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	<title>cronopios &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/cronopios/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "cronopios"</description>
	<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 04:17:20 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[O tempo de amar]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=268</link>
<pubDate>Fri, 25 Jul 2008 04:27:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[Amar enquanto jovem é sempre atirar-se num precipício. É um ‘ainda não estar pronto’, enquan]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Amar enquanto jovem é sempre atirar-se num precipício. É um ‘ainda não estar pronto’, enquanto somos ainda desordem e inquietação. Acaba que, muitas vezes, cada um se perde a si próprio por amor ao outro, e perde também o outro.</p>
<p>Amar é difícil, e para tudo o que é difícil, busca-se soluções fáceis – é uma sociedade das facilidades. Amar, experimentar a faculdade de perder-se em outro ser, é uma alta exigência do humano, talvez a maior que ousamos nos propor. No entanto, a maioria das pessoas prefere refugiar-se numa dessas várias convenções que existem em toda parte, inclinando-se a ver o amor como um comércio entre duas pessoas, ou como um gozo, uma satisfação, de acesso fácil, barato e sem riscos, como um produto colorido das propagandas da televisão.</p>
<p>Entretanto, ‘amar’ é uma conquista, e não uma dádiva. É necessário acúmulos de solidões para se aprender a amar. É preciso juntar todas as energias do seu ser e reuni-las no coração inquieto e solitário para nos tornarmos um mundo, um universo, para quem amamos. De que serviria uma união de interdependência, de dois espíritos vagos e incompletos, cuja aproximação é fundada na carência mútua? Em pequenas concessões de superfícies?</p>
<p>Tolstoi disse que o amor consiste na união de duas pessoas que buscam sorver uma da outra o máximo possível de prazer. Nietzsche concluiu que amamos mais o desejo do que desejado. Creio que tudo isso ocorre, mas não encerra o amor. Este só nos atinge a partir do nosso primeiro esforço interior que tentamos em nossa existência, da primeira ocasião em que estivemos sós no mais profundo de nós, a partir do instante em que já não necessitamos daquelas convenções, e também já nos desprendemos das profundidades da existência. Antes disso, amar é um ‘ainda não estar pronto’.</p>
<p>Mas é necessário amar sempre, desde o começo: dos primeiros amores - ainda que apressados, impacientes e arrogantes - é que nascem as aspirações que nos constituirão até o fim...</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[O cara da corrente]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=262</link>
<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 14:40:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[Conheci, em certa madrugada urbana, um assaltante desses moleques - eu caminhava solitário por uma ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci, em certa madrugada urbana, um assaltante desses moleques - eu caminhava solitário por uma área comercial absolutamente deserta. O cara me seguia a certa distância e eu me preparei para o assalto, embora não tivesse nada a oferecer no momento: nem grana, nem relógio nem nada. Enfim, para atenuar a tensão, deixei claro que eu o havia notado e deduzido suas intenções, voltei o pescoço e o olhei com um olhar marginal, tirei a camisa e continuei andando. O cara finalmente se aproximou e, ainda três metros atrás de mim:</p>
<p style="padding-left:30px;">- me dá um cigarro aí, meu velho! – disse.<br />
- não fumo não, meu velho! – eu disse manifestando algum tédio na voz, para disfarçar a tensão.<br />
- então passa essa corrente aí do seu pescoço! – aí ele já estava ao meu lado.</p>
<p>Ele se referia a uma corrente de pouco valor pecuniário que, naquela época, significava muito pra mim porque fora presente especial de alguém especial. O cara não me apresentou arma alguma, deveria ter seus dezoito ou dezenove anos (eu tinha vinte e três). Então que se foda:</p>
<p style="padding-left:30px;">- não passo não cara! Isso aqui – toquei na corrente – foi um presente muito especial. Se assim não fosse, já estaria em sua mão.</p>
<p>O cara, embora tivesse estranhado minha fala segura e decidida, pareceu fazer muito gosto e respeitou:</p>
<p style="padding-left:30px;">- ah! Da namorada né? Então fique com sua corrente...</p>
<p>E ficamos amigos ali. Contou-me que era foragido da justiça, que não tinha nada a fazer a não ser crimes; que esperava morrer a qualquer momento, como seus pais, que haviam sido mortos pela polícia; entre outras tragédias tão cotidianas nas periferias. Eu disse apenas pra ele tomar cuidado...</p>
<p>Enfim, chegamos ao fim de uma avenida que separaria nossos caminhos.</p>
<p style="padding-left:30px;">- valeu maluco! Estou sempre nas ruas, nos vemos por aí. – ele disse quase com ar de esperança.</p>
<p style="padding-left:30px;">- falou!</p>
<p>Antes dele se afastar muito eu o chamei de volta e o entreguei todo o dinheiro que eu tinha na carteira – talvez desse para um cafezinho com pão na manhã já próxima. Ele aceitou com hesitação, depois sorriu e se mandou.</p>
<p>Nos encontramos novamente, semanas depois, durante outra de minhas voltas pra casa pela noite urbana e vazia. Dessa vez meu coração acelerou muito quando, de repente, três caras surgiram da penumbra e partiram furiosos pra cima de mim. Não lembro exatamente o que sucedeu nos três segundos de desespero de ter como certo o enfrentamento com os caras, mas a voz de um deles os parou:</p>
<p style="padding-left:30px;">- é o cara da corrente! Deixa o cara! Deixa o cara! O cara é meu! Vá lá velho. Vá lá.</p>
<p>Segui são e salvo. Agradeci com um ‘valeu’!</p>
<p>O cara jamais soubera que, dias antes – porque tudo no mundo muda - eu já havia puxado com força do pescoço a tal corrente, despedaçando-a pelo chão em mil fragmentos perdidos. Para mim já não existia corrente. Para o cara, talvez, ela exista para sempre.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=257</link>
<pubDate>Sun, 13 Jul 2008 16:44:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[Barra, Salvador. Por Fabricio Kc.
Descobri que há um mundo a conhecer, uma vida para levar, homens ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Barra, Salvador. Por Fabricio Kc."]<a href="http://farm4.static.flickr.com/3035/2649790017_625df62c49.jpg?v=1215544123"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3035/2649790017_625df62c49.jpg?v=1215544123" alt="Barra, Salvador" width="500" height="375" /></a>[/caption]
<p>Descobri que há um mundo a conhecer, uma vida para levar, homens e mulheres com quem firmar milhares de relações. Tudo está ali como um grande mar encapelado, onde é preciso saltar, mergulhar, sentir a brisa e peitar as ondas. O mundo acena, sorri e chama...</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[HISTORIA]]></title>
<link>http://nadapasa.wordpress.com/?p=29</link>
<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 02:21:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>nadapasa</dc:creator>
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<description><![CDATA[Un cronopio pequeñito buscaba la llave de la puerta de la calle en la mesa de luz, la mesa de luz e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Un cronopio pequeñito buscaba la llave de la puerta de la calle en la mesa de luz, la mesa de luz en el dormitorio, el dormitorio en la casa, la casa en la calle. Aquí se detenía el cronopio, pues para salir a la calle  precisaba la llave de la puerta.   </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma coisa a mais do mundo]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=248</link>
<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 01:18:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[
foto tirada por meu amigo Laert
Digamos que uma parte de minha vida saiu pra tomar um ar e nunca ma]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2008/07/srf1.jpg"><img class="size-medium wp-image-247 aligncenter" src="http://fabriciokc.wordpress.com/files/2008/07/srf1.jpg?w=224" alt="" width="234" height="313" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#c0c0c0;">foto tirada por meu amigo Laert</span></p>
<p>Digamos que uma parte de minha vida saiu pra tomar um ar e nunca mais voltou...<br />
Senti primeiro como uma perda, agora sinto que a vida se multiplicou: a parte que foi virou outra vida; eu virei outra também. E uma infinidade de vivências dessas novas vidas inundaram tudo e outras vidas.</p>
<p>Nesse meio tempo, vivido de forma vertical, comecei a surfar: inusuais movimentos corporais alteram o nosso equilíbrio energético, produzindo um maravilhoso bem-estar físico, crescente leveza e agilidade. Numa cidade como Salvador, pouca coisa há, creio, que se compare ao desafio ancestral de entrar no mar e surfar uma onda que chega sempre como um presente, uma dádiva. Enquanto esperamos flutuando na calmaria, sentimos a imensidão azul, perfeita para perder os pensamentos – atrás da gente, a cidade ignorada, esquecida com tudo que tem dentro. Não há ambiente melhor para torrentes de autoconhecimento - a sinceridade fala alto e diz tudo numa linguagem de um elemento só: vida.</p>
<p>No mar, por uns instantes, vivemos uma espécie de vida imediata, sem intermediações construídas por algo que não nos interessa: sociedade, passado, futuro etc. Os medos são mais diretos também, mais autênticos e estimulantes – se nos apresentam com respeito - não nos agridem, mas nos enfrentam - porque nós escolhemos estar ali no mar...</p>
<p>Poderíamos, é verdade, estar em algum outro lugar que não escolhemos, sentindo outros medos que nos agridem por não termos saída, nos flagelam enquanto boiamos a mercê de correntes perversas. Contudo, no fundo no fundo, trata-se, enfim, de uma escolha que fazemos. Afinal, escolhi surfar no mar, mas não é só no mar que podemos ‘pegar nossas ondas’...</p>
<p>Quando saímos do mar, voltamos a ser meros mortais. Mas nos acompanha a sensação de que quem ‘surfa’ – seja lá qual for a onda – sabe uma coisa a mais do mundo.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sustentável leveza do ser]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=235</link>
<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 04:20:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[Milan Kundera escreveu que viver seria meio que ser jogado numa peça de teatro, sem ter idéia clar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Milan Kundera escreveu que viver seria meio que ser jogado numa peça de teatro, sem ter idéia clara do que esperar, improvisando a cada ato. Há mesmo uma semelhança caritativa, que premia a existência com possibilidades criativas. Querer ter algum controle sobre a própria vida é sempre uma perda mesmo – é restringir-se, fechar os olhos.</p>
<p><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2008/06/3d_flowers.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-237" style="float:right;" src="http://fabriciokc.wordpress.com/files/2008/06/3d_flowers.jpg?w=300" alt="" width="219" height="164" /></a>Há quem olhe para o relógio a cada cinco minutos – o meu eu o perdi surfando (tristemente, pois fora presente de meu pai). Contudo, quando nos livramos do relógio, livramo-nos também de uma desgraça – livramo-nos de invenções mal-utilizadas, como passado e futuro; livramo-nos de viver o dia como seqüências, para vivê-lo como experiências. Aliás, perdi, também enquanto surfava, meu escapulário (não creio em Deus, mas faço minhas orações) – a cada vez que entro no mar, saio, literalmente, mais leve. Sustentavelmente mais leve...</p>
<p>O melhor é que aconteçam fatos não previstos mesmo, como num conto em que os personagens não ajam como queria o autor e cuja narrativa se desenvolve contra suas intenções. O melhor é ser também personagem...</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cinza]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=221</link>
<pubDate>Wed, 28 May 2008 01:36:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Fumava um cigarro na janela do meu quarto, segundo andar. Leve brisa e barulho do mar ao longe. Pen]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2085/2523028490_19782aa911.jpg?v=1211762424" alt="" width="384" height="288" /></p>
<p>Fumava um cigarro na janela do meu quarto, segundo andar. Leve brisa e barulho do mar ao longe. Pensamentos. Ouvia <a href="http://www.youtube.com/watch?v=vcAodj6NYb8"><em>say it to me</em></a> (Glen Hansard). Dei um peteleco no cigarro e um pequeno fragmento de cinza esvoaçou contemplado por meu olhar. O fragmento flutuou percorrendo cerca de cinco metros quase paralelamente a parede. De repente, um vento reverso trouxe de volta o fragmento de cinza - (há um exagero quase insignificante nessa percepção) - à ponta do cigarro seguro entre meus dedos imóveis, e o fragmento passou, quase me fazendo crer que o fez de propósito, pertinho do lugar de onde saíra, e logo se dissipou no ar... Nada mais casual ou indigno de nota! Nada maior!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quimera]]></title>
<link>http://samahell.wordpress.com/?p=132</link>
<pubDate>Sun, 20 Apr 2008 00:38:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Samael</dc:creator>
<guid>http://samahell.wordpress.com/?p=132</guid>
<description><![CDATA[Quimera
Por Claudio Parreira (Fonte: Cronópios)
Eu vendia hipopótamos na feira quando vi a mulher ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>Quimera</strong><br />
Por Claudio Parreira (Fonte: <a href="http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=3103" target="_blank">Cronópios</a>)</p>
<p>Eu vendia hipopótamos na feira quando vi a mulher pela primeira vez: linda, os cabelos louros esvoaçando do sovaco, dois metros e meio de pura tentação.</p>
<p>Filhote, o meu cachorro filosófico, foi logo dando palpite:</p>
<p>- Não entra nessa que é roubada. Pelo brilho do olho esquerdo, essa aí tem pra mais de quarenta filhos.<!--more-->Aceitei o conselho do Filhote com os ouvidos mas o coração não quis saber: corri pra cima da mulher. Para impressioná-la, passei antes na biblioteca. Peguei meia dúzia de clássicos, que sempre dão melhor resultado.</p>
<p>Quando ela me viu com os livros brotando feito flores das mãos, se abriu toda sorrisos.</p>
<p>- Li todos eles pra você, meu amor – eu disse, os olhos faiscando sacanagem. – Que tal?</p>
<p>O sorriso ganhou uma súbita expressão séria. Filhote, filosófico, arrematou:</p>
<p>- Eta porra!</p>
<p>- Não pense que me entrego por essa mera literaturazinha – ela falou. – Pra me ganhar o buraco é mais embaixo!</p>
<p>Disse isso e se virou, resoluta. Uma mulher que despreza os clássicos é maluca. Ou merece respeito e atenção. Por isso observei-lhe o rabo: três pontas descascadas.</p>
<p>- É normal – sentenciou Filhote.</p>
<p>- Graças a Deus – falei. – Vamos beber a isso!</p>
<p>Filhote não gostou muito da idéia.</p>
<p>- Mas é só gasolina, filho! – eu justifiquei.</p>
<p>Ele abaixou as orelhas, enfiou o rabo entre as pernas e perguntou:</p>
<p>- Você promete que é uma só? Uminha só?</p>
<p>Saímos do posto de gasolina às quatro e meia da manhã, os arrotos potentíssimos lançando chamas a centenas de metros.</p>
<p>Eu vendia, como já disse, pterodátilos no supermercado quando vi a mulher pela segunda vez: linda, os cabelos avermelhados esvoaçando das ventas, quase três metros de vertigem.</p>
<p>Filhote, os bigodes ainda chamuscados pelas labaredas da noitada anterior, resolveu bancar a minha consciência:</p>
<p>- Larga mão, sô! Isso aí não é mulher, é o diabo que veio pra te aporrinhar. Como ela mesma disse, o buraco é mais embaixo. Vai encarar?</p>
<p>Mulheres difíceis é que valem a pena, pensei, principalmente quando precisamos usar uma escada para lhes alcançar o pescoço fino para um beijo fugaz. Assim era ela, com seus quarenta filhos ou não. E assim estava eu: torto, os quatro pneus e o torso arriados, a garganta seca implorando por mais gasolina.</p>
<p>- Nem pensar! – protestou Filhote. – Ela não vale tamanha humilhação.</p>
<p>Fiquei olhando o cachorro, penalizado: nem mesmo toda a filosofia do mundo o fizera mais sensível. Decerto mantinha um bloco de mármore no lugar do coração. E sua boca jamais provara a voltagem de um genuíno beijo de amor. Seus olhos eram incapazes de enxergar a paixão: em quem eu via céu ele só encontrava tempestade.</p>
<p>- Ora, pois, meu querido Filhote – eu disse. – Enfia a tua filosofia no rabo que eu quero mesmo é pandegar!</p>
<p>- Depois não diga que eu não avisei...</p>
<p>A prudência, ah!, a prudência. Por isso é que o Filhote não passa de um cão filosófico solitário: prudência demais. Corresse um pouco mais de risco e viveria melhor. Mais feliz, pelo menos, que esse negócio de filosofia pura corrói o fígado e os miolos. É a cachaça da alma, um ácido do espírito.</p>
<p>E ácido por ácido eu prefiro o LSD que o bafo dela exala. Ela é uma mulher envolvente, sim, e não digo isso pelo fato da moça ter quatro braços. Nem me abraçar ainda ela abraçou, porque o buraco, segundo suas próprias palavras, é mais embaixo. Mas eu sei que o momento do abraço vai ser sublime, o momento do beijo. É nisso que se baseia toda a minha vida hoje: nos momentos futuros que terei ao seu lado. Os carneiros que trafico na igreja garantem a minha subsistência mas o meu prazer vem de outras fontes. E agora cismei que a fonte primeira de todos os meus delírios gozosos é ela, que é linda, os cabelos amarelos cheirando a capim, três metros e meio de loucura.</p>
<p>Os automóveis e crocodilos mostravam reverência e uma ponta de inveja à minha passagem: lá vai um apaixonado, eu pensava que eles pensavam. E decerto pensavam mesmo, porque tudo em mim cheirava como o jasmim da paixão: desde os cascos até o olhar, que iluminava de cor as sombrias ruas em linha reta da vida comum.</p>
<p>Sob os óculos que a minha condição de futuro amante me colocara sobre os olhos eu via agora um mundo todo novo: os edifícios circulares, as avenidas ascendendo em direção ao céu, as curvas azuis do vento. Mesmo as pessoas, que sempre me olhavam com reserva e desconfiança, ensaiavam sorrisos e acenos, exibiam um discreto menear de cabeça, o desconcertante sussurrar de palavras de apoio e incentivo que eu jamais ouvira antes. Houvesse no mundo mais apaixonados como eu e a vida seria bem melhor.</p>
<p>Para que tudo isso se concretizasse, porém, faltava o principal: encontrá-la. O buraco mais embaixo, ou em cima, foda-se, isso era fácil. O Grande Arquivo Universal da Conquista Amorosa está aí há milênios e só não o consulta quem não quer.</p>
<p>Navegando na mesma freqüência dos meus pensamentos, um senhor baixo, cego, cuja boca era um acidente medonho na geografia do rosto, se apresentou com a solução dos meus problemas:</p>
<p>- A mulher que você procura, cinco ou seis metros de beleza incomum, os pelos cubistas, sei muito bem onde ela está.</p>
<p>Nunca vendi porra nenhuma na vida, como já disse. Por isso mesmo é que sei que na minha profissão o que mais se vê é picaretagem, gente desqualificada que abusa dos bons sentimentos dos incautos para conseguir vantagens pessoais. A mim impressionou muito o fato do homem surgir do vento e descrever quase à perfeição a minha amada. Para saber se o sujeito falava mesmo a verdade, perguntei ainda:</p>
<p>-  O que ela guarda às costas?</p>
<p>- Um par de asas translúcidas – falou ele prontamente.</p>
<p>Bati com a mão aberta à testa, uma pancada tão forte que por instantes a cidade mergulhou em trevas. Ninguém no mundo a não ser eu (e Filhote, minha testemunha particular) poderia descrevê-la tão bem! Quando as nuvens escuras se afastaram dos meus olhos eu fiz a pergunta óbvia. Os olhos vazios do homem derramaram a resposta, límpida e sonora:</p>
<p>- Na biblioteca. Vai encontrá-la na biblioteca.</p>
<p>Claro. Por que eu não tinha pensado nisso antes?</p>
<p>Na escadaria da biblioteca encontrei Filhote escondido atrás de uma hiena, a pata direita estendida sobre um chapéu que pedia esmolas.</p>
<p>- Porque filosofia alimenta o espírito mas não enche a barriga de ninguém – justificou enquanto eu entrava no meu sonho, o coração já aos trancos por antecipação.</p>
<p>Intuí o seu endereço logo de cara: terceiro corredor, esquerda, prateleira de mitologia. Entre o Minotauro e o Dragão, coberta de poeira, lá estava ela, a Quimera. A <em>minha</em> Quimera.</p>
<p>Embora estivesse diante de tudo o que eu sempre quis, me senti decepcionado. Era ela, sim, mas faltava-lhe algo. Faltava-lhe tudo. Faltava-lhe a materialidade. As carnes, os peitos. Algo concreto no qual eu pudesse descansar o meu esqueleto. Faltava-lhe a bunda, caramba, que desde sempre tem sido o porto seguro para os machos da minha espécie e de outras mais.</p>
<p>A mulher que eu tinha diante dos olhos era só uma figura impressa, de cores desbotadas, uma ilha cercada de palavras por todos os lados. <em>Pra me ganhar o buraco é mais embaixo</em>, ela dissera, e agora eu sabia o quanto. Aliás, dissera mesmo? Em algum momento cheguei de fato a vê-la? Linda, mulher mesmo ou pura alucinação?</p>
<p>Seres mitológicos não são dignos de crédito, eu sempre soube. Mas é o abismo entre o saber e o acreditar que os torna tão reais.</p>
<p>- O senhor não pode permanecer neste recinto.</p>
<p>Virei lentamente o torso, mantendo as patas fincadas com firmeza no chão.</p>
<p>- Por que não? – perguntei, um segundo antes de constatar que quem me falava de maneira tão autoritária era o sujeito de boca murcha.</p>
<p>- Seres imaginários não são admitidos nesta biblioteca – ele respondeu, os olhinhos sem brilho exibindo uma satisfação nem um pouco secreta.</p>
<p>- Faça então o que deve – eu disse, o meu rabo balançando com um descompromisso admirável.</p>
<p>Saímos os dois de volta à rua, deixando para trás a minha Quimera e os sonhos tantos que me ocuparam e justificaram de maneira gloriosa a minha existência.</p>
<p>- Mulheres – eu disse -, jamais serão inteiramente nossas. Sempre isso: aparecem, acendem a chama da loucura e, quando mais as queremos, desaparecem no ar feito borboletas. Ou se metem entre as páginas dum livro que nunca poderemos ler.</p>
<p>- Umas ingratas – filosofou acertadamente Filhote, que se juntara a nós.</p>
<p>Quem nos via indo de encontro ao cinzento véu da noite[1] só conseguia perceber o mistério. Um homem cego de boca murcha, um cão filosófico e um centauro esvaziado de quimeras como eu dão mesmo o que pensar.</p>
<p>--</p>
<p>[1] O Barroco é que gostava de construções assim. Ou não.</p>
<p><strong>Claudio Parreira</strong> é escritor e chargista. Foi colaborador da <em>Revista Bundas</em>, do jornal <em>O Pasquim 21</em>, <em>Caros Amigos</em> on line, <em>Agência Carta Maior</em>, entre outras publicações. Mantém na Internet o <a href="http://www.blogppc.blogger.com.br" target="_blank">BLOG PPC!</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Humanidade desistida]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=191</link>
<pubDate>Thu, 17 Apr 2008 21:42:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
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<description><![CDATA[
foto do Flickr de Mabar
A humanidade, apesar de grandiosa em alguma medida, sempre foi horrenda! As]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img src="http://farm1.static.flickr.com/163/361410104_e585f172bf.jpg?v=0" alt="" width="386" height="260" /></p>
<p style="text-align:center;">foto do Flickr de <strong><a title="Link para a galeria de Mabar" href="http://www.flickr.com/photos/mabar/"><strong>Mabar</strong></a></strong></p>
<p>A humanidade, apesar de grandiosa em alguma medida, sempre foi horrenda! As mais negativas características de nossa época – como o fascismo, o nacionalismo, a corrupção, a intolerância religiosa – são também de todas as épocas. Vê-se mais comumente hoje, entretanto, a ascensão dos idiotas, os estúpidos no poder. A juventude hoje é velha e conservadora – os jovens medem a vida a partir de coisas sem importância, dedicam a vida ao desejo utilitário e à busca insossa de comodidade financeira e de um artificial, frágil e mesquinho status social, em qualquer esfera ou classe social (exceto aqueles que encontram no crime e na violência a forma desesperada de existir). A vida dos jovens atuais os tornam tolos e desinteressantes, e a sua falta de curiosidade e de ousadia perante outros aspectos da vida menos superficiais e os preconceitos de todos os tipos escondem um rancor secreto contra o mundo.</p>
<p>Àqueles que agora sentem que pisam num chão que lhe desagrada, resta-lhes ser sua própria fonte de experiências e ver um mundo diferente, ainda que sozinhos – sob o brilho solar de uma vida que desponta a cada amanhecer, a cada movimento... a cada onda que irrompe do mar.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Argus Encounters Venus]]></title>
<link>http://howtodrawanowl.wordpress.com/?p=139</link>
<pubDate>Thu, 10 Apr 2008 05:32:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>mrgreenowl</dc:creator>
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<description><![CDATA[




]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://s216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/?action=view&#38;current=DSC01498.jpg" target="_blank"><img src="http://i216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/DSC01498.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></a></p>
<p><a href="http://s216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/?action=view&#38;current=DSC01499.jpg" target="_blank"><img src="http://i216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/DSC01499.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></a></p>
<p><a href="http://s216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/?action=view&#38;current=DSC01500.jpg" target="_blank"><img src="http://i216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/DSC01500.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></a></p>
<p><a href="http://s216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/?action=view&#38;current=DSC01501.jpg" target="_blank"><img src="http://i216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/DSC01501.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></a></p>
<p><a href="http://s216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/?action=view&#38;current=DSC01502.jpg" target="_blank"><img src="http://i216.photobucket.com/albums/cc282/Winstonamc/DSC01502.jpg" border="0" alt="Photobucket" /></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poema achado]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=189</link>
<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 23:25:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/?p=189</guid>
<description><![CDATA[Cale-se.
é preciso que me ouças.
no dia em que me negaste,
expus minh&#8217;alma a todos os ventos]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Cale-se.</p>
<p>é preciso que me ouças.</p>
<p>no dia em que me negaste,</p>
<p>expus minh'alma a todos os ventos, a todos os versos.</p>
<p>desde então não há nada que não me seja nocivo.</p>
<p>que não me enlouqueça.</p>
<p>Todos os infelizes e miseráveis, entre homens e deuses,</p>
<p>tiveram em mim a sua desforra.</p>
<p>No dia em que me negaste a sua cumplicidade,</p>
<p>a cada respirar senti náusea.</p>
<p>não suportei o silêncio,</p>
<p>nem o ruído descabido de meu coração a bater,</p>
<p>irritantemente.</p>
<p>Não suportei a razão.</p>
<p>não suportei sentir ou enxergar.</p>
<p>No dia em que, despretensiosamente, deixou que</p>
<p>minhas lágrimas despencassem no vazio,</p>
<p>eu me mantive submerso.</p>
<p>A cada amanhecer tive uma treva.</p>
<p>A cada chão que piso, um inferno.</p>
<p>Desde que me negaste a sua boca,</p>
<p>tenho, a cada movimento, uma chaga.</p>
<p>A cada pensamento... uma morte.</p></blockquote>
<p><em>Fabricio kc, em 18/10/2001, Homenagem à Corja dos Poetas</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Terapias]]></title>
<link>http://nadapasa.wordpress.com/?p=13</link>
<pubDate>Wed, 05 Mar 2008 01:15:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>nadapasa</dc:creator>
<guid>http://nadapasa.wordpress.com/?p=13</guid>
<description><![CDATA[        Un cronopio se recibe de médico y abre un consultorio en la calle Santiago del Ester]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:x-small;font-family:Verdana;">        Un cronopio se recibe de médico y abre un consultorio en la calle Santiago del Estero. En seguida viene un enfermo y le cuenta cómo hay cosas que le duelen y cómo de noche no duerme y de día no come. </span><br />
<span style="font-family:Verdana;"><span>        -Compre un gran ramo de rosas- dice el cronopio. </span></span><br />
<span style="font-family:Verdana;"><span>        El enfermo se retira sorprendido, pero compra el ramo y se cura instantáneamente. Lleno de gratitud acude al cronopio, y además de pagarle le obsequia, fino testimonio, un hermoso ramo de rosas. Apenas se ha ido el cronopio cae enfermo, le duele por todos lados, de noche no duerme y de día no come.</span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Como somos crianças!]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/02/11/como-somos-criancas/</link>
<pubDate>Mon, 11 Feb 2008 03:31:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/02/11/como-somos-criancas/</guid>
<description><![CDATA[Há quem creia em convicções e certezas - há aqueles que por elas vivem, e aqueles que por elas m]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Há quem creia em convicções e certezas - há aqueles que por elas vivem, e aqueles que por elas matam, morrem ou matam-se. Há pessoas que crêem que a realidade só importa até onde nos foi revelada – e o que não sabemos, tudo o que não se revelou a nós, ou que não nos revelou alguém, ou mesmo tudo o que não descobrimos nós mesmos, simplesmente não existe ou não interessa. Há quem adote, para desfrutar de uma explicação do mundo, uma religião ou um sistema filosófico que engloba todos os aspectos do universo.</p>
<p class="MsoNormal">Há, entretanto, quem apenas duvide – interpretando a dúvida ora como fraqueza, ora como ousadia – mas duvide sempre! e de tudo. A realidade como um mar de incertezas onde uns se afogam e outros flutuam alegremente. Onde uns se perguntam ‘e agora?’ e outros se riem ‘e daí?’! Eu posso dizer, enfim, que surfo nas ondas que esse mar oferece... se, as vezes, tomo umas belas ‘vacas’ – mesmo que angustiantes por um momento – tudo acaba sempre (se não morro) na superfície, em risos e num belo pôr-do-sol.</p>
<p class="MsoNormal">Claro que há contas a pagar (merda). Mas, ah! Como somos crianças! Um dia eu estava indo embora de algum lugar, enquanto deixava para trás uma menina que era um sonho. Enquanto estive lá, e estive só por causa dela, seus olhos não pararam em mim. Mas quando saí, os cabelos dela assomaram discretamente numa janela e a vi olhando pra mim... Seria para mim? Flutuo nessa incerteza!</p>
<p class="MsoNormal">Por Fabricio Kc</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O gesto e a palavra]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/01/09/o-gesto-e-a-palavra/</link>
<pubDate>Wed, 09 Jan 2008 19:52:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/01/09/o-gesto-e-a-palavra/</guid>
<description><![CDATA[

foto de Fabricio kc

&nbsp;
Recorro às palavras quando queria um gesto.
O gesto:
 
Dar um trago l]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1088/1355607984_64380962b0.jpg?v=0" height="500" width="375" /></div>
<div style="text-align:center;">
<pre>foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/84245168@N00/">Fabricio kc</a></pre>
</div>
<p class="MsoNormal">&#160;</p>
<p>Recorro às palavras quando queria um gesto.</p>
<p class="MsoNormal">O gesto:</p>
<p class="MsoNormal"><i> </i></p>
<p class="MsoNormal"><i>Dar um trago lento e profundo no cigarro que seguro entre os dedos que esfriam. </i>(Imagino que tal gesto se passa em um dado lugar sob certas circunstâncias – como, por exemplo, a beira-mar sob intensa brisa. Isso muda toda a essência da descrição do proclamado gesto, porquanto traz sensações peculiares a específicas circunstâncias; sensações necessariamente distintas em outra qualquer circunstância).</p>
<p class="MsoNormal"><i> </i></p>
<p class="MsoNormal">Para aproximar o mais possível tal gesto da imagem que pretendo através da ortodoxia dos signos, talvez, eu devesse dizer:</p>
<p class="MsoNormal"><i> </i></p>
<p class="MsoNormal"><i>Olhar perdido na cor suave do vento que me acaricia o corpo e me faz desperceber o cigarro.</i></p>
<p>É um compromisso meu encontrar uma palavra que equivalha a um gesto.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poema ]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/01/09/poema/</link>
<pubDate>Wed, 09 Jan 2008 19:38:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/01/09/poema/</guid>
<description><![CDATA[

foto de Fabricio kc

Quando a luz
Abdicou das cores,
E toda a realidade
Era a paisagem
Querendo fa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><img src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2008/01/solidaopeb.jpg?w=492&#38;h=371" height="369" width="492" /></div>
<div align="center">
<pre>foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/84245168@N00/">Fabricio kc</a></pre>
</div>
<p>Quando a luz</p>
<p>Abdicou das cores,</p>
<p>E toda a realidade</p>
<p>Era a paisagem</p>
<p>Querendo fazer parte de ti,</p>
<p>Todo o outono</p>
<p>Quis ser você.</p>
<p>Por <b><a href="../http://fabriciokc.wordpress.com/about///">Fabricio Kc</a></b></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Somente o que passa permanece...]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/01/06/somente-o-que-passa-permanece/</link>
<pubDate>Sun, 06 Jan 2008 04:07:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/2008/01/06/somente-o-que-passa-permanece/</guid>
<description><![CDATA[‘Adeus’ talvez seja a palavra mais cruel do mundo. Flui da boca, exigindo pouco esforço dos lá]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>‘Adeus’ talvez seja a palavra mais cruel do mundo. Flui da boca, exigindo pouco esforço dos lábios. Se a palavra é dita de perto, a meia voz, soa sempre grave – se muito tarda, é  disparada em menos de um segundo!... fere para a vida inteira.</p>
<p>Disse-me adeus a pessoa que amo! Assim, como quem não revelou mais do que o óbvio. Lembranças de futuros imaginados se dissolveram desumanamente. Lembranças de um passado rico e extravagantemente intenso têm agora um lugar fixo na memória, encerrado, sem saídas para outros tempos que não os que passaram.</p>
<p>Tudo agora é novo. O vento na cara é um vento novo. Cada amanhecer é novo. Nos primeiros dias, confesso, pareceu que o mundo inteiro ficou pequeno e morreu. A falência dos ideais ficou mais nítida. À noite, contemplando o céu, pela primeira vez percebi que a escuridão é maior do que a belíssima mentira das estrelas.</p>
<p>Todo mundo vive uma busca, sempre. – E eu ainda não encontrei o que procuro. Melhor assim. Saber quem se é é estar parado. Definir-se é quase que matar-se. Viver é perder-se, sempre. E nós caminhamos buscando algo que dure, pelo menos, o tempo de uma crença. Mas tudo sempre passa...</p>
<p>Por <b><a href="../http://fabriciokc.wordpress.com/about///">Fabricio Kc</a></b></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Caminhos novos]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2007/12/28/caminhos-novos/</link>
<pubDate>Fri, 28 Dec 2007 13:29:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/2007/12/28/caminhos-novos/</guid>
<description><![CDATA[
Que venha 2008! 
Visto que aceitamos a idéia de que mudar o ano é também pensar o novo e quere]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://fabriciokc.wordpress.com/photos/fabriciokc/2127037075/"><img width="240" src="http://farm3.static.flickr.com/2381/2127037075_6b61496555_m.jpg" height="180" /></a></p>
<p>Que venha 2008! </p>
<p>Visto que aceitamos a idéia de que mudar o ano é também pensar o novo e querer o novo, que venha 2008! com novas e velhas esperanças, com novas mesmices, com grandes novidades, surpresas boas, vivências ricas e intensas, amores... e tudo, tudo, o que nos faz crer nessa desconhecida e ansiosa e breve coisa que é a vida.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A mulher invisível]]></title>
<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2007/12/09/a-mulher-invisivel/</link>
<pubDate>Sun, 09 Dec 2007 15:42:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fabricio Kc</dc:creator>
<guid>http://fabriciokc.wordpress.com/2007/12/09/a-mulher-invisivel/</guid>
<description><![CDATA[&nbsp;

Foto: Fabricio Kc - no Flickr
 
Os shoppings centers são lugares conceituais. Basta dizer ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">&#160;</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2341/1802934638_64ce220c1d.jpg?v=1193725545" height="375" width="500" /><span style="font-size:8pt;"></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="font-size:8pt;">Foto: Fabricio Kc - no <a href="http://www.flickr.com/photos/fabriciokc/">Flickr</a></span></p>
<p><span style="font-size:8pt;"> </span></p>
<p>Os shoppings centers são lugares conceituais. Basta dizer 'vou ao shopping', assim, intransitivamente, porque são todos iguais.</p>
<p>Numa de minhas idas 'ao shopping' - experiências quase sempre traumáticas - observei, enquanto tomava um café, o trabalho dos homens e das mulheres que fazem a limpeza das praças de alimentação. Atentei para uma mulher de seus, talvez, trinta e tantos anos, de uniforme, pano na mão e toca na cabeça. Elas transitam fantasmagoricamente por entre as mesas, recolhem o lixo deixado pelos 'consumidores', passam o pano sobre a mesa e saem, sem trocar palavra com ninguém somem por entre outras mesas. Olhei em volta e percebi que somente eu a enxergava - depois soube que estava enganado.</p>
<p>Soube, da boca da trabalhadora que se via como faxineira, que é proibida qualquer aproximação entre ela e qualquer 'consumidor', - ela é treinada para passar despercebida, ignorada, desconhecida. - É uma regra capital, a primeira coisa que aprendem. Contudo, como eu disse, meus olhos não eram os únicos a segui-la em suas incursões discretas por entre as mesas. Segundo ela, há seguranças cuja função, entre outras coisas, é vigiá-las, garantir que elas cumpram a sua função de 'mulheres invisíveis' que limpam o ambiente.</p>
<p class="MsoNormal">Para mim, as sensações que esses pensamentos ensejam são múltiplas e variadas, ligadas às formas de existência obtusas que a sociedade impõe à humanidade. Resumo, porém, a questão a um sentimento acerca do trabalho: durante séculos a classe detentora do poder pregou a dignidade do trabalho como forma de aplacar os pobres, e acabou, ela mesma, acreditando em sua doutrina, ainda que não a praticasse sob as mesmas condições dos mais pobres. Daí provém uma romantização do trabalho e uma demonização do ócio como pai de todos os vícios. Mas na realidade mais simples e imediata, os trabalhadores encaram o trabalho como deve ser encarado, uma forma de ganhar a vida, e é do lazer que retiram, aí sim, a felicidade que a vida lhes permite desfrutar. E nos shoppings centers, onde tudo é um cenário, é proibido lembrar aos trabalhadores que estão lá em busca de lazer, que existem trabalhadores que estão lá em busca de sobrevivência. Não se pode estragar o espetáculo!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Lo que seguramente debe pensar Gloria mientras toma un café]]></title>
<link>http://dulontheroad.wordpress.com/2007/11/21/lo-que-seguramente-debe-pensar-gloria-mientras-toma-un-cafe/</link>
<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 07:12:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Dul</dc:creator>
<guid>http://dulontheroad.wordpress.com/2007/11/21/lo-que-seguramente-debe-pensar-gloria-mientras-toma-un-cafe/</guid>
<description><![CDATA[

Antes de que te vayas, antes de que tu espalda me afirme que ya no son ni telarañas lo que nos u]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#666699"><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/coffee.jpg" title="coffee.jpg"></a></font></p>
<p align="center"><font color="#666699"><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/coffee.jpg" title="coffee.jpg"></a></font></p>
<p align="left"><font color="#666699">Antes de que te vayas, antes de que tu espalda me afirme que ya no son ni telarañas lo que nos une, déjame de nuevo en la espera insensible de tu regreso. Deja que los dientes y el pelo caigan solos, para poder mañana despertar de nuevo con la duda de si siguen siendo tus excrecencias las que brotan como sudor inevitable de mis manos. Cállate a tiempo, y resuelve tus problemas mordiéndote las uñas, cada que recuerdes que ya ni los semáforos son necesarios para decirnos que las mordidas sin deseo también duelen... Puedes llevarte la denigrante inexistencia de los hoteles rotos, donde desgraciadamente todavía la carne tiene sus objeciones ¡y a veces sin pensarlo, es mejor atiborrarse de café hasta muy tarde para que el hijo que nunca he pensado darte se vuelva sólo cafeína y humo en el estómago! Y no vuelvas, no vengas hasta que algún insomnio te permita descubrir cómo se aplica la cirugía plástica en la sangre, cómo se sacan las arrugas de este decrépito líquido rojo, que tú y yo, orgasmo tras orgasmo envejecimos. Porque no quiero volver a verte sino como costumbre idiota de jabones de olor en todo este cuerpo que ni en mis sueños más mundanos has tocado. Recuerda como siempre, que jamás acercaste tus rostro lo suficiente como para decir un te quiero desde dentro. Sigues paseando por las calles, yo, presa de la noche. Lárgate, pero antes y por última vez, déjame pensar que algún día , cuando te conozca, te seré irremediablemente necesaria...</font></p>
<p><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/coffee.jpg" title="coffee.jpg"></a><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/coffee.jpg" title="coffee.jpg"></a><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/coffee.jpg" title="coffee.jpg"></p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/coffee.jpg" alt="coffee.jpg" /></p>
<p></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Cris y Víctor]]></title>
<link>http://dulontheroad.wordpress.com/2007/11/13/cris-y-victor/</link>
<pubDate>Tue, 13 Nov 2007 05:59:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Dul</dc:creator>
<guid>http://dulontheroad.wordpress.com/2007/11/13/cris-y-victor/</guid>
<description><![CDATA[ 
Les gusta despedirse, así luego la alegría del encuentro es mayor. Van al cine y se sientan en ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/mains.gif" title="mains.gif"></a><font color="#3366ff"><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/mains.gif" title="mains.gif"><img width="393" src="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/mains.gif" alt="mains.gif" height="645" style="width:251px;height:317px;" /></a> </font></p>
<p><font color="#3366ff">Les gusta despedirse, así luego la alegría del encuentro es mayor. Van al cine y se sientan en filas diferentes, van a la Roma y cada uno pasea por su cuenta, van al Centro y no se ven en toda la mañana. Simplemente el rito de la separación y la vuelta, nos vemos aquí a tal hora, no te retrases. Quizá por eso se quieren tanto, por ese estar ahí sin estar, un poco esperar a que el otro venga y lo salve, salir del laberinto de personas y calles y paradas de metro, vencer los fantasmas sabiendo que hay alguien cerca por si acaso.</font></p>
<p><font color="#3366ff">Quedan un día a la semana, no se llaman, no saben nada el uno del otro hasta que llega el domingo, siempre al final, cuando parece que nada de lo que ha pasado en esos días ha tenido sentido, y entonces comprenden que no, que era todo lo contrario, que cada uno de los días anteriores estaba orientado al último, al diferente, toda la semana sin saber nada y por fin noticias. Es un poco la manera que tienen de echarse de menos.</font></p>
<p><font color="#3366ff">Son especiales y lo saben, Víctor casi cuarenta años, profesor de Historia en una universidad, un divorcio, dos hijos, tres gatos, cuatro C en una casa antigua del Centro y Cris todavía en la facultad y todavía con su papás, veinticinco, a punto de dejar la carrera cada febrero, con sólo un par de materias para licenciarse en Letras y un agujero en no sabe dónde que le dice no sabe qué y así van cayendo cursos y convocatorias y días con nubes.</font></p>
<p><font color="#3366ff">Les gusta despedirse pero no tanto, las despedidas no deben ser muy largas, sólo de domingo a domingo y todo lo demás es un regalo. La resaca del encuentro el lunes, el recuerdo aún cercano el martes, la sensación de vacío el miércoles, la rebeldía el jueves y entonces la impaciencia del viernes que conduce a un sábado pletórico porque es el día antes, es el día antes y ya no queda nada para el otro, el diferente, y esa preparación, ese rito, otra vez esa palabra, rito. Cris recuerda haber leído algo de un rito en un libro, cuánto tiempo hace de eso, ese libro para adultos que sólo leen los niños, cuántos años, entonces eran los juegos y los dibujos, pintar con cuidado para no salirse de la línea, la sonrisa de la maestra, el bigote de su papá, los primeros exámenes y ya esa sensación de rareza, hacerse otras preguntas, ser especial, especial es siempre para bien, le suele decir Víctor.</font></p>
<p><font color="#3366ff">Llega el sábado por la noche y suena el teléfono en casa de Cris, que está fuera como cada sábado a esas horas. Su mamá contesta, pregunta, se extraña, da las gracias, se despide. Cuando Cris regresa a casa, tarde ya, encuentra un papel en su cuarto con la letra de su mamá; Cris, dos puntos, tu amigo Víctor habló para decir que no puede verte mañana, coma, que ya te hablará, punto, posdata, dos puntos, te dejé carne en el refri por si tienes hambre cuando llegues, punto, un beso, punto.</font></p>
<p><font color="#3366ff">Al día siguiente Cris se levanta para ir al hospital. Víctor no tiene buen aspecto, se fracturó una pierna y un brazo y no sabe cómo esconder esa cara amoratada, ese ojo izquierdo que no es capaz de abrir. Sin embargo mantiene la sonrisa y no para de hablar, qué te parece, Cris, mira lo que pasa por ir leyendo el periódico y no fijarse antes de cruzar, resulta que el muñequito estaba en rojo y no me di cuenta. Qué mala suerte o qué buena, porque vete tú a saber lo que podía haber pasado. Cris mira a Víctor sin escuchar lo que dice, los dos saben que un coche no te deja así la cara, pero no quiere preguntar, no quiere preguntar porque sabe lo que pasó, los dos lo saben tan bien. Víctor sigue hablando, que un mes de baja, que casi le caerá bien y todo, que a lo mejor aprovecha ese tiempo para buscar otro trabajo, que la universidad le cansa, que qué buen día se ha quedado en el hospital, con lo que ha llovido esta mañana. Cris se retuerce y no entiende nada, Víctor sólo se retuerce, pero lo dos callan y sonríen. A ver si la próxima vez tienes más cuidado, eh, bueno, me tengo que ir, manñana vengo otra vez. Cris sale de la habitación haciendo esfuerzos por no llorar y lo consigue sólo hasta que llega al elevador. En pleno sexto piso no aguanta más y se viene abajo, simplemente no puede comprender cómo un nombre puede ser tan importante. Porque sabe que la causa de la pierna y el brazo y la cara ha sido un nombre, o mejor dicho dos nombres, dos nombres unidos, los suyos, Cris y Víctor. Que las grandes parejas de la Historia han tenido nombres que quedaban, que iban bien, que gustaban a todos, que Bonnie y Clyde quedaba bien, que Romeo y Julieta quedaba bien, que incluso Cris y Victor queda bien, pero sólo cuando Cris es Cris de Cristina, no cuando Cris es Cris de Cristóbal.</font></p>
<p><font color="#3366ff">Víctor, en la cama, se pregunta hasta qué punto es un alivio saber que tiene razón, si vale la pena que todos sepan o si comprender o tal vez entender sólo está al alcance de personas especiales, como Cris, como él mismo. Víctor lamenta no ser original al sentir que duelen los golpes, pero duele más la causa de los golpes y duele más aún saber que los que dan los golpes son los que están sentados enfrente, los mismos que en clase lo miran con tanto respeto. Víctor se da la vuelta y una lágrima cae hacia dentro, hacia el estómago, allí donde esconde lo que no quiere que nadie vea. Al menos esta semana nos veremos todos los días, aunque estén las vendas y el yeso en medio, piensa Víctor, podremos vernos y despedirnos cada vez... y una sonrisa cae ahora hacia afuera y otras mil lágrimas hacia adentro, hacia el estómago, allí donde esconde lo que quisiera que todos vieran, allí donde guarda su amor por Cris, Cris tan joven, Cris especial, Cris diferente, Cris Cris, de Cristóbal.</font></p>
<p><a href="http://dulontheroad.wordpress.com/files/2007/11/mains.gif" title="mains.gif"></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[a grande arte]]></title>
<link>http://ckoshikumo.wordpress.com/2007/11/09/a-grande-arte/</link>
<pubDate>Fri, 09 Nov 2007 03:27:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>ckoshikumo</dc:creator>
<guid>http://ckoshikumo.wordpress.com/2007/11/09/a-grande-arte/</guid>
<description><![CDATA[Há um ensaio espetacular do Sérgio Sant&#8217;Anna no Cronópios, A arte de não escrever. Entrem,]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Há um ensaio espetacular do Sérgio Sant'Anna no <a href="http://www.cronopios.com.br/" target="_blank">Cronópios</a>, <a href="http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1667" target="_blank">A arte de não escrever</a>. Entrem, leiam. Vale a pena.</p>
<p>Eu, por exemplo, estou considerando seriamente acatar às sugestões do escritor. Mas, enquanto não me decido, vomito algumas palavras nesse blogue.</p>
]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Piensa en esto: cuando te regalan un reloj.]]></title>
<link>http://masmanuti.wordpress.com/2008/02/24/piensa-en-esto-cuando-te-regalan-un-reloj/</link>
<pubDate>Tue, 20 Mar 2007 21:49:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>manuti</dc:creator>
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<description><![CDATA[


Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda a un reloj
Piensa en esto: cuando te regalan un re]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><b><br />
</b></p>
<blockquote>
<h3><b>Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda a un reloj</b></h3>
<p><b>Piensa en esto: cuando te regalan un reloj te regalan un pequeño infierno florido, una cadena de rosas, un calabozo de aire. No te dan solamente el reloj, que los cumplas muy felices y esperamos que te dure porque es de buena marca, suizo con áncora de rubíes; no te regalan solamente ese menudo picapedrero que te atarás a la muñeca y pasearás contigo. Te regalan —no lo saben, lo terrible es que no lo saben—, te regalan un nuevo pedazo frágil y precario de ti mismo, algo que es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar a tu cuerpo con su correa como un bracito desesperado colgándose de tu muñeca. Te regalan la necesidad de darle cuerda todos los días, la obligación de darle cuerda para que siga siendo un reloj; te regalan la obsesión de atender a la hora exacta en las vitrinas de las joyerías, en el anuncio por la radio, en el servicio telefónico. Te regalan el miedo de perderlo, de que te lo roben, de que se te caiga al suelo y se rompa. Te regalan su marca, y la seguridad de que es una marca mejor que las otras, te regalan la tendencia de comparar tu reloj con los demás relojes. No te regalan un reloj, tú eres el regalado, a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj.</b></p>
<p><b><i>Julio Cortázar, Historias de cronopios y de famas</i></b></p></blockquote>
<p><b>Recordado por el anuncio del SEAT León.</b></p>
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<title><![CDATA[draw-off]]></title>
<link>http://howtodrawanowl.wordpress.com/2007/03/14/draw-off/</link>
<pubDate>Wed, 14 Mar 2007 03:14:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>mrgreenowl</dc:creator>
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<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://howtodrawanowl.files.wordpress.com/2007/03/margaretnadam1.jpg" title="draw-off"><img src="http://howtodrawanowl.files.wordpress.com/2007/03/margaretnadam1.jpg" alt="draw-off" /></a></p>
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<title><![CDATA[man sitting on our couch, 3:00 AM, 2/13/07]]></title>
<link>http://howtodrawanowl.wordpress.com/2007/02/16/29/</link>
<pubDate>Fri, 16 Feb 2007 04:17:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>garciaaconstance</dc:creator>
<guid>http://howtodrawanowl.wordpress.com/2007/02/16/29/</guid>
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<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://howtodrawanowl.wordpress.com/files/2007/02/manoncouch.jpg" title="man sitting on our couch, 3:00 AM, 2/13/07"><img src="http://howtodrawanowl.wordpress.com/files/2007/02/manoncouch.thumbnail.jpg" alt="man sitting on our couch, 3:00 AM, 2/13/07" /></a></p>
]]></content:encoded>
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