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	<title>autores-em-que-espelho &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/autores-em-que-espelho/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "autores-em-que-espelho"</description>
	<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 06:13:33 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Ária para Fernanda]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=79</link>
<pubDate>Mon, 07 Jul 2008 01:49:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/07/06/aria-para-fernanda/</guid>
<description><![CDATA[(Maria de Fátima Prado-20/05/2006)
Ah menina, não te engane por esses desenhos nos muros, de uma c]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>(Maria de Fátima Prado-20/05/2006)</p>
<p>Ah menina, não te engane por esses desenhos nos muros, de uma criança empinando uma pipa, mas na</p>
<p>verdade é a pipa que empina a criança e ela nem percebe isso!</p>
<p>Vê aquele homem correndo verticalmente em direção ao sol,</p>
<p>sem conseguir conter a náusea? A vida o deixou assim;</p>
<p>chorando a inocência dos monstros, sentindo a cartilagem dos feridos...</p>
<p>Agora o chamam de louco. Idiotas! Não vêem que ele</p>
<p>está a fazer poesia...</p>
<p>Falar-te de flores? Como? Se as que plantei</p>
<p>nem me lembro onde para poder colhê-las?</p>
<p>Vê em mim essas marcas de vinho tinto?</p>
<p>é assim que escrevo um livro pois</p>
<p>roubaram me a biblioteca, caverna de palavras</p>
<p>puras onde minavam meus versos.</p>
<p>Ah, menina não fique assim como eu,</p>
<p>brinque zombando de tudo que ainda há tempo,</p>
<p>porque não terás rumo e tua bussola será</p>
<p>os braços cansados dos remos.</p>
<p>Arrebenta os cadeados dos parques fechados</p>
<p>E anda de bicicleta com o moleque triste</p>
<p>Que te observa do lado de fora da grade</p>
<p>não seja assim como ele, e que nunca</p>
<p>te vejam cavando trincheiras nos</p>
<p>olhos quando a saudade chega</p>
<p>Vá, enterre os ossos das asas</p>
<p>que morreram na primavera.</p>
<p>Endureça seu coração, marca em brasa</p>
<p>a veia líquida do amor e sigas em frente.</p>
<p>Amadureça que nem bicho e foge para as matas</p>
<p>mas não deixa que te cacem enquanto fruto</p>
<p>mantenha-se verde, porque se te colherem só valerás</p>
<p>prá eles o tempo de enfeitares a fruteira...</p>
<p>Fere  o rosto do outono com o bisturi do vento</p>
<p>e farás com que as estações desgarrem-se de ti pouco a pouco.</p>
<p>Vá menina, que o tempo afogará teus bons momentos</p>
<p>na palidez do nunca mais. Parta agora</p>
<p>E de bagagem, só o sorriso da boneca de pano que</p>
<p>sempre será o mesmo, a cortina dançarina da sala, as</p>
<p>cirandas que não se romperam e o amigo que cavou</p>
<p>dentro dos olhos o poço da tua ausência</p>
<p>Nada mais, além disso, porque pesam muito as lembranças...</p>
<p>Vá embora logo, suma da minha frente! (antes que</p>
<p>Eu me arrependa e te peça pra ficar)</p>
<p>Porque da minha parte não haverá verso nem prosa,</p>
<p>não haverá dedicatória, nem dor, nem lágrima,</p>
<p>nem aceno, sem colo.</p>
<p>Prá que não fique assim tão tola como eu agora</p>
<p>deixando que a vida pareça um grande oceano</p>
<p>e eu só tenha essa gota de sal pra te ofertar</p>
<p>Presa nos olhos.</p>
<p>_____________________________________________________________________</p>
<p>Lirismo escorre pelos versos de Fátima; no exercício de entredizer meus olhos, aconselhou vida. Conselhos feminis. Fátima é doçura, deixou que eu colocasse sua poesia aqui.</p>
<p>(diálogo paralelo: e se o moleque triste não quiser andar de bicicleta comigo?)</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Alvoroço de Helena]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=51</link>
<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 02:05:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/04/05/o-alvoroco-de-helena/</guid>
<description><![CDATA[ (desprumada, repliquei)
 O Alvoroço de Helena 
 
Helena está com o âmago um tanto que alvora]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="Nenhum"></a><img class="alignleft size-full wp-image-56" style="float:left;" src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/04/cecilia-interludio3.jpg" alt="" width="235" height="569" /> <span>(desprumada, repliquei)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span><strong> </strong></span><span><strong>O Alvoroço de Helena</strong> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Helena está com o âmago um tanto que alvoraçado. Ela atravessa a sala silenciosamente (cuida pra fazer o mínimo de barulho); pára frente à janela, espalma as mãos nos vidros e observa o céu que anuncia tempestade. Ele está do outro lado da sala, lendo coisas seriíssimas, seriíssimas (cogita Helena). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Silêncio de túmulo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Ele lê, do outro lado da sala. Seriíssimo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>- Noite horrenda. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Ela comenta por comentar. Quase grita: Noite horrenda! Há um alvoroço silencioso no âmago de Helena.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Silêncio de túmulo. Ele não levanta os olhos do livro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Ela espera sem se voltar pr’ele. Espera. Eternidades depois, desatento, ele lhe responde.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>- Claro, claro. Noite horrenda.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span>Helena se acalma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Noturna de Solidão ou Agitato]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=41</link>
<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 01:11:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
<guid>http://numadessas.pt-br.wordpress.com/2008/03/03/noturna-de-solidao-ou-agitato/</guid>
<description><![CDATA[Velha. Sente-se velha. Aos 43 anos, indubitavelmente, velha. Agora, odeia esta casa, pois seu único]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Velha. Sente-se velha. Aos 43 anos, indubitavelmente, velha. Agora, odeia esta casa, pois seu único amor em vida (sua mãe) já não a povoa. Morta há dois dias, sua mãe. E, subita e indubitavelmente, ela sente-se velha. Nesta noite, subita e indubitavelmente, é uma velha.</p>
<p style="text-align:justify;"><img src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/03/agitato_noturno-de-solidao.jpg" border="1" alt="agitato_noturno-de-solidao.jpg" hspace="1" vspace="1" width="302" height="465" align="left" />Das portas de vidro (da casa que agora odeia) ela vê o mar. Cola as mãos nas portas de vidro, tem o rosto congestionado, e olha o mar. Faz o esforço de um murmúrio, se esforça para ao menos murmurar, mas a garganta recusa o som. Olhos franzidos, ela abraça-se (tão velha, velha) e tenta pronunciar (não tem a força de um murmúrio): mãe.</p>
<p style="text-align:justify;">A boca faz o movimento, mas o som se recusa (tem a força de uma velha; os lábios empapados de lágrimas abertos em um “O” perfeito): mãe? mãe? Força de uma velha chorona: não consegue pronunciar. Velha chorona e odeia-se por isso.</p>
<p style="text-align:justify;"><img src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/03/agitato_noturno-de-solidao.jpg" border="0" alt="agitato_noturno-de-solidao.jpg" width="1" height="1" align="middle" />Olha o mar pela porta de vidro. Mar negro de noite. Ao alto, nuvens pumbleas correm desenfreadas pelo céu, loucas feito desgraças. A noite é dos mortos e daqueles aos quais só resta (só é possível) a vigília mórbida de um velório eterno. A boca torta borbulha o <img src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/03/agitato_noturno-de-solidao.jpg" border="0" alt="agitato_noturno-de-solidao.jpg" width="1" height="1" align="left" />murmúrio: “Noite, Meu Deus” (à frente dela um abismo de choro compulsivo).</p>
<p style="text-align:justify;">Lábios empapados de lágrimas, contorcidos de dor de quase-choro. Abraçada a si mesma, anda pela casa odiada. Evita fechar os olhos, pois, sob as pálpebras fechadas estão impressas imagens de violinistas sangrados e sem lábios, mórbidos. Nuvens pumbleas correm pelo céu, desenfreadas como as piores desgraças. Sente-se velha e não nota que, ao passar pelos vasos de pedra negra de sua bela sala, os lírios murcham e fedem – nojentos e mortos.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela crava as unhas na pele, quando envolve o pescoço com as próprias mãos. Violinistas de faces descarnadas, mar revolto e sua mãe não está ali. Unhas adentram a própria pele sem perdão algum, nenhum perdão, nenhum. Sua silhueta é efêmera dentro da casa escura. Lábios (contorcidos) afogados em lágrimas, rosto congestionado. “Noite, Meu Deus”. Os lírios fedendo horrendamente e ela não nota, pois tem desespero na voz de velha: “<a title="agitato" href="http://numadessas.wordpress.com/2008/02/07/agitato/" target="_blank">Que noite</a>”, ela sussurra.</p>
<p><em>Fernanda Cristina<br />
(23/02/07)</em></p>
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