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	<title>babao &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/babao/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "babao"</description>
	<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 17:57:45 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Hon]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=239</link>
<pubDate>Tue, 20 May 2008 11:20:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[Havia há muitos milênios uma raça de homens que se mudou para uma península que estava sendo tra]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Havia há muitos milênios uma raça de homens que se mudou para uma península que estava sendo tragada pelo mar. Fizeram isso porque desejavam paz e porque acreditavam que o mar levaria tempo demais para concluir seu serviço. Esse povo chamou sua nova terra de Hon e se autoproclamaram honjins.</p>
<p>Esse povo era composto por humanos diferentes, mas que se diferenciaram mais com o passar das eras por evoluírem separadamente do resto da humanidade. Preferiam comer cereais a animais, sendo que dentre os animais de que se alimentavam preferiam os que viviam no mar. Desenvolveram também ciência, política, religiões e toda uma gama de costumes inéditos, mas em comum com o resto da humanidade tinham o gosto pela guerra e muitos morriam ano após ano. Era comum por isso as famílias não se preocuparem com a quantidade de filhos que teriam, pois os empregos em diversas atividades apareciam todos os anos e sempre se poderia ingressar do exército de algum senhor feudal ou ser camponês e trabalhar nos campos desse mesmo senhor.</p>
<p>As armas e formas de combate eram os mesmos do resto do continente, com pequenas variações. Com o passar do tempo, entretanto, a península se tornou numa enorme ilha e as armas e formas de combate foram se aperfeiçoado. Mais alguns milênios se passaram e a grande ilha se tornou um grande arquipélago, as lutas se intensificaram e os honjins viram surgir um senhor que dominou a todos os outros, que foi considerado o primeiro imperador de Hon. Seu nome era Poto.</p>
<p>O império de Poto era justo e marcado pela sabedoria. Uma nova era nascia então para os honjins, com as artes da guerra sendo estudadas e debatidas por sábios e militares, avançando sem matança, tornando a técnica apurada e a casta dos guerreiros a mais cobiçada. As noções de honra, lealdade, justiça e prosperidade foram reescritas neste período e quando Poto faleceu, ninguém reclamou quando seu filho assumiu seu cargo. Assim surgiram as dinastias.</p>
<p>É claro que não deixaram de haver períodos conturbados na dinastia Poto. Os novos problemas que apareceram vinham dos costumes antigos, que precisavam ser revistos, e das pessoas que fariam de tudo para não abandonar esses mesmos costumes. As pessoas gostavam, por exemplo, de ter grandes famílias, com as mulheres tendo filhos enquanto vivessem, e como não havia mais guerras, logo o arquipélago ficou abarrotado de gente, e ninguém queria deixar de ter ao menos vinte descendentes, número esse considerado pequeno para o padrão honjin.</p>
<p>Não havia lugares para morar e plantar o suficiente. Enterrar os mortos era um problema, uma vez que os antigos costumes não permitiam outra destinação ao corpo. A vida marinha perto da costa começou a rarear e foi assim que os honjins foram desenvolvendo a marinha e se afastando cada vez mais de Hon em busca de comida. Logo estavam fazendo acordos comerciais com o continente, mas os antigos ainda não gostavam de nada que viesse de fora de Hon ou que não fosse produzido por um honjin.</p>
<p>Foi desenvolvido um sentimento de orgulho por ser honjin. Qualquer habitante do arquipélago percebeu que o resto dos humanos era, na maioria, desengonçado, cheirava mal, desleixado, vestia-se mal e não sabia seu lugar na sociedade. A maior parte dos habitantes do além-mar era ignorante e não possuía parentes importantes, mesmo entre seus antepassados. Tudo muito diferente dos honjins!</p>
<p>Ainda assim os estrangeiros começaram a chegar para morar em Hon e houve aqueles entre os honjins que acharam alguns deles realmente bonitos. Com os jovens era mais comum aceitar abertamente o amor por um dos estrangeiros e logo vieram os casamentos entre povos. E logo atrás veio a guerra.</p>
<p>A guerra devastou as cidades e praticamente todos os estrangeiros foram mortos ou deixaram o país com o auxílio dos honjins simpatizantes. Muita coisa mudou então, pois ainda havia gente demais para que se deixassem de lado os acordos comerciais com o continente, ainda que os estrangeiros não fossem bem vindos. A dinastia Poto caiu e a dinastia Han foi posta no lugar e novas religiões, trazidas de fora, foram adotadas por habitantes locais.</p>
<p>Han optou por soluções drásticas: proibiu religiões estrangeiras e um grande ritual foi feito pra expulsar os deuses que entravam em Hon, expulsou es mestiços e a partir daquela data os que simpatizavam com os estrangeiros foram encarregados de lidar com eles, realizando todas as transações necessárias para a sobrevivência e manutenção da nação no continente.</p>
<p>Os que passaram a viver a maior parte do tempo fora de Hon perceberam melhor a cultura estrangeira mas, por mais que simpatizassem com estes, decidiram manter sua cultura intacta fora de sua terra natal. Com o passar dos anos, porém, estes percebiam o que os estrangeiros poderiam acrescentar e incorporavam isso ao seu modo de vida. Principalmente naquilo que se referia à guerra.</p>
<p>Foi assim que surgiram os melhores guerreiros de Hon. Estes novos guerreiros tinham a técnica de combate e espionagem testada e comprovada por milênios, eram especialistas em armas exóticas e conheciam movimentos que só uma parte dos habitantes de seu arquipélago natal conheciam, associadas à técnicas como conhecimento em venenos do mundo todo e línguas secretas. Recentemente incorporaram armas de fogo ao seu arsenal, tão logo entraram em contato com elas. Tudo o que se mostre válido pra a sobrevivência deve ser anexado ao treinamento do guerreiro.</p>
<p>As várias escolas e estilos que foram surgindo foram reunidas em uma só, o que apenas fortificou a arte, sendo que guerreiros do mundo todo treinam com mestres que por sua vez treinam com os que unificaram as escolas, para que a arte permaneça una e eficiente. Esta arte é conhecida como Arte das Sombras, ustutaji, no idioma honjin, e pode ser ensinada também para os estrangeiros que se mostrarem merecedores.</p>
<p>RESUMO</p>
<p>Terra: Hon;<br />
Relevo importante: não há;<br />
Habitantes: honjins;<br />
Língua oficial: honjin;<br />
Número de habitantes: vários milhões;<br />
Cidades: muitas, do tamanho de vilas a maioria, com nomes desconhecidos;<br />
Sistema de contagem: um próprio e o comum;<br />
Economia: baseada na agricultura e piscicultura;<br />
Armas manufaturadas: uma enorme variedade de lâminas similares às do resto do mundo;<br />
Habilidades comuns (para os encontrados fora de Hon): manufatura de espadas, escalada à mão livre, escalada com garras, escalar muralhas, luta desarmada, luta com bastão curto, luta com bastão, luta com corda ou corrente, luta com lâminas arremessáveis, luta com faca, luta com espada, meditação, salto, corrida, quaisquer habilidades ligadas à negócios e diplomacia;<br />
Personalidades: Poto, o primeiro imperador;<br />
Deus: vários próprios e alguns comuns ao resto do mundo;<br />
Itens comuns: lâminas de arremesso, espada, faca, garras para escalada, corda, dinheiro;<br />
Aparência do povo: Pele clara e olhos estreitos, de rosto quadrado de ossos fortes e aparentes com um olhar complacente. Os homens usam seus cabelos curtos e as mulheres muito compridos. Tais cabelos são negros, assim como seus olhos. Não gostam muito de adornos e nem de pinturas ou tatuagens corporais. Tudo isso pode ser dito dos que vêm ao continente, mas pouco se sabe dos que moram na ilha;<br />
Características marcantes: Costumam falar com sabedoria simples e direta, deixando pouco espaço para a discussão. São extremamente esmerados em qualquer coisa que fazem, mesmo ao servir chá para si mesmos, por exemplo.</p>
<p>Texto por: Ricardo "Cão Babão"</p>
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</item>
<item>
<title><![CDATA[Welcome to the Jungle!]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=229</link>
<pubDate>Wed, 14 May 2008 11:41:27 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Sábado passado eu fui à floresta. Mais precisamente eu fui à uma reserva florestal que há cont]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://byfiles.storage.msn.com/y1pbgDWJ0ZD_U1r7UPWEX9N13OSR9qzwAJYeq7mmRWtg20dx872mEkIArLkM0SYMkxn" alt="floresta" /></div>
<div style="text-align:justify;">Sábado passado eu fui à floresta. Mais precisamente eu fui à uma reserva florestal que há contígua à Praia do Tupé. Apesar de já ter adentrado florestas antes, como dessa vez eu possuía mais conhecimento, parei mais coisas que da última vez em que fiz isso.</p>
<p>Uma coisa que as pessoas têm trabalho para fazer é ambientar legal um grupo de jogadores. Mesmo que você descreva uma floresta, por exemplo, vai ser difícil para alguém que nunca esteve lá saber como é isso. É por isso que os escritores costumam viajar muito para poder escrever sobre os mais diversos personagens, ou ainda fazem como Jorge Amado, que só fala do que ele conhece muito bem, que é o lugar que ele nasceu e as coisas como são por lá.</p>
<p>Pois bem. A primeira coisa que as pessoas não lembram sobre as florestas é que é abafado e úmido. Úmido de verdade! Não é que as coisas estão todas molhadas à sua volta – elas estão – o que acontece é que há tanta umidade no ar que sua respiração começa a ficar pesada, você pensa que está suando demais, mas o que está de fato acontecendo é que sua pele não pode absorver mais nada de água, te deixando ensopado. Os índios não “trabalham” por seis meses dentro da mata por uma única razão: a floresta os deixaria todos com infecções nos pulmões. Nenhuma madeireira funciona deste período pelo mesmo motivo.</p>
<p>Outra coisa que você não lembra é que a floresta tropical não é um tapete verde. Se vista de cima, até parece mesmo, mas por dentro o que você vê é um monte de coisas radicalmente diferentes de tapetes. O chão é um sobe e desce sem fim, com muitos obstáculos grandes e pequenos no caminho, de maneira que andar para um lugar dois mil metros à frente leva muito mais que dois mil metros, devido aos desvios. E falando nos obstáculos, a maior parte será composta por árvores caídas, pois a regeneração natural das florestas desse tipo se dão através destas clareiras naturais. Imagine agora que as árvores que caem são aquelas mais altas, que ultrapassam o “teto” da mata... imagine agora que os obstáculos pequenos serão cobras venenosas que se escondem próximas à essas árvores, dentro ou fora destas, milhões de vespas extremamente agressivas e outras coisas que se te picarem, dificilmente te darão tempo para voltar à civilização.</p>
<p>Para se ter uma idéia, aquele lugar era tão cheio de onças e suçuaranas que não parávamos de encontrar marcas arvores marcadas com suas garras, uma vez que elas afiam e limpas as unhas nas envireiras, e vez em quando sentíamos o cheiro de carniça de suas refeições, mas não tínhamos medo, pois com o barulho elas fugiam. Cobras venenosas não fogem, mas se escondem, e se elas acham que você passou perto demais...</p>
<p>A terceira coisa que se deve lembrar é que há gente por todo o lado. Passamos por duas nações indígenas antes mesmo de entrarmos na mata, e lá dentro encontramos marcas de civilização, como lixo plástico, além de rastros de caçadores e mesmo velas vermelhas, pretas e roxas acesas perto de uma cachoeira para o seu orixá.</p>
<p>Imagine isso por semanas ou meses. Como afetará a cabeça de um urbano? Mesmo alguém acostumado com a vida dura nas montanhas ou no deserto vai sofrer muito por aqui.</p>
<p>Da próxima vez em que for descrever uma passagem por uma floresta tropical úmida (existem na África, Malásia, China, Brasil...), não se contente em dizer que a floresta é exuberante, quente, verde, interminável, cheia de insetos. Tudo isso está lá e muito mais, mais do que se poderia contar aqui. Há rios correndo lá, animais que avisam aos outros da sua presença, predadores e rebanhos de porcos selvagens com mais de setecentos indivíduos. Quanto mais se conhece, mas se percebe que as espécies de árvores mudam conforme se vai andando e o chão muda junto, se tornando arenoso, argiloso, encharcado, rico, pobre.</p>
<p>O ideal é falar de mudanças constantes, ou se o grupo está sendo guiado por alguém que sabe muito mais do que eles, como um guia local, dizer que o guia toma atalhos demorados demais, aparentemente sem razão e que este não vê problemas em andar demais para chegar em algum lugar apenas para mostrar uma plantação de mandioca ou uma vista bonita. Um local só mora em um lugar inóspito porque não conhece outra vida ou porque ama esse lugar, conhecendo-o muito bem de qualquer modo.
</p></div>
<div style="text-align:justify;">Vai entrar na floresta? Errado! A floresta vai engolir você!</div>
<div style="text-align:justify;">Texto por: Ricardo "Cão Babão"</div>
<div style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://www.paraty.tur.br/culturasetradicoes/img/curupira.jpg" alt="curupira" /></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Casa de Chá - Segunda Parte]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=226</link>
<pubDate>Tue, 13 May 2008 11:22:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[
A sala era só bancadas, como uma oficina. Superexcitado com a descoberta, me afastei o mais que eu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><img class="alignnone aligncenter" src="http://www.lazyhiker.com/photo/hike/japan/50_honshu/1125_nara/tips--travel_info/061125160524_food--nara_tea_house.jpg" alt="tea house" width="460" height="273" /></div>
<div style="text-align:justify;">A sala era só bancadas, como uma oficina. Superexcitado com a descoberta, me afastei o mais que eu pude da bancada do zumbi para olhá-lo debaixo da mesa. A criatura estava imóvel, finalmente morta, mas aí outro zumbi veio da bancada mais próxima à minha e tentou se abraçar comigo. Mais do que depressa, meti o cano da Colt .45 na boca dele e explodi-lhe a cabeça. Nem me lembro como foi que a arma foi parar lá tão depressa, nunca me movi tão rápido, nem quando eu era menino. Mas aí foi a vez do cérebro trabalhar rápido: percebi que o barulho atrairia outros, já que o morto do outro John não era um caso isolado, que a vila estava desabitada porque seus habitantes sofreram a conversão maldita e que existem muitas maneiras de se produzir um zumbi, mas em grande quantidade só maldição ou vírus e daí lembrei que o bom doutor que iríamos encontrar era especialista em criptozoologia e em microbiologia.</p>
<p>- Temos de sair rápido daqui e sem barulho, mas mortos virão rápido para cá.<br />
- Tem mais?<br />
- Sim, com certeza. Somem dois mais dois: a agência trabalha com o oculto e nosso doutor é microbiólogo e criptozoólogo. Foi ele quem criou estas coisas, e por vírus.</p>
<p>Quando estávamos para sair, o outro John ouviu um gemido. De alguma maneira, ele sabia que não eram mortos e gritou que a ajuda já havia chegado. Depois de uns dez segundos, que pareceram uma eternidade, uma voz de garotinha deu graças à Deus e abriu a porta do quarto ao lado. Ela tinha um atiçador de lareira na mão.</p>
<p>A garota nos contou que a irmã disse que iria cuidar dos pais e lhe pediu que se trancasse até a ajuda voltar. Antes que algum bocudo começasse a falar, eu disse que o pessoal da vila já estava sendo evacuado, que é por isso que não havia ninguém.</p>
<p>Mas o pior estava por vir. O outro John, sempre ele, decidiu dar uma de chefinho e não ouviu o meu conselho de sacar fora de lá. Simplesmente não estávamos equipados para uma empreitada como essa, eu disse, sou o especialista, eu disse, mas não quiseram me ouvir. E ainda iríamos levar a garotinha conosco montanha acima.</p>
<p>Acho que não mencionei, mas há uma pequena montanha no centro da ilha e o nosso bom doutor ficava lá no topo. A montanha é cercada por uma floresta de coníferas e tem uma estrada de barro, pouco mais larga que um carro, circundando ela. Como o monte era muito pouco íngreme, não havia paredões de lado algum da estrada, o que poderia significar ataques por todos os lados.</p></div>
<div style="text-align:justify;"><em>Texto por: Ricardo "Cão Babão"</em></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A casa de Chá - Parte 1]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=218</link>
<pubDate>Wed, 07 May 2008 11:41:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[

Neste final de semana eu fui buscar uma caixa com um doutor nazista que era especialista em cripto]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone aligncenter" src="http://www.lifecooler.com/lifecooler/imagens/bd/143231.jpg" alt="" /></p>
<p>Neste final de semana eu fui buscar uma caixa com um doutor nazista que era especialista em criptozoologia e microbiologia. Este estava em uma ilha de formação vulcânica, cujos habitantes eram pescadores xenófobos e chatos. Consegui ir parar lá com ajuda de uma agência não governamental que sabe uns podres meus e de alguns colegas que me foram apresentados naquele mesmo dia.</p>
<p>Um era homem branco, um metro e oitenta, ex-fuzileiro e iria ser nosso guarda-costas. Outro era um negro faz-tudo fortão, que conhecia alguma coisa sobre o homem que iríamos encontrar. Havia ainda uma mulher, não sei bem o que ela fazia lá. Eu era o especialista em monstros e magia em geral. Eu não sou um mago, isso é um erro comum, eu só reconheço a magia quando eu vejo, sei o que faz se for relativamente comum e o que eu posso fazer para evitar o pior, também não tive um monstro de estimação e o único monstro que vi até então me traumatizou profundamente. Eu sou um nerd de 42 anos!</p>
<p>Chegamos na tal ilhota e não vimos ninguém. Estava tudo silencioso e escuro, como se todos tivessem ido embora, mas eu não me preocupei com isso, porque estava chovendo como não chovia há anos e havíamos passado seis horas sendo jogados de um lado para outro em um barco pesqueiro para chegar até ali. Acho que esqueci de dizer também que sou preguiçoso e que disse para o negro, que tem o mesmo nome que eu - John - ser o líder da expedição, para que eu não tivesse de preencher a papelada que viria depois, mas sutilmente o comandava através de conselhos bem dados. Saímos debaixo de chuva assim que eu o convenci a arrebentar uma espécie de dispensa enorme, contígua à uma casa e depois de pô-lo para ficar de guarda, junto com o “fuzileiro”, fui dormir o sono dos justos, entre iscas de peixe e ratos.</p>
<p>Pela manhã chovia ainda mais que no dia anterior, se é que isso era possível, com direito a raios e trovões assustadores. Água, água e mais água. O outro John arrombou uma porta que levava para dentro da casa colada ao galpão de mantimentos para conversar com os moradores, logo após bater por uns cinco minutos inteiros e não obter respostas. Qualquer coisa, estávamos andando ainda com mil e seiscentos dólares que haviam sobrado dos dois mil que nos entregou a agência conhecida apenas por Casa de Chá.</p>
<p>Ninguém apareceu. Começamos a andar pela casa e os homens de ação sacaram seus revólveres. Cada um de nós recebeu uma Colt .45, com ordens de não atirar senão em caso de grande necessidade. Apesar de saber atirar muito bem, jamais atirei em nada além dos alvos nos campos de tiro e esperava que continuasse assim.</p>
<p>Eu não gosto de computadores. Sou mais antigo que os computadores pessoais e gosto de pesquisar em livro e desconfio da informação da Internet. Meu equipamento se resumia a papel, caneta, lanterna e arma. Fui eu quem lembrou de que carregávamos lanternas e acendi a coisa para ver por dentro da casa, que estava escura como o inferno. Ninguém aparecia, mesmo com o outro John chamando, chegamos em um quarto e o abrimos, nada, entramos, nada, iluminamos, nada. Nada exceto um cheiro de carne podre.</p>
<p>Andamos pelo aposento e todos se assustaram muito quando o outro John deu um tiro no chão. “O que?” perguntei. “Vocês viram isso?” foi a resposta.</p>
<p>- O que foi que você viu, caralho?<br />
- Um zumbi!<br />
- Um zumbi? Um zumbi de verdade? Cadê?<br />
- Debaixo da mesa! Tentou comer minha bota.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://cardboardmonocle.com/blog/wp-content/uploads/2007/02/ZombieValentine.jpg" alt="Zombie" /></p>
<p style="text-align:left;">Texto por: Ricardo "Cão Babão"</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://www.starcitygames.com/images/tokens/Zombie.jpg" alt="" /></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Como tornar um grupo participativo]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=209</link>
<pubDate>Mon, 05 May 2008 11:19:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Algo que todo mundo quer é ter uma mesa de RPG com pessoas interessadas e interessantes. Eu sempre]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://www.rasalvatore.com/pics/D_D_pinup_color_t.jpg" alt="" /></p>
<p>Algo que todo mundo quer é ter uma mesa de RPG com pessoas interessadas e interessantes. Eu sempre procurei fazer que meus grupos ficassem os mais heterogêneos possíveis, tipo colocando na mesma mesa mulheres, meninos e homens, promovendo a interação entre os brothers, conhecidos e desconhecidos. Todos ficam amigos e as características de um grupo assim são mais abrangentes que as de um pessoal que só quer “matar, pilhar, destruir!”.</p>
<p>Aonde antes você tinha ações impulsivas e descoordenadas, você tem movimentos ponderados e coordenados. Aonde você via um grupo que hesitava demais, você tem um grupo de bravos, que teme o que está por vir, mas que o enfrenta. Só o tolo não tem medo de nada, e coragem é enfrentar o que se teme, dominando seu medo.</p>
<p>Tudo isso com os mais variados pontos de vista funcionando em conjunto: no grupo temos gente pensando como um bárbaro pensaria, vendo as coisas sob ótica feminina, fazendo as coisas objetivamente como as crianças geralmente o fazem e pensando “e se...” do jeito dos mais velhos. Assim é fácil fazer a história se desenrolar.</p>
<p>Mas e se o grupo começou a jogar agora, só com garotos de 13 a 16 anos e todos estranhos uns aos outros, como acontece muito em convenções? Viram como usei “e se...”? Tenho quase 29 anos!</p>
<p>Não existe uma fórmula pronta para resolver esta questão. A solução para isso talvez esteja na sensibilidade do mestre do jogo. Mas um bom primeiro passo seria adaptar uma aventura para iniciantes, coisa que pouca gente faz hoje em dia...</p>
<p>Falando sério: os caras são novatos, não podem enfrentar nem um troll se falarmos em AD&#38;D, quanto mais um dragão. E se o mestre fizer armas para que eles enfrentem dragões, vai estar tirando o receio natural, que todo jogador deverá ter no futuro, de enfrentar as grandes dificuldades dos jogos vindouros. Daí, sem desafio, sem emoção. O melhor aqui é pôr os jogadores para lutar com goblins abusados e mesmo kobolds ardilosos.</p>
<p>E se o grupo já é de experientes, que já não tem medo de dragões e que portam armas maravilhosas?</p>
<p>Aqui o lance é retirar os caras do lugar-comum. As armas são para enfrentar dragões? Dê a eles um golem de ferro, por exemplo. Esses golems são como os robôs gigantes japoneses e ainda têm um líquido em ebulição dentro deles, que jorra no desgraçado que conseguir cortá-lo. Mas não ponha o golem perseguindo-os, mas como guardião de algo que o grupo quer muito, para que eles tenham de pensar num jeito criativo de derrotar o monstro. Outra maneira de faze-los trabalhar legal seria tirar as armas deles, seja através de ladrões, de uma luta aonde as armas se estragam ou porque a mágica que as alimenta se acabou. Daí você lhes dá uma história aonde terão de enfrentar monstros mais simples (o que facilita a história pra você), mas com algumas complicações pelo caminho, afim de que possam recuperar as armas maravilhosas.</p>
<p>Mas e se o grupo for só de mulheres intelectualmente superiores</p>
<p>Texto por: Ricardo "Cão Babão"</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Como interpretar um personagem diferente de você?]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=197</link>
<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 11:18:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[Muita gente quer fazer um personagem que é bem diferente dele mesmo. Eu sempre fiz isso, mas era f]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Muita gente quer fazer um personagem que é bem diferente dele mesmo. Eu sempre fiz isso, mas era fácil, porque eu simplesmente dava vazão à Besta interior. Mas como fazer quando se trata de interpretar características que você simplesmente não possui?</p>
<p>Existem duas situações aqui: na primeira você é um mestre, que tem um personagem não jogador para trabalhar no jogo, na segunda situação, você é um jogador com um personagem que possui atributos que você não tem.</p>
<p>Quando se é o mestre é muito fácil resolver esse problema. Como eu sempre digo: não existe uma só maneira de resolver isso, daí a mania de mostrar tudo com exemplos: um cientista do Mal, com o dobro do seu QI, pode ser interpretado simplesmente com o cientista descobrindo todos os planos do grupo de aventureiros do Bem que quer frustrar os planos dele. Um agente secreto inimigo com charme demais conseguirá mulheres demais e estará nas festas de todos os lugares, sem muito esforço. Como eu disse, é fácil.</p>
<p>Mas quando se trata de um personagem muito diferente do jogador é diferente: o cara não tem como saber os planos de antemão ou coisa assim. O que poderia ser feito pelo mestre é dizer que os testes de manipulação são mais fáceis para o personagem se ele tem grande valor em manipulação, ou o que quer que seja, de acordo com o sistema ou tipo de personagem, mas isso não ajuda com a interpretação.</p>
<p>Quando falamos em interpretação, pouco pensamos em coisas como AD&#38;D, mas a verdade é que a interpretação têm sua parcela de importância nesses sistemas também. Ainda que não sejam fundamentados em interpretação, esses sistemas simplesmente perderiam o sentido se um paladino agisse como ladino e o ladino como mago.</p>
<p>O que o cara tem de fazer é o que qualquer ator faz: laboratório, pesquisa mesmo. Vá ver filmes. Quer ser paladino? Assista Coração de Dragão! Quer ser ladino? Assista Zorro! Quer ser um vampiro noviço, que tem uma família de vampiros e uma organização que também funciona como a Camarrila, mas não quer algo manjado? Vai assistir ao Guardiões da Noite (Night Watchers) correndo! O segredo é encontrar um personagem que é o que você está procurando. Se o personagem é conhecido em quadrinhos, vá ler. Depois vá assistir ao filme se já adaptaram.</p>
<p>Esse "estudo" está longe de ser chato ou coisa assim. Você vai ver que é muito bom conhecer mais os tipos humanos, assistir a filmes diferentes, entender as coisas por outra ótica, essas coisas. Você pode inclusive se espelhar em, alguém que você conhece, não tem nada de mais. Eu já fiz isso!</p>
<p>Texto por: Ricardo "Cão Babão"</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Babão]]></title>
<link>http://privategus.wordpress.com/?p=3</link>
<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 01:33:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>privategus</dc:creator>
<guid>http://privategus.wordpress.com/?p=3</guid>
<description><![CDATA[
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://privategus.files.wordpress.com/2008/04/2345.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4" src="http://privategus.wordpress.com/files/2008/04/2345.jpg?w=300" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Strodiak]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=148</link>
<pubDate>Wed, 09 Apr 2008 11:29:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Na porção nordeste do mundo, há alguns milênios atrás, havia uma tribo bárbara e nômade pert]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://suserania.wordpress.com/files/2008/04/ist2_3677609_wild_boar.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-149" src="http://suserania.wordpress.com/files/2008/04/ist2_3677609_wild_boar.jpg" alt="" width="270" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Na porção nordeste do mundo, há alguns milênios atrás, havia uma tribo bárbara e nômade pertencente à antiga raça dos anões. Esta tribo referia-se a si mesma como Strödia-klan, que significa povo-javali, pois se julgavam similares em muitos aspectos a essa criatura. A região ocupada por esses nômades ainda hoje é chamada por outros povos de Bravária, mas tais anões a chamam de Strödiak, nome de um javali local.</p>
<p>Devido às constantes andanças, as pernas daqueles anões se tornaram ligeiramente mais longas que as dos outros de sua raça, que passaram mais tempo sob as montanhas. Isso fez com que fossem para sempre vistos com desconfiança pelos demais, mas que também os levou a se tornarem os mais adaptáveis, socialmente falando, dos anões que povoam nosso mundo. Essa facilidade em lidar com as outras raças fez com que se tornassem bárbaros mais cultos e bem informados que a maioria, os mostrou o que é a cerveja, que seria uma das paixões daquele povo e plantou as sementes o os retiraria de vez da barbárie, rumo à civilização.</p>
<p>Seus corpos não eram projetados para as longas caminhadas e eles colonizaram muito lentamente sua região, finalmente se estabelecendo próximo à uma grande montanha, parcialmente coberta por uma floresta de coníferas. De lá, a atração natural dos anões pelas pedras os levou a penetrar cada vez mais profundamente naquela que passaram a chamar de Strödia-klan-dûr. Lar-dos-Bravos-do-Povo-Javali, em uma tradução aproximada.</p>
<p>Esse povo se identificava com os javalis por diversos motivos. Os cabelos dos strödia-klan possuíam tonalidades que iam do ruivo ao loiro, na maioria. Eram onívoros com predileção por tubérculos, frutas e verduras. Possuíam estrutura familiar e lutavam em conjunto muito bem, mas igualmente não podiam ser derrubados com facilidade quando sozinhos. Não eram predadores, mas não eram presas fáceis. Se necessário, sua fúria subiria às estrelas. Eram baixos, mas fortes. Suas armas eram pequenas, mas mortíferas. Eram vigorosos, inteligentes e capazes, exatamente como os javalis de sua terra.</p>
<p>Os rituais que envolviam javalis terminavam com um jantar aonde o prato principal era esse animal. Ainda assim os strödia-klan não usavam partes do javali como adorno, ou mesmo a sua pele como roupa ou tambor, pois este é considerado nobre. Os strödia-klan agradeciam ao espírito-javali por manter a unidade da tribo e por partilhar de sua força com eles. Esta festa é chamada wil’dboar. Porco selvagem na língua comum.</p>
<p>Acontece que com o passar dos séculos o ritual simples e bárbaro foi se refinando e a cerveja que era servida junto com o javali assado deveria ser cada vez melhor. Quando passaram a residir na Strödia-klan-dûr e a cultivar plantas para sua subsistência começaram a produzir sua própria cerveja. Como a cerveja deveria ser digna do espírito-javali, eles jamais deixavam de trabalhar no sentido de melhorá-la, deixando a sua cerveja cada vez mais próxima do que se poderia considerar a perfeição. Mais séculos se passaram e era sabido que a cerveja era apreciada por muitas famílias, mesmo fora da festa anual em homenagem ao javali, os mestres cervejeiros se multiplicavam e caiu de vez por terra o tabu de se beber cerveja apenas em ocasiões especiais. Já civilizados, os strödia-klan passaram inclusive a subsistir do comércio da sua cerveja, a Brava, que por ser feita com variedades especiais de lúpulo e cevada e ainda contar com acondicionamento especial na montanha, naturalmente úmida e escura possuía um sabor único.</p>
<p>Mas um fato interessante aconteceu quando de sua chegada à montanha que chamariam de lar. Sozinho e muito velho estava um anão de longas barbas brancas e com conhecimento suficiente para preencher vários livros. Esse indivíduo pertencia a um clã de anões fora completamente exterminado pelos elfos, que partiram após alguns séculos de lutas contra esses anões. O sobrevivente que lá estava ensinou muito aos strödia-klan sobre engenharia, agricultura ao estilo da sua gente, a mecânica das bestas e que deviam ter ódio daqueles que destruíram uma nação sem nem ao menos preservarem seu conhecimento ou sua história. O último destes senhores anões era Stut’Yaku, mas os colonos confundiram com Strödiak e o adotaram como seu primeiro sábio por isso. Hoje ele é lembrado como Strödiak, O Que Já Estava Lá.</p>
<p>Certa vez os elfos assassinos voltaram àquelas paragens e descobriram que esta estava repleta de anões. Mas não estavam preparados para a guerra e foram cercados em um vale e lá exterminados ao longo de algumas gerações de anões. A guerra ensinou muito aos strödia-klan, que haviam perdido aquela selvageria antiga, que conheciam armas modernas, mas que não possuíam a prática necessária para destruir um inimigo acossado rapidamente. Muitos pereceram antes que fossem refinadas as técnicas e morto o último dos elfos. Foi nessa época que, para compensar a superior habilidade élfica em arquearia que Rôm, o Caçador, criou a besta de repetição strödiak e Flip, o Ferreiro, aperfeiçoou o machado do clã.</p>
<p>Civilizando-se cada vez mais e com os principais inimigos destruídos, deixaram de ser guerreiros na maioria, dedicando-se à mineralogia, à engenharia, à forja de armas e armaduras em metal, à manufatura de machados e bestas de repetição, ao manejo florestal na montanha (para não destruir o lar dos javalis e nunca terem de buscar madeira muito longe) e também à extração, lapidação, avaliação e negociação de pedras preciosas, além da fabricação da cerveja Brava.</p>
<p>Recentemente surgiu um movimento fascista de limpeza étnica que purgou todos aqueles que não eram strödia-klan puros da Strödia-klan-dûr. Na verdade, não havia muitos mestiços, mas aqueles que não possuíam cabelos e olhos claros foram considerados inferiores e as pressões internas levaram esses a sair de seu lar, sem a necessidade de lutas. Se há uma coisa que jamais aconteceu foi um strödia-klan matar outro e a maioria prefere que continue assim.</p>
<p>Hoje, com suas mulheres e crianças à salvo, os strödia-klan aproveitam suas longas vidas ao máximo, sem esquecer o credo a Olumor, deus dos anões, ou tampouco a sua herança guerreira. Continuam prestando homenagem ao javali, mas sem idolatrá-lo, e começaram a se espalhar pelo mundo novamente, o que impossibilitou um censo que determinaria quantos desta raça notável existem.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Texto:</strong> Ricardo "Cão Babão"</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Por Deus]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=131</link>
<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 11:02:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Nós estamos acostumados com um deus como o nosso: benevolente, mas que impõem certas normas, cert]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://suserania.files.wordpress.com/2008/04/474b00e2ee591_featured_without_text_deus_ex.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-132" src="http://suserania.wordpress.com/files/2008/04/474b00e2ee591_featured_without_text_deus_ex.jpg?w=400" alt="" width="400" height="199" /></a></p>
<p>Nós estamos acostumados com um deus como o nosso: benevolente, mas que impõem certas normas, certos dogmas, para se ir ao paraíso. O mais comum no RPG, no entanto, é que o deus não tenha nada a ver com isso, até porque são baseados em conceitos, deuses menores do passado (e alguns da atualidade) da humanidade ou ainda em literatura.</p>
<p>Quem leu O Senhor dos Anéis sabe para quem a elfa que casou com o rei humano no final da saga rezou para invocar os cavalos de água. Quem lê Conan sabe que Crom só concede tempo para o guerreiro pegar a espada e fazer o que tiver de fazer, mais nada.</p>
<p>O Deus dos elfos do Senhor dos Anéis não deu alma à eles. No dia em que morrem, renascem em corpo do outro lado de um enorme oceano. É para lá que todos eles foram no final do filme, para rever os amigos. Se o Conan morrer, não importa o que ele fez em vida: Crom vai mandá-lo para os Campos Negros de Crom, aonde o guerreiro vagará sem entender o que está acontecendo, sem encontrar coisa alguma ou alguém, para sempre...</p>
<p>Eru o deus que criou todas as coisas em O Senhor dos Anéis é grande como o Universo. A Terra é uma jóia pequena e importante para. Crom é grande, mas não muito, e fica sentado em cima de uma montanha, no além, só olhando.</p>
<p>Se você vai criar um clérigo, é interessante explicar o deus também. Os deuses só pedem o que pedem porque no fim vão recompensar de acordo. Crom não dá nada e não pede nada, os deuses gregos e romanos eram quase como playboys (com raras exceções) e as entidades do candomblé são incrivelmente variadas entre si, mas com alguma coisa em comum, tal como pedir oferendas em comida.</p>
<p>Os deuses gostam mais dos que se parecem com eles. A Mulher Maravilha é a campeã da deusa Atena porque é mulher, sábia e inumana tal qual ela. Zeus adorava Hércules porque este era seu filho e “puxou” várias de suas qualidades de macho dominante, era temido e respeitado e quando morreu, se tornou deus e se casou com a deusa Hebe (dos serviços domésticos)...</p>
<p>Ao explicar a história e costumes de seu deus, ficará mais fácil ter um código de conduta em mente. Mas lembre-se: se o deus dá muito ele pede muito – isso é bom para os clérigos, mas não para os guerreiros – se o deus dá quase nada, pede pouco, e isso é mal para clérigos e bom para os guerreiros.</p>
<p>Inté!</p>
<p><span style="color:#008000;"><em>Texto por: Ricardo "Cão BaBão"</em></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Frase do Dia - 04/04/2008]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/2008/04/04/frase-do-dia-04042008/</link>
<pubDate>Fri, 04 Apr 2008 14:28:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[&#8220;O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontece]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify" style="line-height:normal;" class="MsoNormal"><b><span style="font-size:16pt;">"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis</span></b><span style="font-size:16pt;">."</span><span style="font-size:10pt;"></span></p>
<p align="justify"><span style="font-size:20pt;line-height:115%;"></span></p>
<p align="center" style="text-align:center;" class="MsoNormal"><span style="line-height:115%;">(Fernando Pessoa)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="line-height:115%;"></span></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><i><span style="line-height:115%;">Fernando António Nogueira Pessoa</span></i><span style="line-height:115%;"> (Lisboa, 13 de junho de 1888 - 30 de novembro de 1935), foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><i>Fonte: Carlos Nogueira </i></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ilha Odracir]]></title>
<link>http://suserania.wordpress.com/?p=112</link>
<pubDate>Fri, 04 Apr 2008 11:23:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>suserania</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Na costa do continente, numa região conhecida como o Fim do Mundo, existe uma ilha povoada por bá]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://suserania.wordpress.com/files/2008/04/bocklin35.jpg" alt="ilha" /></p>
<p align="justify">Na costa do continente, numa região conhecida como o Fim do Mundo, existe uma ilha povoada por bárbaros. O povo da região chegou na ilha través de uma tribo que morava no continente e que se equilibravam sobre pranchas para atravessar pequenos braços de mar. Muitos milhares de anos passaram para os que decidiram ficar na ilha e ocorreu uma “especiação” que levou os bárbaros da ilha a se tornarem uma raça poderosa e singular.</p>
<p align="justify">
A ilha é de origem vulcânica e não se pode cruzá-la de ponta a ponta porque há uma grande montanha ocupando todo o centro desta. A princípio os habitantes ocuparam as praias, sobrevivendo de peixes e frutas, mas com o tempo a montanha sempre presente os atraiu e passaram a colonizá-la. Logo se mostrou impossível chegar ao topo. Na montanha aprenderam a escalar com os enormes bodes cinzentos que lá viviam também e desenvolveram uma arma extremamente útil para a escalada, a kcaj, misto de bastão de escalada, porrete e lança. Hoje é uma arma mais ritual que prática, pois aquele povo já conhece o aço há gerações.</p>
<p align="justify">
Quando foram descobertos gigantes morando a certa altura da montanha, os anciões decidiram que estes deveriam ser deixados em paz, pois eram habitantes mais antigos que eles próprios. A princípio parecia que iria tudo bem, mas um dia os gigantes desceram em quantidade da montanha e arrasaram a vila, matando muito poucos, no entanto. Refeitos do susto e tendo escorraçado os gigantes, os bárbaros montanheses decidiram subir a montanha e exterminar os gigantes, para garantir o futuro de sua própria gente. Mas os gigantes, melhores conhecedores do terreno e lutando em terreno mais elevado, levavam vantagem e a luta entre as duas raças durou séculos, pois nenhum dos dois grupos queria fazer uma investida total sob o risco de deixarem suas mulheres, velhos e crianças desprotegidas. Como os humanos se reproduziam mais rápido, possuíam melhor oferta de suprimentos e eram mais engenhosos terminaram por riscar os gigantes do mapa da ilha.</p>
<p align="justify">
Os bodes cinzentos ocupam uma posição importante na cultura destes bárbaros. Os bodes mostraram como subir melhor, seu couro serve de abrigo para o frio, seus cascos e chifres de enfeites e quando o jovem bárbaro atingia treze anos tinha de subir a montanha até encontrar um grande bode e matá-lo sem armas. Esses bodes não são presa fácil, pois pesam algo em torno de cento e cinqüenta quilos, subiam montanha acima a cinqüenta quilômetros por hora, desciam a oitenta e suas cabeçadas podiam tanto partir pedras quanto arremessar um homem forte para um dos abismos das montanhas. Não se era obrigado a matar um dos grandes, mas voltar com um pequeno era mal visto e matar fêmeas e filhotes só para salvar a própria vida. Dentre as tatuagens tribais, a cabeça de bode com chifres recurvados é motivo recorrente.</p>
<p align="justify">
A montanha também era muito importante, pois era a coisa mais alta que conheciam, moravam nela, dela retiravam boa parte dos alimentos e a água potável escorria por ela. Na montanha eles escalavam todos os dias a trabalho ou por diversão, geralmente sem usar as mãos e a montanha os tornou duros e fortes.</p>
<p align="justify">
Ainda assim, estes bárbaros sem nome não cultuavam um deus bode, ou um deus montanha. E sentiam falta disso. Em geral cultuavam a natureza e se sentiam gratos quando o dia acabava e eles permaneciam vivos.</p>
<p align="justify">
Setenta e sete gerações atrás o melhor escalador da vila era um grande guerreiro chamado Odracir. Depois de passar por todo o tipo de provas e cumprir com seus deveres para com a tribo, já em idade avançada, Odracir decidiu subir a montanha até o cume. Como jamais retornou, foi considerado deus por seu povo, que passou a chamar seu lar de Ilha de Odracir e a se apresentarem como Odracírios, que significa “parentes de Odracir” na sua língua natal, a megaieluf.</p>
<div align="center"><img src="http://suserania.wordpress.com/files/2008/04/isla-muertos.gif" alt="isla-muertos.gif" /></div>
</p>
<p align="justify">É um fenômeno moderno ainda não explicável por nenhum sábio o que leva muitos dos jovens odracírios a se tornarem aventureiros. Quase todos os que decidem sair da ilha não retornam, e os que retornam costumam se sentir pouco à vontade em sua própria terra e acabam por deixá-la novamente. Mesmo assim os aventureiros que retornam são bem recebidos e bem tratados até que partam novamente. O mesmo não ocorre com visitantes, que são, em geral, escorraçados.<br />
Qualquer criança sabe surfar na Ilha de Odracir, mas desde cedo lhes é mostrado que é mais importante saber lidar com a montanha. O surf é algo em segundo plano, se comparado com as várias modalidades de escalada. O odracírio médio, se conhecedor do terreno, pode escalar sem usar as mãos.</p>
<p align="justify">
As tatuagens dos odracírios são rituais. Cada tatuagem conta uma parte da história do homem, sendo a primeira tatuagem algo relativo ao bode cinzento que matou ao completar treze anos. Outras tatuagens dizem respeito à profissão, que pode ser a de ferreiro ou guerreiro, um inimigo importante caído, um grande feito, um casamento ou o advento de filhos. Não existe uma hora para se deixar de se tatuar.</p>
<p align="justify">
Ainda que possuam um baixo nível tecnológico e nenhum mago ou clérigo entre eles, não são bárbaros imbecis. São de modos simples e ainda seguem aquele antigo código, que é respeitado pela maioria dos animais, que prega que fêmeas, velhos e crianças devem ser poupados e protegidos, a menos que ameacem a sua própria existência.</p>
<p align="justify">
Quando não estão praticando escalada ou lutando uns com os outros, com algum inimigo ou com os bodes, o odracírio passa um bom tempo meditando na montanha. Os aventureiros costumam subir em telhados ou coisas mais altas para meditar, mas não em árvores, que não servem para a reflexão. Isso somado uma grande curiosidade, comum a toda a tribo, talvez explique o rápido aprendizado do odracírio que busca aprender alguma coisa sobre aquilo que não existe em sua terra natal.<br />
Os odracírios aventureiros não comparam nenhuma terra com a sua, nenhuma montanha coma a Montanha de Odracir, de maneira que podem ser encontrados em qualquer lugar. Afirmam que só a Ilha de Odracir é singular, e todos os outros lugares se parecem uns com os outros. Assim sendo, não evitam qualquer lugar por considerarem todos a mesma coisa.<br />
O mesmo não acontece com os bárbaros e os filósofos. Os odracírios os consideram parentes de outras pessoas similares a Odracir, e prestam homenagens a estes, se possível.</p>
<p align="justify">
As variações de humor dos odracírios é muito difícil de ser prevista. Tanto podem se portar como os filósofos da montanha quanto como os bárbaros que são. Aparentemente, não há um intermediário entre o debater o e bater, o que leva uma conversa civilizada a uma pancadaria generalizada de um instante para o outro. Os odracírios lutam para se divertir tanto quanto outros povos bebem ou cantam.
</p>
<p align="justify">Texto por: Ricardo "Cão Babão"</p>
]]></content:encoded>
</item>

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