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	<title>comentando-os-worst-sellers &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "comentando-os-worst-sellers"</description>
	<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 18:28:58 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[CONTRACOMUNICAÇÃO – A desmistificação da arte na era da comunicação eletrônica.]]></title>
<link>http://hermenautas.wordpress.com/2007/05/15/contracomunicacao-%e2%80%93-a-desmistificacao-da-arte-na-era-da-comunicacao-eletronica/</link>
<pubDate>Wed, 16 May 2007 01:30:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Leonardo Saraiva</dc:creator>
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<description><![CDATA[Por Leonardo Saraiva “Acho que ele ainda acredita na Grande Arte” &#8211; Pignatari sobre Gullar. ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Por Leonardo Saraiva </strong></p>
<p><em>“Acho que ele ainda acredita na Grande Arte”<span>  </span></em>&#8211; Pignatari sobre Gullar.</p>
<p class="MsoNormal">&#160;</p>
<p class="MsoNormal"><span>            </span>Décio Pignatari é advogado, publicitário, professor e ensaísta.<span>  </span>Ah, sim, poeta também; mas segundo as idéias expostas em seu livro CONTRACOMUNICAÇÃO (a edição que eu li é de 1973), não é versista. Pois, segundo ele, estamos na “crise do verso”, algo que encara como um grande paradigma da comunicação poética. Baseando-nos em valores ultrapassados e estáticos, Pignatari diz que estamos deixando de lado grandes nomes (cita Sousândrade, Volpi e Oswald) para valorizar outros não tão grandes assim (Mário, Portinari, Castro Alves e Chico Buarque). As elites encarregadas da seleção de um cânone seriam obsoletas, conservadoras e carentes de informação estrutural; ele escreve que “a poesia brasileira continua a se analisada pelo seu ‘conteúdo’: (&#8230;) já se viu coisa mais ridícula?”.</p>
<p class="MsoNormal"><span>            </span>Apesar de não concordar muito com as propostas concretistas do senhor Pignatari, devo admitir que existem várias questões pertinentes em seu livro. Grande parte dessas preocupações são relacionadas à Comunicação artística (o “C” maiúsculo é meu) inserida no contexto contemporâneo, onde temos meios de propagação informativa de massa, como televisão e computadores (sua previsão a respeito da importância destes é digna de aplausos). Quais as formas de utilizar as capacidades audio-táctil-visuais desses meios em prol da transmissão da arte? Essa é uma pergunta que grita em várias páginas do seu livro. Uma boa pergunta.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;">Falando de “forma-conteúdo” (e não “forma E conteúdo), o escritor também erige considerações interessantíssimas, e utiliza o famoso conceito de Marshall McLuhan (“o meio é a mensagem”) para julgar diversas manifestações artísticas e comunicativas. O grande problema de Pignatari surge quando tenta responder a sua questão no âmbito da poesia. Ele acerta bastante (e quase me converto à sua religião) quando cita Poe e seu “<em>know-how</em>” da composição poética; mas peca em momentos mais radicais do livro, que defendem a poesia “<em>ready-made</em>” e acabam gerando frases como esta: “não há mais tempo para textos, só para títulos”. Décio me confunde ao ficar entre duas alternativas diametralmente opostas: a poesia de fácil digestão e rápido consumo (poema-visual, poema-interativo, etc) e a poesia de linguagem própria, intricada, labiríntica (como Áporo, de Drummond). De qualquer forma, as duas alternativas pessoalmente me repugnam. Sou bem conservador, e creio que a poesia é feita de língua, não de linguagem (contrariando o senhor Pignatari). De decassílabos, e não de aliterações verticais.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;">Fiquei com a impressão geral de que, na conjuntura contemporânea de comunicação, bombardeados que somos por informações de todos os tipos (jornalísticas, publicitárias, especializadas), temos que adaptar a poesia ao dinamismo característico dessa época. Adaptá-la através de “estruturação significante”, onde o meio transmissor do poema (sua disposição no papel) fosse, por si só, um suporte da significação. <em>Conteúdo</em> e <em>Significado</em> assumem posições tão distintas em Décio que, para a total compreensão de suas idéias, só mesmo lendo o livro (ou conversando com ele na mesa de um bar). Acredito que as considerações estruturais (não estruturalistas!) de Pignatari são raras e caras como o tempero na Idade Média – mas ele está cozinhando uma panela de arroz com um quilo de sal.</p>
<p class="MsoNormal"><span> </span><span>           </span>Em outros momentos, discorrendo sobre o modelo televisivo da TV Cultura, Pignatari é sobriamente crítico, apontando erros e propondo soluções. Observando o modelo de universidades, que separam o meio acadêmico teórico da prática exigida pelo mercado, Décio cutuca a ferida de forma espetacular.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;">No geral, o livro merece leitura atenta e respeitosa. Apesar de ser uma panacéia geral de assuntos pouco conectados entre si (considerações sobre o modelo universitário, entrevistas, críticas à comunicação televisiva, ensaios, destrinchamentos poéticos, quadrinhos dispersos e crônicas de futebol!), possui muitos pontos curiosos e inteligentes. Mas é, na minha humilde opinião pessoal, poeticamente fracassado.</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[A Invenção de Bioy]]></title>
<link>http://hermenautas.wordpress.com/2007/04/20/a-invencao-de-bioy/</link>
<pubDate>Sat, 21 Apr 2007 00:40:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>Tomaz Izabel</dc:creator>
<guid>http://hermenautas.wordpress.com/2007/04/20/a-invencao-de-bioy/</guid>
<description><![CDATA[Por: Fabio Martinelli Casemiro &nbsp; Ao amigo Fábio San Juan e à Prof. Dra. Míriam V. Gárate. Numa ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Por: <strong>Fabio Martinelli Casemiro</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="right">&#160;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;line-height:150%;" align="right"><font face="Constantia, serif"><font size="2"><em>Ao amigo Fábio San Juan<br />
e à Prof. Dra. Míriam V. Gárate.</em></font></font></p>
<p>Numa ilha, um prisioneiro descobre uma máquina capaz de projetar imagens perfeitas de pessoas e de coisas. A mímese perfeita, a odiada por Platão. Aquela de que tanto se orgulhavam os gregos: a vaca berrava pelo camponês de mármore, que carregava seu bezerro.<br />
O que me intriga a todo tempo durante a leitura da obra A Invenção de Morel é que o protagonista não destrói a máquina mimética. Num primeiro momento ele tenta. Possibilidades são abertas ao longo da trama de forma que ele possa tentar escapar da ilha, concentrar-se numa fuga odisséica. Mas, na verdade, seu ciúme não é do possível romance entre os personagens fantasmagóricos de Morel e de Faustine. (Aliás, Morel é alusão a “Moreau” e Faustine é a própria personificação do “Fausto” e seu “Mefistófeles”). O ciume do protagonista é da fantasia. É a fantasia que o impede de acessar Faustine, poupando-o, inclusive, de um possível desprezo por parte da amada. Se assim ocorresse, seu desprezo seria prazeroso, porque seria consciente e proposital&#8230; (Não nos pareceria mais tênue o desprezo inconsciente de Faustine, do que o desprezo consciente? Para o protagonista, não: ele prefere o sonho que pode ser frustrado à frustração que não pode ser sonho).<br />
A Máquina do Dr. Morel é uma máquina mimética; o amor do protagonista imita um amor real. Seu amor é tão projeção quanto Faustine é projeção. O protagonista não é menos um projetor do que a invenção mefistotélica de Morel. O que ele sente pelo mecanismo inicia-se como ódio, mas em seguida migra para o desejo irrefreável de comungar com ele, abandonar sua própria liberdade, sua própria identidade para mesclar-se ao seu objeto de “ódio”. Ela, a máquina, é a possibilidade de gozo e de morte, a fusão de Eros e Thanatos, o prazer para além do real, a solução do triângulo mimético girardiano. É, assim, a força motriz, os fios que sustentam um títere a muito tempo inventado na história do pensamento ocidental: o leitor.<br />
A Invenção de Morel não precisa ser inventada, como quer destacar Carpeaux no posfácio da edição brasileira: ela é a própria obra literária. O protagonista de A Invenção de Morel é o leitor que, compulsivamente, arrasta a obra para o banheiro, para a fila do banco, trocando a sua vida real (e sempre desinteressante por mais prazerosa que seja) pelas páginas da ficção. É o leitor que funda comunidades na internet para consagrar suas obras e seus autores; que viaja nas narrativas realistas indo aos lugares onde habitavam, na contiguidade da ficção, seus personagens prediletos. Formam sociedades, seitas, são os jovens leitores de RPG, Harry-Potter, O Código Da Vinci que querem se vestir, viver, extrair máximas para a vida prática ou ainda dar continuidade às mirabolantes descobertas extraídas das saborosas peripécias ficcionais.<br />
A arte não imita a vida, mas a recria; ela possibilita um outro lugar do real que, quando levado às últimas consequências, para além das fronteiras entre o real e o ficcional, acaba por criar três categorias patológicas de nossa sociedade: o autor, o crítico literário e o esquizofrênico (e, por vezes, os três na mesma pessoa).<br />
A máquina de Morel já foi inventada, Platão tremia de medo das ilusões da mimesis, Aristóteles rezava, em A Arte Poética, sobre os efeitos da catarse e Freud propôs um sistema terapêutico que colocasse o indivíduo no controle (ou na consciência sobre a impossibilidade do controle) de seus mecanismos projetivos, através da (des/re)construção da narrativa do indivíduo sobre si mesmo. O ser humano, sempre, conscientemente ou não, está preso às suas construções ficcionais. Não há sentido na vida. O primeiro problema do ser humano é o suicídio. Se decidimos contorná-lo (ou o colocarmos em stand-by), o problema que o segue é criarmos um sentido para a vida. (É o que equaciona A. Camus na primeira página de O Mito de Sísifo).<br />
A grande consolidação do mecanismo ficcional na história da humanidade é a invenção do livro. O livro é a invenção de Morel. A grande proliferação desse mecanismo se deve ao bom e velho Guttemberg. Rádio, cinema, TV, internet são os desdobramentos imediatos dele. Ao protagonista da obra de Bioy é dada a escolha: “a morte na realidade, ou a vida na ficção?” Assim como o protagonista, todos os seres humanos, todos os dias de nossa vida (de uma forma especial os escritores, os teóricos da literatura e os esquizofrênicos) escolhemos a vida pela ficção.</p>
<p align="right">&#160;</p>
<p align="right">&#160;</p>
<p align="right"><font size="2">Fábio Martinelli Casemiro<br />
é Professor de História e mestrando<br />
em Teoria e História Literária pelo<br />
IEL/UNICAMP.<br />
biophah@hotmail.com<br />
www.balanagulha.net</font></p>
</div>]]></content:encoded>
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