versatilidade, pela encenação precisa e sóbria do elenco (do Zé Pinel inclusive, que de pinel só tem a alcunha e os trejeitos..), pela perfeita trilha sonora de Eli-Eri Moura, pela irretocável execução ao piano, ao vivo, de Marcílio Onofre, pela impecável impostação de vozes do coro, pelos recursos carregados de simbologia que saltaram aos olhos, principalmente, na cena da travessia do rio São Francisco, do que pela simplicidade irreal, porém bela, do texto original. Por falar em cenário, que remete a figurino... gostaria muito de saber quanto os patrocinadores desembolsaram para bancar a produção, pois pelo visto, não economizaram. E não era para menos. Para isso também servem as excelentes infuências e um razoável patrimônio econômico.</p>
<p align="justify">Digo que despiu-me, parcialmente, do preconceito porque, afinal, estava diante de uma manifestação de arte cênica e o meu preconceito recaia sobre o texto (rs) de Fabiano. Ao final do espetáculo, resolvi comprar o livro para alteral ou ratificar meu pré-conceito desfavorával... =D</p>
<p align="justify">Com ilustrações de nada mais nada menos do que Flávio Tavaresssss, a obra, dividida em duas partes, uma em prosa e outra em poesia, de acabamento e qualidade material dignas de um deputado, acondicionada numa caixinha rústica, acompanha CD com a parte em versos recitada por nada mais nada menos do que Oliveira de Panelas.</p>
<p align="justify">Li somente a parte poética, até o momento e, finalmente, dei o braço a torcer. Não obstante alguns deslizes métricos que prejudicam a musicalidade dos versos, a trama tem um desenrolar fluido e leve, pelas sinuosidades da qual somos facilmente conduzidos ao desfecho. O autor verseja com certa facilidade, sem forçar o encaixe das palavras, a rima, a sequência dos versos, que formam um todo coeso e bem estruturado.</p>
<p align="justify">Enfim, bom livro (pelo menos a metade que li, rs) e boa peça. Desisti de contar detalhes do espetáculo porque, a esta altura do campeonato, sei que poucos terão fôlego para chegar à presente linha do meu texto.. rsrs.</p>
<p></font></font></font></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/10/01/42/</link>
<pubDate>Mon, 01 Oct 2007 14:58:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[&#8220;Uma pessoa só pode ser realmente feliz se enxergar sua propria vida como um serviço e tiver]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">"Uma pessoa só pode ser realmente feliz se enxergar sua propria vida como um serviço e tiver um objetivo definido para além de si mesma e de sua felicidade pessoal."</p>
<p> Liév Tolstói</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sull'amore]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/09/29/38/</link>
<pubDate>Sat, 29 Sep 2007 03:32:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Só o amor importa. Todo o mais são instrumentos ou incidentes.
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Só o amor importa. Todo o mais são instrumentos ou incidentes.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sulla pace]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/09/29/37/</link>
<pubDate>Sat, 29 Sep 2007 03:28:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Paz é o que existe no vazio absoluto.
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Paz é o que existe no vazio absoluto.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[I.S.]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/09/16/33/</link>
<pubDate>Sun, 16 Sep 2007 14:54:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[
A procura do outro é uma metáfora da caça a si próprio.
A isso chamo Individualismo Subliminar.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://miolodepote.wordpress.com/files/2007/09/o-ser-e-o-infinito.jpg" title="o-ser-e-o-infinito.jpg"><img src="http://miolodepote.wordpress.com/files/2007/09/o-ser-e-o-infinito.thumbnail.jpg" alt="o-ser-e-o-infinito.jpg" /></a><a href="http://miolodepote.wordpress.com/files/2007/09/o-ser-e-o-infinito.jpg" title="o-ser-e-o-infinito.jpg"></a></p>
<p>A procura do outro é uma metáfora da caça a si próprio.</p>
<p>A isso chamo Individualismo Subliminar.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A morfina da existência]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/09/03/a-morfina-da-existencia/</link>
<pubDate>Tue, 04 Sep 2007 02:29:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[Viver é decepcionar-se. Decepcionar-se continuamente, em maior ou menor intensidade. Encobrimos a ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Viver é decepcionar-se. Decepcionar-se continuamente, em maior ou menor intensidade. Encobrimos a realidade sob o tênue véu do conformismo numa ânsia desesperada de dissimular a insatisfação. Conformar-se é refutar a evidência de que TUDO sempre poderia ter sido melhor, mais correto, mas bonito, mais agradável, mais divertido, melhor interpretado, melhor escrito, melhor qualquer coisa do que foi. Poderia e pode.</p>
<p align="justify">A alegria é efêmera e se deve à acomodação. E esta, por sua vez, significa amainar as dificuldades, as misérias, os males que se apresentam incuráveis; é distanciar-se de si e do insensível mundo sensível. É dizer 'sim', enquanto o coração balbucia 'ainda não'... Mas o que seria de nós não fosse esse 'sim' suavemente analgésico? E que sucederá aos bravos loucos que dão voz à alma insaciada??...</p>
<p align="justify">A inquietude causada pela ânsia de se obter algo, de se atingir um propósito qualquer, de se ver real o que se afigurava sonho, de querer, querer, querer mais... Isto é angustiante, tormentoso, aflitivo, incerto, duvidoso. Mas é justamente essa turbulência interior que nos impulsiona os passos adiante. E vivemos, pois. Masoquistas, dissimulados, vulneráveis e pseudo-felizes.</p>
<p align="justify">Querer é sofrer. Viver é querer. Logo, viver é sofrer. Ao sofrimento... o conformismo. Eis a morfina da existência.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[No tempo da delicadeza]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/09/01/17/</link>
<pubDate>Sat, 01 Sep 2007 20:07:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2007/09/01/17/</guid>
<description><![CDATA[O verdadeiro amigo é aquele ao lado de quem pode-se ficar em silêncio sem se sentir incomodado.
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>O verdadeiro amigo é aquele ao lado de quem pode-se ficar em silêncio sem se sentir incomodado.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/08/29/15/</link>
<pubDate>Wed, 29 Aug 2007 03:37:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2007/08/29/15/</guid>
<description><![CDATA[Conhecer alguém aqui e ali
que pensa e sente como nós,
e que embora distante,
está perto em espir]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Conhecer alguém aqui e ali<br />
que pensa e sente como nós,<br />
e que embora distante,<br />
está perto em espiríto.<br />
Eis o que faz da Terra um<br />
jardim habitado.<br />
(Goethe)</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Será os impussíve??]]></title>
<link>http://miolodepote.wordpress.com/2007/08/27/13/</link>
<pubDate>Tue, 28 Aug 2007 01:06:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Clarrissa Yemisi</dc:creator>
<guid>http://miolodepote.pt-br.wordpress.com/2007/08/27/13/</guid>
<description><![CDATA[Nunca compreendi (nem jamais convenci a mim mesma, apesar de haver exaustivamente tentado) a razã]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Nunca compreendi (nem jamais convenci a mim mesma, apesar de haver exaustivamente tentado) a razão de ser o ato através do qual se dá continuidade à vida considerado pelo Cristianismo um pecado. Pra ser sincera, não posso conceber paradoxo maior do que este: a veemente rejeição do que origina algo consagrado como o Bem maior. E ser tido, além disso, como baixeza humana, como manifestação aberrante do instinto mais vil.</p>
<p align="justify"> Ora, então por que optou o Mentor dessa forma de procriação justamente por ela e não por outra qualquer? Por que não se faz bebezinhos fofinhos tomando uma poção mágica ou beijando ou estimulando a multiplicação de células como um broto (rsrs)? Por que não os trazem pendurados nos longos bicos das cegonhas mesmo ou de qualquer outra ave que suporte seus quilinhos? Ou melhor, por que os anjos não colocam os meninos nos ventres das mulheres e pronto? Por quê? Por queeê?</p>
<p align="justify"> Estranhos esses métodos? Absurdos? Estúpidos, até? Talvez. Mas são todos mecanismos  pudicos e limpinhos. Muito pior é escolher um ato abjeto, e que não se consume pra dar vida material ao seu filho.. o que até hoje não é nada fácil de fazer entrar na cabeça de uma simples criatura humana... Pra que tanta complicação, minha Nossa Senhora? E por falar em Nossa Senhora.. imagine o que a pobrezinha não deve ter passado na época pra explicar o ocorrido? E o coitado do José, pra entender e aceitar sem pensar "bobagem"?</p>
<p align="justify">Seria Deus autor de semelhante contradição? Seria Ele capaz de condenar a humanidade a pecar eternamente apenas pelo fato de dar seguimento ao Seu projeto primevo?? Criar o instinto e fazê-lo poderoso com a finalidade de ser eterna tentação para o mau caminho??</p>
<p align="justify">Parece-me criação puramente humana, egoísta, anti-natural. Tal qual o foi a condenação do riso. Tal é a condenação do amor.</p>
<p align="justify">... </p>
<p align="justify">Ou não.</p>
<p align="justify"> Talvez seja esta a resposta:</p>
<p align="justify"> "Mas, então, aquele que (...) tenha percebido a eternidade da vida que provém do querer essencial, e que tenha aprendido a vida intimamente na sua natureza autêntica, (...) perceberá que o mal original é <em><strong>existir </strong>(...), <strong>existir</strong> </em>é o <em><strong>pecado original</strong></em>, já que a existência, saindo da vontade que por excelência é livre, é o fruto da liberdade; dar-se-á conta de que o ato gerador, foco do querer-viver, é o foco do mal e do pecado; e que propagar a existência é propagar o mal, persistir no crime; que ceder ao amor é sucumbir à astúcia da natureza que instiga os indivíduos para atirá-los em profusão, sem fim, no seu crisol devorador, que perpetua a espécie ao preço de sua infelicidade. Ele saberá que querer reproduzir-se é fazer-se cúmlice do monstro e consagrar deliberadamente uma infinidade de outros seres à miséria que não ignoramos ser a nossa. <em><strong>Então ele já não se espantará com o sentimento de vergonha que acompanha e segue o ato gerador. Compreenderá por que a alegria da procriação é um pecado. Alcancará o sentido profundo do mito da queda que liga necessariamente ao amor carnal a morte, como sua punição, e que faz da maça de Eva o fruto proibido da árvore do conhecimento, para que alquele que cometa  o ato vergonhoso saiba do que se trata quanto à origem e à propagação da espécie.</strong></em>"</p>
<p align="justify">(!) </p>
<p align="justify">Introdução da Metafísica do Amor e Metafísica da Morte, Shopenhauer</p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
