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	<title>conflitos-no-tibet &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "conflitos-no-tibet"</description>
	<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 16:59:51 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Sobre o Debate em Prol do Tibet - RJ]]></title>
<link>http://zanotta.wordpress.com/?p=155</link>
<pubDate>Thu, 15 May 2008 16:29:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>zanotta</dc:creator>
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<description><![CDATA[Depoimento do Prof. Claudio Miklos sobre o debate em prol do tibet, ocorrido no Plenário da Câmara]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento do Prof. Claudio Miklos sobre o debate em prol do tibet, ocorrido no Plenário da Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro, RJ, dia 12/05/08.</p>
<p>Prezados Amigos,</p>
<p>Ocorreu nesta segunda, às 10 horas, no Plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, o já divulgado Debate Público sobre a questão Tibetana. Gostaria de apresentar minhas impressões sobre o evento, após um pequeno período para reflexão e contemplação dos acontecimentos ocorridos.</p>
<p>Inicialmente, penso que seria importante valorizar e reiterar a importância do evento que, por si só, contribui grandemente para a consolidação da posição buddhista brasileira frente às questões de<br />
direitos humanos e valores éticos sociais, e fomenta - principalmente - a divulgação das propostas humanistas do Buddhismo.<br />
O empenho demonstrado pela Vereadora Aspásia Camargo e o Deputado Fernando Gabeira foram, a meu ver, uma clara demonstração de que, apesar dos aspectos profundamente reprováveis associados à instituição política no Brasil e no mundo, não é sábio imputar a falta de respeito aos valores sociais a todos os membros da classe política indiscriminadamente; existem muitas personalidades políticas<br />
cientes de sua responsabilidade na defesa do exercício da ética e da reflexão saudável sobre os graves problemas que afligem a humanidade - seja no Brasil ou no outro lado do mundo.<!--more--></p>
<p>Lamento, contudo, a pouca participação de buddhistas praticantes e<br />
simpatizantes. Embora compreenda plenamente que o dia e horário não<br />
contribuíram para facilitar a presença de grande público, o fato de<br />
que o evento ocorreu apenas no Rio de Janeiro, e sempre considerando<br />
o aspecto não-doutrinário e não-coercitivo que fundamenta o exercício<br />
do Dharma (sem falar no fato inegável de que, no Brasil, o número de<br />
buddhistas realmente praticantes é extremamente pequeno - há um<br />
número muito maior de pessoas simpáticas ao buddhismo, mas sem<br />
nenhuma real identificação com a prática do Caminho em sua<br />
profundidade), ainda assim gostaria de chamar a atenção de todos para<br />
a natureza de nossas opções de ação e mobilização em relação ao<br />
buddhismo e assuntos buddhistas. É preciso refletir melhor sobre<br />
quais ações podem ser realmente úteis e válidas, e quais ações seriam<br />
apenas fruto de um entusiasmo puramente romântico ou artificial em<br />
relação aos conceitos de esforço correto e ação correta. Espero que,<br />
no futuro, eventos semelhantes possam contar com a presença mais<br />
efetiva de pessoas interessadas em valorizar o desenvolvimento das<br />
propostas de consciencia e correto discernimento características do<br />
exercício ético buddhista na vida.</p>
<p>O caráter simples e despojado do evento, e o seu peso conceitual e<br />
reflexivo, foram cruciais para que uma porta fosse aberta no âmbito<br />
das ações buddhistas brasileiras. A participação do monge Gensho (em<br />
seu grande discurso final, onde penso que foi dada uma resposta<br />
adequada e firme às atitudes lamentáveis do Consul Geral da China) e<br />
da monja Isshin (suas palavras gentis e admiráveis, e sua respeitável<br />
atitude de respeito humano e fraternidade ao representante chinês no<br />
evento), as afirmações contundentes e fortes do Reverendo Shaku<br />
Shoshin em defesa do povo tibetano, as ponderações compassivas e<br />
coerentes da Dra. Cerys e do Professor Flávio Marcondes, contribuíram<br />
a meu ver para apresentar à opinião pública e à classe política do<br />
Rio de Janeiro a força reflexiva e determinação compassiva do<br />
buddhismo.</p>
<p>Reafirmo meu apreço pela aceitação, por parte do governo Chinês, do<br />
convite de participação enviado formalmente pelo Colegiado Buddhista<br />
Brasileiro. A presença do Cônsul Geral Li Baojun representou uma<br />
pequena esperança de que a disposição pelo diálogo consciente e<br />
honesto entre as partes também ocorra nos setores chineses de<br />
relações internacionais.</p>
<p>Infelizmente, para o meu profundo desapontamento, as ações do Sr.<br />
Consul durante o evento não corresponderam àquelas expectativas. Em<br />
uma atitude pouco flexivel (a despeito de sua natureza simpática e<br />
amigável), o representante chinês limitou-se a apresentar uma versão<br />
doutrinária, extremamente alienada, e distorcida da questão tibetana.<br />
A atitude, a meu ver, confirmou para mim o caráter claramente difícil<br />
da abordagem humanista e pacífica da questão tibetana em termos de<br />
linguagem e intenções, e que eu já havia antecipado em meu<br />
ensaio "Tibet - Entre Liberdades e Revoluções".</p>
<p>Não houve margem para o debate. Não houve espaço para a composição e<br />
correto esclarecimento das ações corretas ou inadequadas de todas as<br />
partes; apenas houve uma apresentação inócua e pouco coerente da<br />
versão partidária chinesa; houve uma tentativa de divulgação<br />
completamente inacurada dos fatos históricos associados às relações<br />
entre o Tibet e a China. Em meio a tudo isso, ao final de sua<br />
apresentação o Sr. Consul deixou a impressão de que o exercício de<br />
diálogo e abertura política, necessários para que a paz e a justiça<br />
prevaleça, ainda exigirá muito empenho e equilíbrio.</p>
<p>Saí do debate convicto de que, como buddhista e professor de dharma,<br />
devo ainda mais aprofundar minha prática de paciência e percepção<br />
correta em relação aos aspectos insalubres contidos nas mentes<br />
doutrinadas, presas a um modelo perverso de interpretação do mundo e<br />
da vida, aspectos esses que se apresentam em muitos grupos humanos,<br />
seja na China ou no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo. A tarefa<br />
de ação hábil e adequada para superar a crueldade das instituições<br />
ditatoriais e imperialistas é árdua, pode causar ressentimentos e<br />
raiva em muitos de nós, mas não devemos de modo algum sucumbir a tais<br />
erros ignorantes.</p>
<p>Neste contexto, gostaria de pedir a todas as pessoas sinceramente<br />
interessadas em contribuir para o esforço de liberação dos povos<br />
oprimidos, que jamais caiam no erro de perpetuar a ignorância das<br />
mentes fanáticas e intolerantes, agindo com raiva ou agressividade.<br />
Quanto mais percebemos o grau de insalubridade nas doutrinas<br />
ditatoriais, nos discursos pobres em discernimento, na incapacidade<br />
de muitos em saber ouvir e falar com consciencia e maturidade<br />
argumentativa, mais devemos nos esforçar para evitar o ressentimento.</p>
<p>Após o debate, percebi que definitivamente não devemos imaginar que a<br />
injustiça e a insensibilidade são dos chineses pois tambem eles<br />
compartilham sofrimentos e frustrações (neste momento, também o povo<br />
chinês está vivendo a dor das perdas de vidas devido ao terremoto<br />
ocorrido no dia 12 de Maio), tal erro não pode ser imputado a toda<br />
uma nação - ou àqueles que compõem um grupo social, uma instituição<br />
religiosa ou política, ou simplesmente um gênero sexual ou cor de<br />
pele. Um erro terrível ocorre quando imaginamos que todo um povo,<br />
toda uma classe, todo um grupo, é responsável pelas insanidades de<br />
seus governantes ou controladores. Não, a problemática está na<br />
incapacidade daqueles que são presas da motivação fanática e da visão<br />
egoísta e diferenciadora no mundo de superar sua pobreza de percepção.</p>
<p>Devemos buscar os meios hábeis para superar em nós mesmos esta<br />
ignorância destruidora, esta convicção espúria baseada em erros<br />
crassos de interpretação e entendimento, e que muitas vezes vemos com<br />
mais facilidade apenas nos outros; devemos praticar todos os dias a<br />
coragem de não desistir da paz, do cuidado no diálogo, e da meta<br />
maior e definitiva, capaz de curar e transformar a humanidade: o<br />
amadurecimento de nossa consciência, de nossa sabedoria, de nosso dom<br />
de resistir à falta de compaixão correta. Volto a repetir que a<br />
atitude compassiva e coerente não é uma atitude ingênua e<br />
condescendente: quem é capaz de agir com correta compreensão do<br />
outro, o faz por força de seu discernimento e não por uma ingênua<br />
atitude de passiva aceitação.</p>
<p>Assim, sinto que me tornei ainda mais disposto a agir com cuidado e<br />
empenho a favor da prática de compreensão no mundo. Quanto mais ouço<br />
as palavras tolas daqueles que defendem um modelo de vida injusto e<br />
perverso, me sinto mais livre. E percebo que, mesmo através de<br />
torturas, terror e assassinatos, apesar do empenho implacável em<br />
difundir delusórias intepretações dos fatos, os homens e mulheres<br />
alienados em profundo egoísmo, os poderes controladores e<br />
intolerantes, os governos insalubres, as facções terroristas e os<br />
movimentos fanáticos jamais prevalecem. Ao final, seus nomes serão<br />
apagados na memória da Vida, os atos cruéis e injustificados serão<br />
expostos ao tempo e à história com terrível clareza, e as entranhas<br />
insalubres de suas convicções jogadas à margem da grandeza humana.</p>
<p>No Dharma,<br />
Tam Huyen Van</p>
<p><a href="http://tamhaovan.multiply.com/">http://tamhaovan.multiply.com/</a></p>
<p> </p>
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