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	<title>cafe-e-pipoca &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/cafe-e-pipoca/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "cafe-e-pipoca"</description>
	<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 13:32:56 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Sobre Sunshine]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=217</link>
<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 05:45:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/09/25/sobre-sunshine/</guid>
<description><![CDATA[Ficção científica é um gênero ingrato: precisa ser uma boa história e também ser correta nas ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ficção científica é um gênero ingrato: precisa ser uma boa história e também ser correta nas questões (ahn...) científicas que aborda. Mas quase sempre o zelo desmedido por um dos aspectos esteriliza o outro... o que me faz concluir que <em>sci-fi</em> deve ser um exercício imaginativo, exploratório e meta-científico - em outras palavras, filosófico, ao propor questões a respeito dos caminhos a que nos levará a civilização guiada pelo paradigma técnico-científico.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sunshine_(2007_film)"><em>Sunshine</em></a> cumpriu bem esse papel, embora tenha sido criticado e mal recebido pela comunidade científica (como se o exercício de crítica lhes coubesse) por uma série de incorreções científicas cometidas pelo roteiro; e como isso não me importa, não vou listar as "gafes" do filme, mas dizer tão somente que o diretor Danny Boyle fez o que deveria ter feito para manter a fluidez da narrativa - nem mais nem menos.</p>
<p style="text-align:justify;">Todo mundo mais ou menos informado sobre astronomia sabe que o Sol demorará alguns bilhões de anos para colapsar, e é mais ou menos sacado que um artefato "mundano" parece ser muito pouco para reativar os processo nucleares de um astro moribundo. Mas esta não é, absolutamente, a questão. O fato é: o que faremos quando a humanidade se deparar com uma ameaça não só aterradoramente grandiosa, mas também definitiva à sua sobrevivência? O que faremos quando estivermos ameaçados de ter todo e qualquer traço de nossa existência e passagem pelo universo apagado e esquecido? O que faremos quando coletivamente encontrarmos esse fato anormal que todos nós como indivíduos temos que encarar, chamado <em>morte</em>?</p>
<p style="text-align:justify;">Depois da morte de Deus e a emergência da resultante falta de sentido da existência (ou sua pluralidade ensurdecedora), como resistiremos a esse encontro final? <em>Sunshine </em>propõe uma fábula sobre o tema. Diante da constatação (em meados do século XXI) de que o Sol está morrendo, a humanidade, num aparente esforço conjunto, envia uma nave, Icarus I, para reativá-lo. A primeira missão falha, e uma segunda é lançada (Icarus II), com todo o material físsil disponível na Terra.</p>
<p style="text-align:justify;">Não se sabe o que aconteceu com a Icarus I, porque em algum lugar antes de Mercúrio, há uma "zona silenciosa", onde as comunicações com a Terra cessam. Quando a Icarus II alcança a órbita de Mercúrio, já na zona silenciosa, encontra o sinal da primeira nave e descobre o que se passou: o comandante da Icarus I e sua tripulação tiveram um tipo de "revelação divina" de que a morte do Sol era a vontade de Deus, a aniquilação da humanidade, e, portanto, não cabia ao homem e à ciência contrariar ou lutar contra o querer divinal - e sabotam a primeira missão, deixando uma armadilha para alguma que se seguisse.</p>
<p style="text-align:justify;">Já contei boa parte do filme, mas é o que preciso para chegar ao ponto: a zona silenciosa é o ponto da história sobre o qual não podemos afirmar nada com certeza, o ponto no futuro onde não podemos discernir aonde nos levariam os projetos religiosos e técnico-científicos de civilização. A Icarus I é a opção, a via religiosa, fundamentalista, fatalista e apocalíptica; a Icarus II, a ciência. A primeira é a mística da negação; a segunda, a mística secular provocada pelo vislumbre o imenso, das medidas astronômicas. E <em>Sunshine</em> nos oferece sua aposta em qual nos levará à ruína e qual nos salvará.</p>
<p style="text-align:justify;">Não é sem motivo que a história se passe em 2057, e não é por acaso que proponha uma narrativa de oposição entre fé e razão, religião e ciência. Pinbacker e a tripulação da Icarus I são uma caricatura de Al-Qaeda, do chamado fundamentalismo evangélico ou da direita religiosa judaica... Capa e a Icarus II são o universo secular, racional, colorido por uma espécie de "mística materialista". A zona silenciosa são os próximos vinte, trinta, quarenta anos; o Sol agonizante, o projeto moderno ocidental; protagonista e antagonista, arquétipos das opções que temos para entregar nosso futuro...</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Sunshine </em>é boa ficção na medida em que sabe do que <em>sci-fi</em>, na minha modesta opinião, deve ser feita. Mas repete o mesmo discurso moderno, cientificista, tecnicista e reducionista de sempre - afinal, se quer <em>científica</em>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Quando "... todos se divertem"]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=204</link>
<pubDate>Fri, 19 Sep 2008 04:38:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/09/19/quando-todos-se-divertem/</guid>
<description><![CDATA[Jogo RPG desde os 14 anos de idade. Os amigos que tenho há mais tempo remontam àquela época, e s]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Jogo RPG desde os 14 anos de idade. Os amigos que tenho há mais tempo remontam àquela época, e são os mesmos daquele grupo com quem jogava; e com alguns jogo até hoje, aos 26. Um dos meus melhores amigos, e um grande mestre de aventuras, hoje é meu cunhado - e acredito que o verei se casar com minha irmã. Muito ao contrário do que algumas pessoas pensam, RPG não atrofia as habilidades ou vida social de ninguém - não se elas já não sofrerem de alguma atrofia. Aliás, meus primeiros amigos em Nova Lima (Grande Belo Horizonte, MG) foram aqueles do grupo.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquela época, 1996, o sistema <em>Storytelling </em>era o mais difundido, com o popular <em>Vampire: the Mask</em> disputando a liderança na preferência dos jogadores com AD&#38;D. Mas aí, por volta de 2000, veio D&#38;D 3a Edição, e o sistema D20 voltou a reinar absoluto - e com os maiores méritos. Com certeza, todo <em>errepegista</em> (¬¬) corresponde, em algum nível, à caricatura do jogador de D&#38;D - seja por ser este o cenário pioneiro na divulgação dos jogos de interpretação, seja porque somos devedores da fantasia fantástica e tolkeniana. Perdoe-me Hein-Hagen e Steve Jackson, mas Gygax é nosso fundador, e Tolkien, nosso patrono (Wells é uma espécie de desbravador e gênio seminal).</p>
<p style="text-align:justify;">E RPG tem alguma coisa muito próxima ao <em>software </em>livre, sobretudo quando repetimos a frase mais usada nas introduções que tentam explicar o que é o jogo: "aqui ninguém ganha, todos se divertem". E só é possível se divertir fazendo o ambiente e a experiência prazerosa para todos, o que envolve camaradagem, interação, cooperação e, o mais importante, hospitalidade. Fui recebido na casa de muitas famílias ótimas, tornei-me amigo de algumas delas, com quem cheguei a dividir momentos difíceis, outros muito difícies, mas também outros alegres.</p>
<p style="text-align:justify;">Estou escrevendo isso por conta de outra produção "internética": um amigo indicou-me um vídeo (quase um média metragem) muito interessante sobre um grupo de jogadores numa sessão de D&#38;D-<em>like </em>numa sexta à noite. Muito divertido, bem feito (apesar do baixo orçamento, mas acertado para a internet), e o roteiro sabe jogar(!) muito bem com todos os estereótipos, piadinhas e clichês conhecidos por todo jogador no mundo. Fica aqui então a dica de <em>The Gamers</em>, e o primeiro episódio<em> </em>[PS: meu grupo joga toda quarta à noite, agora que todo mundo namora ou é casado... mas é muito bom poder jogar novamente].</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/fiTEHqAeanw'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/fiTEHqAeanw&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Notas de um usuário final [Battle for Wesnoth]]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=193</link>
<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 03:07:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/09/18/notas-de-um-usuario-final-battle-for-wesnoth/</guid>
<description><![CDATA[Depois de escrever um post sobre Street Fighter, voltei a pensar um pouco mais sobre jogos - coisas ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Depois de escrever um <a href="http://contrasenso.wordpress.com/2008/09/10/tinha-ate-um-brasileiro/"><em>post </em>sobre <em>Street Fighter</em></a>, voltei a pensar um pouco mais sobre jogos - coisas de que deixei de me ocupar tanto pela falta de tempo, como de recursos. Manter-se atualizado sobre as novidades no mundo dos <em>games</em> é difícil e custoso. Mas, como disse no outro texto, sou da época em que todo garoto se contentava com 36 cores, 16 <em>bits</em> e plataformas bidimensionais. Desde que comecei a usar GNU/Linux, umas das discussões mais curiosas que ouço e acompanho (de longe) é exatamente sobre o pingüim e os jogos.</p>
<p style="text-align:justify;">É bem verdade que comparar o número de títulos disponíveis para a plataforma Windows® com o que é compatível com *NIX é pedir pra chorar; entretanto algumas empresas vêm percebendo um número crescente de jogadores interessados em Linux e lançam títulos compatíveis - há coisa de três anos e meio atrás um bom exemplo disso era <em>Neverwinter Nights</em>®.</p>
<p style="text-align:justify;">Por outro lado, existe uma boa quantidade de jogos abertos nativos e desenvolvidos com ajuda da comunidade. Apesar de ser difícil comparar a qualidade técnica de um jogo "aberto" com os proprietários, a vantagem dos abertos fica clara nos títulos que caem no gosto dos jogadores. Um dos exemplos mais bem acabados disso, na minha opinião, é <a href="http://www.wesnoth.org/"><em>Battle for Wesnoth</em></a> - jogo de estratégia em turnos num cenário inspirado na Terra Média e afins. É possível construir campanhas com níveis de dificuldade e tamanhos variáveis e disponibilizá-las no servidor para serem jogadas por gente do mundo todo, e baixar e jogar as que outros jogadores disponibilizaram. As batalhas <em>on line</em> também são bastante interessantes, e o nível de complexidade das estratégias por conta da diversidade das unidades, classes, raças e terrenos torna tudo muito interessante.</p>
<p style="text-align:justify;">E o melhor: <em>Battle for Wesnoth</em> é uma prova de que um jogo não depende somente de gráficos magníficos para ser bom - depende de muito mais que isso: de versatilidade, complexidade, jogabilidade, interatividade e capacidade de divertir (vide o <em>Wii</em>®). Fica aí a dica.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas cuidado: se você estiver na faculdade, sobretudo se estiver escrevendo monografia, fique longe desse jogo! Pode comprometer parte da sua carreira acadêmica! ;0)</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Importante</strong>: no <em>Hardy Heron</em> (e no <em>Feisty Fawn</em> também) há um bug causado por uma incompatibilidade com o <em>Compiz</em> que interfere no comportamento do modo <em>fullscreen</em> - irritante. Para minimizar o problema, enquanto o bug não é consertado, é instalar o <em>Compiz Fusion Icon </em>(Sistema » Administração » Synaptic: procure por <em>fusion-icon</em> e instale). O ícone estará disponível em Aplicações » Ferramentas do Sistema. Com ele, troque o gerenciador de janelas para <strong><em>Metacity</em></strong> (não se preocupe com suas configurações do Compiz, elas continuam lá) e inicie o <em>Battle for Wesnoth</em> (não ocorrerá mais o erro com a janela/<em>fullscreen</em>). Terminado a sessão de jogo, clique novamente no  <em>Fusion Icon</em> na bandeja e selecione o <em>Compiz</em> como gerenciador de janelas novamente, e tudo voltará a ser como antes. E pronto. [fonte: <a href="http://ph.ubuntuforums.com/showthread.php?t=884092">http://ph.ubuntuforums.com/showthread.php?t=884092</a>]</p>
<p style="text-align:justify;">Mais jogos no Linux:</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.happypenguin.org/">The Linux Game Tome </a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.ubuntugames.org/">Ubuntu Games</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um prego no lado B]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=166</link>
<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 01:02:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/09/16/um-prego-no-lado-b/</guid>
<description><![CDATA[Se a agulha se partiu, se o engenho que provia as rotações enguiçou, se empenou o próprio disco ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Se a agulha se partiu, se o engenho que provia as rotações enguiçou, se empenou o próprio disco de vinil, eu não sei - sei apenas que não mais poderei ouvir o Lado B... ou melhor, não mais o poderei ler. Sim, senhores, é isso: "O lado B da minha mente" não existe mais; foi extinto. Quem teve o prazer, contente-se com a medida da própria memória; quem não leu, por estranho que pareça, menos mal: menos se lamentará. Quem inseriu <em>links</em> ao invés de embutir citações, terá seus <em>posts</em> aleijados.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas nem tudo está perdido. Gustavo Nagel começou outro blog, ou blogue, como ele prefere: <a href="http://www.avidaeasopinioes.blogspot.com/">"A vida e as opiniões"</a> (francamente, o título do anterior era mais interessante, não?). Menos "aforístico", agora há parágrafos únicos extendidos em blocos - mais robusto? Bom, leia lá. Boa sorte pro Nagel.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma boa caminhada]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=161</link>
<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 15:59:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/09/12/uma-boa-caminhada/</guid>
<description><![CDATA[A Episode, uma agência de turismo portuguesa, oferece pacotes turísticos bastante requintados, de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A <a href="http://www.episode-travel.com/pt/our_cultural_tours_portugal/original_theme_portugal.asp">Episode</a>, uma agência de turismo portuguesa, oferece pacotes turísticos bastante requintados, de muito bom gosto, pelas terras portuguesas . A idéia está no lema: <em>travel with art</em> (viajar com arte), para conhecer o melhor da cultura e paisagens de Portugal. E com discernimento agudo, oferecem a opção temática <a href="http://www.episode-travel.com/pt/our_cultural_tours_portugal/tour/nos_passos_dos_marranos.asp?theme=13">"Nos passos dos Marranos"</a>, um roteiro de dez dias cobrindo a história dos judaísmo português, desde seu explendor ao édito de expulsão; das judiarias e enclaves de cristãos novos e marranos, os <em>bnei anussim</em>, aos dias atuais com a renascida comunidade judaica em Portugal; da influência judaica na arte, literatura, teatro, navegação e ciências; de Lisboa e Porto a Belmonte.</p>
<p style="text-align:justify;">O preço é bastante acessível (€260, me parece). Quem estiver pensando em visitar Portugal, fica aí a indicação - mesmo eu não tendo feito o roteiro (aliás, se alguém for, volta aqui e conte como foi!).</p>
<p style="text-align:justify;">O despertamento do judaísmo ibérido é um milagre, esperado há muito tempo por uns, inusitado e surpreendente para outros, e tristemente incoveniente para alguns. Mas cá estamos, com <a href="http://www.ynet.co.il/english/articles/0,7340,L-3587419,00.html">descendentes de judeus portugueses visitando Israel</a> e "acordando" seus laços com o Povo de Israel. Que nesse momento, tanto a comunidade judaica, como os lugares por onde os forçados passaram, sejam hospitaleiros recebendo-os de volta e cooperando no esforço de retorno.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Tinha até um brasileiro... ]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=155</link>
<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 06:29:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
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<description><![CDATA[Não sou tão velho assim. Quero dizer, não sou do tempo em que ser velho levava tempo&#8230; hoje ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não sou tão velho assim. Quero dizer, não sou do tempo em que ser velho levava tempo... hoje dá pra se sentir um ancião aos 26, basta olhar para os garotos de 15 ou mesmo os de 7, 8 ou 9 - são completamente diferentes de mim e meus contemporâneos. Algumas diferenças seriam mais que naturais, mas quase não temos nada em comum nas referências: desenhos animados, quadrinhos, RPG, filmes, jogos.</p>
<p style="text-align:justify;">Na minha época, havia deuses na escola: garotos "ricos" que possuíam um SuperNes ou Super Nintendo, de 16 <em>bits</em>, em casa. E no panteão havia aqueles que tinham um cartucho (sim, cartucho, se você é da minha época, ou antes, você entendeu) de <em><a title="Street Fighter II na Wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Street_Fighter">Street Fighter II</a>.</em> A maioria esmagadora dos garotos lotava fliperamas de tarde, depois das aulas, para jogar a versão <em>arcade</em>, e uma minoria que podia se saciar em casa, alguns até com TV no quarto.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não tinha um SuperNes. Na verdade, nunca tive um <em>video game</em>. Sequer ATARI. Também não podia ir ao fliperama: meus pais entendiam aquilo como a versão <em>junior</em> de um casino, uma casa de jogos... mas sempre que eu tinha um trocado e alguma desculpa, escapava pra "jogar uma ficha". Eu era péssimo, geralmente convidava um amigo ou colega pra jogar; pra enfrentar o Ryu ou Ken, alguém me ajudava. Dava frio na barriga - nunca passei do Sagat sozinho.</p>
<p style="text-align:justify;">O mundo ainda tinha duas dimensões e 36 cores. Mas era o suficiente.</p>
<p style="text-align:justify;">Toda essa nostalgia veio à tona por causa de um desses milagres da internet. O site <em><a href="http://www.collegehumor.com/tag:streetfighterthelateryears">College Humor</a> </em>publicou a série <em>Street Fighter: the later years. </em>Os personagens do jogo vivem numa mesma cidade nos EUA, decadentes com a queda da popularidade e esquecidos pela CAPCOM, empresa desenvolvedora do jogo; passados dez anos, resolvem promover um novo torneio <em>violando os direitos autorias</em>. Muito engraçado e (sério!) bem feito. Espero poder ver mais coisas como essa por aí.</p>
<p style="text-align:justify;">Deixo aqui os três primeiros episódios legendados, o restante pode ser encontrado também no YouTube.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/D4KiSwwKGjM'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/D4KiSwwKGjM&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Thinking beyond the Egg [inward]]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=150</link>
<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 16:24:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/09/05/thinking-beyond-the-egg-inward/</guid>
<description><![CDATA[
Ou: Retribuição a um panegírico.
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paginadecultura.blogspot.com/"><img class="aligncenter" title="Pintinho..." src="http://i2.photobucket.com/albums/y30/miriamala/pintinho.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a></p>
<p>Ou: Retribuição a um <a href="http://paginadecultura.blogspot.com/2008/07/um-contra-senso-instigante.html">panegírico</a>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Meme: cinco ótimos livros e um para apodrecer na estante]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=105</link>
<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 21:52:34 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/04/28/meme-cinco-otimos-livros-e-um-para-apodrecer-na-estante/</guid>
<description><![CDATA[Nesse negócio de blog você percebe que vai virando alguma coisa quando começam a convidá-lo para]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Nesse negócio de <em>blog</em> você percebe que vai virando alguma coisa quando começam a convidá-lo para coisas bacaninhas como um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Meme"><em>meme</em></a>. Pois bem, este é o meu primeiro - fui convidado pelo <a href="http://tecnologic.wordpress.com/2008/04/28/meme-5-otimos-livros-e-um-para-apodrecer-na-estante/">Djavan Fagundes</a> (obrigado!). Antes de apresentar minha lista digo que vou me ater à literatura, nada de livros "técnicos". Vejamos, então:</p>
<ul style="text-align:justify;">
<li>CINCO ÓTIMOS LIVROS</li>
</ul>
<ol style="text-align:justify;">
<li>DOSTOIÉVSKI - O Idiota</li>
<li>KOSINSKI - Pássaro Pintado</li>
<li>GARCIA MÁRQUEZ - Cem anos de solidão</li>
<li>BELLOW - O planeta do Sr. Sammler</li>
<li>SPIEGELMAN - Mauss</li>
</ol>
<ul style="text-align:justify;">
<li>Para apodrecer na estante</li>
</ul>
<p style="padding-left:30px;text-align:justify;">KAFKA - Investigações de um cão</p>
<p style="text-align:justify;">Sei que não vale, mas preciso explicar porque indiquei um conto e não um livro todo e porque um Kafka para o esquecimento na prateleira. Mesmo sendo de um gigante, eu simplesmente não consigo terminar de ler o texto... já recomecei incontáveis vezes, mas não prospera minha leitura. Não entendo bem, uma vez que venci o tortuoso <em>A Toca</em>, no mesmo volume. Bom, vai saber; quem sabe um dia...</p>
<p style="text-align:justify;">Vendo daqui, é engraçado: três autores judeus que, juntamente com Garcia Márquez, são todos "contemporâneos"; e apenas um gigante... Bom, quem sabe porque a proposta seja "cinco ótimos livros", e não "os cinco melhores livros já escritos em minha opinião". Podem ser os que agora mais me causam impacto. É isso, acho.</p>
<p style="text-align:justify;">Gostaria de convidar o <a href="http://gustavonagel.blogspot.com/">Gustavo Nagel</a>, <a href="http://paginadecultura.blogspot.com/">André Egg</a> e <a href="http://riversssss.wordpress.com/">Riverson</a>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Riso cismado]]></title>
<link>http://contrasenso.wordpress.com/?p=74</link>
<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 15:06:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>André Tavares</dc:creator>
<guid>http://contrasenso.pt-br.wordpress.com/2008/02/29/riso-cismado/</guid>
<description><![CDATA[O Brasil é um pais peculiar, cheio de piadas prontas - na política, na economia, no futebol, na vi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">O Brasil é um pais peculiar, cheio de piadas prontas - na política, na economia, no futebol, na vida de suas celebridades... fica fácil (ou muito difícil) ser humorista por aqui. Na verdade, parece que é impossível fazer uma análise séria, fria, da nação, esquadrinhá-la com parâmetros civilizacionais  ordinários. As coisas aqui seguem a regra da inconstância e inconsistência - se a pós-modernidade são os sólidos se dissolvendo no ar, a definição não vale para o Brasil: sempre fomos líqüidos, fluidos.</p>
<p align="justify">Não é à toa que temos uma profusão de bons cartunistas. Já no Império as contradições políticas eram denunciadas por esse meio de adequação quase exclusiva. Mais tarde, temos Péricles de Andrade Maranhão, que criou o impagável Amigo da Onça. Curiosamente, Péricles suicidou-se em 1961, com gás de cozinha, mas não sem fazer uma espécie de última piada: deixou um bilhete avisando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A9ricles_%28cartunista%29">"não risquem fósforos"</a>...</p>
<p align="justify">Com a ditadura, AI-5, repressão, etc., o humor se tornou campo de resistência e militância. O Pasquim foi a publicação de vanguarda, lançando muitos chargistas e tecendo críticas ferrenhas ao regime dos generais, inteligentemente camufladas pela máscara do riso. Ziraldo, Laerte, Angeli, Allan Sieber, Adão Iturrusgarai, Millôr Fernandes (essas espécie de <em>cartucronista</em>), o saudoso Henfil<em>... </em>e vamos longe nessa lista, são exemplos dessa geração.</p>
<p align="justify">E essa riqueza é proporcional à falta de seriedade tupiniquim? Não, creio que não. O humorista é, no fundo, um moralista - é o sujeito que faz a crônica dos costumes, da prática mais doméstica, a crítica familiar, de si mesmo. É um denunciante que apontando para si, desnudando a todos - isso quando não aponta para todos e qualquer um mesmo... O humor e a qualidade do humor tem a ver com a carga de moralidade de uma comunidade, e se engana quem pensa que o Brasil é hedonista, amoral. Pode ser imoral, mas esse defeito está relacionado, deve sua presença, a um espectro contrário e contrastante, referencial, ou seja, alguma moralidade.</p>
<p align="justify">Por muito tempo, o jornal foi a mídia das tirinhas. Minha avó cresceu lendo quadrinhos em jornais, e eu mesmo os conheci ali. Mas como tudo o mais, o cartum (vou usar essa forma aportuguesada mesmo) ganhou novos nomes e lugar na Internet. A maioria dos chargistas e quadrinistas que citei aqui, e outros mais, publicam seu repertório e disponibilizam seu acervo na web. Mas, mais que gente feita no jornal migrando para novas mídias, há agora gente que se faz na rede, eventualmente caindo nas graças da turma do papel.</p>
<p align="justify">O melhor exemplo para mim, é o Galvão. Ele publica tirinhas quase diária em seu site, e, para mim, é um gênio. O cara é um artista plástico, para início de conversa - é só ver as pinturas e quadros (também no site). Mas nos quadrinhos temos um traço todo peculiar, curioso e um conteúdo dos melhores. Galvão consegue despejar baldes de um humor ácido, às vezes melancólico, em três quadros... aliás, cartuns não seriam uma forma aparentada ao <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Haiku">haiku</a>,</em> ou<em> <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Haikai">haikai no renga</a></em>?! Contar uma história completa em três cenas, e pronto. É... pode ser.</p>
<p align="justify">Mas voltando ao Galvão: religião, sexo, moda, política, otimismo, solidão - principalmente a solidão - são alvos metralhados (entre outros) pelo pincel desse sujeito. Faz rir... mas às vezes saio taciturno do site. Com freqüência, na verdade. Acredito que seja um daqueles tipos de apontam para si, e aí atira no mundo (tá, menos exagero - no leitor). Muito do que vi em Gilles Lipovetsky, Pascal Bruckner, Zygmunt Bauman, Anthony Giddens, e essa conversa toda sobre individualidade/pessoalidade, vida afetiva, laços sociais, identidade na hipermodernidade, ou pós-modernidade, está lá em forma concentrada, espontânea - os famosos "instantâneos da vida".</p>
<p align="justify">Bom, não sou um crítico - portanto vou parando por aqui, se não, fica parecendo puxação. E não é. Então, olhem lá - <a href="http://www.vidabesta.com/">www.vidabesta.com</a>.</p>
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