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	<title>bau-de-coisas &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "bau-de-coisas"</description>
	<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 09:55:40 +0000</pubDate>

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<item>
<title><![CDATA[Algo que talvez ajude: Uma FAQ]]></title>
<link>http://parahybapagan.wordpress.com/?p=111</link>
<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 22:01:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>marciliodiniz</dc:creator>
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<description><![CDATA[FAQ (FREQUENTILY ASKED QUESTIONS: RESPOSTAS À PERGUNTAS FREQÜENTES) – PAGANISMO CONTEMPORÂNEO.
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#333300;"><strong>FAQ (FREQUENTILY ASKED QUESTIONS: RESPOSTAS À PERGUNTAS FREQÜENTES) – PAGANISMO CONTEMPORÂNEO.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;">Talvez isto seja útil quando alguém te perguntar: "sim, mas o que é paganismo mesmo?". Fiquem avontade para comentar e inclusive para criticarem caso considerem alguma das respostas passíveis de melhora (creio que todas o são).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">I.    GERAL.</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>O QUE É O NEO-PAGANISMO OU PAGANISMO CONTEMPORÂNEO?</strong></span><br />
É um termo geral que designa um movimento contemporâneo “religioso-filosófico-ecológico” que se firmou enquanto tal, a partir dos anos 70 do século XX no mundo todo, possuindo raízes desde início do mesmo século na Europa. Caracterizado por diversos 'caminhos religiosos', que em maior ou menor medida, se inspiram nas antigas religiões de origem não-judaicas, incorporando elementos atuais especificados ou não e geralmente, comprometidas com a preservação do meio ambiente. A palavra “Pagão”, derivada do latim 'paganus', etimologicamente está vinculada a termos como “rústico”, “camponês”, “aldeão”, morador do “pagus”, ou seja, do “campo”, de uma “aldeia”. E era utilizada para designar, mesmo no império romano, aqueles que possuíam cultos essencialmente agrários e de fertilidade em geral; posteriormente utilizada, de uma maneira mais pejorativa, como sinônimo de “caipira”, “matuto”, e após a cristianização, de “gentio”, “não-batizado” e, portanto “não-cristão”. Nos nossos dias, o termo continua aceitando os significados acima mencionados, apesar de também especificar aquele que possui uma 'espiritualidade' voltada para a terra e seus ciclos, para os fenômenos naturais como um todo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">É UMA RELIGIÃO?</span></strong><br />
Se entendermos 'religião' no sentido latino de 'religare', “reatar”, no sentido estóico de “voltar a Natureza”, sim. Se entendermos no sentido de uma espécie de “atividade extramundana”, separada do tempo-espaço cotidiano, talvez não. Mais especificamente esta resposta depende de como se defina 'religião'. A maioria dos Neo-pagãos assumem a maioria de suas práticas diárias, hábitos culturais, idiomas, 'n' atividades como manifestações religiosas, de tal maneira que, no mínimo, seria bastante difícil delimitar fronteiras entre as noções convencionais de 'sagrado' e 'profano'. Cada caminho possui, pelo menos hipoteticamente, suas convenções acerca de tais definições.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>É UMA FILOSOFIA DE VIDA?</strong></span><br />
Como na pergunta anterior, isto dependeria do significado de “Filosofia de vida”. No geral, se aceitarmos o termo como espécie de um “conjunto coerente de regras, estabelecidas por reflexão pessoal ou conjunta, que visam guiar o agir humano e suas relações em contextos especificáveis ou dedutíveis”, muito provavelmente. Já se, de maneira mais técnica, supormos um conceito que implicaria em uma laicização profunda das relações humanas, principalmente com o meio-ambiente, por exemplo, muito provavelmente, não. Este termo precisa ser melhor elucidado, de forma que os diversos caminhos, a partir de então, assumiriam posições.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">Q</span></strong><span style="color:#008000;"><strong>UAIS AS DIRETRIZES MORAIS?</strong></span><br />
Grosso modo, as diretrizes morais são estabelecidas de acordo com um conjunto de princípios assumidos por cada caminho em particular. É de se esperar, pois, que as diretrizes morais do Reconstrucionismo Helênico difiram da Tradição Alexandrina Wiccaniana, por exemplo. Em geral, são mais focados pressupostos éticos variáveis de acordo com as concepções metafísicas adotadas, apesar do 'reavaliamento' da relação Humanidade/Natureza ser um ponto de união bastante firme.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>HÁ DOGMAS?</strong></span><br />
Sim. O termo grego 'dogma', “decreto”, “opinião”, “doutrina”, difere de 'dogma imposto sem questionamento'. Neste último sentido, talvez se encontrem alguns proposições em alguns caminhos, mas não num sentido geral, aplicável ao todo. A imposição de dogmas, geralmente, não é bem vista; as 'doutrinas' são estabelecidas, na maioria dos casos, em conjunto, mediante pressupostos explícitos e discutíveis. Não há a autoridade de um texto sagrado revelado aos mortais. Mesmo a preposição de que a Natureza “é o que há de sacro”, ou que “reflete o que é sacro”, ou “são os deuses em si” não é tida como revelada e indiscutível.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">SE O PAGANISMO ANTIGO ERA DIFERENTE, POR QUE SE DIZER PAGÃO?</span></strong><br />
Num todo, não há diferenças que separem bruscamente a ponto de tornarem os dois antagônicos. Muitos elementos foram adaptados, re-significados, ou mesmo abandonados, sem contar o perfil econômico-social dos 'praticantes', suas visões políticas, costumes entre outras tantas coisas. Ainda sim, muitas das concepções metafísicas, panteológicas ou politeológicas, mitologia, que seria o mais importante de acordo com alguns pontos de vista, foram (e ainda estão sendo) resgatadas, quando não estão em pleno 'uso', e com isso muito do significado das antigas experiências.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">POR QUE PENSAR QUE ESTE “PRIMITIVISMO” SERIA ADEQUADO AOS NOSSOS DIAS?</span></strong><br />
Como ressaltado anteriormente, o paganismo atual possui suas diferenças do antigo. Em todo caso, considerando a alienação contemporânea em relação ao meio-ambiente, a seriedade dos problemas ecológicos, o auto nível de liberdade pessoal das sociedades contemporâneas ocidentais, talvez o paganismo seja umas das religiões que melhor responde a estas questões, ou pressupõe estas variáveis em aspectos mágicos ou metafísicos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">NÃO SERIA UM ‘DISCURSO’ VOLTADO A CLASSE MÉDIA DAS GRANDES CIDADES?</span></strong><br />
Isto depende basicamente de qual ‘discurso’ se está falando. Em termos gerais, o paganismo é uma religião voltada à Natureza, o que hipoteticamente, supõe que seja mais aceita e mais significativa para aqueles que vivem no campo. A grande maioria de seus praticantes, hoje, é urbana, e talvez, de classe média. Muitos vivem na cidade não por opção, outros que o fazem, reconhecem e gostam do campo de igual modo. O fato de, no momento, ser uma religião de maioria de público urbano e de nível sócio-econômico ‘x’, não torna seus princípios, nem sua argumentação, num todo, voltados ou com fins de legitimação deste quadro. É uma religião, teoricamente, de maior aceitação pelas camadas humildes e camponesas; o que não a torna como tal hoje, é, ipso facto, a total ausência de marketing religioso e intuito de propagação em massa, ou de ‘evangelização’ (em grego: “divulgar a boa nova”), por parte dos pagãos.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>II.    ESPECÍFICOS.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">TUDO ISSO NÃO É WICCA?</span></strong><br />
Não. A Wicca é o caminho mais consolidado e de longe o mais difundido, considerando também que é, de certa forma, o “precursor” no seu início com Gerald Gardner nos anos 50. A Wicca, ou melhor, as diversas tradições wiccanianas, possuem sistemas metafísicos próprios, princípios éticos, diretrizes morais, dogmas, práticas e mesmo cosmogonias, etc. Há muitos caminhos que se diferenciam, alguns de maneira discrepante em certos pontos, da Wicca em geral.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>MAS, NÃO SÃO AVERSOS A CIÊNCIA?</strong></span><br />
Não. Pelo contrário, muitos são os que baseiam sistemas metafísicos, cosmogônicos e mágicos, ou mesmo interpretam aspectos mitológicos em teorias físicas contemporâneas, por exemplo. Sem contar, que para os caminhos de orientação reconstrucionista, ciências como a arqueologia, historiografia em geral, lingüística entre outras são fontes preciosas de informações importantes acerca das culturas as quais se dedicam. Num geral, muitos são os que vêem as ciências com interesse e a consideram importantes em amplos aspectos, inclusive no 'religioso'.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">SÃO ANTI-CRISTÃOS E SATANISTAS?</span></strong><br />
Não. Infelizmente há confusões por parte de bandas de rock que resultam na denigrissão de imagens, símbolos e conceitos. O paganismo não é cristão, o que não significa dizer que é anti-cristão. Este tipo de pensamento (o de que se não estás comigo, estás contra mim) é essencialmente judaico-cristão e ilustra um maniqueísmo preconceituoso. A maioria dos pagãos contemporâneos não acreditam na divindade nem em outras entidades mitológicas associadas a estas religiões e simplesmente não reconhecem a autoridade da Bíblia, nem da Torá nem do Corão, o que não quer dizer que não as respeitem. Há os que, de acordo com determinadas posições metafísicas, reconhecem a “existências” de tais entidades, mas simplesmente as ignoram e consideram o culto das muitas divindades Antigas, ou da Terra, mais importantes. O satanismo é um fruto das concepções metafísicas, ontológicas e discursivas do cristianismo, e, portanto, não faz sentido algum para um pagão.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">ACREDITAM EM MAGIA?</span></strong><br />
Depende do que se define como tal. No geral, o conceito de “efetuar mudanças por meio da vontade”, é bem aceito, apesar das especulações acerca da física quântica terem estimulado novas definições. Grosso modo, a magia é parte de várias práticas dentre muitos caminhos, o que nos levaria a responder que ‘sim’. Em todo caso, há caminhos que não a aceitam como ‘dogma’ e preferem que esta questão fique a cargo de cada um.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">MAGIA BRANCA OU NEGRA?</span></strong><br />
Dentro do paganismo não há esta divisão, pelo menos nos caminhos que conheço. Esta divisão, além de maniqueísta, e por isso mesmo, reducionista, pressupõe um sistema mitológico e moral alheio a grande parte do paganismo antigo e atual. Geralmente estes termos estão mais relacionados ao Ocultismo, Magia Cerimonial, etc. que incorporam elementos que significam tal divisão dentro de contextos especificáveis. A magia que é trabalhada nos caminhos do paganismo é múltipla, possuindo muito mais aspectos pessoais, devocionais, de cura, augúrios entre outros.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">FAZEM SACRIFÍCIOS HUMANOS?</span></strong><br />
Não. A maioria dos pagãos contemporâneos aceitam e defendem as concepções de “Direitos Humanos” e mesmo os que não aceitam por motivos quaisquer, a respeitam e respeitam as leis de seus respectivos países.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">FAZEM SACRIFÍCIOS DE ANIMAIS?</span></strong><br />
Este é um ponto controverso. A maioria dos caminhos não aceitam, seja por concepções metafísicas, éticas, ou simplesmente por estarem ligadas a grupos de apoio aos “Direitos dos Animais”. Há alguns poucos caminhos que o aceitam, impondo sérias e várias restrições, como o modo de fazê-lo de forma altamente respeitosa e que permita o mínimo de sofrimento animal possível, muitas vezes apenas um animal por ano, o aproveitamento de todo o animal, a não oferenda de animais em extinção ou na época de reprodução, entre outras tantas observações. Geralmente os que aceitam, somente o permitem em comunidades agrícolas e, muitas vezes, por reprovarem a maneira industrializada de se obter carne.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">POR QUE NÃO COMEM CARNE?</span></strong><br />
Esta é uma informação que não é precisa. Não são todos os pagãos contemporâneos que não comem carne. Está é uma opção pessoal, ou quando muito, um dogma específico de um caminho ou tradição. Há, em geral, restrições acerca da origem da carne, uma vez que isto supõe certos problemas ecológicos (como a derrubada de florestas para se fazer pasto para o gado flatulento).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">POR QUE O EURO-CENTRISMO?</span></strong><br />
O Euro-centrismo não é um dogma geral, nem muito menos uma diretriz. Alguns caminhos se devotam a panteões europeus por diversos motivos, seja por que tenham surgido lá, ou por valorizarem a herança, entre outros. No caso do Brasil, por exemplo, os panteões indígenas simplesmente foram “exterminados”, na grande maioria, o que dificulta, e como, o culto de tais divindades. Muitos caminhos e tradições incitam e valorizam cada um a estudar as divindades e entidades de sua região, recolhendo os resquícios de mitologia, quando os há, para melhor cultuá-las.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">POR QUE SE TEM QUE SER ATIVISTA ECOLÓGICO?</span></strong><br />
Também esta informação não é precisa. Não é requerido como um dogma, no geral. Tal posicionamento, muitas vezes é relegado ao campo das opções pessoais. Evidentemente, por ser uma religião focada na Natureza, tal posicionamento é acolhido de bom grado. De toda forma, são alguns, não todos os caminhos que tem por dogma este ponto.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">SÃO RACISTAS E/OU HOMOFÓBICOS?</span></strong><br />
Não. Há caminhos, inclusive, que têm em alta estima homossexuais e bissexuais, por motivos metafísicos entre outros. Em geral, cada um é incentivado a honrar sua herança sangüínea e seus antepassados independente de que etnia sejam.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#008000;">QUAIS OS FERIADOS NO CALENDÁRIO RELIGIOSO?</span></strong><br />
Há basicamente 8 festas anuais, que são celebradas de acordo com convenções estabelecidas com bases em determinados pressupostos, no paganismo como um todo. As festas têm por base um calendário solar, e possuem caráter sazonal: (1) Solstícios de Verão e Inverno, Equinócios de Primavera e Outono, (2) Samhain, Oimelg, Beltane e Lúnasa. (2) são festas de origem celta e geralmente só são celebradas em caminhos que possuem alguma relação com estas culturas (célticas). Muitas vezes também, por motivos diversos geralmente orientados por interpretações culturais ou reconstrucionistas, são estabelecidos dogmas acerca de quais celebrações festejar, de forma que variem em número e significado de acordo com o caminho tomado. Muitos caminhos também adotam celebrações guiadas pelo calendário lunar, geralmente celebrando ‘fases’ da lua como a cheia e a nova, seja estabelecendo (2) com bases lunares.<br />
<strong><span style="color:#008000;"><br />
POR QUE TEM QUE SE USAR PRETO E ANDAR “TODO PRODUZIDO”?</span></strong><br />
Não tem que se utilizar preto e andar “todo produzido”. Alguns caminhos, às vezes, requerem roupas de uma determinada cor, por motivos metafísicos quaisquer, mas isto geralmente em períodos determinados ou em celebrações. Os que se “produzem” e andam de preto, na grande maioria das vezes, o fazem por iniciativas pessoais e não como manifestação religiosa.</p>
<p style="text-align:justify;">MVNDVS SACER EST, AETERNVS, IMMENSVS, TOTVS IN TOTO, IMMO VERO IPSE TOTVM, INFINITVS ET FINITVS SIMILE; OMNIVM ET FINITVS SIMILE; OMNIVM RERVM CERTVS ET SIMILIS INCERTO, EXTRA INTRA, CVNCTA COMPLEXVS IN SE; IDEM QVE RERVM NATURAE OPVS ET RERVM IPSA NATURAE.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A proximidade]]></title>
<link>http://parahybapagan.wordpress.com/?p=109</link>
<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 13:20:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>marciliodiniz</dc:creator>
<guid>http://parahybapagan.pt-br.wordpress.com/2008/09/07/a-proximidade/</guid>
<description><![CDATA[A PROXIMIDADE (GALOPE À BEIRA MAR).
Marcílio Diniz
Olhando os ventos que vão passando
trazendo as]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A PROXIMIDADE (GALOPE À BEIRA MAR).</strong></p>
<p>Marcílio Diniz</p>
<p>Olhando os ventos que vão passando<br />
trazendo as mensagens dos ancestrais<br />
ditas em tempos imemoriais<br />
em assobios generosos que vão avoando<br />
a música das folhas que vão balançando<br />
meu pensamento se põe à rumar<br />
atravassa montanha, nuvem e mar<br />
chega a escura morada do início<br />
onde começa cada ofício<br />
Nos dez de galope na beira do mar</p>
<p>Este tempo as chuvas tem afracado<br />
o mamanguape segue ainda roncando<br />
as laranjeiras ainda florando<br />
castanholas guardando o segredo contado<br />
o sol marcha com seu reinado<br />
cruzando o céu a ara solar<br />
raios poderosos que vão governar<br />
o que nasce, o que cresce, vive e morre<br />
a água que vai, que vem e que corre<br />
Nos dez de galope na beira do mar</p>
<p>O nordestino lamenta o fim do inverno<br />
da bruma, do escuro que tinha firmado<br />
do açude cheio, da fartura pro gado<br />
das mil cores vibrantes de brilho eterno<br />
na subida do sol, se levanta de terno<br />
faltado uma mão, de lança a portar<br />
olhar furioso de aterrorizar<br />
é Neito guerreiro que ascendo no céu<br />
dobrando os caminhos doces de mel<br />
Nos dez de galope na beira do mar</p>
<p>A jurema florada se abre ainda<br />
fechando na noite de vento frio<br />
nos capins balançando com verde e brio<br />
nas gotas de água que a chuva finda<br />
no sabiá cantando uma rima linda<br />
o craúna voando, a garça a bicar<br />
do lado do gado que descança a deitar<br />
na sombra serena de uma barriguda<br />
recebendo a brisa que ouve e é muda<br />
Nos dez de galope na beira do mar</p>
<p>As rãs já s'esconde na caçimba cheia<br />
nos poços e até nas lavanderias<br />
nos lajedos começam as calangarias<br />
a saírem pro sol de mei-dia e meia<br />
a aranha começa a recolher sua teia<br />
a rolinha caça pra se alimentar<br />
o lambú de gaiato sai para avisar<br />
o recado das deusas das matas fechadas<br />
que pela cumade-flôzinha hão de ser guardadas<br />
Nos dez da galope na beira do mar</p>
<p>Muito eu tenho de respeito e amor<br />
para esta terra que tenho comigo<br />
pra mim ela é como meu melhor amigo<br />
por quem tenho sempre um grande valor<br />
mas se tem uma coisa que pra mim é uma dor<br />
é a derrubada de mata secular<br />
cada golpe dado também faz sangrar<br />
meu peito doido com a poluição<br />
dos rios da terra e do coração da nação<br />
Nos dez de galope na beira do mar</p>
<p>Em respeito aos antigos que aqui moraram<br />
índios valentes, viris orgulhosos<br />
aos negros que foram também revoltosos<br />
apesar de que muitos s'pacificaram<br />
agradecido a deusa que os versos armaram<br />
que permitiu na ciranda as rimas dançar<br />
a grande Mãe-Terra que sempre a estar<br />
conosco de dia, de noite e na aurora<br />
entrelaçando dia, noite e hora<br />
Nos dez de galope na beira do mar!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[À DEUSA DOS "NEMETA" (MUNIDIS, NIMMIDES, NEMETONA).]]></title>
<link>http://parahybapagan.wordpress.com/?p=102</link>
<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 00:31:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>marciliodiniz</dc:creator>
<guid>http://parahybapagan.pt-br.wordpress.com/2008/08/17/a-deusa-dos-nemeta-munidis-nimmides-nemetona/</guid>
<description><![CDATA[À DEUSA DOS &#8220;NEMETA&#8221; (MUNIDIS, NIMMIDES, NEMETONA).
A palavra &#8220;Nemeta&#8221;, nom]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#008000;"><strong>À DEUSA DOS "NEMETA" (MUNIDIS, NIMMIDES, NEMETONA).</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;">A palavra "Nemeta", nominativo plural de "Nemeton", termo gaulês para "santuário", clareira em uma mata, bosque ou floresta, ás vezes marcados com pedras erguidas, geralmente está associado na visão céltica à certas divindades. A deusa gaulesa Nemetona é o exemplo mais evidente. Os estudiosos dos povos qua habitavam a penísula ibérica antes e durante a 'romanização', mais especificamenteo território que hoje é Portugal, geralmente identificam a deusa Munides, cujos registros epigráficos se relacionam mais a àrea habitada pelos Lusitanos, e Nimmides ou Nimmidus (neste caso, presumi-se um deus), por sua vez mais relacionada aos Callaecos. A récita que se segue pode ser realizada, como um hino ou uma prece antes da entrada no espaço sagrado, ou em um bosque, durante um rito.</p>
<p><strong>Em Gaulês:</strong></p>
<p>DEWAĪ "NEMETON".</p>
<p>O tōu kinges widwābi<br />
ardwowidōs doubotalamōsk<br />
bitās pritā awelās<br />
ak wildā dōlās<br />
dēwā nemetī<br />
addamsses (addasses?) litou enson<br />
sena balksamāk<br />
ialonriganyā<br />
medyolani magesos<br />
sena balksamāk<br />
addamsses (addasses) litou enson<br />
in atignīyou weswāk</p>
<p><span style="color:#008000;">Pronúncia aproximada:</span></p>
<p>Ó tu quíngues vidvábi (uiduábi)<br />
ardvovibôs (arduóuibôs) dubotalamôsk<br />
bitás pritá avelás (auelás)<br />
ak vildá (uildá) dôlás<br />
dêva (dêua) nemetí<br />
ad'damʦes (ad'daʦes?) litú enson<br />
sena balksamák<br />
ialorigánia<br />
mediolani maguesos<br />
sena balksamák<br />
ad'damʦes (ad'daʦes) litú enson<br />
inatigníiu vesvák (ues'uák)</p>
<p>Tradução:</p>
<p>Ó tu que caminhas pelas florestas<br />
de árvores altas e terra escura<br />
cortadas pela poesia dos ventos<br />
e pelo festim das folhas<br />
deusa do nemeton<br />
permitas a nossa celebração<br />
antiga e fortíssima<br />
rainha da clareira<br />
do centro sagrado da planície<br />
antiga e fortíssima<br />
permitas a nossa celebração<br />
em reconhecimento e excelência.</p>
<p>Souaweloï! (Bons ventos!)<br />
<strong><br />
Em Nougalz:</strong></p>
<p>DEOUIA "NEMETOUN".</p>
<p>Ó tou go lenez per agronioue<br />
ardtanoun e' douterei<br />
nádouas tra dánie gadzoun<br />
e' tra vouelie doulai<br />
deoua nemetei<br />
adamtzes ós litouon<br />
sen e' balcmar<br />
berdoprenrígan<br />
metonovezei masei<br />
sen e' balcmar<br />
adamtzes ós litouon<br />
en atageniu e' bouez</p>
<p><span style="color:#008000;">Pronúncia aproximada:</span></p>
<p>Ó tu go lenez per agroniue<br />
ardtanun i duterei<br />
náduas tra dánie gatsun<br />
i tra vuelie dulai<br />
adamtses ôs lituon<br />
sen i balcmar<br />
berdoprenorígan<br />
metonovezei masei<br />
sen i balcmar<br />
adamtses ôs lituon<br />
en atagueniu i buez</p>
<p><strong>Em Latim:</strong></p>
<p>DEA "NEMORVM"*</p>
<p>O tū ea silvis eis<br />
magnæ arborŭm cæcæ terræque<br />
cædta poesiĕ ventōrŭm<br />
et festō foliōrŭm<br />
dea nemetoni<br />
nostrăm celebrationĕm permittas<br />
antīqua fortīssimaque<br />
rēgīna rariorŭm silvæ<br />
sacrī medĭī plānitiēī<br />
antīqua fortīssimaque<br />
nostrăm celebrationĕm permittas<br />
in recognitiōnĕ excellentĭāque</p>
<p><strong>*Fico devendo em Galego-Português...</strong></p>
<p style="text-align:justify;">*Acreditamos que o termo latino "Nemus", traduzível por 'bosque', 'floresta', 'vinhedo' derive da mesma raíz Indo-Européia ou esteja de alguma forma relacionado, em todo caso, certamente a substituição do termo seja problemática; caso 'latinizemos' o termo Gaulês, provavelmente seja algo como "Nemetum", nominativo plural "Nemeta"; por favor, lei-se "Nemetorum" (latinizado) ou "Nemeton" em Gaulês (ambos genitivos plurais).</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>SIMÓN, Francisco M. <strong>Religion and religious praticies of the Ancient Celts of the Iberian Peninsula</strong>. E-Keltoi, v. VI, 2005.<br />
PORTO. <strong>Dicionário Latim-Português/Português-Latim:</strong> Dicionários acadêmicos. Porto: Porto Editora, 2005.<br />
PIQUERON, Olivier. <strong>Yestis Keltika.pdf.</strong> Disponível no grupo Celticaconlang do Yahoo.<br />
GLASTORATIN. <strong>Draft English/Nougalz Dictionary.pdf.</strong> Disponível no grupo Celticaconlang do Yahoo.<br />
DINIZ, Marcílio. <strong>Esboços de notas e léxico Nougalz/Português v.1.0.pdf.</strong> Disponível no grupo Teallach do Yahoo.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Brigite]]></title>
<link>http://parahybapagan.wordpress.com/?p=98</link>
<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 23:25:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>marciliodiniz</dc:creator>
<guid>http://parahybapagan.pt-br.wordpress.com/2008/08/03/brigite/</guid>
<description><![CDATA[À deusa Brigite
Ó chama que aqueçe nossos lares
que acalenta nossos corações
que aqueçe o fogo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>À deusa Brigite</p>
<p>Ó chama que aqueçe nossos lares<br />
que acalenta nossos corações<br />
que aqueçe o fogo da forja<br />
traz viva do bardo as expressões<br />
inspira o artista na escuridão<br />
tempera escudo e facão<br />
e o leite das novas gerações</p>
<p>Por ti, nossas considerações<br />
trazemos em louvores a cantar<br />
três chamas brilhantes adornadas<br />
com a elevação do inspirar<br />
senhora das forjas de nossas armas<br />
protetora da casa e da almas<br />
protetora do calor e do mamar</p>
<p>Por este modesto declamar<br />
à ti dedicado agora<br />
saibam que le só exite<br />
por causa do faxo da aurora<br />
em três raios iluminam o poeta<br />
que sempre acha a rima certa<br />
e termina o verso na hora!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Canto para o solstício de inverno]]></title>
<link>http://parahybapagan.wordpress.com/?p=77</link>
<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 20:03:50 +0000</pubDate>
<dc:creator>marciliodiniz</dc:creator>
<guid>http://parahybapagan.pt-br.wordpress.com/2008/06/21/canto-para-o-solsticio-de-inverno/</guid>
<description><![CDATA[CANTO PARA O SOLSTÍCIO DE INVERNO.
(Marcílio Diniz)
Ó Poderosos invencíveis
Estirpe dos Imortais]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>CANTO PARA O SOLSTÍCIO DE INVERNO.<br />
(Marcílio Diniz)<br />
Ó Poderosos invencíveis<br />
Estirpe dos Imortais<br />
De feitos tão gloriosos<br />
Lembrados pelos mortais<br />
Imersos no lugar onde<br />
Não se perderão jamais</p>
<p>A luz não brilhará mais<br />
Neste crepúsculo de escuridão<br />
A noite reinará serena<br />
Cobrindo a imensidão<br />
A treva cobrindo o céu<br />
Em um aboio de solidão</p>
<p>O vento de retidão<br />
Para o tempo e o olhar<br />
O sol é sepultado<br />
No horizonte crepuscular<br />
O gado muge no campo<br />
E o poeta põe-se a cantar</p>
<p>O verde a testemunhar<br />
O sacrifício do reinado<br />
O pau-brasil e o oitizeiro<br />
Com o olhar amargurado<br />
O triunfo da noite sobre<br />
O brilho do sol amado</p>
<p>Seu reino foi afamado<br />
E trouxe tambem grandeza<br />
Tostou a terra sofrida<br />
Parou muita correnteza<br />
Aqueceu os lajedos altos<br />
Pelo fogo da realeza</p>
<p>Retirou a certeza<br />
Da terra o broto nascer<br />
Macambira espinho do sol<br />
Fez sedentos perecer<br />
No clarão do meio-dia<br />
Fez o vento aquecer</p>
<p>Hoje sem nos esquecer<br />
Louvamos o negro não-dia<br />
Triunfante bruma e treva<br />
Que antes se escondia<br />
No verde das matas altas<br />
Na chuva pura e sadia</p>
<p>O noite já respondia<br />
A jurema e o carcará<br />
Preparando a mortalha<br />
Que o sol se cobrirá<br />
Nesta noite serena e bela<br />
Que o brio do sol morrerá</p>
<p>Mas o sábio se lembrará<br />
Que as coisas mudam e voltam<br />
E que se os rios correm<br />
E as flores o pólem soltam<br />
É por causa do sol brioso<br />
Que as sementes brotam</p>
<p>(ele renascerá!)</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Baú de Coisas]]></title>
<link>http://parahybapagan.wordpress.com/?p=71</link>
<pubDate>Thu, 15 May 2008 12:18:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Rodrigo Leão</dc:creator>
<guid>http://parahybapagan.pt-br.wordpress.com/2008/05/15/o-eurocentrismo-no-paganismo-brasileiro-contemporaneo/</guid>
<description><![CDATA[Com este post pretendo iniciar esta série, que tem como objetivo reunir diversas &#8220;coisas]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Com este post pretendo iniciar esta série, que tem como objetivo reunir diversas "coisas" trazidas por membros da nossa comunidade no orkut ou por leitores deste blog. Vale de tudo: desenho, pintura, música, poema, foto...<br />
Para iniciar, um poema do Gildo, feito especialmente para ser oferecido no Samhaim, mas que não pôde ser lido por causa da escuridão!</p>
<p>==============================</p>
<p><strong>À MORTE ETERNA</strong></p>
<p>MORTE TE EXALTO<br />
ÉS MAIS REAL DO QUE A VIDA<br />
TÃO NECESSÁRIA QUANTO TUDO</p>
<p>A VIDA SE APRESENTA EM SEGUNDOS<br />
E TU, MORTE, EM MOMENTO ETERNO</p>
<p>SENDO DIVINDADE OU CONCEITO<br />
OU NATURAL FENÔMENO<br />
ÉS MORTE EM SI<br />
DEVO TE ESPERAR VIVENDO</p>
<p>A VIDA EM FACETAS SE VAI<br />
E TU, MORTE, SILENCIOSA SE APROXIMA</p>
<p>TRAZ O RENOVO, MORTE<br />
MINH' ALMA ESPERA TUA BRISA</p>
<p>ÉS ETERNA, A VIDA NÃO<br />
ÉS ORDENADORA DO MUNDO MORTAL<br />
ÉS A PROPRIA VIDA<br />
NÃO VEJOA HORA DE TORNA-SE VIVO<br />
ETERNO, PERMANENTE EM TUA ESSÊNCIA</p>
<p>MORTE, A TI, CELEBRO.</p>
<p>(GILDO AZEVEDO)</p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
